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O professor “mói” os livros e os pedaços resultantes são “introduzidos”, com máquinas, diretamente no cérebro dos alunos: assim o francês Villemard via o Ano 2000 (Reporduções: Tom Wigley)

A capacidade do ser humano exercitar a imaginação quando se trata de antever o futuro é fascinante. Agora mesmo, em pleno 2013, uma das melhores séries de TV, a inglesa Black Mirror, deixa os telespectadores embasbacados com suas previsões frequentemente sombrias e sempre “fora da casinha”, ainda que muito coerentes com as realidades tecnológicas e morais que experimentamos no presente.

Mais interessante ainda pode ser voltar atrás e rever como nossos antepassados imaginaram o que vivemos em nossa era. Um ótimo exemplo é o trabalho do artista francês relativamente obscuro Villemard. Em cartões postais que datam da primeira década do século passado, ele apresentava ilustrações do que imaginava para o então mí(s)tico Ano 2000.

Como é de se esperar quando analisamos em retrospectivas quaisquer manifestações de futurismo de épocas passadas, há na obra de Villemard algumas projeções bem engraçadas (a começar porque ele se esqueceu de “futurizar” as roupas e penteados).

Mas mesmo estas nos fazem pensar por sua simbologia. Vejam os dois cartões que abrem este post, o que mostra um professor moendo livros e “insertando” os frangalhos diretamente na cabeça dos alunos – com a ajuda de máquinas. Daí se podem extrair interessantes (e atuais) metáforas sobre as tecnologias de transmissão de conhecimento destes tempos.

Ao mesmo tempo, Villemard chegou perto ao imaginar, entre outras coisas, o arquiteto que tritura os livros em uma máquina inteligente cuja função se resumia a erguer, sozinha, a construção. Não é exatamente assim que funciona hoje, mas a intenção de expressar a sofisticação na automação a que chegaríamos – e chegamos – se mostraria uma bola dentro. Como também foi o caso das videoconferências, esboçadas em outros de seus trabalhos.

Apreciem mais deste material enviado pelo caro leitor Ronaldo:

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Quem precisa de pedreiros? Segundo a imaginação de Villemard, no futuro bastaria apenas as informações dos livros para, uma vez processadas em máquinas, resultarem em construções
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Obcecado por máquinas voadoras – então em estágio bastante embrionário – , o artista projetou o “cliente-aviador”, o “navio-zepelim” e, aí sim acertando em cheio, os helicópteros de vigia

 

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As metrópoles, segundo Villemard, se estenderiam pelas alturas com modernos sistemas de transporte.  Dito e feito…
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… como se confirmaram também as tecnologias para comunicação envolvendo áudio e vídeo
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Os veículos de guerra eram outro item que inquietava o francês…
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… bem como as novas formas de lazer, como estes superpatins a vapor

 

 

 

 

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7 Comentários

Cau Marques em 31 de outubro de 2013

Puro Julio Verne!Genial!

wilson em 27 de outubro de 2013

E da insatisfação que nasce o progresso, o bom é inimigo do ótimo.

arilson sartorato em 27 de outubro de 2013

Sensacional,me lembrou o artista citado, com Julio Verne e Da Vinci.

José Figueredo em 26 de outubro de 2013

Caro Setti:Todos os visionários malucos que habitaram e habitam este planeta,de alguma forma transformaram ou influenciaram o mundo a buscar dispositivos e geringonças que ajudassem o homem a resolver trabalhos repetitivos,altamente cansativos e enfadonhos.Na área mecânica, metalúrgica,idráulica e elétrica os avanços foram gigantescos e hoje ninguém mais faz força,(nem para brigar,hehehe).Com os Centros de Usinagem e tornos comandados por computador que elaboram até o projeto: É só os humanos programarem e alimentarem com materiais adequados à cada serviço e se tem peças de todo porte com rapidez e precisão "SUÍÇA".Trocar pneu em 4 segundos na F1 é um exemplo do avanço das geringonças mirabolantes das cabeças coroadas dos lunáticos.Fora o resto.

Santos em 26 de outubro de 2013

A primeira gravura fez-me imaginar que essa seria a única maneira da presidente e o padrinho aprenderem alguma coisa que não fosse ficar encontrando maneiras de enganar os mais pobres de conhecimento. Como não é possível moer livros e injetar o conteúdo na cabeça de alguém, vamos mesmo ter que aguentar a presidente e p padrinho. Pobre Brasil!!!

Marco em 26 de outubro de 2013

D. Setti, é através dessas imaginações q se acaba fazendo descobertas. Abs.

Alexandre em 26 de outubro de 2013

Peço licença ao estimado Setti. Quando eu era criança o Brasil com paz e agora um país doente. Hoje, tenho 34 anos, mas me lembro com muito saudosismo da minha infância. Nasci, em 1979, quando o general Figueiredo assumia seu mandato, em substiuição ao general Geisel. Nasci, portanto, durante uma ditadura. Apesar da “falta” de liberdade, lembro-me como cresci com segurança. Éramos um país pobre, subdesenvolvido e desigual, porém com uma população extremamente feliz. Os mais humildes trabalhavam por prazer e, sempre, muito dedicados em suas atividades laborativas. Éramos um país em que a palavra bastava. Um acordo de cavalheiros já se valia como um contrato. Existia o respeito entre pessoas. Apesar da fama das drogas, eu cresci descalço na rua, convivendo com vizinhos muito pobres. Soltei pipa. Joguei bolinha de gude. Na rua, brincava de pega-pega. Em minha escola, católica, sentava-mos todos, em fila, de frente para a bandeira, logo cedo, para cantar o hino nacional. Lembro-me, como se fosse hoje, daquela imagem lá no alto com suas palavras “ordem e progresso”. Não sei o porque, mas aos seis anos, sentia-me orgulhoso em ser brasileiro. Vivia-mos em um país com pessoas alegres, festivas, amigas, carinhosas, educadas e respeitosas. Cresci. Hoje sou médico, mas, agora, pego-me com vergonha de ser brasileiro. Quando olho a bandeira, troco pela “desordem e regresso” mesmo sendo no meu inconsciente. Nossa sociedade, em 30 anos, apesar de números estatísticos melhores, na minha opinião empobreceu. Enriquecemos em PIB, em empregos, em salários, em moradia, em serviços,em melhora da desigualdade, em diminuição da fome, mas empobrecemos em cultura, em educação, em ordem, em respeito, em justiça, em instiuições, em segurança, em religiosidade e torna-mos uma sociedade ansiosa, agitada, agressiva e DOENTE!!!! Hoje eu queria de volta nosso antigo Brasil, sem ditadura, CLARO!! para nossos filhos!!! Alexandre Barbosa Andrade Médico e Professor de Clínica Médica da Universidade Federal de Ouro Preto.

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