MENSALÃO: Vamos ver, daqui a pouco, até que ponto o procurador-geral da República zelará pela imparcialidade do julgamento

Roberto Gurgel, procurador-geral da República (Foto: ABr)

Roberto Gurgel, o procurador-geral da República: razões para pedir o impedimento do ministro Toffoli não faltam. Vamos ver o que Gurgel fará  (Foto: ABr)

Logo saberemos, durante o julgamento do mensalão, hoje, mas até ontem o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ainda “estudava” a possibilidade de solicitar ao Supremo o impedimento do ministro Dias Toffoli de atuar no caso em razão de haver trabalhado diretamente para o PT e para o principal réu, José Dirceu.

Como sabemos, o ministro foi assessor jurídico do PT – partido cuja direção, à época dos fatos, está de alguma forma no banco dos réus. E não se tratou de função passageira, não, mas de algo que se estendeu por quinze anos!

Toffoli também exerceu funções de assessor na Casa Civil de José Dirceu e é ex-sócio de um escritório de advocacia que defendeu três mensaleiros.

Mais: sua própria companheira, a advogada Roberta Rangel, foi, ela mesma, advogada de dois dos acusados.

Assessor do PT, assessor do “chefe da quadrilha” do mensalão (segundo o procurador-geral da República, José Dirceu), ex-sócio de um escritório de advocacia contratado por mensaleiros, companheiro de uma advogada que defendeu mensaleiros.

O que mais seria necessário para que o procurador-geral solicitasse o impedimento de Toffoli?

O ministro Dias Toffoli: por 15 anos assessor do PT, ex-assessor de Dirceu, a companheira advogou para mensaleiros: pode ele ser isento para julgar o mensalão? (Foto: STF)

Não bastasse isso, a seção “Painel” da Folha de S. Paulo de hoje, muito corretamente, lembra um episódio importantíssimo ocorrido durante a sabatina a que Toffoli, na condição de indicado para o cargo de ministro do Supremo, se submeteu no Senado.

Diz o “Painel”:

Na sabatina a que foi submetido rumo ao STF, em 2009, José Dias Toffoli respondeu ao tucano Álvaro Dias sobre eventual impedimento de votar no mensalão:

— Se, eventualmente, tiver alguma hipótese na qual eu tenha atuado, aconselhado, tenha tido algum tipo de orientação, é evidente que, pelas normas de impedimento, tenho obrigação de me declarar impedido ou suspeito de atuar.

O hoje ministro [do STF] disse nunca ter ouvido falar de mensalão em sua passagem pela Casa Civil.

Vamos ver daqui a pouco qual é o grau de coerência de Toffoli — e o quanto o procurador-geral zelará pela imparcialidade do julgamento.

 

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Nenhum comentário

  • Luiz Pereira

    Setti, boa tarde,
    É isso aí, vamos ver se o ministro se eleva, ou se será mesmo, para sempre, Baby Toffoli.
    abs

  • Marco

    Dom Setti: Se não houver o impedimento seria uma concessão legal. Difícil caminho.
    Abs.

  • Luiz Pereira

    Setti,
    LewandoskiTrazendowski já começou a dar trabalho… Essa gente não tem o menor respeito pela própria biografia.
    Vamos ver o que aprontará baby Toffoli.
    abs

  • Kenji

    Pelo que tenho lido, há legislação (Artigos 134 e 135 do Código de Processo Civil) que fala claramente sob as circunstâncias que impedem um juiz de julgar um caso.
    É óbvio que o ministro Dias Toffoli não é dono de sua vontade. Esta pertence ao Molusco Apedeuta. Portanto, já sabemos no que vai dar.
    Resta-nos clamar ao senhor procurador Gurgel que, a essa altura do campeonato, AINDA acha que deve estudar o impedimento do ministro que o solicite.

  • bereta

    Prezado Setti….. qual seria o horário limite para a manifestação do sr. Procurador?

    Caro Bereta, quando jovem jornalista, fiz a cobertura de assuntos do Supremo para o “Estadão”. A distância no tempo e no espaço me fez ficar menos familiarizado com o regimento interno da Casa, mas acredito que o procurador-geral precisaria, se desejar, se manifestar ainda hoje, como questão de ordem, antes da leitura do voto do ministro relator.

