MENSALÃO: Acabou a festa — o relator Joaquim Barbosa diz no Supremo que “não há dúvida” de que houve compra de votos

Ministro Joaquim Barbosa: a bala de prata no esquema do mensalão (Foto: STF)

CHEGOU O DIA DELES!!!

Não adiantaram os desmentidos dos envolvidos, as mentiras, as invenções, as histórias mirabolantes, os malabarismos feitos por advogados pagos regiamente: o relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, acaba de atirar com bala de prata nos vampiros que há anos asseguram que o mensalão — compra de apoio parlamentar ao governo Lula com dinheiro público — é uma “farsa”, uma invenção da “imprensa golpista” e outras barbaridades do gênero.

Lendo serenamente seu longo voto que trata, justamente, do chamado “núcleo político” do escândalo, e lendo em pé, para evitar as dores de coluna não o deixam em paz, o ministro Joaquim Barbosa acaba de chegar à página 25 de seu texto. E disparou a frase fatal contra os mentirosos:

— Há farta documentação [nos autos deste processo] e não há dúvida da existência do esquema de compra de votos [no Congresso].

Tudo na leitura do relatório do ministro Joaquim indica que votará pela condenação de todos os envolvidos no núcleo político, a começar pelo “chefe da quadrilha”, segundo o Ministério Público: o ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil de Lula e deputado cassado José Dirceu.

LEIAM TAMBÉM:

MENSALÃO: ministros do Supremo podem se tornar referências morais num país sem os Grandes Brasileiros de outrora

MENSALÃO: Ministro Joaquim Barbosa vira “herói” em peça que circula pela web segundo a qual “Batman é para os fracos”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

17 Comentários

  • Luiz

    Será que a compra de votos a favor da emenda que permitiu a reeleição do FHC, envolvendo o ministro Sérgio Motta, não é grave tbm ?????

    Onde está a denúncia do Ministério Público?

  • Luiz

    Em parte é graças ao engavetador-geral da república Geraldo Brindeiro

    Ué, o que é que o Brindeiro tem a ver com o assunto? Quando a denúncia foi apresentada, ela já havia deixado o cargo há 6 anos!

    Mais: quando ocorreram as primeiras denúncias sobre o mensalão, em 2005, Brindeiro já não era procurador-geral há cinco anos e meio!

  • Rosa do Luxembourg (o jardim)

    O Sr. Luiz aí de baixo está inconformado com os processos contra seus ídolos. Sr. Luís, TODOS que cometem atos contra o povo, devem ser julgados. Sejam de que partidos forem. O senhor deve ser um petista bem intencionado. Volta lá, leia tudo, veja que os seus ídolos o enganaram. O Brasil não está contra o PT. O PT posicionou-se contra o Brasil e seus mais caros valores. Não tome este julgamento como algo pessoal. Eu tambem acho que precisamos de muitos mais julgamentos. Tenha calma. Junte-se ao Brasil decente. E nós julgaremos TODOS. Tambem não gosto de corruptos, sejam de que partidos forem. Mas por favor, testemunhe a beleza de um país como o nosso levar a julgamento ladrões do erário. Traidores do povo. Isto é lindo sr. Luis. E eu espero como o senhor, pegar todos.

  • Ricardo Magalhaes

    Meu caro Setti,pelo que ja ocorreu nesse julgamento historico do mensalão e pelas posições assumidas pelos Ministros, não seria interessante refazer aquela enquete sobre o grau de confiança no STF?

    A ideia é boa, caro xará, mas está acontecendo uma coisa muito interessante: os resultados da enquete estão virando. A esmagadora maioria — talvez 90% — dos leitores não confiavam no STF, de início, e agora a maioria tem visão favorável ao tribunal.

    O que vou fazer é publicar um post convidando mais leitores a votarem e dizendo como os resultados estão se alterando.

    Um abração

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Setti:
    Este é um POST que deveria estar como destaque – inda mais pela credibilidade e a honestidade do autor.
    Grande abraço
    Pedro Luiz

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Por Wanderley Guilherme dos Santos
    Íntegra exclusiva publicada no Cafezinho

    Não sei se José Dirceu é inocente ou se, como outros, cometeu algum crime à sombra do ilícito caixa 2. Os autos devem esclarecer isso. Há algo que não depende dos autos, todavia: será um julgamento de exceção se condenado por não haver provas contra ele.

