Image
Execução pública de condenados em Wenzhou, leste da China: onze prisioneiros foram fuzilados (Foto: AFP / Getty Images)y Images

É pura ingenuidade, quando não má-fé, rejubilar-se com as notícias sobre uma suposta reforma “liberal” no duríssimo Código Penal da China — no qual nada menos do que 68 infrações à lei são punidas com pena de morte.

Sim, é certo que setores reformistas — porque eles existem no gigante comunista/capitalista — conseguiram incluir no Código direitos elementares ao acusado existentes em qualquer país civilizado, como o de ter acesso a um advogado em caso de prisão. Também, sabe-se lá como, passou no anteprojeto um dispositivo que exclui da apreciação judicial provas obtidas sob tortura.

O problema é saber se as tímidas mudanças num Código Penal que concede poderes praticamente ilimitados ao regime chinês diante dos cidadãos será aprovado até o final de abril, na sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o imenso Parlamento de 3.000 membros controlado pelo Partido Comunista.

E não é só isso: a ala mais dura do partido inseriu no anteprojeto de revisão um artigo que legaliza a prisão “secreta”, por até seis meses, de pessoas suspeitas de terrorismo ou de atentar contra a segurança do Estado. Essas absurdas detenções, que já vinham ocorrendo contra dissidentes — sempre com base nessas acusações vagas –, são, na prática, sequestros, em que os críticos do regime desaparecem, às vezes para sempre,e, quando não, são levados para locais controlados exclusivamente pela polícia, e não para penitenciárias e centros de detenção do sistema carcerário oficial.

As organizações de direitos humanos protestam, mas os grandes governos, inclusive do Ocidente, quando muito cochicham ponderações aos ouvidos dos governantes chineses.

A economia da China é poderosa demais para que os direitos humanos ali tenham prevalência na agenda da comunidade internacional.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 + nove =

9 Comentários

Eliesner em 09 de junho de 2013

O Problema da pena de morte, é que em casos de erro judiciário, não haverá como reverter a injustiça. Entende-se como "erro", pessoa acusada por homicídio sendo inocente. No Brasil existiu pena de morte, mas o Imperador aboliu uma vez que ocorreu a execução de um inocente, no episódio conhecido como "A Chacina de Macabú". Agora a prisão perpétua seria a saída. Pensem nisso.

JOSE REINALDO VIEIRA em 02 de maio de 2013

Não publicamos comentários escritos em maiúsculas. Favor ler as regras para publicação de comentários no blog, que já repeti centenas de vezes aos leitores amigos, no link http://goo.gl/u3JHm

Marinho em 08 de março de 2012

Precisamos urgentemente de um regime e leis como a chinesa. Hoje estamos atolados em um mar de corrupção e safadeza,precisamos mudar.

Comunista Até a Alma. em 07 de março de 2012

Comunismo não tem mais nada haver com modelo econômico. Brasileiro ainda discute o que o mundo discutia sobre o comunismo na década de 20. É por isso que cada vez mais o Brasil vira comunista e ninguém percebe. O que o comunista quer hoje é se enraizar no poder, esse papo de acabar com propriedade privada ou planificar a economia não nos interessa desde quando o próprio Lênin percebeu que isso é impossível. Nós comunistas gostamos é de poder, poder é muito mais do que dinheiro.

Angelo Losguardi em 07 de março de 2012

O pt sonha com a china, mas na sua versão ao contrário disso gostariam de impunidade "ampla, geral e irrestrita". Exceto pros inimigos do regime. Esses seriam linchados até sem julgamento. Mas isso também aí da china não é bem assim. Esses criminosos que aí são gente sem pedigree. Os ladrões ligados ao partido, gente que tem protetores e amigos, esses roubam adoidado e nada lhes acontece.

Ros em 06 de março de 2012

Não muito longe, aqui, aqui mesmo a execução pública já ocorre a muito tempo,imposta por um código penal ultrapassado que não pune o massacre imposto por marginais das mais diversas clases sociais.Vemos hoje no estado do Rj, inclusive policiais e bombeiros serem encarcerados em presídios comuns por apenas buscarem melhores salários,sendo que aquele que tira uma vida tem direito a prisão domiciliar.Pessoas que estão sendo acusadas sem direito a ampla defesa e contraditório, não sabendo quem o enviou ao carcere ilegal,não sabendo quem autorizou escutas telefônicas para serem anexadas a processos.Assim começa uma ditatura, se os fatos não forem divulgados por veículos de comunicação que não se dobram as vontades de governos.Isso, é aqui mesmo no nosso Brasil.

Esron Vieira em 06 de março de 2012

Não concordo em dar tratamento humanitário à bandidos desumanos. Como dizia meu avô; surte o mesmo efeito de passar manteiga em nariz de gato.

Ismael em 06 de março de 2012

O futuro, caro Setti, é a síntese do presente. Não posso ver um mundo onde a China seja um paradigma. Tenho certeza que, tal como o resto dos países comunistas, as contradições chinesas a levarão à queda do regime e ao fim dessa triste realidade.

Marco em 06 de março de 2012

Amigo Setti: Pois é conversando com um amigo meu q tem negócios na China, não da China. Em Shangai, mais especificamente, o jogo não é contravenção como aqui no Brasil, aliás não sei onde mais é? Ele me disse q na cidade criam-se 1 milionário por dia pela internet, com apostas em jogos. Tbm me disse q a cidade tem menos de 1 % d criminalidade, diferente daqui, pq lá as autoridades incentivam a reação. Abs. PS: Shangai,daqui alguns anos vai virar a capital do futebol,eles estão fazendo oferta para os melhores jogadores do Mundo.

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI