O grande jornalista Castelinho e a cara de paisagem de Jânio Quadros

Avenida Paulista, na década de 80 (Foto: Irmo Celso)

Avenida Paulista, na década de 80 (Foto: Irmo Celso)

Maio de 1989. Manhã ensolarada, algo fria, mas bonita em São Paulo. Oito horas e pouco, eu entro na então moderna, grande – e, àquela altura, vazia – redação da sucursal paulista do infelizmente falecido Jornal do Brasil, no 15º andar de um também moderno edifício defronte ao prédio-pirâmide da Federação das Indústrias, na Avenida Paulista.

Eu era diretor do JB em São Paulo, naquele período esplêndido em que o jornal, sob a direção do jornalista Marcos Sá Corrêa e com uma equipe espetacular, estava no auge de seu prestígio. Tinha enorme prazer com o trabalho que a equipe paulista fazia e gostava de chegar cedo, se possível antes de todo mundo, para ler os jornais e tentar planejar o dia que teria pela frente.

DEDILHANDO A MÁQUINA DE ESCREVER — Entro, e só ouço o zzz do ar condicionado – mas, ao fundo, se fazia ouvir também um barulhinho de máquina de escrever:

— Plec, plec, plec…

O JB está prestes a se informatizar, mas sólidas, pesadonas Olivetti ainda são dedilhadas pelos jornalistas. No caso, dedos ilustres: trata-se de Carlos Castello Branco, o Castelinho.

Sim, o maior jornalista político do país, modelo de profissionalismo e ética, dotado além do mais de texto límpido, cristalino, irretocável, lá estava, quietinho, redigindo sua célebre e indispensável Coluna do Castello para o dia seguinte antes de ir para o aeroporto tomar o avião de volta a Brasília, onde vivia desde 1961.

O jornalista político Castelinho, em 1980 (Foto:  Salomon Cytrynowicz)

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17 Comentários

  • Ana Carol

    O GOVERNO LULA FOI O MAIS CORRUPTO, MAS JA ESTAO TRAÇANDO ESTRATEGIA PARA DIZER QUE FOI O DO PSDB

    Na reta final, Minas se torna o “QG” das campanhas nacionais
    Tucanos apostam na força dos vitoriosos e petistas querem pôr corrupção em debate
    Publicado no Jornal OTEMPO em 13/10/2010Avalie esta notícia » 246810RODRIGO FREITAS
    NotíciaComentários(2)CompartilheMais notíciasAA

    Galeria de fotos
    Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, está vendo sua importância crescer na reta final das eleições. Neste segundo turno, aliados dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) apostam todas as suas fichas no Estado, por sua localização estratégica e por suas características socioeconômicas.

    Amanhã, Serra vem a Belo Horizonte e participa de um ato político que envolverá lideranças de todo o Estado. Oficialmente, os tucanos asseguram a presença de 200 prefeitos do interior. Mas, nos bastidores, os dirigentes do PSDB de Minas, para demonstrar força política, tentarão garantir a participação de 400 prefeitos.

    Serra conta, no Estado, com a força política dos eleitos senadores Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS) e do governador reeleito no primeiro turno Antonio Anastasia (PSDB). A ideia é que o presidenciável “cole” nos três vitoriosos nas urnas.

    “Queremos replicar um modelo que deu muito certo aqui na reeleição do Anastasia, quando tivemos uma grande mobilização. Vamos aproveitar o máximo desse mesmo apoio em favor do Serra. Então, esperamos fazer um grande evento de mobilização”, afirma o secretário geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro.

    A partir do encontro de amanhã, os tucanos vão traçar um roteiro de viagens a ser cumprido por Aécio às cidades-polo do Estado. Itamar e Anastasia poderão acompanhá-lo em alguns locais. O ex-governador também deve fazer viagens aos Estados de Goiás, Piauí e Rio Grande do Sul.

    Visita. No PT, uma discussão levantada pelos mineiros vai ganhar corpo nos próximos dias. O presidente estadual do partido, deputado Reginaldo Lopes, defende que a corrupção seja discutida no horário eleitoral gratuito. O assunto vai ser debatido amanhã pelos petistas, com a presença do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que vem à capital mineira para acertar os rumos da campanha de Dilma no Estado.

    A intenção dos petistas é estabelecer uma relação de contradição entre a corrupção e desenvolvimento do país. O tema, segundo o dirigente, foi proposto por ele a Alexandre Padilha.

    “O grande mal da corrupção é que ela inibe o crescimento do país. Por que o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não avançou? É porque teve corrupção. Quem mais deixou a Polícia Federal investigar, o Tribunal de Contas investigar fomos nós. Padilha disse que isso está sendo avaliado pela coordenação”, destacou Reginaldo Lopes.

    Transferências
    Táticas. Para ajudar José Serra em Minas, o PSDB conta com sua força política obtida depois do primeiro turno. Já o PT quer transferir ainda mais para Dilma Rousseff a popularidade do presidente Lula no Estado.

