A montagem deste site me levou a percorrer uma grande quantidade de material jornalístico produzido ao longo da carreira — reportagens, entrevistas, artigos, editoriais, notas em colunas, vídeos, fotos, áudios. Uma infinidade de diferentes itens.

Pois bem, revisitar o que escrevi no passado foi perceber, em muitos casos, que a vida pública brasileira parece um repetir-se interminável.

Temas que abordei há dez, vinte ou mais anos continuam pipocando no nosso dia-a-dia.

Para ver como tenho razão, confiram esta nota que publiquei em uma coluna política já não mais existente no jornal O Estado de S. Paulo, de que era editor-chefe, no longínquo dia 6 de março de 1991.

Image
Alguns dos uniformes do Exército no século XIX: no século XX, por falta de dinheiro, recrutas chegaram a vestir fardas usadas no ano anterior. Hoje, parte do rancho foi cortada pela mesma razão: falta de dinheiro © Ilustração: Museu Histórico Nacional

Diz o texto:

“Nas conversações que manteve com os ministros militares sobre o aumento de soldos do pessoal fardado — que acabou sendo aprovado no Congresso –, o relator da Medida Provisória 295 do Plano Collor 2 (preços e salários), deputado Paes Landim (PFL-PI), ficou impressionado com o aperto financeiro do Exército.

“Segundo lhe contou o ministro Carlos Tinoco, entre outros sinais de penúria está o de que os novos recrutas, agora, aproveitam fardas já usadas por outros no ano anterior.”

Não há mais Plano Collor, ministro do Exército não existe mais — o que há é um comandante do Exército, que não mais responde ao presidente da República diretamente, como antes, e sim ao ministro da Defesa –, mas o problema continua, tintim por tintim.

Se em 1991 eram recrutas que usavam fardas dos anos anteriores, duas décadas depois foram recrutas que deixaram de fazer certas refeições no quartel, saindo mais cedo ou chegando mais tarde, por falta de dinheiro. As dificuldades do grosso dos militares continuam, o mesmo ocorrendo com boa parte do equipamento das Forças Armadas.

O título da nota de 1991 eram as duas palavras exatamente do título que agora dou a este post.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × 2 =

16 Comentários

Emmanuel Carlos em 19 de março de 2015

Nos dias de hoje a pergunta - que tem resposta - é: a quem interessa a penúria dos militares? E não digo apenas no soldo, mas também nos meios e materiais? Evidentemente a quem tem um "exército do stedile"! A penúria que o governo - e nisso, o do PT é pródigo - impôs aos militares tem motivo certo: em não sendo possível aparelhá-lo, é preciso empobrece-lo; e mais, é preciso criar uma milícia ... não por acaso, a tal de Força Nacional de Segurança que, por sinal, precisa ser desmobilizada o mais breve possível, eis que nada mais é do que o braço armado do partido. Em resumo: é preciso recuperar as forças armadas, mas, convenhamos, sem as falcatruas como as da compra de aviões ... esquisitos.

alex em 17 de março de 2015

Ouvi falar em quartéis no Brasil que só funcionam em dias úteis. Guerra? Só se for de segunda a sexta.

Despetralhando em 17 de março de 2015

Enquanto isto os M.S. (movimento dos sem teto, sem casa, sem trabalho, sem terra, sem vergonha na cara, sem pudor, sem patriotismo e outros '"sens"' são subvencionados por essa corja bandoleira que redesgoverna BANÂNIA. Já na outra ponta temos os: Com bolsa esmola, com bolsa prisão, com bolsa kit de limpeza, e outros '"cons"' mais.

tutti em 17 de março de 2015

Evidentemente que num pais onde a roubalheira impera,que tudo é feito sem controle,sem meritocracia,sem a obrigatoriedade de se dar o melhor para fazer jus ao pagamento,setores são deixados para trás.E isso aconteceu com nossas forças armadas.O setor político avançou com ferocidade para cima do montante arrecadado pelo estado,e oficializou toda sorte de distorções.Pequeno exemplo,aposentadoria de governadores. Outro,equiparação de ministro de supremo com ministro de(paraquedas)estado.Os inacreditáveis salários dos gerentes da Petrobrás com direito a andar torto. Etc.. O Brasil precisa de um estadista para começar do zero.

