Nos 60 anos de Zico, uma homenagem: a mais ampla reportagem de VEJA com o craque no seu auge — e os bastidores de sua feitura

Zico, o novo camisa 10: "Com Pelé, não há comparação" (Foto: M.M. Passos)

Zico com a camisa 10, que também celebrizou: “Com Pelé, não há comparação” (Foto: M.M. Passos)

Vocês sabiam que Zico, um dos grandes craques do futebol mundial em todos os tempos — que se tornou sessentão esta semana — é formado em Contabilidade e gostaria de ter estudado piano?

Que seu apelido de garoto era “Caroço”?

Que não se considera o melhor dos três irmãos Antunes que se aventuraram no futebol — para ele, o baixinho Edu, que infernizou os adversários do América e do Vasco durante um período dos anos 70, era o cara?

Que, vindo das divisões inferiores do Flamento e já jogando uma barbaridade, nunca teve uma chance no time principal com o então técnico Zagalo?

O grande Zico completou 60 anos de idade esta semana e recebeu muitas homenagens. A minha é a de republicar reportagem/perfil que fiz para VEJA quando o craque estava no auge, às vésperas da Copa de 1982 — com as informações curiosas mencionadas acima e muitas outras.

A “chamada” da capa (veja foto abaixo) dizia: “O Grande Zico”. E o título da reportagem, dentro da revista, era: “O nosso craque maior”. A foto de abertura da reportagem é a foto que abre este post.

Depois do final da reportagem, leia um texto em que conto bastidores de sua feitura.

Reportagem publicada na edição de VEJA de 17 de março de 1982

O NOSSO CRAQUE MAIOR

Vencidos problemas e preconceitos, Zico chega aos 29 anos como o melhor jogador do Brasil e com tudo para explodir na Copa do Mundo

Quando as seleções do Brasil e da Alemanha Ocidental pisarem o gramado do Maracanã, no Rio de Janeiro, no próximo domingo, os apreciadores estarão diante do que, no momento, o futebol internacional pode oferecer de melhor – e testemunharão, de quebra, o confronto direto de duas superestrelas desse esporte: o brasileiro Arthur Antunes Coimbra, o Zico, 29 anos, e o alemão Karl-Heinz Rummenigge, 26.

Poucos críticos e torcedores, excetuados talvez os argentinos, deixariam de considerar Brasil e Alemanha o maior clássico do planeta.

Da mesma forma, o mundo parece convencido de que Zico e Rummenigge compõem, com o argentino Maradona, o trio de gigantes de sua geração.

Embora seja um amistoso preparatório para a Copa do Mundo da Espanha, que começa em junho, o jogo de domingo oferece atrações capazes de transformá-lo num grande acontecimento. Em primeiro lugar, há o ressentimento dos alemães com o duro retrospecto sobre os encontros Brasil e Alemanha – em nove jogos, o Brasil venceu seis, empatou dois e perdeu apenas um.

Além disso, o fortíssimo time do técnico Jupp Derwall ainda parece francamente atônito com a impiedosa goleada de 4 a 1 que lhe foi imposta pela equipe de Telê Santana no Mundialito do Uruguai, há pouco mais de um ano. São temperos que certamente apimentarão o duelo entre Zico e Rummenigge.

Trata-se de um daqueles tira-teimas entre craques que tanto atrai as multidões – no último deles, entre Zico e Maradona, Zico levou a melhor.

Num Flamengo e Boca Juniors realizado em setembro passado, o Flamengo ganhou de 2 a 0 – dois gols de Zico, numa partida em que Maradona jogou mal e saiu antes do fim.

Zico merece todo o respeito dos alemães. “Ele é um jogador-exceção, uma raposa, um craque que conquista a bola com leveza e agilidade”, diz o meio-campo Wolfgang Dremmler, 27 anos, que no domingo atuará contra o Brasil.

A exibição ao lado de Rummenigge, um habilíssimo atacante sem posição fixa, eleito o melhor jogador da Europa em 1980 e 1981, será uma boa oportunidade para que Zico se consolide na posição de primeiro aspirante a uma coroa que foi de Pelé por muitos anos e, na prática, está sem dono desde que o holandês Johann Cruyff se afastou da Seleção Holandesa, às vésperas da Copa de 1978.

CURRÍCULO ESPLÊNDIDO

Com Sócrates, na vitória contra a Alemanha por 2 a 1, em maio de 1981: o grande clássico do futebol mundial (Foto: J.B. Scalco)

Com Sócrates, na vitória contra a Alemanha por 2 a 1, em maio de 1981: o grande clássico do futebol mundial (Foto: J.B. Scalco)

Que Zico é o maior jogador do Brasil ninguém mais duvida – nem mesmo Sócrates, o atacante do Corinthians, reconhecidamente o único que poderia fazer-lhe sombra de forma direta. “Isso não se discute: o melhor jogador do Brasil é Zico”, encerra Sócrates.

Fantasmas e preconceitos ficaram para trás

E já ficaram definitivamente para trás alguns fantasmas e preconceitos que assombraram a carreira de Zico.

Pipoqueiro? “Santo Deus, eu queria ter um pipoqueiro desses em cada clube que eu treinar”, diz o técnico Oswaldo Brandão, o primeiro a convocar Zico para a Seleção, no início de 1976.

Jogador que só vai bem no Maracanã? Basta ver a chuva de gols que Zico marca por todo o Brasil, ou, então, os aplausos que recebeu da insaciável torcida paulista no magro empate por 1 a 1 contra a Checoslováquia, no início do mês. Mesmo no “purgatório” tradicional à saída do estádio, onde nem Sócrates escapou de xingamentos, Zico foi poupado.

Craque que não dá certo na Seleção? Que se ouça, então, o técnico Telê, para quem Zico é “o maior nome do futebol brasileiro”, “um dos melhores jogadores do mundo” e “um grande profissional”, que em vinte das 28 partidas da Seleção disputadas desde que Telê assumiu, há dois anos, fez dezenove gols, sem contar os que proporcionou a seus companheiros.

Ninguém, no futebol brasileiro atual, chega perto do esplêndido currículo do novo camisa 10 da Seleção. Zico foi seis vezes campeão da Taça Guanabara e seis vezes campeão do Rio de Janeiro pelo Flamengo, ganhou três títulos de torneios internacionais pela Seleção e dois pelo Flamengo, foi campeão da Taça Libertadores da América e Mundial de Clubes no ano passado.

Vibrando com mais um gol: o principal artilheiro do Flamengo (Foto: Ricardo Chaves)

Vibrando com mais um gol: o principal artilheiro do Flamengo (Foto: Ricardo Chaves)

O maior artilheiro da história do Flamento: em 8 campeonatos, artilheiro em 5 e vice em 2

De 1974 para cá, quando se firmou de vez no ataque do Flamengo, em oito campeonatos disputados no Rio, Zico foi artilheiro em cinco e vice-artilheiro em dois.

Um dos poucos jogadores profissionais em todos os tempos a superar a marca dos 500 gols, até a semana passada ele balançara as redes adversárias exatas 560 vezes, 502 das quais no Flamengo – o que o transforma no maior artilheiro da história do clube -, 53 na Seleção Brasileira e cinco em outras seleções.

Para onde se olhe na carreira de Zico, lá estará sendo quebrado algum recorde.

Foi ele, por exemplo, o maior goleador do Maracanã num único campeonato, o de 1975, com trinta gols, batendo um recorde estabelecido ainda na década de 50 pelo legendário Ademir de Menezes e igualado na década seguinte pelo artilheiro Quarentinha, do Botafogo.

Foi ainda Zico quem mais gols marcou num único jogo no Maracanã – seis, na goleada de 7 a 1 do Flamengo contra o Goytacaz, em março de 1979, dose repetida três meses depois contra o Niterói. Na segunda-feira dia 22 ele receberá o Troféu Craque do Ano da revista Placar, escolhido pelo voto dos leitores, unanimidade do Júri Especial da revista e por um júri de jornalistas esportivos de quatro capitais brasileiras.

AUTÓGRAFOS EM BOLAS

Na escolinha do Flamengo: em cinco anos, de "Caroço" a supercraque (Foto: A. J. B.)

Na escolinha do Flamengo: em cinco anos, de “Caroço” a supercraque (Foto: A. J. B.)

Ele próprio diz: “Não há comparação com Pelé”

Zico chega ao limiar da Copa do Mundo com uma unanimidade nacional semelhante à ostentada por Pelé. “Mas não há termo de comparação entre Zico e Pelé”, ressalva o camisa 10 do Flamengo.

As estatísticas sugerem que mesmo o grande Zico não poderá reprisar a glória do genial Pelé. Zico precisou chegar aos 29 anos de idade para ter marcado 500 gols. Pelé, com a mesma idade, já havia colecionado 1.000.

Mas os dois se parecem ao menos na infinita paciência com que ambos sabem conviver com a condição de ídolo. “Este rapaz já não se pertence, não pode ficar tranquilo um minuto”, irrita-se o supervisor do Flamengo, Domingos Bosco.

Celebridade com paciência infinita

É verdade. Tome-se ao acaso qualquer dia na vida de Zico e se terá uma prova para os nervos de um mortal comum. Dia de jogo do Flamengo em Fortaleza, no Ceará, por exemplo. No restaurante em que ele almoça no Hotel Praiano, o garçom larga na mesa o filé do maior jogador do Brasil, saca do bolso uma câmara e põe-se a fotografar o craque.

Hoje, com sandra, Júnior e Bruno (Foto: Ricardo Chaves)

Hoje, com Sandra, Júnior e Bruno (Foto: Ricardo Chaves)

Nos 15 minutos em que se aventura a chegar perto da piscina, não consegue parar: dá autógrafos em bolas, raquetes de tênis, cartões-postais. Segura criancinhas para fotografias, abraça fãs que nunca viu, é sucessivamente beijado.

Na sede do Flamengo no Rio, na Gávea, é pior ainda.

Num dia normal, como antes da recente partida contra o Atlético Mineiro, Zico pode bem demorar 40 minutos entre o final do treino e o momento em que, enfim, exausto, pode entrar no banho.

No percurso, entrevistas a cinco emissoras de rádio, a três jornalistas italianos e a dois árabes que mal falam português, uma ida até as arquibancadas para conversar com crianças excepcionais trazidas por uma professora, uma pausa para receber sua imagem entalhada em madeira por um fã adolescente – e, claro, incontáveis autógrafos.

SUCESSO NO TEATRINHO

Os pais, com Antunes, Tonico, Zico, Nando e Edu (Foto: Abril)

Os pais, seu Antunes e dona Matilde, com Antunes, Tonico, Zico, Nando e Edu (Foto: Abril)

“Quem perde a paciência às vezes sou eu”, diz a mulher, Sandra

“As pessoas às vezes abusam, mas ele dificilmente perde a paciência”, diz Sandra de Sá Coimbra, 26 anos, a mulher de Zico. “Eu é que às vezes perco”, arremata, lembrando casos em que Zico mal pôde permanecer numa boate ou teve o braço confiscado por algum fã num restaurante no momento exato de levar o garfo à boca. “Faz parte de minha vida”, diz Zico, resignado. “Essas pessoas só me vêem de longe nos estádios, gostam de mim. Eu não me escondo, não.”

Maria José, a “Zezé”, 38 anos, irmã mais velha de Zico, psicóloga com consultório em Copacabana e professora na Universidade Gama Filho, acha que Zico “tem muito equilíbrio para conviver com essa glória e ser um homem feliz”.

Pragmático, o próprio Zico explica sua técnica para sobreviver quando está em trânsito por algum lugar público: “Você não pode é parar. Se parar, aglomera”. Nas férias com Sandra e os filhos Arthur Júnior, de 4 anos, e Bruno, de 3, o recurso é ir para o exterior. “No Brasil, não tem mais lugar nenhum em que eu passe despercebido”, diz ele com simplicidade.

Caminho para os filhos flamenguistas foi aberto… no Fluminense

O caminho de Zico para a glória, desde que era o pequeno craque “Caroço” (apelido resultante de um quisto próximo a seu olho esquerdo, já eliminado) das peladas em Quintino Bocaiúva, um subúrbio a 45 minutos de ônibus do centro do Rio, entre Cascadura e Piedade, na zona norte, já entrou para a legenda do futebol brasileiro.

O alfaiate José Antunes Coimbra – “seu” Antunes, o pai, hoje com 81 anos – fora goleiro na juventude, depois que emigrou de Portugal, mas mesmo assim se opusera a que os filhos, todos flamenguistas roxos como ele, jogassem futebol profissionalmente.

Segundo a mãe, dona Matilde, o filho caçula era um menino bem-comportado, que não dava trabalho. “Ele gostava muito de cantar e de participar do teatrinho da escola”, lembra-se sua primeira professora no Grupo Escolar Rocha Pombo, dona Neide Almeida Sampaio. “Uma vez ele foi o caçador na encenação do ‘Chapeuzinho Vermelho’ e se saiu muito bem.” Acima de tudo, ele gostava de futebol.

Um garoto que antes dos 10 anos encantava Quintino nas peladas de rua, Zico, porém, obedecia ao pai – e foi preciso que o irmão José Carlos, o “Zeca”, hoje um economista de 37 anos, mais conhecido por Antunes, abrisse caminho para uma breve carreira no Fluminense para que os irmãos pudessem segui-lo.

MAMADEIRA E SERIEDADE

Com a primeira professora, dona Neide: lembrando o "Chapeuzinho Vermelho" (Foto: Sérgio Bebezovsky)

Com a primeira professora, dona Neide: lembrando o “Chapeuzinho Vermelho” (Foto: Sérgio Berezovsky)

Fernando, o “Nando”, formado em Comunicações, 36 anos, acabou jogando no Madureira e no Futebol Clube do Porto, de Portugal. Eduardo, o “Edu”, hoje com 35 anos, concluindo o curso de Educação Física, treinador dos juvenis do América Carioca e instrutor da Funabem no Rio, foi uma sensação no América, jogou no Vasco e no Flamengo, esteve entre os quarenta selecionados para a Copa do México e encerrou sua carreira no mês passado pelo Campo Grande, no Rio.

