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Tévez, cercado por companheiros e abraçado por Balotelli, ergue primeiro troféu do Mancheser City em 35 anos, em maio; argentino foi de herói a vilão (Foto: AFP)

No Brasil, os torcedores de Corinthians e Botafogo consideram, com razão, sua maior prova de amor o fato de terem aguentado, pacientes, os jejuns de respectivamente 23 e 21 anos sem títulos vividos por seus times do coração.

Pois os admiradores do Manchester City, um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra, fundado há nada menos que 131 anos, podem se gabar por terem enfrentado uma barra ainda mais pesada: 35 anos sem um mísero caneco.

Calvário encerrado este ano

O calvário durou de 1976, quando os citizens ergueram a Football Legue Cup, a maio deste ano, abençoado mês em que voltaram a sorrir com a conquista da Copa da Inglaterra (também conhecida como FA Cup).

O primeiro título para toda uma geração de torcedores da equipe azul-clara, garantido após uma vitória por 1 a 0 contra o Stoke City em um estádio de Wembley lotado, foi o indício concreto inaugural de que a monumental injeção de dinheiro recebida pelo clube a partir de 2008 começava a dar resultados.

Aquisição multimilionária

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O novo dono do clube, xeque Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan: dinheiro não é problema (Foto: The Guardian)

Em setembro daquele ano o MU passou aos comandos do xeque Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, da ultra-mega-hiper rica família real de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, lançando a moda de investidores árabes gastando petrodólares em times de futebol (ver link sobre o Málaga, da Espanha, ao final do texto).

À frente do grupo The Abu Dhabi United Group for Development and Investment (ADUG), al Nahyan gastou 200 milhões de libras (576 milhões de reais) na transação, desembolsando outras 34,2 milhões de libras (98 milhões de reais) logo em seguida para tirar Robinho (hoje no Milan) do Real Madrid e mostrar a que viera.

Um astro atrás do outro

Começava uma história de contratações milionárias que incluiria “surrupiar” Carlitos Tévez do arquirrival Manchester City em 2009, chegando ao auge na temporada passada (2010-2011), em que o xeque, como que prevendo o fim da seca de títulos, totalizou incríveis 165 milhões de libras (475,5 milhões de reais) em investimentos.

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Robinho trocou o prestígio do Real Madrid pelos milhões do novo Man City. E não durou muito (Foto: As)

Este último bolo se repartiu entre as transferências de diversos atletas de peso como o meia-atacante David Silva, campeão do mundo com a seleção espanhola, o excelente volante marfilenho Yaya Touré, ex-Barcelona – e irmão de Kolo Touré, que chegara um ano antes ao City – e o polêmico italiano Mario Balotelli, importado da Inter de Milão.

Além da Copa da Inglaterra, o MU ficaria na temporada 2010-2011 em terceiro lugar na concorridíssima Premier Legue – como é chamado o Campeonato Inglês em sua terra de origem -, o que lhe concedeu direito a participar novamente de uma Champions League, a Liga dos Campeões da Europa, após uma eterna espera de 43 anos.

A euforia continua

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Agüero, Silva e Džeko: últimas contratações (Foto: Roger Parker – EFE)

Para a atual temporada, pelo menos a metade da fortuna torrada no ano anterior saiu da conta bancária do investidor árabe. Em troca, desembarcavam na fria Manchester o habilidoso atacante argentino Sergio “Kun” Agüero, genro de Maradona, vindo do Atlético de Madrid, e o francês Samir Nasri, oriundo do Arsenal, de Londres.

E, para quem pensou que o momento do time fosse passageiro, seus resultados têm provado o contrário.

Ainda que seu técnico, o italiano Roberto Mancini, venha lidando com uma boa dose de turbulências no vestiário – as principais são causadas pelo desafeto Tévez, que chegou ao ponto de se recusar a entrar em campo e agora é odiado pelos dois times de Manchester; as demais pelo bad boy Balotelli -, sua esquadra lidera a atual Premier, com 34 pontos, cinco à frente do United, em 12 partidas.

Na Champions League, ainda mantém chances de avançar às oitavas-de-final, faltando uma rodada para o fim dos enfrentamentos de seu grupo, um dos mais difíceis da competição, que divide com Bayern de Munique, Villarreal e Napoli.

Massacre ao United

Para completar, em outubro seus perto de 1 milhão de fans espalhados pela Inglaterra – massa nada desprezível, embora cinco vezes menor que a torcida do rival local,  maior do país – lavaram a alma com uma estrondosa goleada sobre os Red Devils por 6 a 1 em plena casa adversária, o venerando estádio de Old Trafford.

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Placar da goleada história: alma lavada (Foto: blog Time Union)

A chuva de gols histórica vingou, em parte, décadas de humilhação imposta pelo United, considerado um dos maiores clubes do planeta, ao City, sempre relegado a segundo plano na cidade por causa do sucesso do vizinho.

Prejuízo recorde

Mas claro que nem tudo são flores. A começar porque é muito cedo para comemorar novos títulos (a Premier vai até maio de 2012, e o poderoso Bayern é o adversário na derradeira rodada da primeira fase da Champions).

Tampouco dá para ignorar que o exercício 2010-2011, o mesmo que significou a redenção para os citizens, correspondeu ao maior prejuízo já detectado no futebol inglês em sua longuíssima história: 194 milhões de libras (mais de meio bilhão de reais, 595 milhões, para ser mais preciso). Só com salários, consumiu-se 85% deste valor.

