“O Partido Republicano quis destruir o presidente Obama”

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O presidente Obama, com assessores, acompanha em seu gabinete a votação, pelo Senado, do acordo sobre a elevação do teto da dívida: inédita radicalização (Foto The White House)

Com um currículo impressionante e a longa experiência de ter sido titular da embaixada do Brasil nos Estados Unidos por mais de 5 anos, homem equilibrado e distante dos extremismos, o embaixador Rubens Barbosa disse sem meias palavras, no excelente programa Globo News Painel:

— A crise [da dívida pública] dos Estados Unidos tem raízes na eleição presidencial [de novembro do ano que vem]. O Partido Republicano quis destruir o presidente Barack Obama.

Concordo cem por cento com o embaixador. Durante toda a minha vida profissional, jamais tinha presenciado o fanatismo ideológico e o interesse eleitoral de destruir o adversário prevalecerem tão claramente sobre os interesses maiores dos Estados Unidos como ocorreu entre os “ultra” republicanos durante a maior parte das negociações para a solução meia-boca que se encontrou. E que seria aprovada sucessivamente pela Câmara dos Representantes e pelo Senado.

Por maiores que tenham sido as diferenças entre os dois lados ao longo da história da República americana, sempre ocorreu um momento em que o bom senso e o sentido de nação prevaleceram. O consenso sobre as instituições e sobre os objetivos nacionais sempre falou mais forte. Dessa vez, o limite foi ultrapassado. Houve, de parte da oposição republicana, pressionada pelo movimento ultraconservador — e popular — Tea Party, uma radicalização inédita.

O patrimônio colossal de credibilidade dos papéis do Tesouro dos Estados Unidos ser abalado, como já foi, por interesse político é algo que a minha geração, pelo menos, não conheceu.

A propósito da radicalização dos republicanos, leia a interessante análise do colega e amigo Caio Blinder, escrita antes do desfecho do episódio.

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35 Comentários

  • Sellba

    Será que o embaixador Rubens Barbosa está com essa razão toda? Como explicar o apoio de tantos democratas ao plano dos republicanos? E isso de destruir o adversário numa democracia como a que eles tem, faz parte do jogo.

  • Jotavê

    O que havia de errado na negociação, tal como ela foi conduzida pelo Partido Republicano? É que ela usou a perspectiva de destruir a economia do país como instrumento de pressão. Não há nada de errado em você negociar com o adversário.

    Mas o interesse nacional tem que ser o alvo dessa negociação, e não a moeda de troca.

    Em nenhum momento o Partido Republicano vocalizou a seguinte proposta: “Entre não elevar o teto da dívida (e dar um calote, mergulhando o país e o mundo numa crise) e aceitar a proposta dos democratas, nós preferimos não elevar o teto da dívida. Os prejuízos para a nação serão menores assim.” De jeito nenhum.

    O discurso dos republicanos era o seguinte: “Nós sabemos que, se o teto da dívida não for elevado, o país vai para o buraco. Sabemos que isso significaria um desastre completo – um desastre muito maior do que qualquer política democrata poderia causar. Apesar disso, vamos usar esse instrumento de pressão, pois apostamos que o presidente não irá pagar para ver, e cederá à chantagem.” Uma infâmia.

    O PT especializou-se em fazer esse tipo de jogo na década de 90. Nossa sorte é que eles não tinham maioria para impor sua vontade. O PSDB e o DEM fizeram exatamente esse tipo de jogo quando tiraram a CPMF das mãos do governo. Importa prejudicar o adversário. Não importa se isso prejudica ainda mais o país.

    É imoral. Nâo tem outra palavra para descrever esse tipo de comportamento.

  • Roberto

    Parabéns Setti.

    Finalmente uma matéria clara, desprovida de preocupações digamos, “politicamente corretas”.
    Li, vi e ouvi de tudo nesses dias. Um incrível trabalho para rebuscar palavras e teorias para explicar o que sempre me pareceu simples, óbvio e odioso.

    Obrigado, caro Roberto.

