Candidato à presidência pelo PSDB, o então senador Mário Covas inaugurou a série “Eleições 89” do “Roda Viva”, da TV Cultura, que foi ao ar dia 7 de agosto de 1989. À época diretor da sucursal do Jornal do Brasil em São Paulo, participei da bancada de entrevistados, ao lado de Aloysio Biondi (Diário do Comércio e Indústria), Roberto Muller (Gazeta Mercantil), Alex Solnik (Folha da Tarde), Jorge Caldeira (Istoé/Senhor) e Fernando Mitre (TV Bandeirantes).  O saudoso Jorge Escosteguy era o apresentador.

Perguntei a Covas sobre o que teria prejudicado mais sua candidatura até então, incluindo na questão os rumores sobre o apoio tucano a Collor, em um eventual avanço do então governador de Alagoas ao segundo turno. “Todas as lideranças do partido contestaram em nota pública esta afirmativa, não há mais razão para estender o assunto”, rebateu Covas. “O PSDB ficará no segundo turno com o candidato do PSDB”.

Ao longo do programa, o tucano também respondeu a perguntas minhas sobre diferentes assuntos, inclusive a possível antecipação da posse do que seria o próximo presidente. “Acho que deveríamos cumprir a lei por pelo menos seis meses”, afirmou Covas, arrancando risadas da bancada.

O senador abordou, ainda, as privatizações, explicando seus critérios para ser a favor na maioria dos casos, e tocou na questão da entrada do capital estrangeiro no Brasil. “Acho que a abertura ao capital estrangeiro está perfeitamente delimitada na Constituição” disse. “O capital estrangeiro deve ser aqui dentro o que é em qualquer país do mundo: um acréscimo à poupança nacional e um desenvolvedor local, dependendo da capacidade do governo que se instalar, do que existe de mais moderno em termos de tecnologia”.

Também veio à tona o racha no PMDB, ocorrido no ano anterior ao programa, e que geraria o PSDB, do qual o entrevistado foi um dos fundadores. “Eu cortei o meu cordão umbilical com o PMDB no dia em que saí do PMDB”, explicou. “Não tenho nenhuma vergonha da minha história no partido, pelo contrário, tenho profundo orgulho”.

Em uma passagem, Covas fez uma reflexão que continua atualíssima. “O povo está querendo discutir, e em todos os setores, porque certos valores desapareceram de repente, ou escassearam, sobretudo no mercado político”, opinou.  “Por que nos afundamos na corrupção? E pior do que isso: porque, a partir disso, surge uma coisa que a estimula e que se realimenta, que se chama impunidade?”.

(Assista à íntegra do programa aqui)

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