A entrevista com Gore Vidal no hotel Cá d’Oro, em São Paulo – leia aqui -, foi uma missão típica de jornal diário, pela qual eu tanto ansiava quando me juntei ao Jornal do Brasil em São Paulo a convite de Augusto Nunes, em agosto de 1986.

Augusto combinou a entrevista com Luiz Schwarcz, dono da então editora de Vidal no Brasil, a Companhia das Letras, e ao chegar à sucursal numa sexta-feira, no final da manhã, me avisou:

— Setti, na segunda-feira você tem uma entrevista marcada com o Gore Vidal.

Eu tinha alguma familiaridade com o autor de Myra Breckinridge, Criação, Juliano ou Lincoln, mas passei o fim de semana mergulhado em pesquisas sobre sua biografia e lendo, com anotações, sua excelente coletânea de ensaios publicada no Brasil como De Fato e de Ficção (Companhia das Letras, 1987, 318 páginas).

Segui para a entrevista, portanto, preparado.

Eu não estava preparado é para a franqueza do grande escritor que, a certa altura da conversa, pediu licença para gravar um rápido depoimento já combinado com a TV Cultura, no saguão do hotel. Gore Vidal, um homem grande, imponente, me disse sem qualquer constrangimento:

— Você pode continuar gravando comigo na escadaria. Eu vou descer por ela até o térreo porque morro de medo de elevador.

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