O moleque franzinho faz 14 gols numa partida de futebol de salão 

Dos cinco homens – Zezé, a psicóloga, é a única mulher -, apenas Antônio, o “Tonico”, 36 anos, formado em Administração e funcionário do Detran, não foi jogador profissional.

A história do Zico craque começou com o radialista Celso Garcia, da Rádio Tupi, vizinho de bairro dos Antunes, sendo chamado para ver o garoto em ação no futebol de salão do Clube River, em Piedade.

O Santos, time de Zico, então com 14 anos, ganhou de 22 a 2, e aquele franzino atacante fez catorze gols. “Fiquei impressionado, com a certeza de que tinha descoberto um craque excepcional”, diz Garcia, hoje conselheiro o Flamengo.

Moisés enfrenta Zico: usando o "direito da falta" (Foto: Rodolpho Machado)

Moisés enfrenta Zico: usando o “direito da falta” (Foto: Rodolpho Machado)

Zagalo, técnico, nunca lhe deu uma chance no time principal do Fla

Garcia levou Zico para treinar na Gávea e espantou o treinador dos juvenis, Modesto Bria, com o físico mirrado do garoto: 1,55 metro e 37 quilos. “Isso aqui é coisa muito séria, Celso”, reclamou Bria. “Esse menino precisa é de mamadeira.”

Mas Zico agradou em cheio no primeiro treino – e daí para a frente ninguém o segurou, nem a má vontade de técnicos sem visão.

Joubert não o deixava treinar, já crescido, com os profissionais. Zagalo, mais tarde, nunca lhe deu uma chance no time principal. E Antoninho conseguiu excluí-lo dos convocados para a Olimpíada de Munique, em 1974, mesmo sendo o Flamengo campeão estadual e Zico, ainda um aspirante o artilheiro do time.

GOSTOS SIMPLES

O vôlei na praia: cada vez mais raro (Foto: Adalberto Diniz)

O vôlei na praia: cada vez mais raro (Foto: Adalberto Diniz)

O baixinho magricela ganha peso, músculos e altura

Um intenso programa de condicionamento físico transformaria Zico completamente. Dividido em três fases – uma completa revisão médica, tratamento à base de anabolizantes hormonais para estimular o crescimento combinado com superalimentação e treinamentos físicos especiais -, o programa fez Zico ganhar 17 centímetros e 13 quilos de 1969 a 1974. Valeu.

Zico não se importa de ser chamado de craque de laboratório. “O futebol eu sempre tive, ninguém me ensinou”, diz. Embora poucos notem, ele acabou ficando 2 centímetros mais alto que Pelé, e hoje tem 66 quilos.

O maior jogador do Brasil é um homem de gostos simples. Seu prato preferido é filé com fritas, arroz e feijão. Quando frequenta seus restaurantes prediletos no Rio, o Castelo da Lagoa, o Antiquarius e o Mário’s, costuma pedir frutos do mar.

Gosta de cerveja gelada e de vinho rosê, embora só beba socialmente, e odeia gravata. Passa a maior parte do tempo com roupa esporte, e usa muito – por força de um contrato de publicidade – os artigos da marca Le Coq Sportif.

Zico dispensa os penduricalhos que normalmente enfeitam os jogadores de futebol: junto com o relógio, usa uma pequena pulseira de ouro, presente de Sandra. E, no pescoço, uma medalha também de ouro mostrando dois peixinhos nadando entrelaçados – referência a seu signo e presente que ganhou no Dia dos Pais do ano passado.

No lazer, o vôlei de praia de outrora tomou-se impraticável. Seu grande passatempo, hoje, é a aparelhagem de vídeo-cassete instalada num painel de mais de 2 metros em sua sala. Ali, Zico tem quase todos os gols que marcou e uma enorme coleção de filmes e musicais. Confessa-se “amarrado” em samba e conhece de cor os sambas-enredos das principais escolas do Rio. Vai pouco a cinema – prefere ver em casa – e muito a teatro.

PLANOS ABANDONADOS

Com a torcida: "Eles gostam de mim" (Foto: Ricardo Chavez)

Com a torcida: “Eles gostam de mim” (Foto: Ricardo Chaves)

Um homem de família, que beija o pai, os tios e os irmãos homens

É um homem de família. Costuma beijar não só mãe e a irmã, mas também o pai, os tios e os irmãos homens. Sabe de memória as datas de aniversário de todos os parentes e amigos mais próximos, e não deixa passá-las sem um presente. Gosta de trabalhar com os que lhe são próximos: seu procurador, João Batista de Almeida, é irmão de dona Neide, a primeira professora, e o irmão Antunes ajuda a administrar seus negócios.

Longe do público, é brincalhão e considerado pelos companheiros de time “um grande gozador”. “Pintou um lance, ele encarna”, diz o lateral Leandro, do Flamengo. Seu círculo de amizades é elástico. No mundo do futebol, os mais próximos são Cláudio Adão, do Vasco, e sua mulher, Paula, o goleiro reserva do Flamengo, Cantarele, e o lateral Júnior. Mas nele figuram também o cantor Fagner, o comediante Chico Anysio e os atores Carlos Eduardo Dollabela, Pepita Rodrigues e Fábio Júnior.

Casado há sete anos com Sandra, primeira namorada e irmã mais nova de Suely, mulher de Edu, declara-se até hoje apaixonado pela “mulher, irmã, amiga e amante”. “Nunca tivemos uma crise ou briga séria”, garante Sandra, que o chama de “Filho”. Para os colegas de Flamengo é “Galo” – uma alusão ao apelido “Galinho de Quintino” com o qual foi batizado pelo locutor Waldir Amaral.

Sandra vai com frequência ao Maracanã para assistir aos jogos de Zico, e tem viajado ao exterior durante as excursões do Flamengo, para ficar próxima do marido. Sandra vai à Copa da Espanha, e Zico aplaude a idéia.

O futebol obrigou o supercraque a arquivar alguns planos. Ele gostaria de estudar piano, se tivesse tempo. Sandra, que passou no vestibular de Comunicações da Gama Filho em 1977 mas deixou os estudos quando ficou grávida de Arthur Júnior, tateia algum horário para que Zico estude inglês, como ela. Zico, que fez Contabilidade, abandonou seu curso de Educação Física na Faculdade Castello Branco em 1974, por falta de tempo.

ESPÍRITO DE LIDERANÇA

O vídeo-cassete: quase todos os gols (Foto: Avanir Niko)

O vídeo-cassete: quase todos os gols (Foto: Avanir Niko)

 

Tempo também falta para Zico exercer como gostaria suas funções de presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio de Janeiro. “Vou lá quando dá”, desculpa-se.

Mas faz o que pode. Atualmente, Zico empenha-se sobretudo pela criação de uma entidade nacional de atletas profissionais, pela destinação da renda de um teste da Loteria Esportiva às entidades assistenciais dos jogadores e por uma reformulação da lei do passe, que “escraviza o jogador ao clube”. “Ele é um grande líder de nossa classe”, diz Zé Mário, substituído por Zico no cargo quando se transferiu do Vasco para a Portuguesa, em São Paulo.

Só reivindica para o grupo

“O Zico tem um grande espírito de liderança”, afirma o advogado Antônio Augusto Dunshee de Abranches, presidente do Flamengo, acostumado a receber o craque para tratar das reivindicações dos jogadores. Foi Zico quem exigiu que o vestiário fosse reformado, ou que os jogadores tivessem participação nas rendas. “Quando ele reivindica, é sempre para o grupo, nunca só para ele”, atesta o lateral Júnior.

É claro que Zico sabe também defender seus próprios interesses – mas, rumo aos 30 anos e próximo de disputar a que provavelmente será sua última Copa do Mundo, ele ainda não é exatamente um bilionário do futebol. Obviamente, está muito longe de ser pobre. Mora com família numa bela casa de três andares, quatro suítes e piscina na Barra da Tijuca, no Rio, servida por quatro empregados permanentes e dois eventuais.

Um bom patrimônio, mas longe do que poderia ser

Para comprá-la no ano passado, porém, teve que vender seu primeiro apartamento, na Tijuca, porque lhe faltavam os 7 milhões de cruzeiros da entrada. Além disso, possui dois apartamentos, dois terrenos, uma casa de veraneio em Praia Grande, no litoral fluminense, uma loja de artigos esportivos – a Zico Esportes, na Tijuca – e três automóveis: uma Caravan, um Passat Dacon e um Del Rey.

 

COTAS ESPECIAIS

A casa de Zico: patrimônio em alta com a renda

A casa de Zico: patrimônio em alta com a renda (Foto: Ricardo Chaves)

A condição de jogador mais bem pago do futebol brasileiro – entre luvas e salários, ele ganha hoje cerca de 3 milhões de cruzeiros mensais estipulados por um contrato que vai até maio de 1983 – não permitiu que Zico juntasse um patrimônio muito superior a 100 milhões de cruzeiros.

A preços de hoje, portanto, é menos que a quarta parte do primeiro contrato assinado por Pelé com o Cosmos de Nova York, em 1977. “Proporcionalmente ao que ele traz para o clube, Zico é o jogador mais barato do Brasil”, exagera Michel Assef, assessor jurídico do Flamengo.

A tendência, porém, é a aceleração do ritmo de sua caminhada para a riqueza: seu contrato atual prevê cotas especiais por participação em jogos no exterior, e o sistema de prêmios do Flamengo, com participação dos jogadores na renda e nos direitos de televisamento, permite, nas boas fases do Flamengo, que Zico receba pelo menos 1,5 milhão adicional por mês.

Acima de tudo Zico está agora entrando de rijo no terreno em que realmente uma celebridade esportiva hoje ganha dinheiro: os contratos de publicidade. “Quando terminarem esses contratos, ele será um homem rico”, assegura George Helal, vice-presidente do Flamengo, velho amigo do jogador e seu sócio na firma Zico Participações e Empreendimentos Ltda.

Para ele, o irmão Edu foi melhor

A empresa comercializará, no futuro, a marca “Zico”, já patenteada, como fez Pelé. Hoje, cuida dos negócios publicitários de Zico, que tem contratos com a Coca-Cola, Le Coq Sportif, Wella (xampus), Calcigenol (fortificante), Losango (turismo) e Estrela (brinquedos). Quanto Zico está ganhando com tudo isso? “Bem…”, desconversa o jogador, com um sorriso reticente.

Ele se torna bem mais loquaz ao falar de futebol – e é modesto ao analisar suas qualidades. Acredita sinceramente que seu irmão Edu o “superava longe em termos de qualidade técnica”. Talvez se trate de um tique familiar: o pai, “seu Antunes”, jura que o melhor entre os filhos era Antunes. Considera-se um bom jogador, embora admita que precisa aperfeiçoar o chute de esquerda com bola parada e não se veja como um marcador eficiente.

Suas jogadas preferidas são partir do meio de campo com a bola dominada, em arrancada fulminante rumo ao gol – cada vez mais difícil, hoje em dia -, e chutar de primeira, quando consegue, uma bola cruzada da linha de fundo. Acha que sua principal característica é a rapidez dentro da área: “Procuro não enfeitar – quero jogar a bola dentro do gol, pegar o goleiro no contrapé”.

O POVO SABE

Garoto dos anúncios, como este da Coca-Cola

Garoto dos anúncios, como este da Coca-Cola

Quanto à Copa, Zico entende que Telê está no caminho certo, que não há “casos claros de injustiçados” e que “é preciso respeitar o fato de que certos técnicos trabalham melhor com certos tipos de jogador”. Baseado sobretudo na divisão de chaves, ele aponta Alemanha e Espanha como grandes forças que poderão cruzar o caminho do Brasil.

Entre os jogadores estrangeiros, acha que brilharão sobretudo o argentino Maradona, os alemães Breitner, Runimenigge e Hansi Müller, e o inglês Keegan. Do Brasil, omitindo-se da lista, ele aponta como os melhores Sócrates, Júnior, Leandro, Cerezo e Luizinho.

Falando de política e de economia

Zico também não se acanha em selecionar nomes em política. Nessa área, é ecumênico. O senador Tancredo Neves, ex-PP, agora PMDB, é “um cara de cabeça muito legal”. Sandra Cavalcanti, candidata do PTB ao governo do Rio, que conhece pessoalmente, “é uma cabeça poderosa”. Seu rival do ex-PP e agora do PMDB, Miro Teixeira, amigo pessoal de Zico, representa “sangue novo”.

Ele apoia o projeto de abertura do presidente Figueiredo – e publicou um artigo no jornal Hora do Povo, do MR8. “Não vejo problema algum nisso”, diz Zico, que no entanto esclarece não se tratar de coluna fixa, como o jornal deu a entender. “Eu estava falando dos problemas do jogador de futebol.”

Zico não está satisfeito com o estado da economia. “Então vou ser a favor dessa inflação terrível que aí está comendo tudo?”, pergunta. “Vou dizer que a situação econômica é boa? Claro que não é”, diz, apontando como uma das causas a “má administração”.

Zico acha que o brasileiro está plenamente preparado para votar. Espera que haja logo eleições diretas para a Presidência – “Temos que chegar lá” – e não aprovou a vinculação de votos estabelecida pelo pacote de novembro: “Deve haver liberdade de escolha”.

Pretende votar em seu amigo Márcio Braga, ex-presidente do Flamengo, para deputado federal. Com a incorporação, produto direto dos casuísmos eleitorais do governo, se Márcio, ex-PP, mantiver sua candidatura, Zico, portanto, vai acabar votando no PMDB nas eleições de novembro.

Mas Zico lembra que “política não é meu setor”, e acha que as pessoas célebres, no Brasil, são patrulhadas caso não se pronunciem “sobre tudo”. Sua vida está centrada mesmo é no futebol. Segundo o craque, para o Brasil estrear em pleno estilo na Espanha, “só falta o pessoal poder ficar com a cabeça voltada para a Copa”.