    Alguns magistrados do Supremo estão prontos a contorcionismos chineses para escapar à evidência de que a legislação eleitoral é causa eficiente do caixa 2 e que este proporciona a oportunidade para diversos crimes que nada têm a ver com tal ilícito.

    Comentários antecipando votos condenatórios com base em provas nos autos preparam o caminho para condenações sem provas. A premissa de que chefes de quadrilha não deixam rastros – interpretação peculiar da tese do domínio do fato – pode ser defensável, mas requer comprovação sem sombra de dúvida e, até, agora, nenhuma condenação se apoiou em tal tese ou na versão mais amena de que quanto mais elevado nas hierarquias de poder, maior a possibilidade de que criminosos eliminem os indícios. As condenações por corrupção passiva de João Paulo Cunha e de Henrique Pizzolato são exemplos de que os discursos são para outros.

    João Paulo Cunha foi condenado com fundamento na prova de que os recibos que explicariam os 50 mil recebidos por sua mulher foram forjados. Enquanto as falas do procurador e do ministro revisor só apontavam indícios a que atribuíam hiperbólica significação, a ministra Rosa Weber revelou que os recibos possuíam numeração seriada, embora supostamente preenchidos em datas afastadas no tempo. Com isso, a ida da mulher de João Paulo Cunha ao banco para retirar o dinheiro em espécie deixou de ser um comportamento esdrúxulo, sem dúvida, mas não criminoso, e muito menos da conta de ministros do Supremo, para se tornar um indício poderoso da ilegalidade do recebimento. Até porque os comentários dos juízes eram contraditórios: para Carmem Lucia fazendo sua mulher descontar o cheque à luz do dia era manifestação solar de arrogância de poder de João Paulo, indicativo seguro de que se sentia impune; para Rosa Weber, disfarce, dissimulação, sombra; para César Peluso, garantia de que chegaria em casa e não seria apropriado por outrem (esse comentário é interessante em outro contexto). Comentários diversos e contraditórios, mas o fundamento do voto foi o mesmo: a seriação dos recibos falsos. Ora, o presidente da Câmara é terceiro na linha de sucessão do poder executivo e os próprios magistrados exaltaram sua posição para melhor revelar como o crime merecia ainda mais forte repulsa. Não obstante, apesar desta posição hierárquica elevada, joão paulo deixou rastros toscos, elementares. Não foi porque, dada sua posição elevada, João Paulo não deixou pistas e foi condenado assim mesmo. Rosa Weber e todos os que o condenaram o fizeram com base nas provas toscas que deixou. A tese abstrata de Rosa Weber e do procurador é contrária aos fatos aqui.

    O mesmo em relação a Henrique Pizzolato. Ele foi condenado porque não apresentou a pessoa que, segundo sua explicação, seria o destinatário final do pacote cujo conteúdo alegava desconhecer. Alegação tosca e rude que, não sendo provada, prova o seu oposto, isto é, que ficou com o dinheiro indevido. Membro do corpo mais elevado da administração do Banco do Brasil, deixou, não obstante, rastros que permitiram aos juízes do Supremo o condenarem. Ele deixou rastros e foi condenado por eles, não porque tenha faltado provas. Outro exemplo em que o discurso abstrato sobre o domínio do fato nada tem com o voto real, sendo apenas preparatório para o momento em que não houver mesmo prova alguma e os juízes condenarem assim mesmo, configurando um julgamento de exceção.