Não que o xeque, cuja fortuna pessoal é estimada em 15 bilhões de libras (pouco mais de 42 bilhões de reais), venha perdendo o sono por causa disso. Mesmo assim, os responsáveis pelo departamento financeiro da agremiação garantem que o rombo era previsto, como parte de uma estratégia de “investimento acelerado”, e não se repetirá. Eles contam com o aumento do dinheiro ingressado que a participação na Champions fatalmente traz.

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O Etihad Stadium, novo nome do City of Macnhester Stadium (Foto: Manchester City)

Outros “pequenos” reforços são os 11,3 milhões de libras (32,5 milhões de reais) repassados anualmente pela patrocinadora de seu estádio, a companhia aérea Eithad Airwais, que por dez anos dará nome ao antes conhecido City of Manchester Stadium. A empresa ainda paga, por temporada, 2,6 milhões de libras (7,5 milhões de reais) para estampar seu nome na camisa do clube.

Tudo isso, somado a uma previsão de crescimento do faturamento bruto – na temporada girou em torno dos 22% – muita publicidade e, se possível, um ou outro troféu, podem ajudar a consolidar o nome do Manchester City como um dos principais da Inglaterra, talvez do mundo, e deixar seu balanço financeiro no azul.

Azul-claro, por favor.

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9 Comentários

Marco em 26 de novembro de 2011

Amigo Setti: Ao nosso caro amigo Carlos Nascimento, ainda tem q nos esclarecer na sua hierarquia, quem é o 1 e o seu 2 time ? Tricolor ou Santos ou vice versa( Hehehe ). Claro q é Brincadeira Carlos Nascimento ! Abs.

Marco em 26 de novembro de 2011

Amigo Setti: Parabéns ao Sport, Ponte Preta, Naútico e Portuguesa ! Portuguesa em Especial, pelo boa gente Jorginho q tive oportunidade d conhecer nos aeroportos da vida. Pena q o Vitória não conseguiu, e como diz o Carlos Nascimento, o meu 2 time o Vila Nova, infelizmente não honrou a tradição de leão. Abs.

carlos nascimento em 26 de novembro de 2011

Caro Ricardo, Peço licença para comentar o que vai abaixo, sabe como é, falar sobre alguém do "timão" não é tarefa fácil, vão logo dizer que é intriga da oposição, inveja, logo eu que sou Santista, preciso ter inveja de alguém. Ao acordar e passar em revista as notícias esportivas, me deparo com a foto que os bastidores (aquilo que os tapetes escondem, adivinhem) já comentavam abertamente, a nova parceria sacramentada (não tão nova), a dupla dinâmica, "ricardo teixeira + andrés sanchez", finalmente fica tudo às claras, o bispo cooptou o coroinha do black label ou seria red, isso é o de menos, o que importa é a tragédia que vai se perpetuando,sim, pois qualquer parceria com rt é prolongar o desastre da corrupção no futebol brasileiro. Fazendo analogia, eu diria que a atual era de assombros, tem provocado grandes tragédias, lulla x dilma, agora teremos teixeira x sanchez, assim caminhamos todos nós, rumo a eterna mediocridade. É para rir ou para chorar ? Mereço uma resposta ? Meu caro amigo RICARDO SETTI, o EDITORIAL prometido, poderia muito bem abordar essas aberrações. Uma última indagação, será que em nosso País não haveria uma BIOGRAFIA adequada para gerenciar os destinos da nossa paixão - o futebol - quando ? abraços Carlos Nascimento.

Marco em 26 de novembro de 2011

Amigo Setti: Vou reforçar a tese com esse dados: Faltando poucas rodadas para o encerramento da temporada 2011 no futebol brasileiro, o ranking de média de público dos 100 clubes das séries A, B, C e D vai ganhando contornos finais. Confira como está o seu time: A apuração é do craque Rodolfo Brito (@rbrito1984), blogueiro do ótimo blog rbrito.Faltando poucas rodadas para o encerramento da temporada 2011 no futebol brasileiro, o ranking de média de público dos 100 clubes das séries A, B, C e D vai ganhando contornos finais. Confira como está o seu time: A apuração é do craque Rodolfo Brito (@rbrito1984), blogueiro do ótimo blog rbrito. Considerações importantes : a Média do Santa Cruz de PE é maior q a do Corinthians, ou seja 37.000 por jogo contra 29.000 do timão. Abs.

Marco em 25 de novembro de 2011

Amigo Setti: Vou te dar um exemplo claro aqui do RS, com o Grêmio, q já foi Campeão e vice Mundial, não lembra e nem comemora essas façanhas, mas a da 2 divisão, fizeram até DVD e tem gente pagando promessa até hoje em relação a batalha dos aflitos. Abs.

Marco em 25 de novembro de 2011

Amigo Setti: Me lembrei do teu amigo Mainardi, numa entrevista, q ele disse q foi o maior corinthiano, até 77, depois virou apenas simpatizante. E ele tem razão, quandos os grandes times caem para 2 divisão, aumenta inexplicávelmente o amor pelo clube, até mais q na 1, os estádios e manifestações de amor lotam esse clubes. E eles acabam voltando com facilidade a 1, mas acho se não conseguissem essa mobilização, repetir a 2 divisão, acho q quebra qualquer clube, apesar q o Flu foi para a 3 e conseguiu. Não sei te explicar . Abs.

Leonel em 25 de novembro de 2011

A torcida da Ponte Preta é bem mais fiel...

Daniel Peccini Correa em 25 de novembro de 2011

Na Champions League a coisa complicou. Vai precisar vencer o Bayern e torcer contra o Napoli, que pega o ultimo colocado Villareal. É verdade. Há inclusive uma menção no texto à dificuldade deste último jogo pela primeira fase. Abraço

Tuco em 24 de novembro de 2011

. Esse argentino é a maior mentira... Não joga picas. .

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