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Fila pela água, em Gaza: para a maioria, o problema é o próximo prato de comida

O centro de investimentos de Al Uasata vai de vento em popa. Em apenas três anos, passou de 1.000 clientes para 4.000, que hoje movimentam cerca de 1 milhão de dólares por dia na compra e venda de ações.

Até aí tudo bem, não é mesmo?

O espantoso é que haja 4.000 clientes com capacidade para comprar ações — no conforto do ar condicionado, em ambiente repleto de telas de computadores e de televisores sintonizados em canais como o Bloomberg, a CNBC ou, nos horários de noticiário sobre business, a BBC e a CNN — num território miserável, em que o problema da grande maioria da população é a batalha pelo próximo prato de comida: a Faixa de Gaza, 360 quilômetros quadrados espremidos entre Israel, o Egito e o Mediterrâneo, onde se amontoam 1,8 milhão de palestinos.

Gaza, juntamente com a Cisjordânia e a parte oriental de Jerusalém, faz parte do Estado Palestino que o governo brasileiro reconheceu na sexta-feira, 3, assim como já o fizeram dezenas de outros países, mas cuja existência formal e fronteiras dependem de negociações dificílimas e de término imprevisível com Israel, intermediadas pelos Estados Unidos e com assistência de outras nações.

Desde que os radicais islâmicos do Hamas assumiram o governo, há três anos e meio, e, em consequência, Israel decretou um rígido bloqueio a Gaza, cerca de 90% das empresas locais fecharam por falta de suprimentos e pela destruição causada por ataques das Forças Armadas de Israel em represália ao lançamento de foguetes contra cidades israelenses próximas.

Com o que conseguiram poupar do desastre, exportadores, construtores, donos de pequenas metalúrgicas, vendedores de automóveis e outros pequenos empresários hoje arriscam diariamente a sorte em ações, baseando suas operações num índice da modestíssima bolsa palestina com sede em Nablus, na Cisjordânia, o Al Quds, ou arriscando em fundos de investimentos de países como o Egito, a Jordânia ou Dubai.

Já há meia dúzia de centros como o Al Uasata. Enquanto isso, cerca de 60% da população de Gaza depende de ajuda humanitária para sobreviver.

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8 Comentários

james em 05 de dezembro de 2010

Por essa justificativa de ganhou a guerra ganhou os territorios o brasil teria o paraguai, a America teria boa parte do mundo. a questao eh: legalmente pelo que foi acordado na ONU eles nao tem direito, os estados arebes se inflaram depois da resuluçao da ONU que arrevelia desses estados julgaram que os judeus teriam direito aquela terra. Tomaram terras de palestinos, tomaram as colinas de golan. E mais tem armas nucleares, faz assassinatos de pessoas sem julgamento, usam armas (fosforo branco) que nao sao permitidas. Os judeus que la vivem, tem direito a suas terras, mas o que é um estado que desobedece as leis internacionais? Ele perde muito do apoio que tinha pos-holocasto porque usa de força excessiva e mata inocentes faz açoes ilegais. Eu queria ver uma opiniao nao viciada nesse assunto. O Hamas realmente é bandido e bandido covarde, mas isso nao justifica matar inocentes e puni-los por votar no Hamas. Afinal muitas pessoas nao votaram neles e sofrem. Se imagine palestino na atual situaçao, eles usam pessoas como escudo humano, mas Israel se mostraria diferente deles se poupasse a vida desses "escudos". Mas pelo que vejo a direita de israel quer um Hamas para ter apoio e o Hamas quer esse israel criminoso como desculpa para sua existencia, quem paga no final sao as populaçoes dos 2 lados.

Mauro Moreira em 05 de dezembro de 2010

O senhor Wilson Alves pode não concordar com o senhor Carlos Vendramini, todavia, deveria informar-se um pouquinho mais sobre a história de Israel. Os assentamentos israelenses podem não ser uma medida inteligente, mas não violentam nada. Por duas vezes Israel derrotou Egito e seus aliados árabes. Tudo em questão de dias, e os territóris hoje ocupados por Israel são resultado de dessas vitórias. Tentaram subjugar Israel e perderam, foram rechassados, foram empurrados além de suas fronteiras, perderam. Israel está disposto a negociar a paz, mas não está disposto a se humilhar. Foi agredido, duas vezes, senhor Wilson, duas vezes, que fique bem claro, e venceu. David venceu Golias. Como vencedor, não pode aceitar as imposições do agressores derrotados. E há também, que fique claro, uma guerra interna na Palestina entre Hamas e Fatah, não se entendem, são terroristas e assassinos, sim! Caro Mauro, sem endossar suas posições -- minha opinião sobre a questão aparecerá quando escrever post a respeito --, queria apenas esclarecer que Israel derrotou o Egito e outros países árabes, como a Síria e a atual Jordânia, três vezes: em 1948, em 1967 e em 1973.

Natale em 04 de dezembro de 2010

""Gaza depende de ajuda humanitária para sobreviver."" Apenas uma, provocadora, analogia com o "Complexo da Penha e do Alemão"" Povo reprimido e fomentado pela discriminalização, resultado de puro ódio e revolta. Conflito interminável, a meu ver.

Tucano Otimista em 04 de dezembro de 2010

Caro Ricardo: É provável que o senhor tenha cometido um engano ao escrever: "destruição causada por ataques a Israel" em vez de "destruição causada por ataques de Israel". Você tem razão. Já corrigi. Um abração e muito obrigado.

Wilson Alves em 04 de dezembro de 2010

Pelo Amor de Deus! Como é que alguém pode ser tão desinformado e fazer afirmações tão disparatadas quanto este senhor Carlos Vendramini? Diz ele que Israel fornece ajuda humanitária para os Palestinos na Faixa de Gaza, só se ele está querendo dizer que os assentamentos israelenses que violentam as terras Palestinas são de alguma forma, ajuda humanitária. Compara o Hamas, um partido político e movimento de luta do povo da Palestina com o PCC um grupo de bandidos erradicados em São Paulo. Ainda bem que estupidez não é tributável senão o tal Vendramini não perderia nem pro homem do baú.

Carlos Vendramini em 04 de dezembro de 2010

No fundo tenho muita pena dessa gente que habita em Gaza. São buchas de canhão árabes contra Israel. Parece que tem gente regulando a torneira da grana internacional que é enviada para aquela região. Mesmo Israel fornece ajuda humanitária. O problema é que o Hamas é um PCC que tomou o poder. Vamos imaginar uma Somália mais organizada: é Gaza.

Frederico Hochreiter/BH em 04 de dezembro de 2010

Muito legal ver onde você descobre esse tipo de informação, "num índice da modestíssima bolsa palestina com sede em Nablus, na Cisjordânia, o Al Quds". Ainda que se possa questionar a validade, moralidade, ou que seja, de alguém especular num ambiente tão miserável, vale aquele pensamento do João Cabral em Morte e Vida Severina. No meio daquela miséria toda, aina havia Vida.

Rafael Frank em 04 de dezembro de 2010

Se o Hamas quisesse de fato a paz, já teriam alcançado. O problema é que esses radicais de Gaza são financiados pelo Heszbollah e pelo Irã, com armas e dinheiro.

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