    João Paulo Cunha e Henrique Pizzolato não foram condenados em virtude de pertencerem a algum esquema diabólico efetivamente comprovado, como querem o procurador e o ministro relator, mas justamente porque não conseguiram comprovar que os ilícitos que cometeram resultaram da participação no ilícito caixa 2. Eram corrupção passiva mesmo. Assim como o ilícito de Marcos Valério, que no contrato com a Visanet cometeu apropriação indébita, via corrupção ativa, e Pizzolato corrupção passiva, via adiantamento de pagamentos. Do mesmo modo, Marcos Valério não foi condenado por se mostrar um elo de mirabolantes enredos, mas por se apropriar indevidamente dos bônus de contrato de publicidade do BB, que não tem conexão com caixa 2, embora propiciado por este. ESSES FORAM OS FUNDAMENTOS DE ROTINA PENAL NO PRIMEIRO BLOCO DA AÇÃO PENAL 470, DESCONECTADOS DAS ESPECULAÇÕES SOBRE AS LIGAÇÕES ENTRE NIVEL DE AUTORIDADE PÚBLICA E AUSÊNCIA PROVAS. AO CONTRÁRIO, TODAS AS AUTORIDADES PÚBLICAS CONDENADAS NO PRIMEIRO PACOTE DEIXARAM PROVAS SUFICIENTES E, ALGUMAS, BASTANTE TOSCAS, QUE NENHUM MELIANTE MEDIANAMENTE EXPERIMENTADO DEIXARIA DE EVITAR.

    A INTERPRETAÇÃO do domínio do fato é a espinha dorsal para a condenação sem provas. Para tanto, o procurador insinuou e o relator apresenta repetidamente, em paralelo aos autos, um enredo perverso que ligaria todos os ilícitos, como se todos fossem uma mesma coisa, cujo Autor sem assinatura seria José Dirceu. A idéia é tornar aceitável a interpetação segundo a qual “quanto mais elevada for a posição do criminoso nas hierarquias sociais, mais fácil a ocultação de provas”, hipótese heurística defensável (embora não existam pesquisas que comprovem indubitavelmente que se trata de uma verdade, mesmo que apenas probabilística). Equivale a “não havendo provas, é forte indício de que há o mando de uma autoridade”. Além de ser contrária aos fatos na Ação Penal 470, a tese hipotética aceitável não se transforma na segunda senão por subterfúgio. Da proposição verdadeira de que todos os ímpares são números não se segue que todos os números são ímpares. Essa tentativa, se bem sucedida, é que fará deste um julgamento de exceção, ou seja, nunca mais se repetirá. Imagine o que não diriam os editorialistas diante da seguinte proposição: Fernando Henrique Cardoso locupletou-se durante a presidência precisamente porque não existem provas de que o fez. É o que se pretende fazer em relação a Dirceu: uma interpretação ad hominem, isto é, só vale para casos singulares. Fazer da ausência de provas uma “prova” de que houve crime é a evidência de que se trata de julgamento de exceção, vingativo.

    A grande imprensa clama unanimemente por isso, mas não penso que os juízes estejam necessariamente se submetendo a ela. Acho, sim, que, neste caso, alguns juízes raciocinam como a grande imprensa. Por isso não se sentem pressionados, exceto o Lewandowski, claro. Eles sentem com absoluta convicção que o projeto do PT, Lula e Dirceu são um mal. Representou a quebra do monopólio do voto de classe média como fiel da balança eleitoral, a seduzir pés rapados que se elegem e os elegem. E se não há provas desse mal, é porque são diabólicos e não deixam rastro. Vai ser preciso condenar sem provas porque, no fundo, acham que estão certos.

    Os ilícitos para os quais existem provas não podem ser somente conseqüência do caixa 2, do qual a justiça eleitoral é causa eficiente, ou da banal corrupção, por hábito ou oportunidade. Precisam estar dentro de um enredo maléfico, que parece impossível demonstrar. Isso, é claro, se o julgamento for até o fim do mesmo jeito. Se provarem que Dirceu afanou algum, é uma coisa, daí a “provar” um esquema perverso em que todos tinham consciência e cumplicidade no objetivo final, obscuramente definido como “permanecer no poder”, vai grande distância.

    O objetivo partidário de permanecer no poder foi satanizado pelo procurador, pelo relator, pelo preconceito que sai pelos poros de vários dos juízes e pelo prefácio de oratória proferido por Celso de Mello antes de votar o primeiro pacote de julgamentos. Em discurso abstrato, sem nomes, mas cheio de adjetivos degradantes sobre autoridades públicas que cometem ilícitos – o que, de fato, me lembrou o IPM a que respondi, e era o clima da época, em que coronéis e tenentes, impunes, esbravejavam contra várias coisas das quais eu não podia ser acusado, pois não havia provas, chegando ao cômico (mas não ri na hora) de me acusarem, além de subersivo, de ser suspeito; acredite, fui acusado de ser suspeito e isso era crime! – o ministro decano estava na verdade manifestando desprezo a priori pela atividade política e pelo PT como partido político.

