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Protesto nas ruas do Cairo inspirados em movimento popular da Tunísia

O grande problema, para os grandes países do Ocidente, das manifestações populares que varreram do poder o ditador da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, se alastraram pelo Egito do eterno “presidente” Hosni Mubarak – sólido aliado dos Estados Unidos – e começam a espalhar-se também por outros países árabes, como o Iêmen, é que, em regra, a única força política organizada que se opõe a ditadores e reis absolutistas na região é o fundamentalismo muçulmano.

O Ocidente, e principalmente os Estados Unidos, ficam, assim, entre seguir ao pé da letra a pregação formal em prol da democracia e os direitos humanos – e ver com simpatia esses levantes – e o temor de que velhos aliados sejam varridos do mapa e substituídos por um inimigo do Grande Satã.

SURGE OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA NO EGITO

O Egito, maior e mais importante país árabe, com 90 milhões de habitantes, parece constituir uma exceção à regra que, se confirmada, levará um enorme alívio a Washington e outras capitais. No deserto de lideranças de um país politicamente devastado por 30 anos da ditadura de Mubarak, 83 anos, que quer entronizar o filho, Gamal, no poder, surgiu recentemente uma alternativa de sonhos para o Ocidente.

Trata-se de Mohammed ElBaradei, ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) até o ano passado e Prêmio Nobel da Paz de 2005 por seus esforços em prol da desnuclearização. É um polido diplomata de carreira de 68 anos de idade com doutorado em Nova York, onde também foi professor universitário, e larga experiência em cargos no exterior e em organizações internacionais.

ElBaradei, querido e popular, fundou em fevereiro do ano passado ano A Associação Nacional pela Mudança, que prega ”reformas constitucionais e políticas para atingir justiça social e democracia” no Egito, à qual aderiram diversas forças políticas. Ele já declarou seu apoio às manifestações anti-governamentais.

O Nobel da Paz surge como possível candidato presidencial às eleições previstas para setembro próximo, se a rua não derrubar antes a ditadura. Mubarak se mantém no poder reprimindo a oposição e realizando eleições-farsa, por meio das quais foi “reeleito” cinco vezes.

Pois agora, em meio a distúrbios que sacodem o Cairo e outras cidades do Egito, Maradei, que regressou ao Egito no ano passado mas ainda mantém residência em Viena, sede da AIEA, onde se encontra, volta ainda hoje a seu país.

Leia a reportagem.

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6 Comentários

Nike em 01 de fevereiro de 2011

Sr. Pedro Soares, o Egito e um país que vive da logistica do Petroleo. O Egito produz pouco petróleo. Apesar de produzir pouco, mas vivendo principalmente da logística do petróleo pois por ali atraves do Canal de Suez que e fundamental passam também os navios de guerra. Alem da logistica do petroleo, o Egito vive do turismo que é fundamental. O Egito é importador de alimentos, já que 30% da população árabe está concentrada no país. Portanto importação é o seu forte, e muito vindo do Brasil que, em 2010, vendeu US$ 1,9 bilhões para eles e US$ 800 milhões foram de carnes bovina, de frango e açúcar.

carlos nascimento em 01 de fevereiro de 2011

Vejo na questão do Egito uma boa oportunidade para reflexões, o mundo está em crise, isso é fato, não adianta querer apresentar soluções mágicas, o problema é gravissimo. Os modelos economicos, as falsas democracias, o lixo corrupto dos politicos, o fanatismo dos extremistas religiosos, a preservação de ditaduras imorais com a conivência de falsos líderes, eis a receita que gerou essa instabilidade no planeta. Não acredito na menor possibilidade de ser instalada "democracias" nos Países Árabes, enquanto o principal nó não fôr desatado - Israel -será sempre um diferencial de desestabilização e conflitos. O componente religioso é muito forte naquela região, diria que sómente o SENHOR DO UNIVERSO com sua Luz poderá um dia intervir por lá e com sua espada fazer os campos florescerem em PAZ. Por enquanto êle só está assistindo a forma cruel de convivência, quando sua paciência terminar até as areias dos desertos conhecerão sua fúria. Por aqui não ficamos longe dos problemas do extremo oriente, as mazelas politicas estão ai mesmo para provar à decadência, o senado federal continua do mesmo jeito, nossa Sociedade continua INCAPAZ de buscar soluções verdadeiras, estão esperando que um movimento igual ao DIRETAS JÁ possa nos trazer a verdadeira DEMOCRACIA. Egito será um novo Irã, talvez com capa diferente.

alexandre fernandes em 27 de janeiro de 2011

Não aguento ouvir esse papo que não pode haver democracia no Egito porque os islâmicos radicais assumirão o poder. Isso aconteceu no Irã ? Sim ! E daí ? Quer dizer que acontecerá em todos os países árabes ? Serão condenados eternamente a serem comandados por ditadores laicos ou islâmicos radicais ? Vamos dar uma chance à democracia e ao povo egípcio. Eles merecem.

Diocleciano em 27 de janeiro de 2011

Ricardo Setti, vc acha que os EUA têm condições morais para condenar Irã; ou Cuba, sendo que, conforme vc mesmo mostrou, são aliados de várias ditaduras ao redor do mundo, a exemplo da ditadura egípcia ???

Pedro Soares em 27 de janeiro de 2011

Caro colunista. Creio que você seja favorável aos princípios democráticos. Certo? O Egito, como maior país árabe existente, possui uma população bastante ativa, como se mostra nestes protestos ocorridos. Portanto, por que diabos você defende que a maior autoridade do país seja um sujeito que mora na Áustria, escolhido a dedo pelos EUA, e não um nome escolhido democraticamente pelos egípcios? É essa sua opinião, ou isso é um consenso das potências do ocidente com medo de perder um aliado financeiro cheio de petrodólares? Eu não estou defendendo nada. Pelo que se observa, Baradei poderá ser candidato a presidente e tem chances de vencer. Não sou a favor de ninguém escolhido a dedo artificialmente. E o Egitgo, coitado, não está, diferentemente do que você pensa, cheio de petrodólares. Tem pouquíssimo petróleo, comparado a outros paises árabes. É um lindo país, com um povo simpático e generoso, mas muito pobre.

Caio Frascino Cassaro em 27 de janeiro de 2011

Prezado Ricardo: A situação no Egito me lembra o episódio da queda do Xá Reza Pahlevi, governante-ditador iraniano. A oposição tinha como um dos líderes um homem culto, muçulmano praticante e moderado chamado Abolhassan Bani-Sadr. Em outra vertente estava o aiatolá Khomeini. Na luta travada pelo poder, o líder moderado acabou afastado, o que resultou em uma troca de ditaduras: o regime do Xá, pró-ocidente, com um estado laico, foi trocado pela teocracia dos aiatolás, cujo resultado é conhecido. A situação tanto do Egito quanto da Tunísia tem tudo para repetir a tragédia iraniana, surgindo mais dois focos de instabilidade em uma região do mundo extremamente conturbada. Desta forma, não acho que vai adiantar muito o sr. Mohamed ElBaradei abrir um canal de diálogo com a Irmandade Muçulmana. Depois que Hosny Mubaraq cair, ele também será colocado de lado, pois já terá servido ao propósito dos fundamentalistas. Aliás, como sempre acontece nessas ocasiões. Um abraço. Você tem razão. A Irmandade Muçulmana estará sempre pronta a dar o bote num dirigente moderado. Vamos observar. Baradei é um cara interessante, porque o Prêmio Nobel lhe deu muita visibilidade e, aos egípcios, orgulho.

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