MAIS UM APAGÃO… e Seleção termina participação vergonhosa na Copa

Jogadores da Holanda comemoram o primeiro gol do time, feito por Van Persie (9) em cobrança de pênalti (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Jogadores da Holanda comemoram o primeiro gol do time, feito por Van Persie (9) em cobrança de pênalti (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Em mais uma pane brasileira logo no início do jogo, Holanda fez 2 a 0. Diante de uma Seleção perdida, fez o terceiro num adeus melancólico dos donos da casa

Por Giancarlo Lepiani, de Brasília, para o site de VEJA

Nada de despedida honrosa: a seleção brasileira encerrou sua participação na vigésima Copa do Mundo em quarto lugar, com mais uma derrota, agora na decisão do bronze, 3 a 0 para a Holanda, neste sábado, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

Os gols foram de Robin Van Persie, Daley Blind e Georginio Wijnaldum.

O Brasil, com seu futebol anacrônico, limitado e incrivelmente decepcionante, voltou a sofrer diante de uma seleção bem preparada, bem organizada e mais equilibrada, tanto no aspecto tático como na parte emocional.

Diante de uma Holanda moderna, armada com inteligência pelo técnico Louis Van Gaal, o improvisado time de Felipão fechou uma campanha menos que sofrível, pelo menos quando se trata da maior vencedora da história das Copas, jogando em casa e com apoio permanente da torcida – que, até mesmo neste sábado, teve até mais paciência do que seria razoável esperar dela.

Ainda sem saber quem será seu treinador a partir de agora, o Brasil volta a campo já no início de setembro, para disputar dois amistosos nos Estados Unidos, contra Colômbia e Equador.

Em outubro, pega a Argentina, finalista da Copa, em Pequim, e em novembro, viaja a Istambul para encarar a Turquia, que não participou do Mundial.

Serão os primeiros passos de uma caminhada difícil: a seleção brasileira terá muito trabalho para restaurar sua reputação, ferida por uma campanha mais do que frustrante no segundo Mundial realizado em seus domínios.

Foram três vitórias, dois empates e duas derrotas, com catorze gols sofridos e onze marcados. Foi apenas a terceira vez que o Brasil amargou duas derrotas consecutivas numa Copa (isso já tinha ocorrido em 1966 e 1974).

Decepção

Com apenas um minuto e meio de jogo, Arjen Robben, apontado por Luiz Felipe Scolari como o melhor jogador da Copa, recebeu de Van Persie em velocidade, sozinho, numa incrível bobeada da defesa, e foi derrubado por Thiago Silva enquanto invadia a área.

A torcida diz o que quer de Felipão, fora do Estádio Nacional Mané Garrincha: já a CBF cogita até de mantê-lo (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Fora do Estádio Nacional Mané Garrincha, torcedores dizem o que querem de Felipão: já na CBF até se pensa em mantê-lo (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

O zagueiro alegou ter cometido falta antes da linha, mas o juiz logo apontou para a marca do pênalti, convertido por Robin Van Persie, com perfeição, sem chance para Júlio César, aos 2 minutos.

O juiz errou duas vezes: o replay mostrou que Robben estava mesmo fora da área – mas Thiago Silva deveria ter sido expulso por ter interrompido uma clara jogada de gol (levou só cartão amarelo).

A torcida continuou gritando “Brasil”, mas o time não contribuía: a Holanda mantinha a posse de bola, trocando passes com calma, enquanto a equipe de Felipão custava a se encontrar em campo. Assim como no jogo contra a Alemanha, a seleção brasileira estreava uma formação que não tinha entrosamento algum.

O time da casa já somava doze gols sofridos, a pior defesa da competição. Mas não parava por aí: aos 16, a Holanda ampliou. David Luiz rebateu mal um cruzamento, devolvendo para o meio da área, e o ala Daley Blind aproveitou, dominando sozinho e matando Júlio César.

O primeiro bom lance do Brasil veio só aos 21 minutos, em lance individual de Oscar, que saiu driblando pelo meio e finalizou rasteiro, para defesa segura de Cillessen. O jogo coletivo, entretanto, não funcionava, e a seleção ficava presa na excelente organização tática da equipe de Van Gaal.

Oscar reeditava o papel de Neymar no início da campanha: num time sem imaginação, ele tentava carregar o Brasil sozinho ao ataque. Aos 27, ele fez boa jogada pela direita e sofreu falta na lateral da área. O próprio camisa 11 cobrou, mas Jô, que penava em cada domínio de bola, não acertou a cabeçada.