    É fácil demonstrar que sem partidos políticos e parlamentos livres, nenhuma outra instituição é seguramente livre. Quando os partidos são fechados, a imprensa é censurada e o judiciário se acoelha. Tal acontece em todas as ditaduras e assim aconteceu no Brasil, durante o Estado Novo e durante a ditadura militar. Os advogados de presos e torturados políticos – Nilo Batista, Modesto da Silveira e a Rosa Maria Cardoso da Cunha, e que está na comissão da verdade, o falecido Heleno Fragoso, entre vários outros – sabem muito bem o que foi o rebaixamento silencioso do judiciário nesse último período. Quem garante a liberdade das demais instituições democráticas é um sistema partidário livre, não o contrário.

  • Juju

    Caro Setti, são magistrados sérios e idôneos como Joaquim Barbosa que reacendem, em todos nós, um facho de esperança no Judiciário brasileiro. Que a Justiça seja realmente feita para que, ao menos no caso específico do mensalão, possamos dizer de boca cheia: “a Justiça tarda, mas não falha”!
    Grande abraço.

  • Corinthians

    Não foi compra de votos… foi só caixa dois de campanha…
    Dos que ganharam as eleições claro, os que perderam tudo caixa 1.
    E mandar a mulher ir pegar 50 mil na boca do caixa, e mentir quando perguntado do assunto, é prova de honestidade, conforme disse Lewandovski.
    E Dirceu não mandava nada, nem Genoíno (deve ter assinado sem ler e sem saber que se encontrava em uma agência de banco). Delúbio só estava fazendo o que sempre sonhou – distribuir alegria na forma de dinheiro.
    É tudo culpa de Valério, que é cria de Azeredo. Na verdade é tudo culpa do PSDB.

  • Luiz

    Setti quando falei do engavetador-geral da república Geraldo Brindeiro, estava me referindo ao meu comentário anterior sobre o ministro Sérgio Motta. Não pude completar o comentario por ter travado o meu PC.
    E minha opinião sobre qual governo foi o mais podre, acredito que o do FHC foi melhor em abafar as falcatruas.
    Na minha conclusão Lula e FHC se merecem.
    Sobre Joaquim Barbosa só uma coisa. Se um dia ele for candidato a presidente teria o meu voto.

  • Ondina

    VOSSA EXCELÊNCIA JOAQUIM BARBOSA
    Felizmente apareceu alguém para Moralizar esta Situação.
    VOSSA EXCELÊNCIA
    Assim é fácil se Eleger. Comprando VOTOS dos PARLAMENTARES e de todos os Lideres Sociedade.
    Ex: Presidentes de Sindicatos, Associações, Fundações, Empresários e Outros.
    Estes CORRUPTOS Anestesiaram a População com
    sua Promessas Vazias.
    E o que mais Machuca e Irrita os Cidadãos do
    País.
    Os CORRUPTOS usaram o Próprio Dinheiro do
    POVO. Para se promoverem em suas vidas
    Particulares.
    Isto é uma Afronta contra a SOCIEDADE.
    VOSSA EXCELÊNCIA.
    Os CORRUPTOS tem Devolver o DINHEIRO do
    POVO. Que ELES pegaram dos COFRES PÚBLICOS.

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Amigos:
    O Prof Wanderley Guilherme dos Santos e o jorn.Paulo Moreira Leite – serão xingados de quê?
    Usam de lógica e de argumentos – “que horror!” – “Temos que punir!”,”Rapidez!” – “Lógica e argumentos são armas dos canalhas!”
    Quando lógica e argumento são alvos de ódios – Estamos muito mal.
    Abaixo dois artigos – Prof Wanderley e Jorn Paulo Moreira Leite e caso queiram posso acrescentar do jorn. Janio de Freitas.
    Abraços
    Pedro Luiz
    A ironia de Joaquim Barbosa ao PT

    Da Época

    No STF, críticas e ironias dirigidas ao PT. Pode?

