Em 22 de agosto de 1994, participei de edição do “Roda Viva”, da TV Cultura, então apresentado por Heródoto Barbeiro, que é importante para a compreensão do Plano Real, devido à clareza e objetividade do entrevistado, Rubens Ricupero. Na bancada de entrevistadores estavam também Luis Nassif (TV Bandeirantes/Folha de S. Paulo), Stephen Kanitz (USP/Exame), Claudia de Souza (Jornal do Brasil), Matinas Suzuki (Folha de S. Paulo), Marcelo Pontes (Jornal do Brasil/TV Cultura), Fernando Mitre (Jornal da Tarde/TV Bandeirantes) e Pedro Cafardo (O Estado de S. Paulo). Naquele período eu era diretor editorial adjunto da Abril.

Então ministro da Fazenda do Presidente Itamar Franco e sucessor de Fernando Henrique Cardoso no cargo, o embaixador Ricupero se tornou o grande consolidador do Plano Real, graças à sua credibilidade e capacidade de comunicação. FHC deixara o posto porque isto era requisito para sua candidatura vitoriosa à Presidência, em outubro daquele mesmo 1994.

Perguntado por mim se, entre outras coisas, aceitaria figurar num possível governo FHC, Ricupero afirmou: “nunca pensei em ser ministro da Fazenda. Uma vez até recusei, porque fui o primeiro convidado pelo presidente, em 1 de outubro de 1992. Tentei recusar esta segunda vez, não consegui. Imaginei que ficaria até o fim do ano. A razão é muito humana, o medo”.

Outra questão que fiz ao então ministro se referia à pressão que sofria do funcionalismo legislativo e judicial por melhores salários. “Eu não tenho nada contra o valor desses funcionários, eu sei que é gente dedicada, mas é preciso mostrar que o país tem um certo limite”, respondeu.

Ricupero não duraria muito mais no cargo. Curiosamente, uma semana após esta entrevista, ocorreu o chamado “Escândalo da Parabólica”, no qual falas comprometedoras dele ao jornalista Carlos Monforte, da Rede Globo, foram captadas pela antena parabólica de telespectadores. “Eu não tenho escrúpulos”, disse a Monforte. “O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde.”

(Assista à íntegra do programa aqui)

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