A dele já está – e, no auge da forma, Zico poderá voltar da Espanha como o maior jogador do mundo.

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BYTES DE MEMÓRIA — BASTIDORES

Não basta trabalhar muito: jornalista também precisa ter sorte

Zico não voltou da Espanha com o título que ele e seus companheiros mereciam: o de tetracampeão do mundo.

Eu estive naquela Copa, por dever profissional, e vi a extraordinária seleção de Telê Santana passar dançando pelas primeiras três partidas, classificar-se em primeiro lugar em seu grupo, dar um baile de 3 a 1 na fortíssima Argentina — com Maradona já despontando e tudo o mais — e, na “tragédia de Sarriá”, cair por 3 a 2 ante uma Itália até então medíocre, que se classificara para o misto de oitavas e quartas de final daquela disputa com três empates.

Mas a história com Zico começou assim: J. R. Guzzo, o diretor de Redação de VEJA, me chamou à sua sala, um belo dia, logo no final de 1981, e disse:

— Setti, vou mandar você para a Copa do Mundo da Espanha. Você terá duas tarefas: cobrir a Seleção Brasileira e chefiar a equipe da revista que vai para a Copa.

Saí da sala com um misto de euforia, por poder trabalhar num tema que me apaixonava, e de forte aperto no estômago. Eu não era jornalista da área esportiva — era sub-editor da então importante editoria de Internacional, na qual trabalhava havia seis anos.

De bigodão e bolsa a tiracolo, com Zico no estacionamento da Gávea, dia 9 de março de 1982: o assédio ao craque era tanto que só ali foi possível terminar a entrevista (Foto: Rodolpho Machado)

Gostava de futebol e sabia quem eram todos os personagens ligados à Seleção. Nisso, estava confortável. — o problema é ninguém com quem eu trataria. Nenhuma fonte de informação, a começar pelo técnico Telê Santana, tinha ideia de quem eu era.

E cerca de 400 jornalistas, todos da área, experientes, iriam cobrir a Copa.

Guzzo, com minha designação, queria um olhar diferente sobre a Seleção, e estava plenamente ciente de que eu precisava me enfronhar no tema antes de embarcar para a Europa, meses depois. Assim, ficou combinado que eu passaria a dividir meu tempo entre as tarefas da Internacional e a cobertura de alguns treinos e amistosos da Seleção Brasileira. (Foi o que fiz no Morumbi, no Maracanã, no Recife e em São Luís do Maranhão).

A primeira etapa desse processo, porém, era um desafio: fazer no começo de março uma reportagem de capa, extensa e detalhada, sobre Zico, o maior craque do país na época.

Fui auxiliado, na tarefa, pelo repórter Maurício Cardoso, que sabia tudo de futebol e conhecia todo mundo nesse terreno. Ele ouviu várias pessoas do entorno do craque e o técnico Telê. (Infelizmente, por decisão que escapou de meu alcance, ele não teve crédito na reportagem.)

Pesquisei muito, li tudo o que podia sobre Zico e, não sem dificuldade, consegui manter uma primeira conversa com ele no final de um treino no agradabilíssimo Hotel Rancho Silvestre, em Embu das Artes, a meia hora da sede da Editora Abril, um oásis verdejante, dotado até de campo de futebol com medidas oficiais, onde a seleção tradicionalmente se concentrava quando em São Paulo.

No caso, estava concentrada para um amistoso contra a poderosa Alemanha Ocidental.

Conversando com Júnior e Zico durante a entrega do troféu “Bola de Ouro”, da revista “Placar”, no Copacabana Palace, a 22 de março de 1982 (Foto: Rodolpho Machado)

Na conversa com Zico, interrompida por constantes pedidos de declarações feitas por colegas, acabei combinando com ele de continuar a entrevista no Rio. Dias depois, fui de manhã até sua casa na Barra da Tijuca, mas o Galinho de Quintino estava com a agenda atrapalhada e me pediu para encontrá-lo mais tarde, durante um treino do Flamengo, seu clube, na Gávea.

Naquela época, Zico era uma das quatro ou cinco pessoas mais célebres do país. Perguntei a ele em que lugar do Brasil ele conseguia ficar sossegado com a mulher e os filhos — para almoçar num restaurante, ir a um cinema ou a um teatro.

Zico respondeu, com simplicidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo — e que era mesmo, para ele:

— Que lugar? Nenhum.

Imaginem então vocês na Gávea o que era assédio ao craque. Assisti ao treino do Flamengo, conversei com alguns jogadores e dirigentes a respeito do objeto de minha reportagem mas, com Zico… Uma pedreira. Solicitado por Deus e o mundo, ele demorou uns 40 minutos entre o final do treino e a chegada aos vestiários, para tomar banho. Me fazia sinal para esperar, e assim fiz.

Só consegui terminar a entrevista iniciada no verdejante Hotel Rancho Silvestre no estacionamento da Gávea, perto do Ford Del Rey de Zico. Aquele contato preliminar seria aprofundado no mesmo mês, quando reencontrei o Galinho no Copacabana Palace, no Rio, onde recebeu da revista Placar a Bola de Ouro por suas atuações em 1981, e em diversos amistosos que a Seleção realizou no Brasil antes de embarcar para a Europa. Quando lá chegamos, Zico já confiava em mim e se tornara uma boa fonte de informações.

Voltando à reportagem de capa: depois de falar com o craque, era preciso, ainda, tentar entrevistar pessoas de sua família, com integrantes espalhados por vários bairros do Rio, agendas e interesses diferentes.

E aí veio a sorte, atributo fundamental para jornalistas cumprirem bem suas tarefas.

Exatamente naquela semana anterior à partida contra a Alemanha o apresentador Silvio Santos comandava o programa Esta é sua vida — e o personagem era, precisamente, Zico. Ou seja, tratava-se de um programa sobre a vida de Zico, da infância até a glória no futebol. E a produção providenciou a presença, nos longínquos estúdios da então TVS na Vila Guilherme, em São Paulo, de toda a família de Zico, de vários amigos de infância e até de sua primeira professora!

Com o craque no dia 6 de julho de 1982, na concentração de Más Badó, próxima a Barcelona, no dia seguinte à derrota da Seleção para a Itália e sua eliminação da Copa de 1982

Maurício Cardoso e eu seguimos para a Vila Guilherme num carro da Abril, com o fotógrafo Sérgio Berezovsky (hoje diretor de Redação da revista Quatro Rodas). Para nossa surpresa, quase não havia jornalistas na gravação do programa. Pudemos entrevistar os pais de Zico, seu irmão Edu — um driblador infernal que jogava uma barbaridade, quanto atuou pelo América e, depois, pelo Vasco –. sua primeira professora…

A sucursal de VEJA no Rio, dirigida por Zuenir Ventura, também colaborou com algumas declarações.

De posse dessa montanha de informações, sentei-me à minha mesa na redação de VEJA, então na sede da Abril na Marginal do Tietê, em São Paulo, e escrevi o texto.

