Image
Hillary e o livre-comércio: enquanto o Brasil empaca, os EUA assinam tratados (Foto: VEJA)

Foi muito interessante a ênfase que a secretária de Estados norte-americana Hillary Clinton concedeu, durante sua estada o Brasil, ao livre comércio, fonte de riqueza, de inovação e de criação de empregos.

Não consta que Hillary estivesse querendo dar lições ao governo brasileiro, mas, de todo modo, não custa lembrar que, enquanto o Brasil continua empacado na assinatura de tratados de livre comércio com os principais países ricos do mundo — preso que está à estratégia de negociar em bloco como integrante do Mercosul, mesmo sofrendo constantes facadas pelas costas do governo da Argentina –, os Estados Unidos da secretária de Estado não perdem tempo.

Washington já assinou tratados de livre comércio com dezena e meia de países latino-americanos, mais uma dezena com pequenos países do Caribe e caminha acelerado nesse processo.

Lembram-se daquela famosa visita que Barack Obama realizou à Austrália no começo do ano, durante a qual parte da mídia fofoqueira internacional insinuou que a primeira-ministra australiana, a vistosa Julia Gilliard, teria sido carinhosa e calorosa demais com o presidente dos Estados Unidos?

Image
A primeira-ministra da Austrália, Jullia Gilliard, com Obama: carinhos à parte, livre comércio a todo vapor (Foto: Reuters)

Pois bem, carinhos aqui, sorrisos ali, o fato é que Obama começara a construir o que já esboçara meses antes e que está, agora, em plena implementação: uma associação de livre comércio dos Estados Unidos com a própria Austrália, a Nova Zelândia e mais seis países da Ásia e/ou do Pacífico — Malásia, Brunei, Cingapura, seu ex-inimigo de guerra Vietnã, o Chile e o Peru.

Sim, até o Peru já está nessa, como parte da onda de modernização e prosperidade que tem vivido nos últimos dez anos, e que o governo nacionalista do presidente Ollanta Humala não pretende alterar um mílímetros.

Enquanto isso, o Brasil perde tempo e mercados devido ao enrosco do Mercosul — uma excelente ideia que não caminha por falta de uniformidade na vontade política de seus integrantes.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

seis + 6 =

Nenhum comentário

Álvaro em 05 de setembro de 2014

O Brasil possui abundância de riquezas minerais, vastidão territorial e imensidão populacional. Qualquer outro país, com tantas vantagens, obrigatoriamente teria de ser desenvolvido e estar no primeiro mundo. Mas, desenvolvimento pra quê? Melhor botar multinacionais para exportar nossas comodities e ficar só no carnaval e futebol! Desenvolvimento vai atrapalhar isso!

Mari Labbate *44 Milhões* em 20 de abril de 2012

Hillary Clinton perdeu uma excelente oportunidade de ficar calada, em companhia da Dona Dilma Ha-Vana! Que desilusão! Enquanto o Mundo ajeita-se melhor, os mofados-comunistas-golpistas mastigam os seus rancores... LASTIMÁVEL!

DÉCIO AMORIM PIMENTEL em 20 de abril de 2012

ESSA HILARY É ILARIANTE, NÃO CONSIGO ENTENDÊ-LA. DÉCIO AMORIM PIMENTEL BEL EM TEOLOGIA/PSICANALISTA/PSICOPEDAGOGO CLINICO E ESCOLAR/LIC. EM HISTÓRIA/PASTOR BATISTA POLICIAL MILITAR - SALVADOR

Ditabranda. em 19 de abril de 2012

Como tenho escrito reiteradamente, não publico aqui críticas à revista VEJA, sobretudo se eivadas de aleivosias como é o caso de seu comentário. Críticas ao blog e ao colunista, que venham, à vontade. Publico tudo, exceto os poucos casos em que contenham ofensas ou outras impropriedades grossas. No caso de VEJA, dirija-se por gentileza ao diretor de Redação, pelo email veja@abril.com.br

Think tank em 19 de abril de 2012

Só gangues interessados na mamata dos seus vassalos e em detrimento do Brasil, continuam propalando lorotas da ideologia politica que caiu junto ao Muro de Berlim há muito para sugar os brasileiro. Partidos que andam de mãos dadas com Fidel, Chaves, Kirchner não abem a mão para saquear a nação, estes é a prioridade numero um, progresso do Brasil que se lasque.

Ismael em 19 de abril de 2012

Podem perder as esperanças no PT adotar uma postura pragmática em relação aos USA. Por sua ânsia em construir um projeto de hegemonia, o PT irá continuar tolerando os arroubos e roubos de Evo Morales ou Cristina Kirchiner e deixar as portunidades de se firmar como parceiro preferencial dos Estados Unidos escorregar por entre os dedos como areia. Vale mais penalizar o país e tentar obter um contrôle imaginário nas esferas de decisão inter-americanas, que aliás não valem um "peso" furado, do que adotar uma conduta verdadeiramente independente. Como siz Reinaldo Azevedo, o PT fala grosso com Obama e fino com caudilhos latinos. Sem esquecer que nossos vizinhos nos odeiam, talvez com excessão dos Chilenos e Cubanos, povo que independente do governo ditatorial, tem com o Brasil traços de identidade cultural inegáveis.

Jefff em 19 de abril de 2012

Poderiamos ter um tratado de livre comercio com os estados unidos e estar na condição "invejavel" do méxico, guatemala, republica dominicana e outros. Cada uma que gente ouve e lê!

jose afonso em 19 de abril de 2012

A mediocridade e, muitas vezes, ma fe dos politicos do Brasil fazem do nosso pais uma farsa internacional. Os USA estao movimentando, como nunca, no tabuleiro global. A meta eh exportar servicos. Alinhando com Europa, Asia, Australia e alguns paises da America Latina, estao criando corredores de faturamento exponencial. E o Brasil perdendo tempo e municao com Mercosul, Siria e Iran. No plano interno, parando o pais para discutir Mensalao e Cachoeira. Pode? Mensalao = julgamento = absolvicao ou cadeia. Cachoeira = julgamento = absolvicao ou cadeia. E vamos trabalhar no que eh prioritario. Santa mediocridade, como diria Batman.

Pedro Luiz Moreira Lima em 18 de abril de 2012

Setti: O cineasta americano Michael Moore - define bem os governos americanos Republicano e Democratas - "quem quer que seja o Presidente dos EUA,o povo americano irá tomar conhecimento de que país, povo jogará bomba e para onde seus filhos irão ser enviados para matar e morrer." Com a crise financeira americana,o Não do povo americano em novas guerras e finalmente falta de soldados faz um retorno forçado do dialogo das autoridades americanas - a Hillary é visível seu desconforto na arte de dialogar - aprenda Hillary e aprenda rápido os tempos mudaram. Abraços Pedro Luiz

Joao Felipe em 18 de abril de 2012

É isso aí, Dilma tem visitado tanto Obama, que poderia parar de reclamar um pouquinho e ouvir mais o que ele tem a ensinar. Sairia ganhando bastante

Reynaldo-BH em 18 de abril de 2012

Em política externa sempre me pareceu que existe uma linha divisória das ações, claramente identificável. Uma posição de Estado que exija respeito aos Direitos Humanos, à democracia, aos valores básicos da existência humana (por exemplo, constantes na Carta dos Direitos do Homem) é essencial para que se tenha respeito internacional e plena aprovação interna. Quando estes valores são substituídos por posições ideológicas, o resultado nunca é positivo. Por outro lado, há sim necessidade de um pragmatismo. Com respeito aos mesmos valores acima citado. (Por exemplo, não creio que deva ser incentivado o comércio com a Síria, que hoje assassina cidadãos indefesos ou Coréia do Norte, que mata o próprio povo de fome, literalmente). O que o presidente Humala do Perú está fazendo, ao apoiar esta zona de livre comércio, é fruto de análises econômicas que se sobrepuseram às posições ideológicas. Idem, Chavez que tem nos USA o maior comprador do petróleo da Venezuela. O Brasil parece ter invertido a equação. Apoia ditaduras, fechando os olhos aos flagrantes desrespeitos aos direitos humanos e é levado a suportar um acordo comercial (que apoio), o Mercosul, que deveria ser revisto. Para que as regras sejam mais isonômicas. A demonização dos USA, tão frequentemente usado como argumento, só deixa de existir quando a sra. Hillary elogia a presidente Dilma. Talvez o governo espere que os USA se "rendam" ao Brasil. De modo incondicional. E, de acréscimo, a Europa. Devemos proteger a indústria (e empregos!) nacionais. Nestes pólos de proteção, prefiro a proteção ao emprego. Se empresários nacionais - mesmo com as burras do BNDES disponíveis - não conseguem ser competitivos, paciência. Se o Governo não consegue sobreviver sem impor a perniciosa carga fiscal que os fazem pouco competitivos até em relação à Argentina, aí já é problema de todos. Fechar os portos é ação histórica do Império. E não deu muito certo.

Ronaldo em 18 de abril de 2012

Pois é... Sempre que se fala em Mercosul e Acordos de Livre Comércio eu gosto de apontar a seguinte curiosidade: Nem o plugue da tomada dos aparelhos elétricos nós temos em comum! (http://www.eurocom.com/support/plugs.htm) Parece bobagem? Pense no esforço de uma indústria que tem que fazer o setup de sua linha de produção para ajustar ao padrão de tomada de cada país do "mesmo bloco econômico"! E a maior desculpa é a alegação de soberania e de segurança nacional, a mesma usada para os trilhos dos trens no século XIX - convenhamos, é de uma estupidez sem tamanho!

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI