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Amianto: proibido nos países desenvolvidos, e aqui usado até em hospitais

Vindo para a redação de VEJA em São Paulo, passo por uma cena que, em muitos países, mereceria voz de prisão para os protagonistas: um grupo de operários troca o telhado de um edifício público.

O telhado antigo, de amianto, é substituído por outro, de telhas também de amianto. O amianto é um elemento daninho, causador de sérias doenças respiratórias e cancerígeno, banido por lei em dezenas de países do mundo.

E não se trata de um edifício público qualquer: trata-se, justamente, de um centro de saúde — mais especificamente, a Unidade Básica de Saúde Max Perlman, integrante da rede da Prefeitura de São Paulo e situada à rua Jacques Félix, no bairro da Vila Nova Conceição.

Uma lei estadual paulista proibiu o uso do amianto em São Paulo, mas os fabricantes, um lobby poderoso, conseguiram barrá-la na Justiça. Como tudo o mais que transcorre na Justiça, a causa nunca é decidida.

Enquanto isso, por toda parte, o amianto que os países desenvolvidos proíbem cobre telhados de todo tipo de construção, inclusive de escolas e hospitais.

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Carlos E. Ermel em 06 de janeiro de 2011

Como o PVC que é usado em bolsas de sangue, tubos de água potável, brinquedos entre tantos outros e não se tem certeza até hoje se seus componentes podem ou não causar câncer!!

Camada von Ozonio em 03 de dezembro de 2010

HÁ UMA CADEIA "PRODUTIVA" , QUE ENVOLVE, FORNECEDORES, CLIENTES, GOVERNOS , BANCOS , HOSPITAIS E FUNERÁRIAS . ESTA CRÍTICA SÓ GERA DESEMPREGO PARA TODOS OS ENVOLVIDOS.

Lílian em 03 de dezembro de 2010

Setti, uma "curiosa" em busca de resposta. Obrigada! Abraços! Você é uma enciclopédia, cara Lílian! Abraços

Geraldo em 03 de dezembro de 2010

Caro Ricardo Setti, acompanho sempre suas opiniões muito ponderadas, em seu blog. O uso do amianto é sempre polêmico e por atuar na construção civil esse assunto vai e volta. Os fabricantes defendem que existem dois tipos de amianto: o crisotila e o anfibólio, sendo o primeiro utilizado em produtos mais comuns na construção e considerado mais seguro do ponto de vista da saúde humana, o segundo, sim, o mais nocivo. Enfim, é necessário que se esclareça à sociedade sobre os riscos que ela está sujeita. Links correlatos: http://www.mte.gov.br/legislacao/convencoes/cv_162.asp http://www.eternit.com.br/corporativo/amiantocrisotila/index.php?

Carlão em 03 de dezembro de 2010

Ricardo, meu caro Ao menos um dos grandes fabricantes de telhas do Brasil não usa amianto. Não é coisa nova fabricar telhas e outros materiais de fibrocimento sem amianto. Não sei dizer o que muda no processo industrial, porém creio que o maior motivo do amianto ainda ser usado seja o custo de matéria-prima. Aos leitores que não quiserem usar telhas com amianto, uma pesquisa rápida pode indicar fabricantes e revendedores. Posso aproveitar e "comentar o comentário" do José G. Coelho (1:25)? Lobbys são fato. Como consumidores, temos de usar o bom-senso. Em casa, por exemplo, compramos cerveja em casco de vidro, de preferência retornável. Custa menos e "defende o meio ambiente". Não sei se a água potável vai acabar, mas acho que usar água tratada para mandar meus dejetos embora é um desperdício. Ambiente á parte, água custa dinheiro. Um engenheiro meu amigo fez as contas: um sistema de calhas, uma cisterna, uma caixa d'água extra e uma pequena bomba para elevação se pagam em um ano, considerando uma família de quatro pessoas. Essa água pode ser usada tranquilamente em descargas, rega de jardins, lavagem de carros, áreas internas e externas. Nada de primitivismos bocós, apenas otimização de recursos. Abração do Carlão

José Geraldo Coelho em 03 de dezembro de 2010

Existe um lobby poderoso em defesa do amianto. E existe um lobby mais poderoso ainda em defesa de resinas para substituir o amianto. É preciso entender que são vários tipos de amianto. Um deles, de mina localizada em Goiás, não produz os efeitos danosos à saude, divulgados pelos lobby's das resinas plásticas. Assim como o poderoso lobby dos sacos plásticos biodegradáveis faz campanha contra os não degradáveis. Via de regra, governantes e legisladores em todos os níveis, participam de empresas que defendem esses produtos tornando a briga ferrenha e nós consumidores as vezes somos acusados publicamente de poluidores e inimigos do meio ambiente. Um outro exemplo é o da garrafa pet e das embalagens longa-vida. Colegas seus, alguns de importância nacional, são mestres nessa causa que chega aos limites do terrorismo. Alguns dizem e tentam provar que há disperdício de água em descargas de privada e que a água potável vai acabar. Pasmem. Por eles estariamos usando privadas de buraco até hoje, ou então defecando em baldes e atirando nas ruas, como na idade média. A defesa de teorias fabricadas, não comprovadas e por interesses econômicos não podem ser mote de jornalistas, defensores do meio ambiente e políticos merecendo tratamento mais científico, e não serem usados para aterrorisar o povo.

Marcus(MG) em 02 de dezembro de 2010

O amianto depois de manufaturado(telhas,caixa d'água e etc...)não é tóxico,o problema é na extração e fabricação que é realmente danoso ao ser humano,mas como há relação de oferta e demanda nesta cadeia produtiva se o consumo existir a parte prejudicial coexiste!

Lílian em 02 de dezembro de 2010

Setti, No Brasil a exploração do amianto foi proibida em quatro estados conforme esta reportagem, http://www.youtube.com/watch?v=Yie5-02czjo Uma empresa de Amianto trabalha conforme normas internacionais. http://www.youtube.com/watch?v=XzyfNNSh1HM Dois vídeos com opiniões contrárias. Abraços! Lilian, muito obrigado. Você é um verdadeiro banco de dados. Que maravilha! Abraços

Marco em 02 de dezembro de 2010

Caro R. Setti: Pois é, então temos aqui uma economia de bondade, uma falta de benevolência das coisas raras. Abs.

Antônio Simões em 02 de dezembro de 2010

Caro Setti,o amianto realmente possui um lobby poderoso,exatamente por esse mineral ser utilizado em áreas importantes da indústria: na construção(telhas,azulejos,cimento mesclado com asbesto,etc);em automóveis(freios,componentes da transmissão);na indústria-têxtil(trajes anti-fogo e de isolamento térmico) e equipamentos de proteção individual.E acrescentando,o amianto também possui um baixo custo de exploração e é bastante abundante na natureza.Mais de 110 nações já o proibiram,e aqui no Brasil sofre rígidas restrições,mas,acredito que esse material deveria ser proibido,pois sua periculosidade já foi constatada desde os anos 30: ele é um causador de uma das formas mais devastadoras e letais de câncer:o pulmonar.Um abraço Setti.¡Adiós!

Ronaldo em 02 de dezembro de 2010

O mesmo vale para o PVC. Chamado no exterior de poison plastic. http://www.chej.org/BESAFE/pvc/index.htm

Altamiro Martins em 02 de dezembro de 2010

Dia desses vi, não me lembro se na TV Câmara ou na TV Senado, uma entrevista em que um dos parlamentares presentes fazia uma defesa feroz do amianto. Se ele próprio não for um empresário do setor, deve ser um dos tantos que engrossam o lobby. Falando nisso, Setti, é seu irmão um jornalista de nome Carlos Augusto Setti, da TV Senado? Notei, além do sobrenome, semelhança física. O lobby do amianto é fortíssimo, caro Altamiro. Coisas do Brasil. Sim, o Carlos Augusto Setti é meu irmão número 4. Ele é funcionário CONCURSADO da TV Senado há mais de 10 anos. É um excelente jornalista que já trabalhou, entre outros lugares, no Jornal de Brasília, no Correio Braziliense e na TV Cultura, em Brasília e em São Paulo. Durante mais de 10 anos, foi professor da Universidade de Brasília, onde se formou e fez pós-graduações. Abraços

jefferson em 02 de dezembro de 2010

O deputado Marcos Martim PT de SP ja apresentou uma lei para o banimento do amianto no estado de são paulo, porem o deputado Waldir Agnello PTB de SP (da base de sustentação do governo tucano em são paulo) é contra.

JT em 02 de dezembro de 2010

As telhas de amianto estão proibidas ao menos na cidade de Paulínia-SP, onde atuo como arquiteto. Para se aprovar um projeto por aqui, caso o memorial descritivo mencione a cobertura de telhas de fibrocimento, deve ser salientado que as mesmas serão livres de amianto. Logicamente que a fiscalização da execução praticamente não existe para este item. Um dos maiores exportadores de amianto do mundo é o Canadá. Neste país, o uso de amianto é proibido localmente, mas a extração da matéria prima é permitida. Os maiores compradores são países africanos, que o manipulam em péssimas condições de trabalho. O risco maior está justamente na produção e manipulação de telhas e outros componentes que usam amianto (caixas de água, painéis de vedação, entre outrors), seja na fábrica, seja na obra, por causa da poeira altamente danosa. Após a instalação, o risco à saúde diminui consideravelmente, mas ainda existe.

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