  • Seilon

    “The fact that we are here today to debate raising America’s debt limit is a sign of leadership failure. It is a sign that the U.S. Government can’t pay its own bills. It is a sign that we now depend on ongoing financial assistance from foreign countries to finance our Government’s reckless fiscal policies.”

    “The cost of our debt is one of the fastest growing expenses in the Federal budget. This rising debt is a hidden domestic enemy, robbing our cities and States of critical investments in infrastructure like bridges, ports, and levees; robbing our families and our children of critical investments in education and health care reform; robbing our seniors of the retirement and health security they have counted on.”

    “Every dollar we pay in interest is a dollar that is not going to investment in America’s priorities. Instead, interest payments are a significant tax on all Americans–a debt tax that Washington doesn’t want to talk about. If Washington were serious about honest tax relief in this country, we would see an effort to reduce our national debt by returning to responsible fiscal policies.”

    “Increasing America’s debt weakens us domestically and internationally. Leadership means that ‘the buck stops here’. Instead, Washington is shifting the burden of bad choices today onto the backs of our children and grandchildren. America has a debt problem and a failure of leadership. Americans deserve better.”

    “I therefore intend to oppose the effort to increase America’s debt limit.”

    Quem disse isso em 2006,hein?

  • Roberto

    Fosse no Brasil, essa excrescência seria massacrada pelos mesmos órgãos de imprensa e jornalistas que ficam divagando para culpar Obama, também por tudo quanto o imbecil do seu antecessor fez.
    A incrível desfaçatez dos partido republicano, odioso, mesquinho, descomprometido com o país, a nos mostrar o quanto os políticos podem ser asquerosos em todo o mundo.
    Obama cometeu erros também, mas a vigarice ideológica da maior parte da mídia é lamentável, reacionária, preconceituosa e o pior, tendenciosa.

  • Berlatto

    Que nada, caro Setti. Os republicanos fizeram o papel de oposição, só isso, queriam o quê? Tá certo, que exageraram um “pouquinho”, né? No final das contas, as coisas continuam como sempre: os gringos é que mandam no mundo, o resto é dor de cotovelo. Abs.

  • Desculpe Setti

    O currículo do Rubens Barbosa pode ser excelente, mas leitura dele está errada.

    Primeiro, o problema americano começa justamente no governo Clinton, quando liberou crédito a quem não tinha. A bolha estourou. O Bush pode ter sido fraquinho, mas tentou frear o oba-oba quando governou. Os democratas não deixaram. Vetaram as medidas no Congresso. Então a crise econômica tem raízes sim, mas coloque na conta dos democratas.

    Segundo: Agradeça ao Bush e aos republicanos a coisa toda na economia não ter degringolado de vez. Quando os Democratas não deixaram frear o oba-oba do crédito do Clinton, eles colocaram mais títulos do tesouro americano no mercado. Lógico que atraindo à China que estava em crescimento acelerado. Portanto, amarraram os chineses e eles nem perceberam. Hoje se a China for para o beleléu nada acontece com os EUA; mas aí que os EUA quebre, leva a China junto.

    Terceiro: O Obama também é um gastador, com discurso populista e isso não resolve os problemas da economia americana. O povo lá detesta aumento de impostos e não tem nada contra os ricos, porque sabem que os ricos ajudam a manter universidades, criam trabalhos, investem em programas sociais, além de muitas outras..Fora o investimento em pesquisas contra doenças… Lá não se tem a síndrome de vira-lata, parece que seu Rubens não se livrou da mesma.

    Quarto: O Obama é um incompetente, já está destruído por si mesmo e pelo que me consta, a base de falatório ridícula e populista nessa crise é que ele queria porque queria aumento de impostos e menos cortes nos gastos públicos. Ao fazer um pronunciamento populista por dia na TV dançou por ele mesmo. Populistas nos EUA não se criam e que fique claro que ele não foi eleito por ser negro ou coisa parecida, foi eleito por ser democrata e diante da crise; os americanos apostaram na política econômica do partido. Pois é pra lá de conhecido o protecionismo e o isolacionismo dos democratas, não deu certo.

