Linha do tempo: Jânio Quadros, bom de copo

Jânio já no final da vida, anos depois de deixar a Prefeitura, com o neto, Janinho: firme no copo (Foto: Arquivo pessoal de Jânio Quadros Neto)

Jânio já no final da vida, anos depois de deixar a Prefeitura de SP, com o neto, Janinho: firme no copo (Foto: Arquivo pessoal de Jânio Quadros Neto)

Amigas e amigos, após décadas de carreira, estou organizando meu site pessoal — artigos, reportagens, notas em colunas, editoriais, fotos, vídeos, tudo o que pude guardar ou recuperar. São vários milhares de itens. O site está sendo alimentado e ainda não foi ao ar, mas tenho me deliciado com textos de que nem mais me lembrava.

Como esta nota sobre o então prefeito de São Paulo (1986-1989), o ex-presidente Jânio Quadros, que enviei para a coluna do saudoso jornalista e amigo Zózimo Barrozo do Amaral no falecido e magnífico Jornal do Brasil, e publicada a 17 de setembro do longínquo ano de 1987. Eu na época dirigia a sucursal do jornal em SP e, além de coordenar o trabalho de uma grande equipe, escrevia artigos, reportagens e notas para as várias colunas do JB.

Vejam só esta, que Zózimo publicou sob o título “Tomando todas”:

“Em almoço com executivos de uma grande multinacional esta semana, o prefeito de São Paulo, Jânio Quadros, mais uma vez exibiu com grande desembaraço seu ecletismo em matéria de preferência etílica.

“Alegando inicialmente que não pretendia tomar nada, o prefeito acedeu, inicialmente, em experimentar um aperitivo especial oferecido pelo anfitriões. Gostou e bebeu tudo.

“Isso posto, passou-se ao vinho branco. Jânio tomou duas garrafas.

“Já na parte final do almoço, o prefeito transferiu suas atenções para sua atual preferência, o vinho do Porto.

“O passo seguinte, já no final do ágape, foi o licor. Jânio tomou uma generosa talagada.

“Durante todo o tempo, o ex-presidente manteve-se a prudente distância da água mineral.”

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25 Comentários

  • Fernando Costa

    Avisa quando o site for ao ar.

    Avisarei com certeza, caro Fernando.
    Abração

  • Alan XY

    Ele se dava bem com álcool. Teve uma brilhante carreira tomando todas.

  • Anônimo Paulistano

    Incrível, toda esta variedade e quantidade de bebidas ingeridas sem adição intercalada de água, no dia seguinte Jânio se transformou em quê, diante da inexorável desidratação? um figo turco?

  • Zé Mane

    Ótima atitude a sua de recuperar casos de políticos brasileiros.
    Gostaria de pedir um favor especial.
    Procure um trecho dos discursos do grande Ulysses Guimarães, onde ele prometia, para delírio da platéia, a frase:
    SALÁRIO NÃO E RENDA,
    Eu acreditava… Era um imbecil naquela época.

  • JT

    Fi-lo porque qui-lo? Não! Fi-lo porque li-tro!

  • Marcos

    Parabéns, Setti!
    Em tempos chatos e nebulosos de Dilmas, Marinas, Aécios e Pastores, nada como um texto tratando de uma ovelha desgarrada.
    Quero mais…coloque logo o site no ar!

  • Aislan

    Coloque aí na sua coluna o artigo da http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/ que fala sobre recessão (último post). Muito interessante

  • mario sergio pacheco de sousa

    Bebia muito,tinha ideias esquisitas,mas não roubava dinheiro público e não gostava de corruptos.

  • Paulo

    Mesmo nesse estado etílico, gostaria de vê-lo debatendo com a presid*nta que nos infelicita. Seria algo como o 7 x 1 da Copa…

  • RONALDE

    Há 61 anos atrás, Jânio fazia comício no bairro da Vila Prudente na capital Paulista com aquela característica impressionante de oratória, terno preto surrado com caspas nos ombros. Pois bem, meu pai, janista roxo, após o comício, convidou Jânio para tomar alguma coisa na nossa loja junto à praça em que desenrolavam os comícios do bairro. Jânio pediu ovo cozido colorido e pinga , cuja garrafa se esvaziou rapidamente nas mãos do candidato. Os demais tomaram cerveja. O homem era surreal.

  • mairalur

    Acho que fui banida do blog do Augusto. Ou será que a coluna foi hackeada? Vamos ver se aqui apareço. Boa tarde, Setti, e comentaristas.

    O blog do Augusto teve sérios problemas técnicos por quase dois dias.

  • JB Figueiredo

    Janio bebia mais e nao roubava. Pena que isso não funciona com o ****.

  • Vhera

    Da mesma forma que 1929 foi o detalhe essencial que possibilitou o discurso populista de Hitler e o início de sua ascensão ao poder, com as consequência já conhecidas de morticínios e a deflagração da 2ª guerra mundial que vitimou 70 milhões de pessoas, a eleição de Jânio da Silva Quadros foi detalhe, a meu ver, de um ato de insensatez do governo JK que, para construir Brasília, jogou o erário público ao chão e deu início a uma inflação desregrada e quem pagou o pato foi o bom político Teixeira Lott.
    A eleição desse destrambelhado senhor, em 1961, marca o início do término de um Brasil que vinha bem, malgrado os solavancos, desde a queda da ditadura getulista. Instalado no poder, Jânio pôs em prática os seus marcantes arroubos demagógicos, suas decisões e intervenções indecorosas no comportamento das pessoas e a sua sempre presente ojeriza aos poderes constituídos da nação que, desde antes do escrutínio de então, já era o motivo de um plano de gerar uma oportunidade para um golpe de estado e chegar ao “L’etat c’est moi”.
    A sua renúncia após o frustrado esquema redundou num substituto medíocre que foi a prancha necessária para o golpe militar que destruiu a democracia, fez retroceder a vida política e econômica do país e se distinguiu como o principal criadouro de Shreks como Sarney, Collor, Maluf, Antonio Carlos Magalhães, Magalhães Pinto, Delfim Neto etc., além de possibilitar a ascensão de um dos seres mais abjetos de nossa política: Luís Inácio Lula da Silva com sua tropa de esquerdistas nojentos e corruptos, todos a nos infernizar por décadas.
    Por isso, lembrar Jânio Quadros é como lembrar um pesadelo que nos atormenta até hoje e que transformou nossa política numa cornucópia de produzir ogros.

  • Kitty

    Olá Ricardo!!!! Sempre ativo meu querido amigo! Embora não conhecer muito sobre a história da vida política do Brasil e das várias trajetórias de seus personagens políticos de que digo que nunca é tarde para aprender.O ex- presidente e ex-governador de São Paulo, Jânio Quadros,que pode ser visto como um dos maiores expoentes do período, era um político contraditório e carismático, com grande poder de adesão da ala conservadora da população. Com a ideia fixa de eliminar a corrupção na política, utilizava uma vassoura como simbolo de campanha. Por sofrer, o que ele dizia de forças terríveis, acabou renunciando 7 meses depois. Sempre ouvi dizer que Jânio era um contumaz adicto ao álcool, que achei risonha a anedota contada por Você no post e que faz muito sentido de que J. Quadros era mesmo muito bom de copo. Parabéns Ricardo pelo seu site que, seguramente, terá muitos adeptos, que entre os quais, sua incondicional fã fará parte.
    ( Não esqueça de contar quando ficou mudo ao enfrentar, cara a cara, aquele general linha dura da ditadura. Achei aquela anedota “superb”!)//Um forte abraço,Kitty

  • Luiz

    Caro SETTI, se estivesse vivo e fosse amigo do APEDEUTA, como estariam os dois agora?

    Difícil de prever. O homem era absolutamente desconcertante. Passei um dia inteiro em sua casa, algum tempo antes de ele morrer, e tenho anotações deliciosas sobre as conversas. Ele tanto poderia estar ao lado de Lula — sabe lá Deus –, como na mais feroz e corrosiva oposição ao lulalato.

  • Kitty

    Olá caro Ricardo. Não consigo entrar na coluna de Augusto, meu nome e e-mail sumiram. E quando os ponho de novo e clico em ‘comentar’ some tudo..e fica em branco onde deveriam estar os dados obrigatórios. Menos mal que o seu Blog não foi afetado pelo problema!!!//ABS

  • Vhera

    Ué? Estava desaparecido e depois voltou? Como é isso, meu caso Setti?

  • Ismael

    Prezados, qualquer homem que se mostre vulneravel, merece mais respeito que aqueles que se mostram criticos implacaveis da falibilidade humana. Janio nao e um heroi,mas foi alguem digno. Acho que acima de tudo, foi um contestador.

  • aparecido f.

    Bebo porque liquido é… se sólido fosse comê-lo ia….Jânio era quase invencível num debate porque tinha presença de espirito e respondia de imediato a qualquer provocação ( Mário Covas também era bom num debate)…Quando presidente, estava numa conversa com estudantes e um deles fez uma pergunta tratando-o por você….e Jânio respondeu : intimidade leva a duas coisas.. aborrecimentos e filhos.. e com você não quero nem uma coisa e nem a outra…

  • RONALDE

    Jânio era detestável, mas surraria qualquer político atual em um debate ou em discursos.Ele era um gigante quando falava.

  • Marco Antonio

    Olá Ricardo Setti,
    ótima matéria, essas pequenas historias e detalhes políticos são sempre muito interessantes e enriquecedores para a historia brasileira.
    Se você tiver disponível,poderia colocar o debate de 1982 para o governo de São Paulo, no seu futuro site ou até mesmo nesta coluna.Seria incrível poder ver Janio vs Montoro de novo!

    Att.

    Meu site terá muita coisa interessante, caro Marco. Serão milhares de itens, entre os quais vídeos, mas apenas aqueles de programas de que participei.

    No caso, não estive presente nos estúdios durante o debate de 1982, mas vou procurá-lo para ver se encontro, atendendo a sua ótima sugestão.
    Um abraço

  • ESDRAS CARDOSO SOARES

    Pois é, o Janio, so perdeu para o ***** do lula….

  • Paulo Roberto

    O conheci chegando repentinamente na casa de ficou até a última gota de álcool existente na casa. Bebeu literalmente toda a coleção de miniaturas que o filho da minha amiga colecionava, quando enxugou a última miniatura levantou para se retirou. Mas, durante este tempo, deliciou-nos com histórias incríveis, que envolviam a Rainha da Inglaterra, Nikita Chruschev, e o presidente do Banco Rothschild, todas eram excelentes, mas a do banqueiro foi a que melhor o retratou. Contou ele que eleito presidente, mas antes da posse, viajou para Londres e visitou a casa bancária do Rothschild, no dia da reunião caminhando pelo corredor, uma galeria dos quadros dos presidentes anteriores do banco, deparou com um quadro de Renoir que lhe chamou a atenção, parou para apreciá-lo, o presidente da época com quem se reuniria a seguir

  • Paulo Roberto

    … o chamou para ver outra pintura, alguns presidentes antes deste que ele via, – Veja este foi o presidente de nossa casa que fez o primeiro empréstimo para seu país, foi para sua independência, ainda não foi quitado!
    Sim, mas a sua casa sempre primou pelos bons negócios a longo prazo! Respondeu o mestre da verve!
    Saiu de lá com um novo empréstimo!

  • Julio Brito

    Li todas as normas para se postar comentários nas colunas da Revista Veja e vejo que a regra não vale para os colunistas: título da foto – Jânio já no final da vida…firme no copo !!!
    O colunista poderia dizer que o ex Presidente sofria de Dipsomania.
    Jânio e o ex-Presidente “molusco”, eufemismos á parte, tem 2 coisas em comum: acabaram com o país e são etilistas inveterados.
    O colunista diz que não faz apologia a Revolução-Golpe de 64, mas esse “senhor” com a sua renúncia é que foi o maior responsável pelos famosos 21 anos de Dita-dura.