Aos 32, num raro contragolpe encaixado pelo Brasil, Maicon recebeu pela direita, cortou e sofreu falta no bico da área. Oscar levantou com perigo mas Wijnaldum desviou para escanteio. Em mais uma falta bem cruzada por Oscar, Luiz Gustavo desviou e Paulinho ficou a centímetros de empurrar para o gol, aos 37 minutos.

Visivelmente abalado pela goleada sofrida para a Alemanha na semifinal, David Luiz, um dos destaques do início da campanha do Brasil, errava demais, tanto nas saídas de bola, em jogadas temerárias, como nos cortes defensivos.

E no meio, o trio formado por Luiz Gustavo, Paulinho e Ramires não conseguia conter as tabelas envolventes dos holandeses e ainda levava a cabo uma saída de bola sofrível para o ataque. A seleção brasileira chegou ao fim da primeira etapa com mais tempo de posse de bola (57% contra 43%) e com mais finalizações, 6 a 4 – mas, assim como na semi, sofria com a imprecisão no ataque e com a vulnerabilidade da defesa.

Mesmo com um dia a mais de descanso e diante de uma seleção cujo técnico afirmou abertamente não ter interesse algum na disputa de terceiro lugar, o Brasil pouco criava, defendia mal e estendia o pesadelo iniciado na terça-feira em Minas Gerais.

Plano fracassado

Na volta para a segunda etapa, Felipão trocou Luiz Gustavo por Fernandinho. Além de não melhorar a produção do meio, o volante cometeu falta violentíssima em Van Persie e levou cartão amarelo aos 12 minutos. Antes, Ramires já havia acertado Robben de forma grosseira.

Em mais uma tentativa de Scolari de acertar o setor-chave do jogo, Paulinho deu lugar a Hernanes aos 11 minutos. Aos 14, Ramires deu o primeiro susto em Cillessen no segundo tempo, entrando pelo meio e batendo cruzado, mas para fora.

Aos 18, David Luiz teve uma falta frontal para bater, mas chutou nas mãos do goleiro holandês. Aos 22, depois de uma dividida com Blind, Oscar desabou na área e o Brasil pediu pênalti.

O árbitro argelino Djamel Haimoudi viu tentativa de simulação de falta do brasileiro, advertido com o cartão amarelo. Curiosamente, Blind acabou tendo de ser substituído logo depois do lance (Janmaat entrou). Aos 26, Felipão fez sua última substituição, colocando Hulk no lugar de Ramires. Três minutos depois, ele soltou a bomba ao ser lançado por Jô, mas o chute saiu pelo alto.

Oscar, o único brasileiro a levar perigo ao gol holandês, seguia tentando de forma solitária, com um cruzamento aos 32 e um chute com efeito aos 33, mas sem acertar o alvo. Mesmo diante de uma Holanda cada vez mais desinteressada, o gol brasileiro não saía, e parte da torcida manifestava sua frustração, gritando “olé” nas trocas de passes do adversário.

Nos acréscimos, Wijnaldum ainda ampliou, aproveitando passe de Janmaat. O plano de Felipão de se despedir de forma honrosa e digna fracassava: apesar do esforço desordenado e infrutífero dos jogadores, o Brasil dava um adeus melancólico à sua segunda Copa em casa.

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Nenhum comentário

  • Alex

    Pô, covardia. A Seleção ainda conseguiu chegar ao 4º lugar, mesmo com um dos piores times de sempre. Veja a coisa por um outro ângulo…

  • Ezequiel-SP

    a diferença já começa logo que as equipes entram em campo: O uniforme da Holanda é lindo, o do Brasil é ridículo…..amarelo …deixa pra lá…

  • marcio r. g.cortes

    Caro Ricardo,
    os comentaristas que ate a pouco ufanizazam o escrete canarinho, agora lanca torpedos em alvos sem saber …porque estou falando isso? Ah! Vou falar porque e politicamente correto.
    PS.: A REDE ANTI SOCIAL, JA ESTA COLOCANDO AS GARRAS PRA FORA E TENTAM DESTRUIR REPUTACOES. A CARICATURA QUE FAZEM DO PARREIRA E IMORAL…E OLHA QUE VEM DE PESSOAS LIGADAS A ONGS POLITICAMENTE CORRETAS.

  • aparecido f.

    Depois do xucrute, a tamancada…literalmente cachorros mortos….

