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Pilar Bardem com o filho, Javier: seu nome pode desaparecer da avenida

Mesquinharia política não tem pátria.

Como se a quarta maior cidade da Espanha não tivesse outros problemas, o novo prefeito de Sevilha, na Espanha – Juan Ignacio Zoido, do conservador Partido Popular (PP) –, que assumiu em junho um cargo até então considerado como um bastião socialista, está empenhado em retirar de uma rua do centro da cidade o nome de Pilar Bardem – veterana e querida atriz espanhola, filha e mãe de atores, inclusive do premiadíssimo Javier Bardem, Oscar de melhor ator em papel coadjuvante em 2008 pelo filme Onde os Fracos Não Têm Vez e tido, hoje, como um dos melhores atores em atividade.

Pilar Bardem, que nasceu em Sevilha, recebeu essa honraria em 2009, em nome da chamada Lei da Memória Histórica, já que a antiga rua General Merry homenageava a um general fascista, o capitão-general Pedro Merry Gordon, que comandou tropas da Divisão Azul espanhola enviada pelo ditador Francisco Franco para lutar ao lado das forças nazistas na frente russa.

Mesmo antes da vitória eleitoral do PP setores conservadores da cidade torciam o nariz para a homenagem, já que tanto Pilar Bardem como o filho são conhecidos ativistas de esquerda.

Alguns defensores da nova mudança de nome argumentam que o Merry homenageado pela placa não era o general que lutou com as tropas de Hitler, mas seu pai, também general, Francisco Merry Ponce de León, que, por ocasião da Guerra Civil (1936-1939), já estava na reserva.

Seja como for, o fato é que a mudança de nome da rua, não muito distante do magnífico rio Guadalquivir, que corta Sevilha, e que desemboca, curiosamente, numa via que leva o nome de outro artista — o falecido escritor português José Saramago –, só apequena os autores da ideia e o novo prefeito.

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Nenhum comentário

P Madeira em 11 de outubro de 2011

Mais estarrecedor ainda é ler comentarista defendendo a ditadura franquista.

Alaor em 11 de outubro de 2011

Não acusei a turminha da esquerda de fazer nada ilegal! Só acho que eles deveriam ter escolhido um nome sem ligação com campo político ao invés de escolher uma militante esquerdista. Foram eles que começaram a mesquinharia achando que os conservadores teriam vergonha de revidar. E eles não tiveram. Os esquerdistas acharam que os conservadores teriam o pudor que eles próprios não tiveram. É mais ou menos o truque que o PT aplica há anos na oposição: faz lambança por ter certeza que o outro lado tem vergonha não só de fazer lambança, mas inclusive de denunciar a lambança alheia.

Angelo Losguardi em 10 de outubro de 2011

Mas ela não morreu! E vai ser nome de rua? Que coisa bizarra! Na Espanha não é proibido, caro Angelo. E, se vc ler o post com mais calma, vai ver que ela não "vai ser" nome de rua -- já é, há dois anos. Querem tirar. Abração

joão batista de souza em 10 de outubro de 2011

No maranhão, tudo é sarney, hospital, rua, creche, poste, vala, tudo. Lobão, o cantor, quando andou por lá, estranhou que todos usavam bigodes, assim é a vida. Lá na espanha o generalíssimo fez os comunistas dançarem miudinho durante quarenta anos, mas, ninguém é eterno, ele se foi e a turma tomou o poder e foram criando estrovengas legais para mudar o que lhe davam na telha. Homenagear pessoas em vida sempre causa problemas tanto faz ser no maranhão como na espanha

Malur em 10 de outubro de 2011

Podem tirar de Pilar a homenagem, mas não poderão tirar-lhe a majestade, aposto. Que mulher heráldica! E que filhote, o Javier!

Julian Matos em 10 de outubro de 2011

Caro Ricardo: É verdade: mesquinharia política não tem pátria. Desfazer o que fez o antecessor, faz escola no mundo afora. Sabe o Pelourinho na Bahia? Custou bastante dinheiro dos impostos dos baianos reformar e revitalizar o bairro. O governo de Jaques Wagner abandonou o projeto. Dizem por aí que foi por quê se tratava de um símbolo do carlismo... Um abraço, Julian PS.: Caro Ricardo, sou o mesmo Julian do post sobre as touradas. Se você anda por Barcelona seria um prazer encontrar-nos e compartilhar ideias sobre os nacionalismos espanhóis. Como lhe passo meus dados de contato? Suponho que você pode ver meu e-mail. Um abraço, Julian. Caro Julian, obrigado por sua visita, por seu comentário e por sua disposição em trocar ideias sobre os nacionalismos espanhóis. Sim, tenho seu email e em breve entrarei em contato. Um abraço

Think tank em 10 de outubro de 2011

Como se vê, tudo indica que é nada fácil se livrar dos vícios ibéricos, destes parasitas da nação que lá estão apenas para se servirem, desperdiçam os recursos da nação com inutilidades.

Alaor em 10 de outubro de 2011

Bom, tiraram o nome de alguém de um lado e colocaram de alguém do outro. Não podia ser um nome neutro? Mesquinharia por mesquinharia... quem começou foi a turminha da esquerda. Não se pode cobrar que os conservadores tenham com os esquerdistas a elegância e a generosidade que estes não tiveram com aqueles, não é mesmo? A "turminha da esquerda" estava apenas obedecendo a uma lei do Parlamento da Espanha, a Lei de Memória Histórica, que retira homenagens indevidas a pessoas entre as quais se incluem criminosos de guerra.

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