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Petit no ar, ao som de Satie: pura poesia

Por Daniel Setti

Na semana em que os atentados de 11 de Setembro completam 10 anos, o Música no Blog não passa batido pela data, trazendo a este espaço alguns dos momentos em que a tragédia de Nova York esbarrou no mundo da música. A relação completa você pode conferir a partir de sexta-feira no blog Lá Vem o Mala da Lista.

Em agosto de 1974, o World Trade Center sofreu o seu primeiro atentado. Por sorte, nada parecido com o que seria a explosão de 1993, responsável pela morte de sete pessoas, muito menos os ataques de 2001, que matariam quase 3 mil, destruiriam as torres gêmeas e mudariam o mundo. O atentado em questão se deu, tecnicamente, contra o aparato de segurança do WTC; filosoficamente, foi a favor da arte e da rebeldia indomável de um gênio do equilibrismo completamente maluco, o francês Phillipe Petit.

Obcecado com a ideia de cruzar os dois então novos edifícios da maneira mais difícil já imaginada – pelo ar, andando sobre um fio de aço esticado e carregando um bastão para ajudá-lo a não se espatifar no chão lá embaixo –, Petit convocou uma rede de amigos para lhe ajudar em um plano mirabolante: burlar o forte esquema de proteção das torres para conseguir praticar sua manobra, a mais de 400 metros do chão.

O sublime documentário Man on Wire (2008), do inglês James Marsh, investiga os bastidores do “assalto” de Petit desde que começou a ser planejado até a inacreditável execução final do equilibrista.

É difícil uma imagem ficar ainda mais impressionante e bela do que o gênio “flutuando no ar” de Nova York sobre os transeuntes, que lá de baixo esfregam os olhos diante do que pensam não ver. Mas a inserção da trilha sonora do documentário torna tudo ainda mais emocionante.

A maioria das composições que acompanham as cenas do filme – premiado com o Oscar de Melhor documentário em 2009 – são do músico inglês Michael Nyman, colega de Steve Reich em experimentos modernos e fiel escudeiro do diretor galês Peter Greenaway, com quem sempre colabora.

O ponto máximo do documentário, porém, traz música do mestre francês Erik Satie (1866-1925), um dos principais nomes da música erudita moderna e precursor do minimalismo de Reich e Nyman. Na interpretação do pianista Pascal Rogé, também francês, o número 1 de suas 3  peças “ Gymnopédies” (1888) soa não só como o background perfeito para a maluquice maravilhosa de Petit, mas também como um bonito pré-réquiem em homenagem às torres. Imperdível.

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7 Comentários

Kitty em 12 de setembro de 2011

Caro Daniel( en español diríamos: huelgan las palabras, es pura emoción!!!) Uma façanha incrível e com um fundo musical de tirar o fôlego, podemos dizer que foram realmente momentos mágicos...quase sublimes!!!! Ricardo sei que está perto, pelo tanto, felicitaciones a los dos y un fuerte abrazo,juntos son un portento!!!!/Kitty

silvia em 10 de setembro de 2011

Essa música do Erik Satie já esteve no maravilhoso "Trinta anos esta noite", filme de Louis Malle

Markito-PI em 08 de setembro de 2011

Deixo um pouco Setti senior de lado, para dirigir-me a Daniel. Garoto. V. surpreende-me , agradavelmente, cada vez que leio teus textos e a qualidade da musica que V. nos propõe.Nem deveria surpreender-me, posto que filho de Ricardo e Ex-ESPM, só poderia dar nisso. Obrigado,Daniel. V. trouxe-me de volta o querido Satie,que eu deixara quase esquecido aqui no meu cantinho piauiense. Encheu-me a alma. Junto com teu texto brilhante. Abçs MV Muitíssimo obrigado, caro Markito (ou devo dizer Marcão?). Sempre que puder vou tentar tirar alguém que valha de "cantinhos quase esquecidos". Abração Daniel

sidney em 08 de setembro de 2011

Setti Dificil nao nos emocionar-mos neee !!! Obrigado por lembrar/mostrar !!! Abracos

Paulo Bento Bandarra em 08 de setembro de 2011

Caro Setti, acho que você não deveria dar ouvidos para vermes que saem as vezes do esgoto. Existe uma linha de desinfetantes que se compra no supermercado ou em armazens que se chama VEJA, e que extermina todos eles. Pouparia aos seus leitores do mau odor e a você. É uma sugestão. Abraços

Paulo Bento Bandarra em 08 de setembro de 2011

A Justiça do Distrito Federal condenou seis empresas a devolver aos cofres públicos R$ 240,8 milhões por contratos firmados sem licitação no esquema que originou o mensalão do DEM, enquanto o Mensalão do Lula continua sendo tudo empurrando com a barriga. Uma vergonha o STF. Não é por nada que os políticos escolhem serem julgados lá. A garantia de prescrever ou não verem nada.

Marco em 08 de setembro de 2011

Amigo Setti: Daniel, Agora tu pegou meu ponto fraco, sinto vestigio da sacada do meu prédio no 3 andar,não gosto nem de um golpe de vista, o q ele fez para mim, esse enorme caminho percorrido, é milagre! Abs. Também não sou bom nas alturas, Marco. Por estas e por outras acho ainda mais espetacular o que este doido fez. Abraço Daniel

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