  • Marco

    Don Setti, me corrija se necessário, mais uma vez uma ótima leitura de jogo do Giancarlo, q procurei no Google e pelas imagens pareceu ser bem jovem,tem muito futuro. Mas aquilo q escrevi no DISSERAM, o q dá para fazer a partir de agora ou q se sobra para fazer daqui por diante. O goleiro Cássio, Tiago Silva, Oscar e Neymar como base. Tirei o David Luis totalmente insensato no jogo de hoje. É isso q tem q se começar a pensar. Se é possível ainda montar uma seleção CINTILANTE capaz de amedrontar os adversários no futuro. Olha vou esperar o teu comentário, Setti, pq acho q tu vai escrever sobre essa seleção Holandesa com mote de ousadia buscando sempre a vitória. Q não sei se o terceiro lugar foi justo. Me maravilhei com o futebol do LE Blandi da Holanda, mas não consigo me lembra do pai dele q foi zagueiro tb da seleção.
    Abs.

    Grande Marco, estou tão desanimado que só vou escrever sobre as mexidas no futebol depois da Copa.
    Obrigado por sua presença constante e amiga aqui.
    Um abração!

  • Everaldo

    Sou obrigado a parabenizar
    a seleção brasileira!

    Pela primeira vez,
    em nossa história,
    a seleção conseguiu
    demonstrar como nosso país é realmente!

    – Mal administrado

    Nosso técnico, representa nossa Presidnta!
    Acha que está sempre correto,
    não admite erros,
    coloca a culpa nos outros (árbitros)
    roubar não é problema (cavar penaltis).

    Nosso técnico monta uma equipe,
    da mesma forma, que o PT,
    monta seu quadro…
    Para Ministro…. este é meu amigo
    Para Ministro…. este é gente boa
    Para Ministro…. este é da coligação
    Para Ministro…. este também rouba!!!!

    Pois é povo brasileiro,
    confesso que pela primeira vez,
    senti orgulho de nossa seleção,
    pois esta,
    mostrou exatamente como é nosso país!!!!!

    E se você tem orgulho de ser brasileiro,
    tem que se orgulhar, e muito desta seleção!!!!!!

  • sandra

    Sr setti
    O sr vai falar da entrega da taça pela gisele????
    É Verdade que ela vai levar 2 milhoes por esse “Trabalho”????

    Espero que não, seria muita vergonha ver outro brasileiro ganhando horrores com essa copa, enquanto os alemães deixam um pouco aqui.

  • Maria Alice

    Acho que ficar entre os 4 melhores do mundo está de bom tamanho.

  • marcio r. g.cortes

    Nota sobre comentaristas-boleiro: Belleti e Ricardo Rocha, sao pocos de contradicoes. Talvez entrando na onda de criticar…So abrem a boca para elogios pro vazio.

  • Mauro Pereira

    Caro Ricardo Setti, boa noite.
    Caro amigo, a desmoralização foi tamanha que até um “blind” fez gol no Brasil.

    Perfeita a observação e a ironia, amigo Mauro. Que saudades de um Telê Santana…
    Abraço

  • Marco

    Don Setti, puxa, lendo o Maurão, agora q vi q escrevi errado o nome do jogador, corrigindo, então, Daley Blind. Esse jogador tb é super versátil e o seu pai é o aposentado zagueiro Danny Blind.
    Abraços, Mauro.

  • Malu

    Mais uma vez a Dilma mentiu: ontem na Globo News ela jurou que nao ia ter APAGÃO! Tai, outro “apagão”!

  • John Doe

    Não acho que tenha sido um desastre, acidente ou apagão. Isto talvez tivesse sentido, se tivesse sido uma única vez, contra a Alemanha. Hoje se repetiu e veio confirmar que foi apenas um encontro com a realidade. Não temos time e muito menos planejamento ou organização para enfrentar equipes mais planejadas e organizadas. Vivemos dois futebois diferentes no Brasil. O primeiro, que vem mais da torcida é romântico, supersticioso, acredita na malandragem e genialidade brasileira e no imprevisto. Este não existe mais! O Segundo é dos cartolas, cornetas (incluindo aqui muitos “comentaristas”) e “empresários”, que acham que o marketing e a enganação sempre serão preponderantes. Este sim, existe com força no meio. Infelizmente, para nós, nenhum dos dois ganha Copa do Mundo. Mas ainda tem coisa pior. Sempre que perdemos um torneio, começa a conversa da “renovação, reestruturação ou moralização”, sendo que o primeiro a “dançar” (e quase sempre o único, mesmo que temporariamente) é o “treineiro da ocasião”. Na copa passada, com o chamado vexame de Dunga e Felipe Melo, tudo iá ser mudado, não ficaria pedra sobre pedra. E aqui estamos, praticamente iguais àquela ocasião, agora com placar mais dilatado. Mas, felizmente ainda temos o que temos, só porque a intervenção estatal, também aventada na época, não se configurou, caso contrário, nem isso teríamos. Só para falar em coincidências, a partir do ano 2000, se intensificou a busca pelo “Eldorado” europeu, por parte de nossos craques ou pretensos craques. Muitos se valorizaram e ganharam muito, o que é infinitamente pouco, em relação ao que movimentaram os “atravessadores” deste mercado, e o Brasil passou a perder jogadores a partir de 8 anos de idade. O que é pior, aos poucos se instaurou uma mentalidade de que quem lá não estiver, não sabe jogar, o que é muito relativo. Mas, a partir de então, não ganhamos mais nada e ficamos fora do circuito.

  • carlos nascimento

    Não adianta se iludir, o balanço da Copa nos deixa uma constatação atroz, estamos em franca decadência, no plano técnico, tático e emocional, as diferenças ficaram acentuadas, o nosso futebol parece de 2a. divisão em relação aos tradicionais adversários, as goleadas impostas com tamanha facilidade não deixam dúvidas, o futebol brasileiro vive do passado, paramos no tempo, é só verificar as estatísticas dos jogos, tomamos 14 gols no torneio, pobre Júlio Cesar, achou que a falha em 2010 tinha sido dura, agora entra para à História como o goleiro mais vazado de todos os tempos, é a dura REALIDADE.
    Por favor, não me venham novamente falar de FELIPÃO e PARREIRA, chega, eles precisam fazer um favor ao País, se aposentar, estão completamente DEFASADOS.
    Sinto por nossas crianças, várias estão traumatizadas, pois o ufanismo da mídia , alardeava uma superioridade de “barro”, caímos do 7o. andar, se não tomarmos jeito, talvez nem consigamos jogar a próxima Copa em 2018.
    É DOLOROSO ! HORA DE JUNTAR OS CACOS !

  • Meia Verdade

    Que estrela tem o Neymar…

  • Gabriel

    Um conselho.
    Pra queim tenha 86 milhoes de dolares.
    NAO COMPRE O DAVID LUIZ!!!

  • Jayme Guedes

    Ops, não devemos desqualificar o apagão. Apagão foi o escore de 7 x 1. O 3 x 0 foi um apaguinho.

  • Jayme Guedes

    Sobre o que escreveu o Everaldo (20.16), a Comissão Técnica da Seleção é o Governo e o torcedor é o que somos. Não importa o papel em que estejamos investidos, torcedor, eleitor, consumidor, contribuinte, usuário de serviços públicos, enfim, não importa o papel, somos sempre espezinhados e, apesar disso, estamos sempre prontos a ignorar, quando não aplaudimos. A mediocridade é coisa nossa.

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    O quê vc me diz do texto do seu amigo Mauro(ESPN)

    Frase para às devidas reflexões:
    “Nós, jornalistas, também temos parcela de culpa na crise. E quem abraçou Felipão tem que assumir.”
    (Mauro Cezar Pereira)

    Ele está certo. Eu não “abracei” o Felipão, mas fui um dos que acreditavam nele… até a Copa começar. Logo nos primeiros dias escrevi que, jogando daquela forma, não chegaríamos à final.

  • Marcos

    Caro Setti.
    O Brasil, há cerca de 10 anos, não vem produzindo craques como no passado. Os últimos grandes craques brasileiros, foram Rivaldo e Ronaldo fenômeno. Agora temos um bela promessa: Neymar. Acho que passa da hora de cruxificar treinadores pela perda de copas do mundo. Agora, Felipão. Antes, Dunga. Sem falar no Lazzaroni e, até mesmo no Telê Santana , quando perdeu a copa de 1982, com um timaço. Lembra que criticaram ferozmente o Telê, quando o Brasil repetia o bordão criado e/ou incentivado pelo irreverente Jô Joares, o “bota ponta Telê”. é isso aí, essa cultura de criticar os técnicos de futebol de modo impiedoso é muito cômodo e não reflete os problemas reais por que passa o nosso futebol. Essa geração que representou o Brasil nesta triste – para nós – copa, é a melhor que temos, mesmo sendo muito, mas muito ruim, mesmo. Felipão pode e acredito que falhou, mas a sua, penso, é relativa. Ninguém faz milagre. Difícil jogar em condições com os alemães com jogadores como Paulinhos, Fernandinhos, Ramires, Jôs, Luiz Gustavos, Hulks, Bernards e outros. Treinador não entra em campo, não defende, não faz e muito menos bate penalty, não faz gols e não falha em jogadas que redundem gol. Com o atual elenco, nem Jesus faria o milagre de enfrentar os craques alemães e holandeses.

    Abraço.

  • Everaldo

    Obrigado, Jayme Guedes – 13/07/2014 às 11:24.
    Felizmente você entendeu, só quem não entende…
    são adivinha, quem??????

  • Meia Verdade

    O futebol é apaixonante por isso.