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A Avenida 23 de maio, em SP: neste ritmo, isso ainda vai parar de vez

Amigos, o Dia Mundial sem Carro, celebrado hoje, é mais urgente do que nunca em São Paulo, a julgar por dados de pesquisa realizada pelo Ibope em agosto junto a moradores da maior cidade do Brasil e publicados pelo Estadão.

Embora seja possível uma leitura positiva para os dados em termos econômicos – entre os mais pobres aumentou em 10% o número de pessoas que melhoraram de vida a ponto de comprarem automóveis -, chamam mais a atenção outros fatos.

Os números indicam que São Paulo, com sua espantosa, inverossímel frota total de 7,1 milhão de veículos, transporte público insuficiente e políticas de mobilidade sustentáveis quase nulas, continua indo na contramão do que fazem as grandes cidades do mundo que querem ser habitáveis.

Aposta no automóvel como prioridade

Apesar do grande esforço do governo estadual e, nos últimos anos, também da Prefeitura no metrô, as obras são caras e demoradas, e os menos de 100 quilômetros do metrô de São Paulo são muito poucos para uma cidade de 12 milhões de habitantes que começou tardiamente — em 1968 — a investir nesse crucial meio de transporte, que várias cidades do mundo já tinham no final do século XIX.

Desde sempre uma grande representante da aposta dos governo no Brasil pelo automóvel como prioridade – iniciada com a instalação da indústria automobilística na década de 1950 –, a cidade engata uma segunda e atropela tópicos urgentes para o bem-estar de seus cidadãos, sem contar o que representa para o problema do aquecimento global.

Mais gente usando carro, menos gente em cada carro

Segundo o Ibope, na megacidade, que caminha para ser praticamente paralisada por seu trânsito onde não cabem mais veículos, despencou, entre 2009 e 2011, de 44% para apenas 16% o número de moradores que dizem não usar automóveis. Quanto aos que afirmam utilizar automóveis para se locomover “todos os dias”, as respostas indicam 23%, oito pontos percentuais a mais que em 2007.

Ou seja, tudo está piorando.

Outra pesquisa, feita pela Folha e também publicada ontem, indica que não pára de crescer, ainda que ligeiramente, o número de carros que circulam em São Paulo carregando apenas uma pessoa. A média, de acordo com a matéria, era de 1,49 pessoas por veículo em 2005, caindo para 1,46 em 2009 e 1,40 em 2011.

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6 Comentários

Jefff em 23 de setembro de 2011

O nivel de cidadania em São Paulo é de lacrimejar os olhos. Quanto civismo!

patricia m. em 22 de setembro de 2011

Sao Paulo na verdade deveria ser menor. Assim nao teria tanto carro. Essa eh a minha proposta, diminuam a cidade. Como voce pode reparar, assim como a sua eh mais uma proposta simples para problemas complicados. . O resultado dessa pesquisa eh engracado. Mais gente usando carro. Sabe quem? A nova classe C, os emergentes. Esse pessoal andava de bumba. Hoje andam de carro. Quer cobrar deles que voltem a andar de bumba? Ou so vale para ricos ricacos descolados? Tipo aqueles manes que andam de bicicleta e conseguem piorar o transito ja complicado da cidade, so para satisfazer o desejo deles de respirar mais monoxido de carbono do que o normal da populacao? Em nenhum momento este post criticou "esse pessoal que andava de bumba" Patricia. Quem está insinuando isso é você. Inclusive aplaudo, no texto, o fato de gente mais pobre estar comprando mais carros, em termos econômicos isso é realmente positivo. Leia com mais atenção, por favor. Abraço

Tuco em 22 de setembro de 2011

. Sorte dos paulistanos que esse dia "não pegou"... Quem mora em São Paulo pode avaliar o que é depender do pífio transporte público. Esse tipo de ação é muito gratificante em, digamos, Oslo (não conheço, mas deve ser...) http://lc4.in/jhD3 by celeraman+ .

Tuco em 22 de setembro de 2011

Valeu, Tuco. O problema estava no intertítulo -- e eu não enxergava. Não publico seu comentário, a seu pedido, mas agradeço a atenção. Abração

Dexter em 22 de setembro de 2011

Rídiculo. Só no dia em que o poder público der condições, então poderão nos cobrar. Não têm moral. Todo cidadão deveria ter direito à saúde, educação,transporte de qualidade, segurança, etc.etc.etc. Paguei, sem querer, uma parcela do IPTU duas vezes. Sabe quando vou receber? No mesmo dia que topar deixar meu carro em casa e ir de bicicleta trabalhar pela marginal do Tietê. Cobrar é fácil, né não?

Tuco em 22 de setembro de 2011

Caro Tuco, obrigado por sua atenção, mas não achei o problema que você apontou. Abraço

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