Até hoje não sei por que cargas d’água não incluí na reportagem uma informação inacreditável que me foi fornecida pela mãe do craque, dona Matilde: Zico, contou-me ela, mamou do leite materno até os 11 anos de idade.

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20 Comentários

  • Matheus

    Seu Setti, vou aproveitar essa sua brilhante matéria, q acho q deve ficar permanente na pg inicial,do blog. Para tb fazer uma reclamação, o Sr. tem q escrever todos os dias sobre futebol. Sabe muito!

    Muito obrigado, caro Matheus.
    Ocorre que, como a maioriados leitores aparentemente não espera encontrar material de futebol no blog, os posts sobre o assunto têm pouquíssimos acessos.
    Mas nem por isso vou desistir.
    Você me dá um novo alento.
    Um abração!

  • Marco

    Don Setti; Meu Deus do Céu! Vi Zico jogar no Beira-Rio,no meio da carreira e no fim. Só posso te dizer uma coisa, “Monstro”. E o Guzzo ainda te deu a oportunidade de assistir, Platini,Tigana,Ardiles, Kempes,Boniek e Etc… Privilégio único. E por incrível q pareça, naquela época a seleção, mais modesta era a Azzurra. Puxa, não sabia q tu foi o percursor da bolsa tiracolo masculina, naquela época. Já q hj, é uma febre. Parabéns, brilhante matéria. Realmente uma sessão nostalgia, para os amantes do grande futebol jogado.
    Abração.

    Muito obrigado, caro Marco. Tive a chancer de falar com vários desses craques estrangeiros, inclusive em amistosos no Brasil — a começar por vários daquele timaço alemão que, no entanto, era uma equipe envelhecida.

    O Guzzo me deu uma oportunidade e também uma tremenda responsabilidade. Trabalhei como um condenado. Fiquei 53 dias em Portugal (para onde foi inicialmente a seleção) e na Espanha, e só consegui folgar um dia…
    Ah, lá também conheci pessoalmente o Franz Beckembauer e outras figuraças do futebol já retiradas.
    Abraços

  • Jo Lima

    Setti,tenho a opinião de que os principais jogadores da seleção de 82 ( Zico, Falcão, Sócrates e Júnior) tinham, além dum grande talento nos gramados,um nível intelectual e de consciência do que eles representavam para a sociedade muito acima da média não só entre jogadores profissionais, mas entre as figuras públicos de outros setores. Como você conviveu com eles de forma muito próxima, essa minha impressão corresponde à realidade?

    Sim, Jo. Como escrevi em resposta a outro comentário, havia outros na mesma situação. Um deles era o goleiro reserva Paulo Sérgio, outro, o quarto-zagueiro reserva Edinho, sem contar o zagueirão Oscar. São alguns exemplos.
    Abração

  • Jo Lima

    Setti,tenho a opinião de que os principais jogadores da seleção de 82 ( Zico, Falcão, Sócrates e Júnior) tinham, além dum grande talento nos gramados,um nível intelectual e de consciência do que eles representavam para a sociedade muito acima

    Tinham, sim. Pode incluir na lista o Oscar, o goleiro reserva Paulo Sérgio e vários outros.
    Abração!

  • moacir

    Setti,
    São muito boas as suas bytes de memória.Essas me trazem de volta memórias minhas.Volto no tempo até
    1982.Dia 07 de julho.No Sarriá.Eu estava lá.
    Para ver a Canarinha ser campeã,contra uma Itália até então burocrática.Ia ser moleza.Não fora Paolo.
    Seu texto me fez recordar que a Itália não podia ter marcado Zico daquele jeito,que devíamos ter empatado na cabeçada do Sócrates,até mesmo naquela do Oscar,que o Serginho devia ter deixado o Zico ter terminado aquela jogada.
    Lá,naquele dia,confesso que chorei no final de um jogo que para mim nunca terminou:porque aquela Seleção,como nenhuma depois dela,merecia ter sido Campeã do Mundo.
    Abraço

    Pois é, caro Moacir, foi uma tragédia esportiva.
    Em tempo: o jogo se deu no dia 5 de julho de 1982.
    Um grande abraço

  • Deusilucidy

    Que coisa!!!!!!!!!
    Tu era mulato e agora ficou branco?
    O que aconteceu com você?

    De onde você tirou isso?

  • Goran

    Caro Setti,
    Um primor de reportagem, grande homenagem ao inesquecível craque, que lição aos boleirinhos de hoje, que se preocupam menos com o futebol e a família do que com as baladas e a badalação da imprensa !

    Muito obrigado por seu comentário gentil e generoso, caro Goran.
    Um grande abraço!

  • bereta

    Caro Setti.

    Longo trecho, excelente texto.

    Faz-nos ver que ainda há homens de caráter neste país.

    Zico é exemplo para muitos. Hoje não tenho times do coração. Já fui corintiano e flamenguista, mas deixei o apelo de torcedor, trocando-o pelo de admirador de grandes lances ou jogadas. É melhor assim, pois sofro menos. Aprendi a admirar lances até contra meus times do coração. Não os traí. Apenas racionalizei.

    Fico feliz por saber muito mais que sabia sobre o Galinho do Qintino. Ênfase ao seu comportamento como chefe de família, herdado de seus pais. Não sou psicólogo nem nada, mas talvez esteja aí a serenidade demonstrada pelo eterno craque.

    A família,como base de tudo. Que eu saiba, e você não alienou nenhum dos componentes, permanece unida até hoje. Que isso sirva de lição para as gerações presentes e futuras. São tão poucos os exemplos de famílias bem constituídas que me atrevo a levantar essa qualidade.

    Parabéns ao Zico pelos seus sessenta anos bem vividos. Que ganhe muito mais dinheiro ainda, sendo feliz e fazendo sua imensa torcida muito mais feliz.

    Caro Bereta, obrigado pela parte que me toca.
    Um grande abraço!

  • Ismael Pescarini

    A impressão que sempre tive de Zico foi de um jogador inteligente e combativo. Um craque. Parabéns pela matéria que me deu um puta saudades daquela época em que o país estava deixando os anos de chumbo e a criatividade florescia não só no futebol. Há muitos valores que precisam ser resgatados, a começar da criatividade e de cada um se doar um pouco mais pelo time.

  • Marcos

    Setti, parabéns pela excelente matéria que nos remete a tempos manos acicatados,todavia, de mais virtudes, sonhos e esperança. No mais, trata-se de dois craques. Zico no futebol e Ricardo Setti nas letras do jornalismo.

    Abraço do Marcos.

    Muitíssimo obrigado por seu comentário gentil e generoso.
    Um grande abraço e… volte sempre!

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    O Brasil é também conhecido mundo afora como o País do futebol, tendo ao longo de sua História, gerado vários gênios e estrelas desse esporte, relacionar nomes é alongar por demais o texto, poderíamos acabar cometendo injustiças, agora, posso afirmar sem qualquer sombra de dúvidas, ZICO – Artur Antunes Coimbra – além de figurar obrigatoriamente no “Hall da fama” do futebol, como um dos seus expoentes máximo, é um dos melhores caráter do meio, sua biografia exemplar, seja como atleta, seja como cidadão, seja como pai e esposo, deveria servir de espelho as atuais e futuras gerações,caso seguissem em 50% o que esse cidadão fez pelo Flamengo e pela Seleção Brasileira, com toda certeza teríamos um cenário diferente de padrões nesse esporte.
    Quis os deuses que ele conquistasse quase tudo nas competições esportivas com o Flamengo, mas na Seleção não conseguiu se tornar Campeão Mundial, nem isso irá tirar o mérito do brilho de sua História.
    Devemos muito ao Galinho, quantos domingos esportivos ficamos a nos deliciar com a sua classe e elegância em campo, mesmo derrotando os nossos Times de coração, sabíamos reconhecer o mérito do majestoso craque.
    Aos 60 anos, penso que o Sr. Artur deveria continuar nos ajudando, participando ativamente -jogo político esportivo – na luta em limparmos do futebol brasileiro, desse pavoroso nível de dirigentes, arregimentando forças que o seu conceito moral detém, na formação de chapa para tirar Marin da CBF. Contamos com o brilho de sua áurea.
    Para finalizar gostaria de registrar – novamente – o trabalho do jornalista RS, esplêndido, Mestre AN tinha total razão quando disse que vc é um fora-de- série.
    PARABÉNS e OBRIGADO.
    abração.
    Carlos Nascimento.

    Caro Carlos,
    Suas palavras têm certamente mais a ver, mais que tudo, com sua generosidade.
    Quem agradece, portanto, sou eu.
    Muito obrigado!
    Abração

  • Caio Frascino Cassaro

    Prezado Setti:
    Lembro desse jogo. Foi Brasil 1×0 Alemanha, gol do Júnior após metida de bola do Adílio, por cima, só no arco – íris, que o Júnior emendou para o gol sem deixar quicar no chão. Era um baita dum timaaaaaaaaaaaaaaaaço! E o galinho jogava demais!
    O desastre do Sarriá foi um dos momentos mais tristes da minha vida esportiva. Foi uma maldade com uma geração de feras – Zico, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezo, Júnior, Leandro, Éder. A grande burrada do Telê foi ter deixado no Brasil o Leão. Tivesse levado o grande goleiro, à época defendendo o Grêmio, e tenho certeza de que a sorte do brasil teria sido outra. O segundo gol da Itália foi um chute forte do Paulo Rossi da entrada da área, mas o Valdir Perez vai com mão de alface na bola, tomando um gol a meu ver defensável. E no terceiro, ele deixa a bola sair para escanteio por pura displicência. Nesse mesmo jogo o Gentile faz pênalti no Galinho, chegando a rasgar-lhe a camisa, mas o safado do juíz não deu nada – e o lance foi na cara dele.
    Zico foi realmente o cara. Eu o vi decidir jogos praticamente sozinho, como contra a URSS e contra a Yugoslávia, pegando a bola no meio de campo, limpando três ou quatro jogadores e indo parar dentro do gol. Finalizador sem igual, armador como poucos, rápido, inteligente, insinuante, enfim, um jogador completo, cuja carreira acabou abreviada pela boçalidade do Márcio Cavalo naquele fatídico Flamengo x Bangú. Se ele tivesse chegado inteiro à Copa de 86, não sei se a Argentina teria sido campeã.
    E, além disso tudo, um grande caráter.
    Obrigado, Setti, por me fazer lembrar de tantas coisas boas.
    Um abraço

    Quem agradece sou eu, caro Caio, por sua leitura e por sua atenção.

    Para mim — e já me preparo para receber críticas — Zico foi melhor e mais completo do que Maradona. Não hesito um segundo em declarar isso. Mas, como não foi campeão do mundo…

    E deixe-me contar um segredinho de polichinelo sobre o Leão. Telê, vários membros da Comissão Técnica e vários jogadores consideravam-no, e com razão, um elemento desagregador. Essa foi a razão de sua não ida à Copa.

    O Valdir Perez ia muito bem no gol do São Paulo. Por isso foi convocado. E seu reserva, Paulo Sérgio, do Botafogo, que eu via treinar todo dia, embora um pouco mais baixo do que Valdir Perez, era um ex-ce-len-te goleiro — fora o que era inteligente, bem informado e boa praça.

    Preciso reunir fôlego para escrever Bytes de Memória sobre aquela Copa. Tenho muita anotação até hoje em meus arquivos, inclusive uma conversa exclusiva com Telê que iria constar de uma capa de VEJA que nunca saiu, porque o Brasil, com sabemos, não foi campeão.

    Abraço

  • Natal Santana

    Caro Setti! Sempre leio com atenção seus textos, especialmente quando trata de futebol. Falar de Zico… sou suspeito como flamenguista de primeira hora! Mas, efetivamente o Zico foi um craque de primeira grandeza, dentro e fora do campo. Lembro-me de alguns momentos mágicos dele na seleção: aquele gol contra o Uruguai em 1976 (em que ele foi chamado de Fenômeno pela imprensa uruguaia); aquele sem pulo contra o Paraguai em 1985; aquele em 1976 não me lembro contra quem no Torneio do Bi-Centenário; outro contra a Iugoslávia em 1981… só para citar alguns. Concordo com você quanto ele ser mais completo que Maradona, aliás, em todos os confrontos de ambos, Zico venceu não apenas no placar, como na atuação em campo. Enfim, eu também passaria horas e dezenas de bytes escrevendo sobre Zico. Parabéns pelo texto, é desses pra arquivar. Finalmente, achei muito interessante suas fotos (suas, não do Zico) daquela época: era a cara do João Ubaldo Ribeiro (risos!); aliás, dois craques da escrita, né.

  • Luiz Flávio

    Um dos cinco maiores de todos os tempos com certeza…

  • Adriano Loffredo

    Caro Ricardo,
    Pouco vi o Zico jogar. Mas o seu texto me fez lembrar desse pouco, inclusive o gol que eu acho o mais bonito da carreira dele, que foi contra o Paraguai, nas eliminatórias.
    Parabéns pelo texto (é daqueles que não envelhecem) e pela sua versatilidade.

    Muito obrigado, caro Adriano. Você é parente do André Loffredo?
    Abração!

