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Obama e o presidente russo em fim de mandato Medvedev a bordo do Cadillac presidencial, em Washington: boa relação pessoal (Foto: Ria Novosti / AFP)

Só o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sabe o porquê do timing, mas sua próxima reunião com o ex e agora futuro presidente da Rússia, Vladimir Putin, prevista para maio – ainda sem dia certo – com certeza vai fornecer munição para seus adversários republicanos.

O encontro com Putin se destina a uma avaliação do tratado de redução de armas estratégicas (START, segundo suas iniciais em inglês), renovado com em 2010 com o jovem presidente russo Dmitri Medvedev (46 anos), com quem Obama manteve desde o início do mandato, em 2009, uma excelente relação pessoal.

O problema não é apenas o START, combatido pelos republicanos no Congresso – que são majoritários na Câmara dos Representantes — porque alegam que Obama não modernizou o arsenal estratégico americano como prometeu na ocasião. Trata-se do ousado passo que o presidente americano pretende dar, conforme deixou claro na recente cúpula sobre segurança nuclear em Seul, na Coreia do Sul.

Na ocasião, Obama – para horror dos republicanos linha-dura – afirmou: “Temos (os Estados Unidos) mais ogivas nucleares do que necessitamos. Creio firmemente que podemos garantir nossa segurança e a de nossos aliados, manter uma capacidade dissuasória poderosa contra qualquer ameaça e continuar reduzindo nosso arsenal nuclear”.

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Submarino americano lança um míssil Trident com múltiplas ogivas nucleares: EUA e Rússia podem ter 1.550 ogivas cada

A renovação do START entre a superpotência americana e a segunda maior potência nuclear do mundo, em 2010, promoveu o que foi considerado o maior feito no desarmamento global em décadas, ao limitar o número de ogivas atômicas em condições de lançamento e prever a mútua fiscalização, por satélites e outros meios.

Imaginem vocês, cada um dos dois países ficou autorizado a ter inimagináveis 1.550 bombas nucleares – para os leigos, para as pessoas comuns, um delírio, algo capaz de destruir o planeta dezenas de vezes. Para os especialistas, algo fantástico, uma vez que o número de artefatos de destruição em massa em poder de americanos e da então União Soviética antes dos acordos SALT entre os presidentes Richard Nixon e Leonid Brejnev, em 1972, era várias vezes superior.

O ousado passo a que me refiro, em fase final de formulação, será propor à Rússia estender os atuais freios à corrida nuclear, já bastante relativos para quem não é especialista, a áreas que até agora foram um tabu, como as armas táticas – mísseis dotados de ogivas nucleares de alcance médio – e as chamadas “ogivas nucleares de reserva”.

Certamente isso custará a Obama, na campanha eleitoral, a acusação de ser “mole com os russos” – argumento velho de quase um século, mas que ainda funciona. Até em que grau, as urnas dirão.

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Corinthians em 13 de abril de 2012

Setti, Mas então, se o cara é republicano, não vai votar no Obama mesmo... os independentes é que acabam por decidir, e neste caso acho que o Obama vai se sair bem fazendo o estilo pacificador.

Corinthians em 13 de abril de 2012

Setti, Dada a situação atual, acho que isso atuará mais em favor de Obama do que contra. Vai ser uma espécie de substitutivo por não ter fechado Guantánamo, além é claro de bater na tecla de que Obama "é da paz". Mas REDUZIR arsenais para os republicanos -- e para o complexo industrial-militar de que falou o presidente Eisenhower, profundamente ligado aos republicanos, mas não apenas -- é um anátema, caro Corinthians. Muitos americanos em geral concordam com isso. Ser "da paz", ser "pombo", nos EUA, nem sempre pega bem. Vamos ver. Eu, você sabe, torço pelo Obama e não escondo. Abraços

SergioD em 12 de abril de 2012

Corrigindo, a primeira guerra do Golfo foi em 91. Abraços

SergioD em 12 de abril de 2012

Ricardo, avisa a Patrícia que o pai do Bushinho também perdeu a eleição. na tentativa de conseguir um segundo mandato. Apesar de ter vencidoa Primeira Guerra do Golfo, em 81. Devemos lembrar que Carter foi o Presidente que conseguiu negociar a Paz entre o Israel de Begin e o Egito de Sadat. Sua derrota para Ronald Reagan em 1980 se deveu mais aos problemas econômicos que afetavam os EUA desde o primeiro choque de preços do pertróleo em 73, amplificados pelo segundo choque em 79. O sequestro dos americanos n embaixadam Teerã também contribuiu, mas frente aos problemas econômicos esse teve um alcance menor. Quem assistiu os debates entre os dois candidatos vai lembrar que a discussão econômica sempre prevaleceu. Quanto a sua pregação sobre os direitos humanos foi digno de nota o embate entre sua administração e os ditadores que imperavam na América Latina. Bem diferente do tratamento dispensado aos mesmos pelos governos anteriores. fossem democratas ou republicanos. Foi um estadista. Abraços

