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Mancha Verde recria bandeira nacional para pedir saída de Teixeira: finalmente uma bola dentro das torcidas organizadas (foto: Eduardo Costa/LanceNet)

“Copa com prestação de contas e sem Ricardo Teixeira”, ou simplesmente “Fora Ricardo Teixeira”. Milhares de faixas e cartazes com mensagens como estas roubaram a cena nos estádios do país no último fim de semana, data que coincidiu com os 8 clássicos regionais disputados pela última rodada do primeiro turno da Série A do Campeonato Brasileiro. Trata-se de um sintoma mais do que chamativo da insatisfação e indignação popular com o eterno presidente da CBF.

A manifestação massiva, que pega carona no movimento iniciado no twitter “Fora Ricardo Teixeira” e em protestos como o do dia do Sorteio das Eliminatórias, em 30 de julho, no Rio de Janeiro, foi conclamada pela Confederação Nacional de Torcidas Organizadas (Conatorg). A entidade, criada em outubro do ano passado por representantes de 17 agremiações ligadas a 14 equipes de 8 estados, afirma ter distribuído 120 mil panfletos com as mensagens entre as diferentes arenas.

De acordo com o site LanceNet, houve adesão em pelo menos 7 estádios, mais intensamente nos 2 duelos paulistas (Palmeiras x Corinthians, no Eduardo José Farah, em Presidente Prudente, e Santos x São Paulo, na Vila Belmiro, em Santos) e no catarinense (Figueirense x Avaí no Orlando Scarpelli, em Florianópolis).

Tentativa de qualificar a liberdade de expressão como ofensa

Os holofotes estavam voltados principalmente para o que aconteceria no jogo de Florianópolis, após a “manifestação de repúdio” com sotaque de proibição arbitrária emitida pela Federação Catarinense de Futebol (FCF) em seu site na quinta-feira passada (dia 25).

“A Federação Catarinense de Futebol vem a publico manifestar seu repudio contra qualquer manifestação ofensiva, realizada em jogos no território de Santa Catarina, direcionada ao Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Dr. Ricardo Terra Teixeira, bem como à própria CBF”, dizia a nota, que tentava forçosamente enquadrar a expressão de opiniões por parte do público em trecho do artigo 13 do Estatuto do Torcedor que condena “não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenofóbico” nos estádios.

Na verdade, a Federação Catarinense não se opunha a manifestações “ofensivas” — queria calar a boca da torcida, e pronto, trombando de frente com garantias asseguradas na Constituição.

Em outro trecho do comunicado a FCF declarava seu apoio irrestrito a Teixeira: “a Diretoria e o Presidente da FCF, Dr. Delfim Pádua Peixoto Filho, reiteram sua parceria e seu apoio à Confederação Brasileira de Futebol e seu Presidente, Dr. Ricardo Teixeira, que sempre foi um amigo e deu suporte ao futebol catarinense”.

Para o bem da liberdade de expressão, já na sexta-feira o Ministério Público Federal, pela Procuradoria da República no Município de Joinville (SC), recomendava à FCF “revogar a determinação de inviabilizar o exercício do direito a crítica e manifestação de pensamento” e “afastar a determinação de impedir a entrada nos estádios, ou retirar dos estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito”.

Ao Estado de Santa Catarina, solicitava que não impedisse a entrada ou expulsão “de torcedores que estejam exercendo seu direito constitucional de crítica e manifestação de pensamento”.

Esforços a favor da paz

Sem trocadilhos, foi uma bola dentro tanto do Ministério Público e da Procuradoria de Joinville quanto da Conatorg. Aliás, agora que boa parte das chamadas torcidas organizadas responde por uma mesma entidade, o mínimo que podemos esperar é que trabalhem de forma séria, sobretudo internamente – coibindo as repetidas ações criminosas de alguns de seus integrantes — , para que a barbárie dentro e fora dos estádios deixe de assombrar o cidadão brasileiro de uma vez por todas.

Quanto ao “muy amigo” Ricardo Teixeira, que os torcedores digam livremente o que pensam do proprietário da CBF e símbolo do atraso dos dirigentes do futebol brasileiro.

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11 Comentários

Think tank em 02 de setembro de 2011

Hoje fora ao cartola Teixeira, amanhã fora Ali Baba Lula_ _´pio e seus 39 vassalos nos ministérios.

Gilberto em 31 de agosto de 2011

Se o Palmeiras tinha alguma esperança de ser campeão nacional,agora pode esquecer...

ricardo em 31 de agosto de 2011

A CBF não é monarquia e a ninguem no Brasil é dado o direito de se perpetuar no poder. Ja passou da hora das instituiçoes terem donatarios. O poder tem de ser trocado de tempos em tempos.

Observador100 em 31 de agosto de 2011

Caro Setti Não estou aqui para defender o Teixeira mas pelo que me consta a CBF não recebe verbas públicas e desta forma cabe aos seus patrocinadores decidirem pelo destino daqueles que "administram" suas gordas verbas publicitárias. Esta torcida poderia aproveitar a ocasião e a sua energia para protestar com esta corrupção sem controle que aí está. abraço

Seilon em 31 de agosto de 2011

Sinceramente,apesar de achar absurda a proibição de protestos contra o Ricardo Teixeira nos estádios,acho eu que o Ministério público não tem nada que se intrometer no assunto.Estádio de futebol é um local privado,o evento é privado e,portanto,o organizador tem todo o direito de proibir a manifestação que bem entender. Da mesma forma que acho autoritária a proibição desse tipo de manifestação nos estádios,eu também acho autoritário o Ministério Púbico querer ditar o que o organizador deve ou não permitir num evento privado e num local privado.

Memyself em 30 de agosto de 2011

Esses meus conterrâneos de vez em quando fazem umas bobagens... Mas, que tal se Conatorg conclamasse seus associados a se manifestar contra a corrupção no governo?

carlos nascimento em 30 de agosto de 2011

Caro Ricardo, A Terceira Via está chegando, se materializando, a Sociedade Civil organizada, vai gradativamente usando o sagrado direito da liberdade de expressão, os regimes democráticos precisam desse instrumento, sem violência, apenas exercitando o direito de EXIGIR decência, podemos realizar as devidas mudanças de rumo. O atual post é uma boa janela, para o propósito que está sendo alavancado. AN e RA já abriram as torneiras, estão decididamente empenhados em conclamar nossa Sociedade, buscando decência, é possível em seu espaço levantarmos essa bandeira de mobilização. Contamos com o seu apoio. Abraços Carlos Nascimento.

Fernando Osório Mattos em 30 de agosto de 2011

Que palhaçada! Como tem puxa-sacos nesse mundo do futebol. O que será que a federação catarinense ganhou desse "amigo"?

Rogério Moutinho em 30 de agosto de 2011

É o fim do mundo uma federação de futebol de um Estado desenvolvido como SC se curvar a esse ditadorzinho e cometer uma ilegalidade para puxar o saco de R. T. Nem ouso escredver o nome dele.

Ernâni Donato Costa em 30 de agosto de 2011

Desculpe a grosseria, mas tenho vontade de vomitar quando ouço falar nesse Ricardo Teixeira, símbolo de tudo o que o futebol tem de mal no Brasil.

Miguel Feres Sobrinho em 30 de agosto de 2011

Vivemos numa democracia no país, apesar de tudo, mas numa ditadura na CBF. Quando é que isso vai acabar? Até onde esse sujeito vai ser todo-poderoso?

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