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Caça francês Rafale decola de porta-aviões para atacar forças de Kadafi

O tempo vai estar quente amanhã, 14, quinta, e depois de amanhã em Berlim, quando se reunirão os ministros de relações exteriores dos 28 países-membros da OTAN, a aliança militar ocidental, e ministros de outros “países parceiros” que participam das operações de embargo à Líbia e de estabelecimento de uma zona de exclusão aérea ao país governado pelo ditador Muamar Kadafi.

O problemaço que os chanceleres precisarão destrinchar é que, depois que os Estados Unidos passaram o comando das operações na Líbia à aliança, as coisas, no terreno militar, pioraram para os adversários de Kadafi e melhoraram para o ditador.

Sem os 50 poderosos caças-bombardeiros norte-americanos de diferentes tipos que fustigavam, em terra, as forças e instalações de Kadafi, o ditador tem recuperado terreno e ameaça retomar uma cidade considerada chave, Misrata, no oeste do país.

A França e a Grã-Bretanha, que começaram o cerco militar a Kadafi depois que a ONU autorizou a operação, estão chiando no âmbito da União Europeia, da qual 21 países são também sócios da OTAN mas apenas cinco estão participando das operações. Houve uma reunião de chanceleres em Luxemburgo na qual o francês Alain Juppé e o britânico William Hague reclamaram: se a OTAN quis tanto assumir o comando da operação, precisa ter os meios necessários.

Há duas centenas de aviões militares participando da chamada Operação Protetor Unificado, mas, como cada país é livre para decidir como quer atuar, vêm atacando Kadafi em terra apenas a França (29 aparelhos de diferentes tipos), a Grã-Bretanha (10 Tornados, a que se somarão mais 4), a Dinamarca (4 F-16), a Noruega (6 F-16), a Bélgica (6 F-16) e o Canadá (7 F-18) vêm atacando as forças de Kadafi em terra.

A Espanha é um exemplo de país que participa da Operação, mas não agride o terreno líbio. O governo espanhol disponibilizou para a OTAN 4 caças-bombardeiros F-18 e um avião-tanque com base em Decimomannu, na Sardenha, além de manter ao largo do litoral líbio uma fragata e um submarino, só que decidiu ater-se apenas às manobras de exclusão aérea – algo a esta altura desnecessário, porque a Força Aérea de Kadafi foi virtualmente liquidada. A Itália não quer atacar por ter sido potência colonial na Líbia. A Turquia, único país muçulmano na OTAN, alega temer os danos que ações de ataque possam causar à população civil. E por aí vai.

O fato é que um fracasso da OTAN nessa operação será um golpe duríssimo na credibilidade do Ocidente – há uma dúzia de nações árabes dando apoio à operação –, lançará a organização em uma crise entre si e de seus integrantes com os EUA e, de quebra, irá golpear o prestígio interno e externo do presidente Obama, idealizador dessa forma de intervenção. E o ditador Kadafi, além de continuar no poder, acabará virando herói dos radicais muçulmanos do mundo inteiro.

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4 Comentários

sandambongo em 01 de junho de 2011

olha meus amigos eu nao defendo que okadafe continua no poder mas oque eu nao quero e ocidente e os estados unidos da merica respeitao os africanos eles deixao de se meter nos assuntos internos. eles so estao apiorar asituaçao eu gostaria que eles deixao de agradir africa.

Pepino Breve em 13 de abril de 2011

Obrigado, meu caro, pela gentileza da resposta ao meu comentário e, principalmente, pelos esclarecimentos! Não é comum ver esse tratamento respeitoso e gentil para com leitores de blogs assinados por jornalistas. Dez, nota dez para o Ricardo Setti!

Pepino Breve em 13 de abril de 2011

OTAN! Pois é, a OTAN... Fico pensando se a OTAN não é mais um dos tais entulhos autoritários, já que a sua contraparte, o Pacto de Varsóvia (ambas as organizações fortalecidas nos anos da Guerra Fria), já não mais existe. Ou permanecem razões geopolíticas para a sua permanência? Há várias. Uma é a necessidade, para os EUA, de, com sua hegemonia militar, manter um certo controle sobre os aliados. A razão "externa" é a ameaça do terrorismo islâmico. Não declarada, mas real, é a necessidade de "conter" a Rússia, potência nuclear. Por isso, por causa do "guarda-chuva nuclear" americano, é que tem tantos ex-satélites da ex-URSS querendo ingressar não apenas na OTAN, mas também na União Europeia.

Paulo Bento Bandarra em 13 de abril de 2011

Acho que a Líbia JÁ vive uma crise humanitária de enormes proporções com esta intervenção "humanitária" desastrosa de Obama e da ONU. Agora nada indica que irá se resolver sem piorar muito mais e levar ainda mais esta destruição ao caos do país. Uma luta fratricida para ver quem domina os restos do que foi um dia um país.

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