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Rolls Royce: irretocável, perfeito!

Tudo bem que estamos falando Rolls-Royce, para muitos a marca de automóveis definitiva, irretocável, perfeita. Mas talvez nem mesmo o mais otimista e confiante dos mecânicos da centenária fábrica britânica confiaria em que um de seus carros pudesse permanecer praticamente intacto, e em pleno funcionamento, após ser utilizado ao longo de oito décadas. Ainda mais nas mãos de um mesmo dono.

Pois foi exatamente essa a proeza realizada por Allen Swift, um americano de Springfield (não a fictícia onde moram os personagens do desenho Os Simpsons, mas a real, localizada no estado de Massachusetts).

Presente de formatura

Oriundo de uma rica família comerciante de metais preciosos, Swift ganhou do pai o Rolls-Royce Picadilly P1 Roadster conversível verde, número de chassis S273FP, um dos 2.500 Rolls-Royce Phantoms montados na filial da marca existente em Springfield entre 1921 e 1931, como presente de formatura, no longínquo, improvável 1928. E em seu volante ele sentaria orgulhosamente até 2005, quando morreu aos 102 anos de idade.

Na maior parte destas mais de oito décadas, Swift conduziria a relíquia motorizada com extrema moderação, priorizando passeios rápidos por Hartford, cidade-sede de sua empresa, e participando em paradas municipais ocasionais, muito tradicionais nos EUA.

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Allen Swift e seu automóvel de museu

O segredo: usar sempre – e pouco

Com esta dieta de manter o motor sempre aquecido, Swift conseguiu ao mesmo tempo entrar para o livro Guiness dos Recordes como a pessoa que portou o mesmo veículo por mais tempo e preservar sua joia de quatro rodas que, de acordo com testemunhas, é silenciosa como um moderníssimo Toyota Prius, elétrico.

Em 1988, repintou a “máquina” em trabalho minucioso encomendado a especialistas. Quinze anos mais tarde, emprestou-a para exposição organizada na Fundação Rolls-Royce, em Mechanicsburg, Pensilvânia.

Peça de museu — e um tesouro

Quando doou o carro ao Connecticut Valley Museu, de Springfield – entidade que reúne barcos, aviões, armas e outros artefatos remanescentes do passado industrial da cidade, atualmente em fase de mudança de endereço – o relógio do painel marcava “apenas” 170 mil milhas (273,5 mil quilômetros) percorridos.

Uma quilometragem notavelmente baixa pelo tempo de existência do automóvel, com média de rodagem de pouco mais de 3 mil quilômetros rodados por ano.

A iniciativa de Swift de transformar seu tesouro em peça permanente de exposição serviu de alavanca para o lançamento do museu, do qual seria a atração principal: não fosse o possante, cujo valor ele não estimou, os outros oito milhões de dólares para o projeto dificilmente teriam sido levantados.

A generosidade de Swift foi além da doação do fabuloso carro: ele deu uma mãozinha adicional de 1 milhão de dólares em dinheiro ao museu.

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6 Comentários

carlos mattos em 13 de dezembro de 2011

Morei em Massachussets na cidade de Framingham e conheco alem da cidade o museu e tambem o museu do basktebol na mesma cidade e tive o prazer de ver la o uniforme completo do mao santa Oscar schmitt

Lodisval em 12 de dezembro de 2011

Único dono, era um velhinho que quase nem saia com ele. Transformando a mais pura ficção na mais absoluta e surpreendente verdade.

Henrique Abreu de Oliveira em 12 de dezembro de 2011

Prezados Amigos: Cada um com sua mania. A minha é fazer contas. A matéria está ótima e atende outro gosto meu, carros antigos. Deliciei-me com as fotos e pus-me a fazer as inevitáveis contas. Algo estranho aí. Ou ele não morreu em 2005, ou não dirigiu o carro por 82 anos, ou não o ganhou no longínquo (improvável mesmo) 1928. Será que podemos rever as datas? Minha aposta é: ele nasceu em 1903 mesmo, ganhou o Rolls Royce em 1923 (e não 28), o guiou por 82 anos mesmo, até 2005, quando o carburador deve ter falhado. É isso?Abraços! Obrigado por seu toque, prezado Henrique. De fato erramos nas contas aqui. Agora está acertado. Um abração

Carlão em 12 de dezembro de 2011

Ricardo, meu caro Esse Rolls mereceria virar personagem de Cars, da Disney. Ah, a cidade dos Simpsons chama-se Springfield justamente por haver várias homônimas em diversos estados americanos. Não há "a" verdadeira Springfield, mas "uma das" verdadeiras. Abração do Carlão

Jean Tosetto em 12 de dezembro de 2011

Se o segredo da longevidade de Allen Swift foi ter cuidado de um calhambeque conversível, vou tratar de dar mais atenção para o meu MP Lafer 1974, comigo desde 1997. Usei o carro quase diariamente até este ano, quando tomei um susto no trânsito e cheguei a conclusão de que estava abusando da sorte, andando num carro sem cinto de três pontos, sem santoantonio, sem airbag e sem freios ABS. Agora, só ando com o carro em alguns fins de semana, para me desintoxicar um pouco da modernidade dos carros novos, que fazem você parecer um mero jogador de vídeo-game. Talvez um dia (que demore bastante para chegar) eu funde o museu do carburador, para que os mais jovens possam ter ideia do que é guiar um carro com alavanca de marchas. No meu museu haverá uma pista ao lado, para os visitantes guiarem à vontade, pois carro parado em museu é muito chato.

Teresinha em 11 de dezembro de 2011

É uma bela história de fidelidade. Além do carro bem cuidado o visitante do museu conhecerá o Sr. Allen Swift.

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