    Paulo Moreira Leite

    Joaquim Barbosa tinha um sorriso de ironia nos lábios quando fez um comentário à parte no julgamento do mensalão, hoje. Referindo-se às alianças do governo Lula para conseguir votos no Congresso, lembrou a observação de um parlamentar do Partido Popular, o PP, segundo o qual suas diferenças entre a legenda e o PT eram grande demais para haver uma aproximação. A ideia é que não poderia haver um acordo com bases políticas – o que parecia sob encomenda para explicar o suposto esquema de compra de votos.

    Joaquim não resistiu ao argumento do deputado e sacou a conhecida tese de que os partidos políticos “no Brasil” são iguais, não se registrando diferenças ideológicas relevantes eles. Outro ministro, Marco Aurélio Melo fez uma observação semelhante.

    Lembrou, também numa referência ao PT, que no passado muitos brasileiros chegaram a acreditar que havia um partido com diferenças ideológicas. Já que nunca fizeram observações semelhantes em julgamentos que envolviam tucanos, pefelistas e outros, restou a conclusão de que, ao menos para estes dois ministros, o PT pode ser considerado um partido até pior do que os outros. Pelo menos, decepcionou quem imaginava que era um partido diferente e depois do mensalão convenceu-se de que havia se enganado.

    A doutrina de que os políticos “só pensam em roubar” é antiga e já alimentou diversas experiências contra a democracia mas as pesquisas indicam que não é assim que pensa a maioria dos brasileiros. Mesmo no auge das denuncias do mensalão, no segundo semestre de 2005, o PT seguia segundo o partido mais popular entre os eleitores. E não era popular como um ídolo de programa de auditório.

    Era aquele que mais se preocupava com os mais pobres e injustiçados. De lá para cá, quando você pergunta ao eleitor, desde então, qual seu partido predileto, 25% dizem que é o PT. O segundo colocado fica em 5%. Isso não quer dizer que o PT é um partido melhor ou pior. Mas demonstra que tem uma identidade política própria e, pelos números, única.

    Muitos brasileiros não concordam com isso. Outros estão de pleno acordo. Outro tanto fica no meio. Democracia é assim. Garante a todo mundo e a cada um o direito de pensar diferente.

    Não é isso o que importa, agora. Eu acho sintomático que o relator do mensalão tenha aproveitado uma conversa paralela para deixar escapar, em tom irônico, uma observação tão negativa sobre o partido que está no centro do julgamento. E acho mais curioso que outro juiz, imediatamente, tenha se manifestado de acordo. Os dois muito a vontade, falando de microfones abertos.

    Isso diz respeito a isenção que se espera de um tribunal? Não sei.

    Justiça cega? Também não sei. O antecedente do mensalão do PSDB, com direito a desmembramento e um longo passeio pelos tribunais inferiores, não é um bom sinal.

    Há tantos sábios por aí que garanto aos mais eruditos o direito de falar primeiro. Mas confesso que nunca tive a oportunidade de ouvir ministro do STF fazer referências tão explícitas a uma das partes envolvidas. Muito menos a outros partidos.

    Discordo de visões conspiratórias sobre o julgamento. Os juízes estão lá, no exercício de sua soberania.

    Mas eu acho que essa manifestação do relator e de Marco Aurélio expressam um ponto de vista político sobre o governo Lula.

    É a visão do governo como um universo sem ideologias, sem interesses políticos reais, sem base social a dar respostas, onde tudo é um grande arranjo, às costas do povo e dos verdadeiros interesses do país. E eu acho que essa visão ajuda a entender a linha política que está presidindo o julgamento até aqui.

    Essa visão do “eles só querem roubar” é coerente com um esforço para criminalizar a política de alianças do governo Lula. Ignora as condições reais em que são feitas as campanhas eleitorais no país, que misturam dinheiro de caixa 2, dinheiro limpo e também dinheiro corrupto. Sem mudanças nessas regras, nada vai acontecer. E, sem querer ser chato, até agora não se demonstrou que o DNA financeiro do PT tenha uma formação diferente daquele de seus adversários.