    Quinto: Ao que me consta por lá Oposição é Oposição, se os republicanos não tivessem endurecido, os democratas estariam aumentando impostos a rodo. Tanto é verdade que até os próprios democratas ( os mais inteligentes) recuaram e votaram o pacote de medidas.

    Sexto: Obama não consegue ser líder nem no próprio partido, deveria ser presidente do Brasil, se daria bem, pois aqui sim reza a política do toma lá da cá. Como nos EUA praticamente inexistem empresas estatais, as negociações são feitas sim no mano-a-mano e sim preservam-se os valores ideológicos.

    Sétimo: Os republicanos são oposição e não tem obrigação de defender as besteiras do Obama e sim de apontá-las e bater contra. Eles jogaram e bem o Obama corria contra o relógio e teria que ceder para ter a mínima chance para tentar a reeleição (o que eu creio que não acontecerá). Culpa dos republicanos? Não. Os republicanos estão fazendo seu papel e ponto. Culpa da incompetência do Obama. Fizeram dele um Messias universal, os republicanos mostraram e rápido seus pés de barro.

    Oitavo: O seu Rubens que não venha com discursos populistas, pode ser que convença os latinos-americanos com a sídrome de vira-latas. Mas os americanos mesmo, duvido muito. Os EUA teriam que regredir e muito nos seus valores para esse tipo de conversa fiada. Em cinco anos?? Nem que a vaca tussa e a galinha crie dentes.

    Nono: Oposição é oposição. E é claro, evidente que até o dia 02 um dos lados cederia. A corda foi puxada no limite. Obama cedeu e os democratas idem. Por quê? pelo óbvio. É na conta deles que já cairá a não boa recuperação da economia americana e deixando piorar, como aconteceria, adeus presidência da república desde já. O povo americano mandou o recado nas últimas eleições.

    Décimo: Gosto dos republicanos em muitos aspectos, mas principalmente porque populismo com eles não se cria. E outra coisa, além dos democratas terem que agradecer aos republicanos por terem amarrado a China economicamente, também é aos republicanos que devem agradecer o fato de terem pego Bin Laden. Sem o acordo feito no governo Bush, entre EUA e o Paquistão, eles não poriam a mão no Bin. Se bem que por trás disso tem muitas coisas. Mas isso é outra história.
    Fato é que Obama é um incompetente, e os americanos já sabem disso. Fato é que a popularidade dele está nos 40%, perdeu no seu tuitaço 37 mil seguidores num dia e a continuar nesse ritmo a vaca dele vai para o brejo. E é essa a leitura real que seu Rubens deve ter feito, mas como obamista tenta fazer PARECER verdade o que não é verdade. O desespero é grande. Não derrubaram os valores democráticos de um povo como o americano. Enquanto esse povo e suas Instituições estiverem de pé. O mundo socialista que morram gritando, esperneando e seja lá o que for. O carro-chefe do mundo sabe e vive uma DEMOCRACIA. O resto é conversa pra boi dormir.

