Artigo de 2004: Lula e seu avião

Artigo de 2004: Lula e seu avião Um Airbus Corporate Jetliner, como o almejado por Lula (Foto: Airbus)

E também: Zeca Pagodinho como álibi, Marinho da CUT passa dos limites, Dirceu x imprensa, o plenário indefeso,  dinheiro sujo sendo lavado em academias, os deputados “interestaduais”, Babá indecoroso, Serra e a rejeição a Marta e Maluf – e Roberto Magalhães duro na queda

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Com crise e tudo, o presidente da República continua embevecido com seu futuro avião. Interlocutores recentes ficaram boquiabertos diante do entusiasmo presidencial pelo ACJ – Airbus Corporate Jetliner, versão executiva do Airbus A-319 –, que chegará no fim do ano ao Brasil vindo da fábrica de Toulouse, na França, pintadinho com as cores da Força Aérea Brasileira (FAB) e pronto para transportar Lula em suas viagens.
Mesmo sem ser perguntado, o presidente é capaz de descrever, com riqueza de detalhes e sempre um brilho nos olhos, os dispositivos, confortos e vantagens do avião. O custo total do ACJ, incluídas adaptações, equipamentos e estrutura logística, é de 56,7 milhões de dólares.

O leitor pode ter uma idéia do que será o sucessor do atual “Sucatão” – o velho Boeing 707 batizado oficialmente de FAB-01, fabricado em 1958 nos Estados Unidos e que se tornou avião presidencial em 1987 – visitando o endereço http://www.corporate-jetliner.com/home.html

999 dias

No sábado, 6 de abril, o tempo do presidente Lula muda de patamar e ele perde a vantagem dos quatro dígitos: estarão faltando 999 dias para o final de seu mandato.

Pagodinho na hora certa

A polêmica em torno da troca da cerveja Nova Schin pela Brahma feita pelo cantor Zeca Pagodinho em comerciais de TV veio a calhar para a AmBev: não se contesta mais a “fusão” da empresa com a belga Interbrew.

A expressão é igualzinha à que o orgulho nacional americano insiste em utilizar para a compra da Chrysler, terceira maior fábrica de automóveis e ícone industrial dos Estados Unidos, pela gigante alemã Daimler-Benz, operação ocorrida em 1998 e até hoje não chamada por seu verdadeiro nome.

Não só ele

A frase indelicada do presidente da CUT atribuindo a algumas taças de vinho a opinião expressa pelo presidente Lula sobre a reforma trabalhista em gestação no governo foi, como se sabe, um dos temas tocados na longa conversa de tucanos e pefelistas durante o jantar anfitrionado pelo ex-presidente Fernando Henrique esta semana, em São Paulo.

Tucanos e pefelistas levantaram a questão no tom de que Marinho ultrapassou limites. Registre-se, porém, que o comentário de Marinho não é caso isolado.

Quem avisa…

Alguma alma caridosa precisa informar ao ministro José Dirceu, e não apenas em relação ao caso Waldomiro Diniz, que, independentemente dos jornalistas, os fatos têm o péssimo hábito de insistir em acontecer.

Punhos de renda

É como se estivéssemos em outro século, ou em outra latitude – quem sabe a Nova Zelândia, ou a Noruega. Só depois do patético incidente em que um desempregado alojado nas galerias destinadas ao público no Senado ameaçou estatelar-se no plenário é que se escancarou uma evidência conhecida por quem freqüenta a Casa: ali ninguém é submetido a detectores de metal.

Malhação de dinheiro sujo

Depois de negócios como distribuidores de gasolina e bingos, as autoridades em vários Estados, especialmente São Paulo, recolhem indícios de que também academias de ginástica, inclusive famosas, servem para lavar dinheiro ilícito.

Historinha eleitoral

O sujeito, no Brasil, pode fraudar a transferência de domicílio eleitoral, eleger-se deputado federal por um Estado que mal conhece e tudo bem – caso ninguém perceba a manobra dentro de um determinado prazo e tome alguma providência. Por algum sortilégio cuja origem só Deus sabe, a lei exige que impugnações de transferências se dêem um ano antes da eleição mesmo que, depois dela, se comprove a maracutaia.

Por essas e outras, quatro desconhecidos que pegaram carona nos 1,5 milhão de votos obtidos em 2002 pelo hoje deputado Enéas Carneiro (Prona-SP) vão continuar na Câmara dos Deputados supostamente representando SãoPaulo apesar de terem sua atividade principal e sua vida em Brasília, Rio de Janeiro, Magé (RJ) e Porto Alegre.

Essa é, em resumo, a história do recente julgamento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade de 7 votos, o pedido de cassação dos mandatos dos quatro deputados, solicitado em conjunto pelo Ministério Público da União e pelo PSDB.

Números relevantes

Uma passagem aérea paga 8,5% de impostos nos Estados Unidos. No Brasil, 34%.

Números irrelevantes

A réplica da escultura Pietá, de Michelangelo, existente na Catedral de Brasília pesa 600 quilos e tem 1,74 metro de altura.

Páginas falsas do BB e do Itaú

Depois da prisão pela polícia paulista de dois hackers e de um estelionatário dedicados à atividade, diminuíram, mas não acabaram, as tentativas de desviar dinheiro de internautas via falsas home pages do Banco do Brasil. Esse tipo de golpe em geral começa com a solicitação de atualização de dados cadastrais via e-mail.

Além do BB, bandidos virtuais também estão usando falsas páginas do Banco Itaú para enganar internautas descuidados.

Nada de excelência

É de fazer grandes tribunos do passado no Congresso remexerem-se nos túmulos, mas o fato é que o deputado Babá (sem partido-PA), um dos “radicais” expulsos do PT, volta e meia, em discursos, dirige-se aos colegas como “vocês”, deixando pra lá o obrigatório “Vossas Excelências”.

Travessia do deserto

Depois de 15 meses de travessia do deserto na política, a ex-deputada Rita Camada (PMDB-ES), ex-candidata a vice-presidente da República na chapa de José Serra (PSDB) em 2002, está de volta à vida pública. Há duas semanas atua como assessora especial do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PSB). Sua principal tarefa é montar o projeto de lei que será enviado à Assembléia criando a Secretaria do Trabalho. Aprovado, ela própria será a titular.

Hartung pretende concentrar em uma única secretaria as ações até agora dispersas por várias áreas do governo visando “ampliar a geração de empregos e melhorar a qualificação dos trabalhadores”.

Mediawatch

A produção da excelente minissérie global “Um Só Coração” está trazendo à luz uma revelação inédita: um grupo de paulistanos que viveu entre os anos 20 e 50 do século passado encontrou o elixir da eterna juventude. A começar pelo personagem Yolanda Penteado (Ana Paula Arósio), as décadas passam e ninguém envelhece um dia sequer.

Além disso, segundo vários atores, os paulistanos, inclusive imigrantes estrangeiros, costumavam nesse período falar com sotaque idêntico ao da Ipanema de hoje.

Disseram

Abordando os tempos que correm, o jornalista Nirlando Beirão lembra que ouviu certa vez de Jacques Ségéla – o marqueteiro que conseguiu em 1981 eleger presidente da França o líder socialista François Mitterrand, depois de três derrotas consecutivas – a seguinte regra de ouro para quem quer fazer campanha eleitoral e, latu sensu, política:

– Você tem de acreditar que não existe um só homem sobre a Terra cuja reputação não possa ser posta em dúvida e em risco, em questão de minutos, mesmo sem prova alguma.

É, segundo Beirão, a “lei do escrúpulo zero”.

Esses helipontos custam um absurdo

O dono de uma grande rede de lojas que vive no Jardim Paulista e tem seu escritório central próximo à avenida Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, acaba de trocar o heliponto de onde parte diariamente para sua empresa, e ao qual volta ao fim da jornada – por causa do preço.

Trocou um hotel badaladíssimo, que cobrava 300 reais por cada operação, pelo teto de um concorrente também nas imediações de sua casa, que recebe e despacha helicópteros por módicos 180 reais por vez.

Milionário também pechincha.

Dispensando comentários

O primeiro animal arrematado no 1° Leilão do Cavalo Lusitano, realizado nos dias 5, 6 e 7 de março na requintada Sociedade Hípica Paranaense, em Curitiba, foi um macho, Varadero Marumby. A respeito do cavalo, os organizadores do leilão forneceram, no material de divulgação, a seguinte e peremptória informação: “Neto de Tarado – garanhão que dispensa comentários”.

Serra, Marta, Maluf

Até agora, pelo menos, o ex-senador José Serra, presidente do PSDB, permanece irredutível em sua negativa de ser o candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. Mas os defensores de seu nome ainda não desistiram de pressioná-lo, com base nos bons índices de preferência por Serra nas pesquisas de intenção de voto e em pelo menos dois outros dados.

Um é de 2002: o excelente desempenho de Serra na eleição presidencial, em que alcançou 49% dos votos válidos no segundo turno contra Lula. O outro é a recente descoberta de que, segundo diferentes levantamentos, os índices de rejeição da prefeita Marta Suplicy (PT) superam os do ex-prefeito Paulo Maluf (PP).

Maldição

Na eleição para a sucessão de Marta Suplicy em outubro próximo o governador Geraldo Alckmin (PSDB) enfrenta uma maldição: desde a volta das eleições diretas para prefeitos de capital, em 1985, nenhum dos quatro governadores que o antecedeu conseguiu emplacar seu candidato à Prefeitura da capital.

Gosto amargo em 2000

Alckmin sentiu ele próprio o gosto amargo da praga em 2000 quando, como vice-governador, tornou-se o candidato do governador Mario Covas a prefeito. Ele foi atuante em Brasília como deputado, desfrutava de prestígio no interior, onde fez sua carreira mas, mesmo sendo vice-governador, era um desconhecido na capital. Ainda assim disputou palmo a palmo com Maluf o direito de enfrentar Marta Suplicy no segundo turno, que acabaria perdendo por apenas 7.691 votos, ou 0,14% dos 6,1 milhões de eleitores que votaram.

Osso duro

Se pensava em concessões para fazer aprovar no Congresso a medida provisória que proíbe bingos, jogos eletrônicos e similares, o governo levou um forte contravapor com as reiteradas manifestações e atitudes do relator da MP, deputado Roberto Magalhães (PTB-PE), contrárias ao jogo.

Ex-governador de Pernambuco e ex-prefeito do Recife, Magalhães tem um perfil voluntarioso e brigão e é tido como um osso duro de roer. Vai ser mais fácil trocar de relator do que abrandar sua posição sobre a jogatina.

Paris não está com nada...

Tudo bem que ela foi elaborada pela respeitada consultoria americana Mercer Human Resource e é resultado de cuidadosa pesquisa, abrangendo uma enormidade de itens em centenas de cidades do mundo.

Mas como levar a sério, a sério mesmo, uma lista que classifica cidades por qualidade de vida em que Paris figura num longínquo 32º lugar e Barcelona, em 45º, está atrás da americana (e jeca) Winston-Salem, na Carolina do Norte?

 

 

 

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