Gustavo Monteiro em 17 de março de 2015

. A população civil só entende o investimento em defesa quando o inimigo bate à porta. Realmente é difícil justificar ao povo os gastos militares quando há necessidade de melhoria nos hospitais, estradas e educação. . A questão real é que com o PT no poder não sobra dinheiro público para defesa (por conta do ranço e do ódio aos militares) nem para o resto. . A corrupção e os crimes de lesa pátria do PT (financiamento subsidiado de infraestrutura na América Latina com o dinheiro nacional) não deixam sobrar dinheiro nem para os civis nem para os militares.

carlos tozetti em 17 de março de 2015

Não publico em hipótese alguma comentários que defendam, estimulem ou mostrem tolerância com a ruptura da ordem constitucional.

domenico em 17 de março de 2015

Tenho em meu círculo de amizade, militares das Forças Armadas e sei das dificuldades que enfrentam para oferecer às suas família um padrão digno de sobrevivência ! Isso, sem falar do sucateamento dentro dos quartéis e da alimentação parca e de baixo teor vitamínico que é oferecido aos comandados ! Uma vergonha que o Comando ignora e o Congresso se omite em resolver ! As Forças Armadas estão sempre em último-plano !

Toninho Malvadeza em 16 de março de 2015

O EB,vai acabar ficando dependente do governo do PT,assim como os beneficiários do Bolsa Família. Que fim de feira...

ISSO NÃO É DE HOJE..... em 16 de março de 2015

Não publico comentários caluniando pessoas, sobretudo se mortas, como o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que morreu com um patrimônio modestíssimo -- tinha um apartamento no Rio de Janeiro e uma pequena propriedade rural no Distrito Federal de valor desprezível -- para sua informação.

A verdade em 16 de março de 2015

Esse governo, bolivariano, tem o maior despreza pelas Forças Armadas, só dão valor o exercito vermelho, traidores da nossa Patria, tem que haver uma reação, propria, para esses corruptos

Luciano em 16 de março de 2015

Um parente meu serviu lá por 1993 e tinha que treinar tiro com espingarda de chumbinho. Fazia meio período por que não havia alimentação suficiente para os recrutas. Hoje em dia não sei a situação, pois não tenho nenhum parente ou conhecido em serviço militar. Mas algumas notícias que aparecem ocasionalmente sugerem o descaso com que é tratada a defesa do país: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/exercito-brasileiro-possui-municao-para-uma-hora-de-guerra

Maria de Sá em 16 de março de 2015

E nós povo não poderíamos fazer doações para o Exército? P. exemplo: R$ 10,00 ou mais na conta de luz que seria pago, opcionalmente, somado ao valor da conta de luz? Porque para esse governo bolivariano, tendo em vista o fim que ele deseja ao País, não interessa um exército disposto e equipado.

Angèlìka - pela EXCLUSÃO das URNAS ELETRÔNICAS! em 16 de março de 2015

Repete mesmo, Setti. Mas, o que incomoda mesmo é o "stand by" da Oposição. Deveriam vestir pijamas enquanto esperam o Melhor Momento. Ou... DEVERIAM pelo menos, exigir do TSE transformar as malditas URNAS ELETRÔNICAS, tornando-as capazes de "me entregar os dados do meu voto, com a data, a hora e nomes dos meus candidatos e o Partido em que votei". UMA COISA TÃO SIMPLES E A OPOSIÇÃO NÃO CONSEGUE !????

ps em 16 de março de 2015

Setti, mas os "exércitos dos stédile e do boulos" estão em situação melhor, pois recebem pão com salame e mais R$35,00 em cada convocação...ah, e o buzão é free!

Marcos F em 16 de março de 2015

Acrescente-se à penúria, o desejo de vingança. Vingança só? Não! Lula quer demonstrar o que é ingratidão, também.

Gustavo Monteiro em 16 de março de 2015

. Servi o exército em 1987, na qualidade de conscrito. O problema da penúria militar já existia naquela época. . O rancho era uma porcaria, de qualidade inferior. Como a unidade militar ficava em uma cidade do interior, o comandante autorizava que todos fossem almoçar em casa (tínhamos 1 hora de almoço), para economizar a verba do rancho. . Quando nós sabíamos que o rancho estava próximo de acabar, todo mundo passava a almoçar no quartel, para acabar com a comida e forçar o 1/2 expediente, o que geralmente ocorria nos últimos 10 dias do mês. . As viaturas eram "canibalizadas". Como o exército não tinha dinheiro para comprar peças de reparo, retirava-se uma das viaturas de serviço que passava a "fornecer" peças para reparo das outras.

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI