Ex-diretor de Publicidade na Dow Jones, empresa proprietária do The Wall Street Journal, o mais importante jornal de economia e negócios do mundo, e alguém que passou anos soterrado em ternos e gravatas solenes, o norte-americano Henry Marks deu uma guinada de 180 graus, em vários sentidos, depois que ingressou em Playboy Entreprises, nos anos 70.

Quando o conheci, estando eu ainda na condição de diretor editorial adjunto ao vice-presidente da Editora Abril Thomaz Souto Corrêa, ele já vestia, literalmente, o novo figurino. Penteados gomalinados, ternos e gravatas devidamente banidos, Henry, apesar de estar caminhando rumo aos 70 anos de idade, prendia a agora vasta cabeleira branca num rabo de cavalo, só vestia camisas multicoloridas fora das calças, usava mocassins sem meia, namorava garotas que, não raro, poderiam ser suas netas e era piadista, desbocado e politicamente incorretíssimo.

Deve ter ajudado nessa mudança de imagem também o período em que, por algum tempo, deixou Playboy Enterprises para ser publisher associado da revista Rolling Stone.

Todo esse currículo não construiu pose em Henry. Simpático, divertido, bon vivant, ele e eu vivemos aquela situação de amizade à primeira vista: Henry simpatizou comigo gratuitamente, antes mesmo de trocarmos as primeiras palavras, e eu achava um grande barato aquele executivo peculiaríssimo.

Ele ficou na maior felicidade quando Thomaz Souto Corrêa me convidou para assumir o cargo de diretor de Redação de Playboy, no final de agosto de 1994, um dia antes de eu sair de férias. Essa relação de amizade e camaradagem entre nós facilitou muito minha caminhada nas novas funções — para dizer a verdade, Henry achava bom até quando eu errava.

Nesta foto, de 25 de setembro de 1996, Henry se dirige aos diretores de Redação, diretores de Arte e executivos de negócios de dezena e meia de edições de Playboy em diferentes países que se reuniram em Acapulco, no México, para uma das periódicas conferências internacionais para troca de experiências — e para ouvir os conselhos dos americanos.

Eles faziam sugestões de forma muito cautelosa, e pouco ou nada interferiam nos rumos das edições nacionais. Como algumas delas eram francamente ruins, teria sido bom se, ao contrário, o fizessem, para dizer a verdade.

Henry, em conversas privadas, concordava comigo.

Meu amigo multicolorido viveria, ao pé da letra, o “sonho americano” anos depois, quando ambos já não mais estávamos em Playboy.

Ele exerceu um cargo executivo no grupo de revistas sobre fitness e assemelhados Weider Publications — fundado pelo ex-campeão de fisioculturismo Joe Weider –, com o passar do tempo acumulou um bom lote de ações da empresa recebidas como bônus e, mais adiante, embolsou uma fortuna quando a empresa terminou vendida para um grupo maior.

Tornou-se, literalmente, milionário, comprou uma mansão de praia em uma das exclusivíssimas Hamptons, em Nova York, e dependurou as chuteiras de conquistador, voltando para a ex-mulher, mãe de seu casal de filhos e avó de seus netos.

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