  • SergioD

    Ricardo, sou vascaíno de coração, mas antes de tudo um amante do bom futebol. Acompanho o esporte desde 1966, quando tinha nove anos, e vi muitos grandes times jogar por esse país. Vi o meu Vasco perder a Taça de Prata para o Santos de Pelé em pleno Maracanã, em 1968, vi o Intenacinal de Falcão e Carpegiani bater a Máquina Tricolor na semi final do brasileiro de 1975, vi a mesma Máquina perder para o esforçado Corinthians em 1976. Vi um esforçado Vasco vencer o Cruzeiro e se sagrar Campeão brasileiro em 1974. Numa transmissão televisiva sofrível vi o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza e Natal bater o Santos de Pelé em SP na final da Taça Brasil de 1966, vi o fantástico São Paulo de Telê Santana. para não falar nas seleções de 70 e 82.
    Grandes times. Mas um time que realmente me encantou foi o Flamengo de 80 a 82. Um time incrível, e para mim é duro confessar que fui muitas vezes ao Maracanã só para ver essa orquestra atuar. Muitas vezes sozinho, sem minha mulher e companheira, verdadeira flanática.
    Poucos anos atrás tive a felicidade de cruzar com Zico No estacionamento de um Shopping aqui no Rio. Me dirigi para cumprimentá-lo e contar de minha admiração por seu futebol, apesar de torcer pelo maior rival do Flamengo. Ele foi se uma simpatia contagiante. Minha mulher a princípio não o conheceu e, quando estava pronta para reclamar comigo por importunar um estranho no meio da madrugada, num estacinamento quase vazio, se tocou de quem era o estranho e caiu na maior tietagem.
    Coisas da vida. Sorte minha de ter vivido num tempo onde grandes ídolos rondavam nossos gramados. Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Gerson, Jairzinho, Paulo Cesar, Pelé, Rivelino, Tostão, etc
    Parabéns pelo post
    Abraços

    Muito obrigado por sua amabilidade de sempre, caro SergioD.
    Abração!

  • nilton de souza moraes

    sou flamengo.sou zico

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    Relendo o seu esplêndido trabalho sobre um pouco da História do GALINHO, me veio a curiosidade de indagar sobre os bastidores daquela Copa do Mundo (1982). Como estamos às vésperas de mais um campeonato, que tal vc abrir o baú e revelar coisas que só vc pode enxergar, com sua luminosidade e inteligência:
    – quais as razões para ter ocorrido a derrota, pois a nossa Seleção era infinitamente superior à esquadra Azurra.
    – como era na concentração, a “geladinha” corria à solta ?
    – houve sapato alto ?
    – Valdir Peres tinha condições de ser o titular,ele já tinha levado alguns frangos, como o ocorrido contra a União Soviética (peru vergonhoso)?
    – os jogadores escutavam o Mestre Telê ? Telê errou na estratégia daquele jogo ?
    – reza a lenda que Cerezo levou um pito de Júnior no vestiário, isso foi verdade ?
    – no último gol do Rossi, a maior falha foi do Júnior, pois ele ficou parada debaixo da trave dando condições de jogo ao mesmo, se ele tivesse saído junto com os demais defensores, o Rossi seria pilhado em impedimento.
    Vou aguardar.
    abração.

    Prezado Carlos, preciso de tempo e energia para escrever sobre isso, embora tantos anos tenham passado. Possuo um grosso monte de anotações, e muita coisa do que anotei jamais publiquei. É coisa demais, e, se você pensar bem, interessa a muito poucos leitores, infelizmente.
    Mas, de suas várias perguntas, respondo por ora a uma: na concentração não havia nada de errado. Não corria “geladinha”, não, que os jogadores só tomavam nas folgas. Era um grupo motivado e disciplinado, com respeito e até temor pelo técnico, além de tudo.
    Abraço

  • Santos

    Prezado Ricardo,

    Compartilho a curiosidade do Carlos Nascimento, abaixo subscrito, e uno-me àqueles que aguardam da sua pena a obra definitiva sobre esse penoso assunto da Copa de 82. A impressão que se tem, de fato, é que embora o próprio Zico e outros jogadores já tenham superado o assunto há muito tempo, os torcedores (você e eu entre eles) ainda não o fizeram, razão pela qual um livro, ou pelo menos uma grande reportagem sua sobre o tema, poderia constituir saudável exorcismo e catarse. Eu também tenho muitas perguntas a formular, mas certamente não espero que você as responda, por falta de tempo e espaço, e também porque nesse caso não sobraria nada para a sua obra. Não resisto, porém, a formular algumas indagações, mais uma vez, sem a expectativa de que sejam respondidas neste espaço:

    – não faltaram precauções defensivas elementares ao escrete?

    – havia necessidade de Luizinho, Leandro e Júnior apoiarem tanto o ataque, que já tinha tantos homens de criação e gênios como o Zico? “Ora, mas estava no DNA daquela seleção…” Isso não existe. O técnico está lá para isso, razão pela qual creio que a responsabilidade maior foi do “Mestre” Telê Santana (talvez tenha se tornado de fato um mestre posteriormente, inclusive a partir das falhas cometidas em 82, mas à época me parece ter tido a parcela maior de culpa por aquele desempenho decepcionante);

    – não faltou um volante de marcação na reserva de Batista – Andrade me ocorre – para a eventualidade de o mesmo se contundir (como sabemos que aconteceu, após levar o pontapé do Maradona, cuja deslealdade, aliás, é outra razão pela qual jamais será superior a Zico, o qual, ademais, nunca jogou sob o efeito de cocaína e efedrina;

    – com a contusão de Careca, Chulapa era o centro-avante adequado para aquele grupo? Roberto, no banco, não teria sido uma opção mais interessante? Melhor ainda não seria ter convocado Reinaldo (que, embora muitos digam que estava contundido, alega que se encontrava em condições de jogo e atribui sua ausência na Espanha a questões políticas(Fonte: http://copadomundo.uol.com.br/2010/historia-das-copas/1982-espanha/frases/)?;

    – Luisinho, atleta exemplar, mas baixo para zagueiro e franzino, seria nossa melhor escolha, considerando que Mozer, com quase 1,90, habilidoso e que inclusive era capaz de apoiar o ataque, caso Telê assim desejasse, havia acabado de ser campeão do mundo no Japão, com o Flamengo? Para não mencionar a maior afinidade com os laterais com quem estava acostumado a jogar e com Zico, o cérebro do time?

    – e finalmente: houve excesso de confiança? Aquela mentalidade de “bem, com tantos craques em campo ganhamos na hora em que quisermos”?

    Fica aí a minha contribuição para o seu aguardado best-seller sobre um dos maiores grupos de craques jamais reunidos (se era de fato uma seleção, no sentido de unicidade, coesão e harmonia tática é uma outra discussão) na história do futebol mundial.

    Forte abraço!

    Muito obrigado, Santos, por seu encorajamento e sua contribuição.
    Tenho tanto material anotado que será um post trabalhoso e muito longo.
    Livro? Infelizmente não interessaria a muita gente.
    Para mim, foi um período absolutamente inesquecível, que ficará marcado em minha memória e minha carreira. Para a grande maioria, porém, certamente é assunto de um passado remoto.
    Abraço

  • Germano Dei Svaldi Rossetto

    Que lindo trabalho a sua reportagem. Era menino em 1982, gostaria de ter lido a Veja na época. Já era torcedor do Flamengo e fã do Zico.
    Grande privilégio esse do Jornalismo, poder entrevistar pessoas importantes como o Zico.
    Meu sonho é conhecer o Galinho. Um dia desses tiro férias para tentar apertar a mão dele onde ele estiver.
    Muita nostalgia trazem o seu texto e as fotos.
    Parabéns e obrigado.