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Brizola e Lula na campanha presidencial de 1989

Nas eleições de 1989, um deles (Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e candidato do PT à Presidência), era o “sapo barbudo”, difícil de engolir. O outro (Leonel Brizola, fundador e candidato do PDT à Presidência) “pisaria no pescoço da própria mãe” para ser presidente, segundo o adversário — sendo ambos igualmente adversários do candidato que finalmente venceria, Fernando Collor (PRN).

Hostilizando-se em 1989 e ainda em 1994, quando de novo concorreram à Presidência – e perderam para Fernando Henrique Cardoso (PSDB) –, Lula e Brizola acabariam se unindo como candidatos em 1998, um na cabeça de chapa, o outro como vice, para enfrentar FHC em sua busca, bem sucedida, da reeleição.

Novamente separados, eles foram oscilando entre o silêncio, mútuas gentilezas ou troca de  caneladas pela vida afora até a morte de Brizola, em 2004, aos 82 anos.

Na próxima quinta-feira, dia 25, essas duas figuras da história contemporânea se encontrarão simbolicamente, quando Lula vai inaugurar o Centro de Referência do Trabalhador, em Brasília, que levará o nome do velho aliado e adversário.

O centro, idealizado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), terá biblioteca, museu, espaços para mostras temporárias e uma mostra permanente sobre a história do trabalho e dos trabalhadores no país.

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Carolina Setti em 22 de novembro de 2010

as coligações políticas sempre existiram e sempre existirão... neste caso, creio que se fossem quaisquer outros adversários tal fato também poderia acontecer...

Alvaro em 21 de novembro de 2010

Está aí um símbolo da promiscuidade política.

Sérgio Luiz Lacerda em 18 de novembro de 2010

É tudo assim mesmo, caro primo e amigo Ricardo. O Brasil não faz história, registra fatos, mesmo valendo-se de bibliotecas, museus e de todo aparato que tem direito.

JT em 18 de novembro de 2010

Setti, No post abaixo (“Dilma: a tortura julgada, a anistia sangrada”) o texto termina com os seguintes caracteres: "<br %" que equivalem à códigos de programação HTML incompletos. Talvez isto esteja na origem de problemas técnicos em seu blog. Pelo menos no meu computador não consigo comentar no próprio post e, a partir dele, todos os textos ficaram em itálico. JT Estou fora da redação de VEJA, trabalhando em Brasília com meu notebook. Vou avisar o pessoal de São Paulo para tentar corrigir isso. Peço desculpas, por um lado, e agradeço sua gentileza em me avisar, de outro. Abraços

Altamiro Martins em 18 de novembro de 2010

Brizola faz falta... A política precisa de personagens performáticas, histriônicas, como o Brizola. Do contrário, tudo fica muito chato! Não equiparo o Brizola ao Jânio -- outro gênio performático -- e a outros histriões menos votados. Apenas reconheço em Brizola o talento genuíno para o espetáculo, embora saiba que o Brizola teve importância muito maior, para muito além da sua própria verve. Ele não pode (e não deve), na pior das hipóteses, ser reduzido à sua própria caricatura. A caricatura existe (caricaturas surgem de protagonistas), mas não esgota a personagem.

Mauricio em 18 de novembro de 2010

Em política, adversários e aliados são relativos. Analise: quem diria o José Serra, que foi exilado (ou se exilou) durante o período militar estar aliado com pessoas que pertenciam à antiga ARENA? E o Plínio, outrora petista, apoiando o Serra no segundo turno? Sem contar que FHC e Lula já estiveram do mesmo lado, quando se opunham à ditadura... coisas da vida, Ricardo! Aliás, até na vida particular: quantos outrora amigos são hoje personas non grata e vice-versa? Aliás, teve até corintiano que já torceu pelo São Paulo (em um jogo do amado tricolor contra o juventus), onde o Grafitte (jogador do São Paulo) foi hostilizado pela torcida do... SÃO PAULO... por ter feito dois gols, permitindo que o Corinthians permanecesse na primeira divisão do Campeonato Paulista! (adoro citar essa passagem). Abraços.

Álvaro Henrique Rodrigues em 17 de novembro de 2010

Como disse o grande filosofo de botequim, herói da nossa pátria que intenciona pintar de vermelho. ”Política não adianta mexer, deixa que as coisas vão se arranjando.”

gaúcha indignada em 17 de novembro de 2010

Este partido (PT) faz coligações impossíveis e inacreditáveis!!!

Amauri em 17 de novembro de 2010

Incrível o avesso do avesso do avesso do avesso da política praticada pelo lula, não? É tão concreta a ironia... Veremos um dia onde surgirá o Centro Dinda de Cultura. Quem sabe a dilma não o construa?

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