    Na melhor das hipóteses, a democracia brasileira será amputada ao sabor das decisões da Justiça, que ora pode andar de um jeito, ora de outro. O mensalão tucano sequer chegou aos tribunais e, além do mestre Jânio de Freitas e deste modesto aprendiz de jornalismo, ninguém mais diz que isso é um disparate. Sem falar, claro, de Wanderley Guilherme dos Santos, que publicou uma aula sobre o tema no site O Cafezinho.

    A linguagem da acusação tem-se mostrado preocupante. Seria irônico se não tivesse um aspecto trágico. No esforço para provar compra de votos, a acusação selecionou alguns projetos do início do governo Lula, como a reforma da Previdência, a reforma tributária. Em seu tempo, estes projetos chegaram a ser elogiadas, como demonstração de que o PT rompera com dogmas considerados pré-históricos. Custaram uma divisão e até mesmo um racha na bancada do PT. Mas receberam elogios gerais.

    O próprio Fernando Henrique Cardoso, em artigo recente onde alinhou um pacote de críticas ao governo Lula, lembrou essas duas reformas como aspectos positivos, lamentando apenas que não tivessem ido adiante.

    Na visão da acusação, contudo, essas reformas foram o símbolo da compra de votos. São descritas como de interesse “dos corruptores.” Quer dizer: não havia interesse nacional, sequer um esforço de aproximação com a oposição. Não era política, essa atividade que pressupõe acordos, aproximações, afastamentos e ruptura. Era o “esquema.”

    Na mesma linha, quando o governo consegue o voto de um partido que fora adversário para votar numa proposta que é mais oposicionista do que petista, a acusação define isso como “ato de ofício,” expressão equivalente a “recibo”de corrupção. Quando Delúbio Soares dá um depoimento, ele “confessa.” Nessa lógica, não são petistas que são acusados de votar em seu partido, o que não faz sentido. É o PP que cobra para votar no que defendeu.

    Ao explicar por que votara na reforma da Previdência, Roberto Jefferson lembrou, na Polícia Federal, que o caráter trabalhista de seu partido não impedia que fosse favorável a medidas como a reforma da previdência, que já apoiava quando estava na base do govedrno FHC.

    Por trás de todos esses atos “criminosos” abriga-se aquilo que é visto como um plano maquiavélico, “perpetuar-se no poder”, que faz parte da cartilha de qualquer partido político que, por mais democrático que seja, nunca imagina que a oposição fará um governo melhor do que seu. (Salvo casos patológicos, de psicanalistas e crises existenciais, mas não vou falar disso agora).

    Instrumento de determinada visão política, essa linguagem ajuda a montar um quadro sob medida para se chegar ao resultado que parece cada vez mais provável: a condenação, a penas pesadas, da maioria dos acusados, salvo alguns mequetrefes.

    E aí vamos combinar: tudo vai estar perfeito se os condenados forem apanhados com provas verdadeiras e consistentes. Neste caso, as condenações serão justíssimas. Mas será diferente, no entanto, se uma visão política, que pressupõe a culpa, acabar prevalecendo. Não é isso o que está por trás da noção de “eles só querem roubar”? Do partido “sem ideologias?”

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Mais um para ser XINGADO a sanha dos PUNE PUNE E PUNE!
    Da Folha – Janio de Freitas

    Deduções de fato

    Janio de Freitas

    Não há dúvida de que a quitação de dívidas foi motivo comum na entrega de dinheiro a parlamentares

    A NOVA fase do julgamento do chamado mensalão, dedicada ao “núcleo político”, introduz o próprio Supremo Tribunal Federal em zona de perigo. Há muito menos provas documentais e indícios factuais no novo capítulo do que nas operações financeiras, já julgadas, entre o Banco Rural, as agências de Marcos Valério e o PT.

    Carência que está substituída, em quesitos importantes, por deduções problemáticas a serem enfrentadas pelos ministros.

    Não há dúvida quanto à entrega de dinheiro a dirigentes partidários e a parlamentares, indicados pelo PT. Daí vem um salto grande e impróprio: a acusação elaborada pelo procurador-geral, Roberto Gurgel, e a parte já conhecida da acusação feita por Joaquim Barbosa, como ministro-relator, deduzem que o dinheiro se destinou à compra de votos, na Câmara, a favor do governo.