  • Refer

    Há muito tempo li que Carlos Castello Branco passou a ser chamado de Castellinho quando ele foi trabalhar como secretário de imprensa, ou algo assim, de Humberto Castello Branco. Isso é verdade? Os jornalistas quando queriam se referir a um ou ao outro diziam ‘Castellinho’ e ‘Castellão’.

    Não, caro Refer, o Castelinho nunca trabalhou para o regime militar. Ele teve breve passagem pela Secretaria de Imprensa do presidente Jânio Quadros, como relato no post. Um abraço.

  • Markito-Pi

    Que delícia,grande Setti.
    Texto agradabilíssimo sobre personagens idem( vistos de agora, claro.)
    Como V. relembrou a Olivetti, chamo atenção para o telefoninho vermelho, ao lado do Castello.
    Vá dizer isso para os jovens que nasceram naquele ano. A resposta deles, será divertidíssima e real: “Pô, meu. isso foi no século passado”

  • Celinha/Marília-SP

    Caro Setti, que delícia essas memórias. Viajei no tempo. Primeiro, lembrei da redação do saudoso “Correio de Marília” com suas barulhentas máquinas de escrever e as linotipos que exalavam aquele odor terrível de chumbo derretido. Depois, recordei de uma entrevista que fiz com Jânio, numa fazenda em Marília: antes que eu soltasse a primeira pergunta,tratou de chamar a mulher, dona Eloá, que o acompanhava, para pedir um copo de leite. Detalhe: ele estava, visivelmente, encharcado àquele hora da tarde…rs

    Ahahahahahah, que ótima história, cara Celinha.

    Desculpe pela demora na resposta. Agradeço a visita e o comentário.

    E volte sempre, hein?

    Um abração do

    SETTI

  • Marco

    Caro R. Setti: Gosto de jornalista q trabalha por realização, parece ser esse o o caso !
    Abs.

  • Marco

    Caro R. Setti: Aqui no Sul, todos os bons escritores não são jornalistas, tem outras profissões, pode se socorrer do Augusto q ele conhece a aldeia, cito alguns q tem enorme projeção regional: Paulo Sant’ana,Marta Medeiros e dois esportivos muito bom, Ruy Osterman e Claudio Cabral. Mas tem um q é o maior frasista q conheço e ainda tem uma grande influência no esporte do Inter e na política Local. Queria saber a tua opinião sobre IBSEN VALL PINHEIRO. Não precisa ser hoje quando for possível.
    Abs.

  • SergioD

    Ricardo, comecei a Carlos Castello Branco quando passei a ler o JB, em 1977, no que permaneci fiel até 2003, quando o jornal já com problemas de estrutura tinha problemas para entregar minha assinatura no bairro que passei a residir.
    Mas comecei a ler Castelo num livro, não em sua coluna. Antes dele lançar a série os Militares no Poder, que aconselho para qualquer pessoa que queira entender como se faz política nesse país, principalmente naqueles tempos turbulentos, ele lançou um livro menor de título 1964: A Agonia do Poder Civil. O livro, se é que me lembro, se inicia o seu relato com a implantação do Parlamentarismo e com o Primeiro Gabinete, o de Tancredo Neves. Lendo Castelo em seus livros, e, posteriormente no JB, deu para aprender a maneira as vezes matreira, as vezes desonesta e muitas vezes truculenta de se fazer política em nossa Terra Brasilis.
    Trabalhei durante anos com um sobrinho do Castello, filho de um seu irmão, ou irmã, não me lembro pois esse amigo se aposentou a 12 anos. O que achava interessante de seus relatos sobre o tio, que ouvia com grande prazer, era a capacidade de Castello escrever a sua coluna enquanto conversava com as pessoas. Isso ficou gravado em minha memória. Um abraço
    PS: A cobertura das eleições de 89 pelo JB foi muito boa. Adorava as colunas do Ricardo Noblat. Hoje, como discordo dele em seu Blog no Globo, onde também participo com alguma frequência.

    Que interessante! Legal você ter essas lembranças do Castello, que foi um mestre para mim. Aprendi muito com o principal “discípulo” dele, que era o segu segundo na Coluna do Castello e depois viria a dirigir a sucursal do Estadão em Brasília, onde eu trabalhava: o grande jornalista Evandro Carlos de Andrade, mais tarde responsável pela modernização de O Globo e que, ao assumir a Central Globo de Jornalismo em 1995, conferiu maior credibilidade ao jornalismo da emissora. Infelizmente ele morreu, muito antes do tempo.

    Eu estava como diretor da sucursal do JB em São Paulo em 1989 e, a certa altura, além de nós da sucursal cobrirmos cinco candidatos paulistas — Lula, Covas, dr. Ulysses, Maluf e Afif –, a direção do jornal me encarregou de cobrir pessoalmente a campanha de… Collor. Foiuma aventura e tanto, e vou contar aqui no blog. Zuenir Ventura cobriu Lula e Etevaldo Teixeira, hoje titular de uma empresa de comunicação, foi encarregado de Brizola. Como o JB queria mesmo inovar, o crítico literário Wilson Coutinho fez a cobertura do Covas.