patricia m. em 12 de abril de 2012

Setti, nao podia esperar uma resposta diferente, ja que voce eh um progressista. Ou um liberal,como dizemos aqui nos EUA. Ou um socialista para padroes europeus, sempre encantado com o welfare estate espanhol e por ai vai. Agora, admirar Jimmy Carter, Jesus. O cara foi simplesmente um dos piores, mais trapalhoes presidentes americanos. Tanto eh que nao levou o segundo mandato, o que todo presidente nas ultimas decadas leva, ate mesmo o " famigerado" Jorgibuxi. E ganhar Nobel da Paz, FRANCAMENTE, isso eh la padrao que se leve em conta? Você está deixando de lado o que Carter fez em prol dos direitos humanos durante seu mandato, inclusive "neste país". E tenho, sim, muito respeito pelo Nobel da Paz.

sidney em 12 de abril de 2012

Setti Gostei muito da sua entrevista ( mais um bate papo agradavel ) com o grande Augusto viu !!! Nada como poder desfrutar de momentos inteligentes etc etc O - OBAMA - o verdadeiro - CARA - , vai ganhar sim , o seu concorrente soo tem a grana , falta tudo , falta muito para ao menos ;tentar chegar perto da figura carismatica do OBAMA. Baita abraco Puxa, caro Sidney, muito obrigado. Fico contente por você ter gostado. Um baita abraço pra você também -- e volte sempre ao blog!

patricia m. em 12 de abril de 2012

Fora o fato da popularidade do Obama estar abaixo ate mesmo que a do fracote Jimmy Carter quando ele disputou a reeleicao. Fora, Obama! Pode torcer à vontade, Patricia. No final, o Obama vai levar. Quer apostar? E o "fracote" Jimmy Carter foi responsável pela introdução, de vez, na política internacional, da questão dos direitos humanos. Não é por acaso que tenha ganho o Nobel da Paz -- que, claro, levou em conta suas atividades em prol da paz depois de deixar a Presidência. Acho que o mundo estaria melhor com mais fracotes como ele.

patricia m. em 12 de abril de 2012

Joao Felipe, como disse o assessor do Bill Clinton naquela frase imemorial, "eh a economia, estupido". Por isso o Obama vai perder. Da-lhe Romney!

joao felipe em 11 de abril de 2012

Errou feio Gregório, a politica de Bush foi fracassada e estúpida. Qual foi o mérito dele? O cara inventou uma guerra com o Iraque e isso tirou o foco de Bin Laden, que alias estava escondido num centro urbano do Paquistão, país que Bush tanto ajudou. Na realidade, Bush deu mais tempo de vida a Bin Laden. Quanto a Obama, ele sempre pregou que o foco deveria ser a Al Qaeda, portanto o mérito é exclusivo dele. Agora diga que tantos motivos são esses que farão Obama perder? Pra mim eles não existem

Rodrigo em 11 de abril de 2012

Fosse eu americano, votaria em Romney.

Gregorio em 11 de abril de 2012

Acho que a politica externa norte americana é fator preponderante na compreensão dos americanos de sua posição no planeta. Osama foi morto por Bush, que disse guerra total. Obama jamais teria pensado isso. Teria contemporizado. A politica vitoriosa foi a de Bush. A politica republicana. Não sou vidente, mas acho dificil Obama ficar. Outros motivos não digo aqui. Mas sei que existem lá. Para que tanto mistério, Gregorio? Que motivos seriam esses? Abraços

joao felipe em 11 de abril de 2012

Caro Setti, acho exagerado seu prognóstico sobre a influência da negociação com os russos nas eleições americanas. Barack Obama tem um ótimo índice de aprovação no quesito política externa, e qualquer tentativa de enquadralo como "frouxo" vai esbarrar na frase "Bin Laden morto". Aliás, com a economia se recuperando, lenta, mas, constante. Obama é bastante favorito em novembro. Segundo Joe Biden, o slogan de campanha de Obama será o seguinte: Bin Laden está morto e a GM está viva. Há de funcionar muito bem

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