Marina e os verdes poderão amanhã começar a decidir criar um novo partido, e querem eleições diretas no PV. É um absurdo que já não existam

Pode ser boa a ideia de fundar um novo partido que surgiu dentro de um forte grupo de integrantes do Partido Verde, à frente a ex-candidata à Presidência Marina Silva – que, como sabemos, obteve quase 20 milhões de votos nas eleições de 3 de outubro.

Digo “pode ser” porque, com raríssimas exceções, novos partidos surgem de decisões tomadas em salas fechadas para beneficiar meia dúzia de dirigentes ou, pior ainda, com o único e exclusivo objetivo de faturar vantagens, colocando no balcão sujo da política, para começar, o tempo que o novo partido conseguirá no chamado “horário gratuito” da TV.

No caso dos verdes, a proposta ainda depende de o partido mudar algumas diretrizes, democratizando-se internamente.

Se vierem a partir para a criação de um novo partido, pode ser um bom caminho por pelo menos duas razões:

1. A agenda verde, por si só, é estreita demais para nela caber a montanha de problemas que o país precisa enfrentar. Não é com “sustentabilidade” nem com “manejo adequado da floresta” que o partido vai manter esses 20 milhões de brasileiros, que aliás não foram atribuídos a ele, mas a Marina, e muito menos ganhar eleições, fazer alianças e governar.

2. Uma das principais reivindicações do grupo é a realização de eleições diretas para a escolha dos dirigentes partidários – questão que é surpreendente que sequer seja objeto de discussão num partido político, ainda mais que se pretende moderno, como o Verde. É inconcebível que um partido, qualquer um, não forme seu quadro dirigente pelo elementarmente democrático sistema de eleição direta. Isso o PT faz direito.

O esquisito dessa história toda é que o principal nome dos verdes, a ex-senadora Marina Silva, ainda não tenha confirmado presença na primeira e importante reunião do grupo, amanhã, em São Paulo, por “questões de agenda”.

Ué, há algo mais importante para Marina, no momento, do que acertar os rumos do Partido Verde – o que significa moldar, também, seu próprio destino político imediato?

Leia mais a respeito.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

9 − dois =

Nenhum comentário

  • Marcelo F

    Setti,
    a Marina poderia aproveitar a onda e entrar no PSD do Kassab. Para quem tá num partido que de verde só tem o logotipo, não vai mudar nada.
    Será que o novo partido da Marina vai ter uma ideologia sólida que embase seu comportamento ético nas lides políticas?
    Abs.,
    de Marcelo.

  • Mendes

    Não entendo como pode ser boa a ideia de criar mais um partido. Um dos males do nosso sistema eleitoral é o excesso de partidos e a facilidade para criar partidos. Nos países mais adiantados, o sistema funciona com três, quatro ou cinco partidos. No caso dos EUA, há mais de duzentos anos dois partidos se alternam no poder, embora haja dezenas de partidecos que não apitam nada. Você tem defendido o voto facultativo – do qual sou totalmente a favor – mas acho que há pelo menos dois problemas mais urgentes: A representatividade (voto distrital ou distrital misto) e a fidelidade partidária. Só depois de um período de uns dez anos convivendo com um sistema mais saudável o eleitor poderia ser dispensado do voto obrigatório, pois teria motivação para ir às urnas.

  • Pimenta

    Setti, Penso que a Marina Silva não tem nada de “verde ou outra cor partidária que não seja a cor vermelha do PT. Ela é até, mais vermelha que Dilma Rousseff que, no governo de Lula, apagou a estrela de Marina, para fazer brilhar a sua.
    Os 20 milhões de votos que recebeu das urnas, vieram, assim como iriam para Heloísa Helena, Garotinho, Ciro Gomes ou para o inexpressivo Kassab. Foram votos de ocasião. Ela apenas recebeu os votos que José Serra perdeu por falta de firmeza na hora de falar aos eleitores.

  • Markito-Pi

    Acertou na mosca, como sempre, caro Setti. Permito-me acrescentar um tema para fazer parte da agenda dos verdaes: revejam algumas filiações. Expulsem logo o que já fede. Ha deputados que só têm em comum com os verdes o gosto por notas de dolar de cor verde. que papi e a maninha cuidam de acumular.
    O deputado é muito burro. Ha outros, claro. Conquistem RESPEITO, pombas.
    Por outra ocasião, comentei aqui no Setti, que Marina Silva NÃO é a salvação da lavoura. Por simpática e convimcente que seja, a senhora é tosca demais e inspira mais que paixão, compaixão.

  • Jefff

    Alckmin exonera aliados de Aloysio na dministração paulista

    Aloysio e Alckmin: tucanos disputaram a indicação no PSDB para o governo em 2009

    SÃO PAULO – Aliados políticos e amigos do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) que ocupavam cargos em secretarias e empresas públicas de São Paulo vêm sendo exonerados ou rebaixados de função desde o início do ano, num movimento interpretado por aliados do governador Geraldo Alckmin como um novo capítulo da disputa interna entre os dois caciques tucanos. O principal foco dos cortes é a região de São José do Rio Preto, base política de Aloysio, mas entre as baixas há também aliados do senador com cargos em São Paulo. Pelo menos seis funcionários da administração com laços estreitos com o senador tiveram que devolver seus cargos. Procurados pelo Estadão.com.br, membros da administração, alguns dos exonerados e o próprio senador classificaram as mudanças como ‘normais’ num período de transição de governo. Tucanos ligados ao governador, no entanto, não descartam que a questão política entre Alckmin e Aloysio possa ter influenciado, e criticam o loteamento de cargos técnicos por aliados do senador.

  • Elvio

    Setti,
    Desculpe os números mas digamos 513 Dept Federais + 90 Senadores = 613 próceres procurando uma sigla, um belo guarda-chuvas.
    Vai faltar sigla, não demora vai estar 1 por 1, aí beleza,todos serão líderes em seu partido particular o do “eu sozinho mas avante”
    Vai ser legal 0,08 segundos de TV prá cada abantesma.
    Brancaleones, esfarrapados morais.
    abs
    Elvio

  • Karla

    Mudem a “marca” também.
    Está mais para o “anauê” dos integralistas.
    Um mau gosto …

  • A essas alturas do campeonato, a criação de um novo partido a partir do PV, é inevitável. Se não for por parte da Marina Silva e seus apoiadores, será por parte da ‘ala radical’ do PV, o qual desde as eleições presidenciais, veem protestando que o PV se “desvirtualizou” de seus ideais.

  • Mauro Garcia

    Faço minhas as palavras do comentário do Pimenta.

  • francisco penin

    Partido Verde! Partido que tem um membro da famiglia como um dos principais componentes pode ser levado a sério? Sai daí, Marina!