    A finalidade de um pagamento é importante, no caso, não mais para comprovar ou negar a ocorrência das transações ilegais, mas por influir na dimensão da pena de um réu condenado. Ou seja, por influir naquilo mesmo que se tem por justiça.

    É possível que houvesse compra de voto. Mas não pode ser desconsiderado que o PT fez acordos eleitorais com o compromisso de financiar campanhas dos novos aliados.

    Disso ficaram registros nos meios de comunicação e há confissões e testemunhos no processo. Nenhum acusado se inocenta por isso. Mas se altera a dedução que o procurador-geral e o relator tiram da cronologia de pagamentos e votações.

    Joaquim Barbosa expôs, ontem, a quase coincidência dessas datas, com R$ 100 mil, R$ 200 mil ou R$ 250 mil entregues a alguns dos acusados e, adiante, a obediência dos seus votos ao desejado pelo governo. Mas, a propósito, há mais do que apenas a hipótese de compra dos votos para aquela votação.

    O PT saiu da campanha de Lula devendo muito do financiamento a que se comprometeu com os partidos aliados. A combinada cessão de cargos preservou, por certo tempo, a convivência no governismo.

    Esgotado esse festival, começaram as cobranças dos dirigentes em nome dos partidos e, com a chegada das votações importantes para o governo, o “paga ou não voto” de deputados que esperavam por sua parte do financiamento descumprido. Alguns deles falando por diretórios regionais, como demonstra o movimento apurado das verbas.

    Essa sucessão desde o acordo até a cobrança ficou descrita por envolvidos já na CPI dos Correios. Inclusive em minucioso depoimento de Roberto Jefferson. Nem por isso fica negada a possibilidade de compra de tal ou qual deputado, para esta ou aquela votação.

    Mas não há dúvida de que a quitação de dívidas foi motivo comum na entrega de dinheiro a parlamentares. E há diferença importante entre uma e outra causas.

    O relatório de Joaquim Barbosa argumenta que, em seguida ao recebimento por um deputado, ele e sua bancada votaram com o governo, como atesta levantamento da Câmara.

    Poderia ser por recebimento de dinheiro. Ou, simplesmente, porque votar com o governo é o esperado de uma bancada da “base aliada”. Os deputados que receberam eram dos partidos “da base” -PMDB, PTB, PP, PL, além do PT.

    O problema do tribunal, no novo capítulo do julgamento, será o que deduzir das deduções.

  • Ismael

    Fica a pergunta para ser respondida: se não houve compra de votos mas apenas pagamento de dívidas de campanha, por que na lista de recebedores não há os nomes dos que perderam as eleições?
    Não adianta chamar os ministros do STF de estúpidos, a realidade dos fatos está documentada no processo e cabe abrir novo processo para investigar as declarações de Marcos Valério, pois é mais um envolvido a testemunhar que o objetivo da trama, dirigida por Lula e José Dirceu, era a compra de apoio político, num atentado descarado à democracia.

  • Carmela Lo Schiavo Parente

    Eu estou achando que quem foi comprado foi ele, o relator. Afinal o conceito do judiciario caiu faz tempo. Como acreditar no que ele fala, cadê as provas materiais. Neste momento, como em outras eleiçõe sempre foi muito conveniente.Me lembro até que chegaram a afirmar que o PT de Lula havia sequestrado Abilio Diniz, é mole ? Hoje o brasileiro está mais esperto do que nunca. Portanto não adianta ficar atirando fogo a torto e direito, porque fatalmente vai atingir o seu próprio pé.Eu sou da seguinte opinião: Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Isto vale tb para a escrita. Outra perguntinha : Cade o depoimento do Sr Gurgel? em que pé está o MENSALAO TUCANO, o caso Serra e FHC nas privatizações etc.etc etc..
    Conveniente não ?

    É altamente ofensivo a um ministro do Supremo simplesmente dizer que ele deve ter sido “comprado”. Inacreditável como certos leitores são irresposáveis, me desculpe a franqueza.

    Quanto ao chamado mensalão tucano, vê-se que você caiu de pára-quedas no blog, que nunca o leu antes. Dê uma busca no local apropriado da home page e verá um longo post sobre o tema publicado dias atrás.