    Beijocas

  • Carlo Germani

    Caro Setti,é impressionante você com a bagagem jornalística que tem,embarcar nessa onda de vitimação de Obama.Ora,Barack Obama,é uma das maiores fraudes e farsas da política mundial (Lula e Dilma,estão na lista,é claro).Explico:1-Quando,antes de 2008,ouviu-se falar de Barack Obama? Nunca.2-Obama,foi produzido na estufa dos “senhores donbos do mundo” (dinastias de megabanqueiros sionistas-financeiros),e seu padrinho George Soros.3-Obama,foi empossado na presidência americana,como mais um fantoche (por acaso presidentes,primeiros-ministros tem autonomia alguma?).4-Os serviços que Obama tem a
    executar é a destruição generalizada dos EUA.Colocar o país de “joelhos” perante o mundo,para consolidar o insano projeto da Nova Ordem (desordem) Mundial.5-Por falar em N.O.M,seus
    idealizadores são os responsáveis por todos os eventos,políticos,econômicos,monetários,financeiros e sociais dos últimos 200 anos.6-Desde quando a megacrise que se avizinha é fruto do capitalismo?
    Ora,caro Setti,tanto a megacrise monetária-financeira da Europa (zona do Euro)e a dos EUA,são o resultado da falta de liberalismo econômico.Todos os países falidos,tem como bandeira o socialismo e a social-democracia.É a política ideológica executada na base do endividamento público ilimitado,com a distribuição de benefícios sociais insustentáveis,e sem a contra-partida da economia geradora.por exemplo:a fraude e farsa do progresso irreversível da Era Lula,foi toda edificada em cima o endividamento público.A Grécia de hoje,será o Brasil de amanhã.
    Concluindo: Toda a classe política mundial,obedece ordens do governo oculto mundial.No caso dos EUA,ambos os partidos (democratas e republicanos) o fazem como um peça teatral.Mas o que não pode é a conivência e subserviência de enaltecer qualidades para um esquerdista-vigarista como Obama.A única saída para o mundo,é o retorno urgente de uma politica governamental conservadora,com forte liberalismo econômico e democracia plena.Basta de marxismo travestido de socialismo e social-democracia.PS-Rubens Barbosa e você deveriam rever suas equivocadas convicções.
    PS2-Por quê nunca é dito, que todos os fatos presentes são metas do governo oculto mundial? As crises são programadas e executados,conforme os interesses desses psicopatas no poder.

  • Flavico

    Durante toda a sua vida profissional você jamais tinha presenciado o fanatismo ideológico e o interesse eleitoral tentando destruir um governo? Em que planeta você morava durante os 8 anos do governo FHC?

  • Paulo Bento Bandarra

    Em 2006, o governo do republicano George W. Bush também precisava aumentar o limite do envididamento. Como os democratas nos ensinaram de modo dramático neste 2011, ou aumentava, ou sobreviria o caos:
    .
    “O fato de estarmos aqui hoje para aumentar o limite da dívida da América é um sinal de falha da liderança. É um sinal de que o governo dos EUA não pode pagar suas próprias contas. É um sinal de que agora dependem da ajuda financeira de países estrangeiros para financiar a política fiscal irresponsável do nosso governo. Aumentar o limite de endividamento da América nos enfraquece nacional e internacionalmente. Liderança significa dizer ‘the buck stops here‘. Em vez disso, Washington está transferindo para as costas de nossos filhos e netos as responsabilidades das más escolhas de agora. A América tem um problema com a dívida e uma liderança fraca. A América merece mais.” Barack Obama, senador democrata por Illinois!
    .
    Você está cego para a impagável dívida dos EUA, e que Obama gasta a fundo perdido e com promessas cada vez mais demagógicas e eleitoreiras? Estou vendo que você no fundo é de esquerda, caro Setti! Que acha que o partido republicano não tem direito (obrigação) de defender as idéias pelas quais os eleitores lhes elegeram.

  • Luiz Pradines

    Os brasileiros se escandalizam com a audácia dos Republicanos pois não conseguem entender um dos princípios básicos da democracia: a oposição existe para se opor ao governo.

    “Peraí”, argumenta-se, “claro que oposição é para se opor, mas tem que fazer isso pensando no país”. Então o modelo de oposição, para quem pensa assim, é o nosso PSDB. De vez em quando, fazem uma “maldadezinha”, como na votação da CPMF (aliás, quem derrotou o governo foi o PMDB, um partido aliado ao governo), somente para dizer que cumprem com o seu dever.

    O PT agia legitimamente quando se opunha de forma encarniçada e dentro dos limites da lei ao governo FHC. O que não dá para tolerar é um partido que se opõe a uma política hoje para abraçá-la amanhã, quando vira governo. Isso, sim, é que infame e imoral, para usar as palavras do Jotavê.

    Desde sempre, os republicanos preconizam a redução de impostos. Via de regra, suas administrações fazem exatamente isso. Não quero discutir se isso é o certo ou o errado para os Estados Unidos. O que enfatizo é que há coerência entre o que eles dizem e fazem, coisa da qual nossos políticos não podem se orgulhar. Especialmente o PT.