    Tempos bons, inesquecíveis, com o JB sob a direção do extraordinário jornalista Marcos Sá Corrêa. O Noblat, que dirigia a sucursal de Brasília, foi afastado nos primórdios da campanha eleitoral. Quando passei a cobrir o Collor, na fase final do primeiro turno, além de viajar acompanhando-o, estive várias vezes em Brasília e o diretor da sucursal já era o Etevaldo.

  • SergioD

    Ricardo, por favor, comi uma palavra no comentário anterior. Leia o início assim:
    Ricardo, comecei a conhecer Carlos Castello Branco quando passei a ler o….
    Obrigado

  • SergioD

    Ricardo, permita discordar, mas acho que o Noblat foi afastado já no início do Governo Collor. Ficamos com a impressão de alguma pressão sobre o jornal uma vez que ele descia o porrete no candidato colorido. Um abraço.

    Não foi, não, meu caro. Eu estava lá. Participava das tomadas de decisões e discussões sobre o jornal. Tenho a mais absoluta certeza disso.

  • SergioD

    Ricardo, o link abaixo, do blog do Noblat, transcreve a sua última coluna no JB, em 22/12/1989. Era a coluna Coisas da Política, que mais tarde passou para a Dora Kramer. Talvez ele tenha permanecido como colunista, não como chefe de sucursal, não? Eu me lembro bem desses fatos. Mas você estava lá.
    Um abraço
    http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/22/lula-piscou-primeiro-22-12-1989-251649.asp

    Agora você me pegou, e pegou bem, caro Sergio. O Noblat realmente continuou com uma coluna na “Op-Ed page” do JB, com um desenho a bico de pena de seu rosto. Era um quadrado do lado direito da página de editoriais. Mas ele deixou o comando da sucursal bem antes, e não escrevia nas dependências dela.

    Naquela época, eu escrevia na mesma página, toda terça-feira.

    Você tem todo o jeito de ser jornalista, né?

    Essa história de confiar só na memória… Ainda bem que, quando escrevo posts sobre o passado, eu consulto minhas anotações e meu extenso arquivo — digital e físico.

    Abração

  • SergioD

    Ricardo, você lembrou uma coisa curiosa que tinha me esquecido. O detalhe do desenho do rosto do Noblat. Acho que a partir de uma determinada data o JB passou a usar o desenho para ilustrar os textos de seus colunistas. Me lembrei do desenho do saudoso João Saldanha em que ele equilibrava uma bola no nariz. Quanto a minha profissão, nada mais longe do jornalismo. Sou um engenheiro que adora história. Como um antigo professor de história, ainda no científico, dizia: leia os jornais, eles contam a história UP TO DATE (minha turma do vestibular de engenharia de 75 foi a primeira que teve provas de História, Geografia, OSPB e Biologia. Até o ano anterior a galera só fazia Português, Inglês, Física, Química e Matemática). É o que faço até hoje, preferindo sempre a mídia impressa. Tenho uma filha formada em jornalismo (os textos dela são excelentes, desde a adolescência) mas passou a trabalhar com marketing. Pena. Um abraço.

    Obrigado por sua visita e pelo comentário. Volte sempre, caro SergioD.
    Abração

  • Edú

    O Castelo e José Aparecido prometiam revelar os meandros da renúncia presidencial quando Jânio não estivesse mais vivo para não evitar embaraça-lo.A sorte,porém, não favoreceu a iniciativa

  • Edú

    #

    O Castelo e José Aparecido prometiam revelar os meandros da renúncia presidencial quando Jânio não estivesse mais vivo para evitar embaraça-lo.A sorte,porém, não favoreceu a iniciativa

  • Catiane

    Se fosse hoje, a pergunta de Jânio seria:
    – E quem é esta senhora?

  • regina bittencourt

    Hoje 25 de Junho Castelinho faria 91 anos, quando encontro este texto maravilhoso, tenho certeza onde ele estiver está feliz. Pena que nossos colegas jornalistas tem pouco memória, as precupações são outras. Parabéns valeu..

    Obrigado, cara Regina. Eu gostava muito do Castelinho e o respeitava imensamente.
    Que Deus o tenha.
    Abração

  • Maria

    Hoje – 6 de maio de 2014 – apareceu esta matéria no Facebook. Não conhecia. Bela homenagem ao Castelinho. Mas gostei mesmo dos comentário – lição de história.

  • regina bittencourt

    Hoje Castelinho faria 94 anos, como ficou na minha memoria sua entrevista, garimpei sua frase e coloquei no face -o maior jornalista político do país, modelo de profissionalismo e ética-Castelinho atenado e sãbio que me fez chegar até o Mauro Faustino e outros……