    Quanto às privatizações, o grande erro de FHC foi não ter feito mais, Petrossauro incluída.

  • Pedro Luiz Moreira Lima

    Carmela Lo Schiavo Parente:
    Afirmar que um juiz do STF foi comprado – seria o fim de comédia.
    Concordo no entanto com a fúria acusatória e condenatória que você diz.
    Os crimes financeiros,os crimes das piratarias privatizações,a compra de voto para reeleição de FHC, o CRIME de transformar uma fazenda de FHC(aliás muito mal explicada sua aquisição) transformada como SIMBOLO NACIONAL no mesmo nível da Bandeira,Hino…duvidando? volta a imprensa da época, o STF para defender o patrimônio de FHC colocou a fazenda de FHC como SIMBOLO NACIONAL e apoiado!!! desculpa a expressão Setti,PQP!apoiado!
    Quanto a Petrobrás ele, FHC, quebrou o monopólio nacional do petróleo, a maior luta popular da história do Brasil, O Petróleo é Nosso! e seu genro(de FHC) reunido com as 7 grandes declarou – “O Petróleo é Vosso!” – criminosa traição – muitos morreram nas ruas,muitos torturados e muitos com carreiras encerradas pela Luta do Petróleo é Nosso!para criminosos entregarem o petróleo brasileiro e já não é mais nosso!
    Aos leitores – quando a Petrobrás descobre um poço comercialmente bom para exploração – ela tem 6 meses ou 1 ano para explorá-lo,nem como reserva técnica pode.
    Entra em leilão na realidade entra em LADRÃO deveria ser o termo usado – lance sempre vagabundamente lá embaixo.
    Quando uma empresa estrangeira ganha o leilão e paga as comissões aos criminosos de outrora e os atuais – o pagamento do poço explorado é feito 25% em dólares e o petróleo vai para eles – CRIME!!!
    Em contratos no exterior a empresa fica com 25% a 30% em dinheiro e o petróleo após o abatimento fica com país.
    Setti – não abrirei com você qualquer debate sobre a Petrobrás – para mim e de milhões d brasileiros considerado uma INSTITUIÇÃO NACIONAL – a amizade que renho a você poderia ser trincada – é um tema que mexe comigo,é um tema do verdadeiro NACIONALISMO – se permitir peço a AEPET(Assoc.do Engenheiros da Petrobrás) a mandarem POSTS para seu Blogue – não tenho condições de debater o assunto – a EMOÇÃO supera a RAZÃO.
    Recomendo o livro “O Petróleo é Nosso!” da notável MARIA AUGUSTA TIBIRIÇÁ,HOJE COM 95 ANOS ATIVA,LÚCIDA E A MESMA MENINA DE LUTA PELO PETRÓLEO BRASILEIRO – com muito orgulho aparece meu avô Juiz do Maranhão – junto com 5 Juízes do BRASIL INTEIRO – assinando o documento do Petróleo é Nosso! assistindo palestras do pai com olhos úmidos de indignação denunciando o CRIME DE LESA PÁTRIA COMETIDO E AINDA COMETIDO.
    Um dia o país acordará e verá os verdadeiros crimes cometidos – tanto das Ditaduras Brasileiras e como os de FHC e sua QUADRILHA.
    Setti – não sei se publicará meu desabafo mas peço que faça – é um desabafo de um brasileiro,é um desabafo de um amigo.
    Nem farei revisão – irá conforme fui apertando as teclas – simples de corpo e alma.
    Obrigado e meu abração de sempre
    Pedro Luiz.

  • Corinthians

    É… a Petrossauro tá bem agora…
    Pré-sal no papel, perda de em valor de ações recuando para o valor de 31 de março de 2009, alta no preço dos combustíveis, estatal dando prejuízo após prejuízo, quase uma década de metas não atingidas, empregos diretos e indiretos gerados em queda vertiginosa….
    Mas o petróleo é nosso!

  • Antonio Ribeiro Guimarães

    O Dignissimo Presidente;Excelentissimo Ministro e
    Meretissimo Juiz de Direito do Supremo Tribunal Fe-
    deral é o nucleo de honra da Corte de Justiça do
    Judiciáeio do Brasil.