Image
Ashford e Simpson na capa de um de seus discos: casamento mais do que bem sucedido

Por Daniel Setti

É triste que o Música no Blog publique seu segundo obituário em menos de uma semana. Mas não dá para passar em branco a morte de Nickolas Ashford, ocorrida em Nova York na segunda-feira (22) – curiosamente o mesmo dia do falecimento de Jerry Leiber – em decorrência de um câncer na garganta.

Ao lado de sua agora viúva, Valerie Simpson, o nativo de Fairfield, Carolina do Sul, formou uma das duplas de compositores mais bem sucedidas da música pop a partir dos anos 1960, conhecida como Ashford & Simpson. Os dois também foram parceiros de microfone, lançando 17 álbuns entre 1973 e 2009 e emplacando moderadamente alguns poucos sucessos, a exemplo de “Solid”, de 1984. Mas o principal legado da colaboração é mesmo o baú de canções que escreveram para outros artistas, nomes em geral ligados a diferentes vertentes da música negra norte-americana.

A lista de pesos-pesados que gravaram composições do duo é de arrepiar: Ray Charles (“Let’s Go Get Stoned”), Aretha Franklin (“Cry Like a Baby”), Diana Ross (“Reach Out and Touch Somebody’s Hand”) e Chaka Khan (“I’m Every Woman”, depois regravada por Whitney Houston), entre muitos outros.

Ashford & Simpson viveram sua era dourada na segunda metade da década de 1960, quando passaram a compor sob encomenda para os artistas da mítica gravadora Motown. Transformaram-se no grande time de hitmakers do selo, ao lado do fantástico trio Holland-Dozier-Holland. Desta fase destaca-se a preciosidade abaixo, “Ain’t No Mountain High Enough”, o ponto auto da saudosa duplinha Marvin Gaye-Tammi Terrell, uma das mais beneficiadas pelo talento do casal. Amy Winehouse surrupiou a introdução e a sequência de acordes desta música, dando o devido crédito, para a sua “Tears Dry on Their Own” (2006).

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × 3 =

TWITTER DO SETTI