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O novo rei da Arábia Saudita, Salman ibn Abdul Aziz al Saud

Com a morte do rei Abdullah, da Arábia Saudita, aos 90 anos de idade — e quase 10 no trono — seu irmão e sucessor, Salman ibn Abdulaziz al Saud, 79 anos, assegura que seu reinado será “de continuidade”.

Sem a menor dúvida: tal como seu pai, o rei Ibn Saud, que no início do século começou uma série de conquistas de reinados e emiratos da região até criar o país que leva seu nome de família, em 1932, e tal como seus cinco filhos, e meio-irmãos entre si, que o sucederam — Saud, Faisal, Khalid, Fahd e Adbullah –, o novo rei continuará, mesmo.

Continuará a dispor de poderes absolutos sobre os quase 30 milhões de habitantes do país e sobre as colossais reservas nacionais de petróleo (16% das existentes no planeta), continuará a enriquecer a família real à custa da riqueza do país e manterá um regime corrupto, obscurantista e sanguínário– uma das mais ferozes ditaduras do mundo –, como até aqui tem sido a tradição.

Continuará discriminando a humilhando as mulheres, cidadãs de terceira classe, continuará com penas brutais mesmo para crimes leves, continuará mantendo o país sem liberdade de expressão e um contumaz agressor dos direitos humanos.

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O rei Abdullah, que morreu aos 90 anos, vinha tendo problemas de saúde há tempos. Na imagem, ele deixa o hospital depois de uma cirurgia na coluna (Foto: AFP)

Aliado firme dos Estados Unidos no instabilíssimo Oriente Médio, o rei obterá, como fizeram seus irmãos e antecessores, a lealdade da superpotência com suas generosas contribuições à luta antiterrorista, sobretudo contra o chamado “Estado Islâmico”, na qual sua poderosa Força Aérea está firmemente engajada, e com fornecimento de petróleo no total necessário.

Por baixo do pano, cidadãos sauditas, inclusive riquíssimos membros da Família Real, que abrange um total inverossímil de 25 mil príncipes. continuará, aqui e ali, a financiar o terrorismo islâmico em terras alheias, na esperança, que um dia se verá vã, de que o mal não aflija o próprio país de maneira inarredável.

Ou seja, de fato, um regime “de continuidade”.

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7 Comentários

Mme Lagaffe em 30 de janeiro de 2015

Christine Lagarde teve a alucinação de declarar o defunto defensor das mulheres. Merci pour les autres! C’est à désespérer!

JB Figueiredo em 26 de janeiro de 2015

Qual e a alternativa? Estado Islamico? O Iraque e a Libia estão melhores apos a saída de seus ditadores?

carlos nascimento em 24 de janeiro de 2015

E a estória do "crucifixo" do escudo do Clube, vc não vai comentar nada ? O Augusto já disse tudo. Acho que vou republicar meu irmão. É o fim da picada, uma vergonha.

Marcelo em 24 de janeiro de 2015

O responsável do patrocínio ao terror, virou Rei? Salman Saud patrocinava filantropia em nações muçulmanas pobres, como a Somália, Sudão, Bangladesh, Afeganistão e Bosnia. http://www.pbs.org/wnet/wideangle/episodes/the-saudi-question/whos-who-the-house-of-saud/prince-sulayman-ibn-abdul-aziz/2871/ Em novembro de 2002, ao ser questionado sobre essas organizações de caridade, acusadas ​​de terrorismo, Salman Saud afirmou que ele tinha pessoalmente participado nas actividades destas organizações, e acrescentou: "Eu sei que a assistência é para fazer o bem. Mas se há aqueles que mudam algum trabalho de caridade em atividades mal, então não é de responsabilidade do Reino, nem do seu povo, o que ajuda a seus irmãos árabes e muçulmanos ao redor do mundo ". http://www.investigativeproject.org/documents/testimony/22.pdf

carlos nascimento em 24 de janeiro de 2015

Ricardo, Me tire uma dúvida, quem está patrocinando atualmente o seu time, sem ser o Corinthians, falo do Real Madrid ? Até onde sei, amigo Carlos, é a Emirates, companhia de aviação dos Emirados Árabes.

Mariazinha em 24 de janeiro de 2015

Do jeito que a Globo News deu a notícia do passamento do rei Saudita, até parecia que ele foi o responsável por grandes mudanças no país. Falou até em importantes reformas implantadas pelo falecido. Eu só sei que lá na Arábia Maldita as mulheres não podem dirigir o próprio carro sozinhas. São severamente punidas se isso acontecer.

Fernando Duque em 24 de janeiro de 2015

A família real saudita e a nobreza que a bajula vivem nababescamente. Têm seu próprio código de conduta moral. Consomem fartamente as melhores bebidas alcoólicas do mundo, assistem a filmes ocidentais, ouvem músicas ocidentais, andam de Ferrari, Porsche, BMW, Mercedes, tudo o que é violentamente proibido ao resto do povo. Poligamia à vontade, cada príncipe tem seu harém de vinte mulheres, em média. E não contentes, promovem festas suntuosas em clubes prives na Europa. Um vidão levam esses espertalhões. Islã ? Só para o povão.

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