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Anésio em seus últimos anos: maior ciclista brasileiro (Foto: araraquara.gov)

Em fase de edição, o mini-documentário A Humilde Glória de um Grande Campeão exerce uma nobre função videojornalística: a de recuperar a saga de um dos maiores nomes do esporte brasileiro.

No caso, o do ciclista Anésio Argenton, falecido em Araraquara (SP) aos 80 anos em 4 de outubro – apenas cinco dias após conceder sua única entrevista para o projeto -, em decorrência de um câncer no intestino.

Maior nome do nosso ciclismo

Embora não seja muito conhecido pelas novas gerações e, em suas próprias palavras, sua carreira “financeiramente não tenha dado em nada”, Anésio Argenton, nascido em Boa Esperança do Sul (SP), é uma verdadeira lenda do ciclismo nacional na modalidade prova de pista (disputadas em velódromos).

Realizou algumas façanhas num esporte que, por não ser uma “paixão nacional”, fez de sua trajetória uma constante superação de obstáculos. Das bicicletas que utilizava, quase sempre de qualidade inferior em relação aos competidores estrangeiros, aos treinamentos que exercia sem equipe técnica, tudo costumava ser mais difícil para ele.

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Anésio em ação: melhor desempenho brasileiro em Olimpíadas

Entre os pontos altos do currículo de Argenton, além de inúmeros títulos nacional e sul-americanos, figuram o fato de ter sido o único ciclista brasileiro a conquistar a medalha de ouro em Jogos Panamericanos – abocanhou a sua em 1959, em Chicago.

Também ostentou os melhores resultados olímpicos tupiniquins sobre duas rodas (5º colocado em Roma, 1960, na Prova de Velocidade Individual e 7º na prova do quilômetro contra o relógio) e deixou para trás, no campeonato sul-americano de 1959 em Caracas, o então recordista mundial dessa mesma prova, o venezuelano Antonio Demichelli.

Segredos revelados de última hora

Elaborado para ser exibido em televisão, o documentário sobre Anésio Argenton tem direção de Helio Fontana, da Sete Filmes, e roteiro de Bruno R. Módolo, da produtora Garoa Fina, um dos profissionais que colaboraram no recente e polêmico documentário sobre o problema das drogas Quebrando o Tabu, do cineasta Fernando Brostein Andrade. Eles planejavam uma série de entrevistas com o protagonista, mas um dia após a sessão inaugural de meia hora, ocorrida em 30 de setembro, Anésio foi internado.

“Parecia que estava só nos esperando para revelar segredos”, diz Módolo que, com os demais responsáveis pelo curta, ainda busca parcerias para poder viabilizar sua exibição televisiva e em festivais de cinema. A equipe também quer angariar uma ajuda financeira à família do ex-ciclista, que é, também de acordo com o roteirista, “muito humilde”.

Entre os highlights da entrevista estão relatos de Anésio sobre como o pai do pugilista Éder Jofre, o treinador “Kid” Jofre, o ajudou nas Olimpíadas de Melbourne, Austrália, em 1956, o episódio em que um fã italiano lhe deu uma bicicleta como prêmio por seu desempenho memorável no Jogos de Roma em 1960, e sua chegada de táxi, em cima da hora, à prova na capital italiana.

Abaixo, o trailer do comovedor documentário.

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4 Comentários

Kadu Barone em 10 de janeiro de 2013

Mais uma prova do quanto nosso pais é injusto em relação ao ciclismo brasileiro.Se fosse um jogador de futebol que tivesse conquistado tamanho feito ainda hoje era divulgado em todos os meios de comunicação como herói ou melhor "uma lenda". Parabéns pra equipe de repórteres que produziu esse documentário.Que sirva de exemplo pra sociedade brasileira.

Vitor Bugulin em 08 de abril de 2012

Um enorme talento brasileiro que passou praticamente despercebido,eu fico imaginando quantos mais estão na mesma situação,ignorados pelos meios de comunicação e pela sociedade brasileira.

Uranium Lifestyle em 22 de novembro de 2011

Demais!

Beth Augusto em 18 de novembro de 2011

Lindoooooooooooooo mais muito triste.

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