MANIFESTAÇÕES: o que vai acontecer depois? Não tenho a menor ideia, mas arrisco uma ou outra possível consequência

MANIFESTAÇÕES: o que vai acontecer depois? Não tenho a menor ideia, mas arrisco uma ou outra possível consequência
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Manifestação no Largo da Batata, em São Paulo, na segunda-feira: que virá depois?

Jornalista não é astrólogo nem adivinho, e não deve fazer previsões.

Mas há uma pergunta que vem se impondo diante das grandes manifestações que se espalham pelo país afora: e agora? E depois? O que vai acontecer? O que pode acontecer?

Evidentemente não tenho respostas, e acredito que, a rigor, ninguém tem.

Isso não impede que se enxerguem algumas consequências imediatas do movimento das ruas.

1. Preços das passagens. A primeira delas, naturalmente, já ocorreu, e agora há pouco: o prefeito da maior cidade do país e o governador do Estado mais importante, São Paulo, revogaram os aumentos das tarifas de ônibus e metrô que haviam sido decretadas, após o mesmo haver sido feito, quanto a ônibus, em várias outras capitais. Aumentará a despesa pública e diminuirão os investimentos, mas politicamente julgou-se que era o preço a pagar.

2. Julgamento do mensalão. Imagino que, com os protestos, ficou mais difícil para o Supremo Tribunal Federal acatar os diversos embargos impetrados pelos advogados dos mensaleiros e deixar de enviá-los, finalmente, para a cadeia.

“O Supremo não ouve a voz das ruas, julga conforme os autos”, diz-se sempre. É verdade. Mas, desde que ainda se chamava Supremo Tribunal de Justiça, no Império, o Supremo nunca deixou de ser, também, um tribunal político — político no sentido mais amplo e menos mesquinho da palavra, político no sentido de vislumbrar o panorama geral da sociedade em certos casos pontuais e decisivos.

3. PEC-37: os manifestantes nas ruas entenderam nitidamente os propósitos da Proposta de Emenda Constitucional nº 37, que poda poderes investigatórios ao Ministério Público, incluíram a oposição à PEC em suas palavras e ordem e algo me diz que o Congresso — órgão político por excelência, e que será renovado em 2014 — colocará a medida a pique, quando votá-la, no segundo semestre.

4. Gastança pública. A enorme gritaria contra os gastos excessivos com a Copa das Confederações, a Copa do Mundo — e até as Olimpíadas do Rio, em 2016 — acabaram se tornando um dos pontos chaves dos protestos. Os brasileiros parecem estar abrindo mais os olhos para esse tipo de problema, que, em outros países, é uma das principais preocupações da opinião pública.

Sendo assim, algo me diz que, na medida em que for devorar dinheiro público, o trem-bala de não sei quantos bilhões de reais (ninguém sabe ao certo) não sairá da estação.

O tempo dirá se acertei ou errei. Mas é o que me parece, no momento.

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