    Questões de ordem são temas relativos ao andamento do julgamento, e a presença, nele, de Toffoli é típio assunto para questão de ordem.

    Vamos aguardar um pouco mais.

    Abraço

  • Luiz

    Outro ministro que não pode julgar o mensalão pela imparcialidade é Gilmar Mendes.

  • Luiz Pereira

    Setti, por favor leia a nota do Merval, abaixo:
    “A decisão do ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, de ler um longo voto a favor do desmembramento do julgamento, enviando para a primeira instância os processos sobre a maioria dos réus, com exceção dos 3 parlamentares, parece ter a intenção de retardar o começo do julgamento. Bastaria que ele votasse a favor da questão de ordem do advogado Marcio Thomaz Bastos, e deixasse que o presidente do Supremo desse seguimento à votação. A questão já fora decidida pelo plenário do STF, como frisou o Procurador-Geral da República Roberto Gurgel, e não deveria tomar conta das discussões, impedindo o começo do julgamento. Além do mais, o ministro Lewandowski parece estar em sintonia fina com o advogado Marcio Thomaz Bastos, pois já tinha um voto preparado no mesmo sentido da questão de ordem levantada por ele, nos mínimos detalhes.”
    Agora sou eu:
    Some-se a isso o fato desse nefando juiz já ter dito que seu voto será um “contraponto” ao de J.Barbosa, antes mesmo de conhecer o teor do mesmo… É o fim da picada!
    abs

  • Elaine Sampaio

    Ja vimos! E com a pior desculpa possivel, para nao atrazar ainda mais. Isso ja e carta marcada, todos la ja sabem o que vai acontecer, sao atores!

  • maria

    Perguntar não ofende:ué,não foi para isso que ele foi colocado no STF?
    Gurgel,o Brasil ainda tem esperanças!A velhinha de Taubaté já morreu,mas esqueceu de deitar…

  • roby

    O que mais seria necessário para que o procurador-geral solicitasse o impedimento de Toffoli? A certeza de que isso seria usado como matéria protelatória, além de causar constrangimento a um plenário já conturbado pela indevida intromissão — por levantar uma questão já rejeitada pelo STF — do “deus” lulopetista.

  • Reynaldo-BH

    Sua presença nos debates pós-sessões (VEJA on line) do julgamento não é só desejada: é essencial! Acelera Setti! Esperamos, ansiosos, por sua participação. Saudoso abraço!

    Meu querido Reynaldo, estou lhe devendo uma resposta, que virá. Nem sei como agradecer.

    Voltarei logo, mas não já, por questões de família.

    Mas já estou de passagem comprada.

    Abração

  • ANTHONY KUDSI RODRIGUES

    Corrupção? de LADO NENHUM porque os “pagões de impostos” que vão para os bolsos cheios dos corruptos somos nós com o nosso suado trabalho diuturno; desta forma, vejo que NÃO HÁ ISENÇÃO DA MÍDIA, neste caso do mensalão do PT, mesmo porque em 2002 o Marcos Valério apresentou como “credencial” ao PT, este esquema que deu certo no PSDB mineiro nos anos 90; assim o tratamento midiático para a corrupção DEVE SER ISONÔMICO, pois CORRUPÇÃO NÃO TEM LADO, PARTIDO OU IDEOLOGIA, SÓ CANALHICE E SAFADEZA CONTRA O BRASIL E SEU HONRADO POVO TRABALHADOR.
    Abraços.
    AKR

  • DENISE HEBLING

    Nosso ordenamento jurídico preceitua o impedimento jurisdicional diante de provas irrefutáveis, mas Como vivemos a hipocrisia, o inferno de Dante se estabeleceu desde o descobrimento do Brasil (por acaso), onde desde 1.500 ancora por aqui a escória de outros países; mas aqui tratando-se de do envolvimento de homens tidos de “moral ilibada” e bicheiros, nada nos surpreende se o ilustre Desembargador continuar no seu papel no STF…