    Para todos que deploram o que os Republicanos fizeram, eu proponho que os gringos mandem os seus Republicanos para o Brasil que, em troca, nós mandaremos para eles a nossa oposição domesticada. O mundo ficaria muito mais aliviado, sabendo que há uma oposição “responsável” e que “pensa no planeta” no Congresso deles. E Dona Dilma, com os Republicanos, veria o que é um Congresso de verdade, que peita o Executivo e que não passa cheque em branco para tudo o que um presidente da república determina.

  • Mauricio F. Bento

    Setti,

    Democraticamente tenho que discordar. Quem foi o verdadeiro radical nessa negociação? Os Repúblicanos, que não quiseram aumentar o TETO – portanto o máximo – da dívida, ou os Democratas, que não quiseram cortar gastos para não perderem votos ano que vem? Esse termo “teto” deveria ser substituido por “meta” porque é isso que o governo Obama fará se continuar com um défcit trilionário anual. Te faço a pergunta novamente quem são os verdadeiros radicais? E quem continua gastando mais do que tem vendo o barco afundar?

    Os republicanos se recusaram a cortar 1 centavo dos colossais gastos militares, para agradar as empresas que os financiam e seus eleitores nos Estados onde se concentra o grosso da indústria bélica, e concentraram sua avidez de cortes em programas sociais como o Medicare e o Medicaid.
    Os republicanos não querem acabar com as isenções fiscais e outras vantagens para ricos e grandes empresas.
    Os republicanos se recusam a aumentar 1 milésimo por cento que seja a taxação dos muito ricos.
    A dívida trilionária — déficit é outra coisa — começou com a corrida armamentista do republicano Ronald Reagan (1981-1989) que acabou quebrando a União Soviética, que não conseguiu acompanhar (o que foi bom para o mundo, claro).
    A dívida trilionária disparou de vez com as duas guerras declaradas, e muito mal feitas, por George W. Bush. Gastou-se só no Afeganistão mais de 1 trilhão de dólares e o país está aos pedaços, não tem água, luz, esgoto, não tem estradas — não houve uma estratégia minimamente inteligente de conquistar os afegãos por aos poucos reconstruir seu país, à medida que determinadas regiões fossem controladas pelas forças da coalizão ocidental.
    O presidente democrata Bill Clinton (1993-2001) foi o único presidente em décadas que ZEROU o déficit americano (não a dívida pública), entregando uma economia em crescimento e finanças em ordem ao desastrado republicano George W. Bush, de péssima memória.

  • Aldo Matias Pereira

    Ricardo,
    O Embaixador Rubens Barbosa tem razão quanto ao foco das eleições do próximo ano mas, daí a dizer que os republicanos quizeram destruir Barack Obama vai uma distância quase infinita. O jogo político é legítimo e, se o presidente não conseguiu convencer nem seus representantes, o que dizer, então? A aprovação na câmara só foi possivel porque os republicanos votaram com Obama enquanto que noventa e cinco democratas (dos cento e noventa) votaram contra. Acho que as coisas de hoje estão contaminando até pessoas de bem como o embaixador.

  • Franco

    Ricardo, boa tarde!

    Realmente essa crise deveria ter sido evitada. Mas os números das votações não dão a impressão de que essa polarização está sendo superestimada? Quando olhamos os votos contra e a favor de democratas e republicanos, parece que a conta da crise deveria ser rachada e não colocada somente no colo republicano. Tem se falado muito também do Tea Party, e da influência negativa dele, mas eles não são minoria? Será que eles têm todo esse poder de influencia?

  • Leonardo Carvalho

    Discordo de sua opinião, caro Setti. Em nenhum momento o Partido Republicano quis ou desejou destruir Obama, o que eles queriam era que houvesse a elevação do teto da divida com o consequente CORTE de gastos públicos, que Obama aceitou depois de muita pressão. Quem desejou, isso sim, a EXTINÇÃO do PARTIDO REPUBLICANO foram os editorialistas do New York Times. Mas tudo isso faz parte de uma saudavel disputa democrática, como deixou claro o Elio Gaspari em sua coluna. Os Republicanos estão cumprindo com a sua função, apresentando suas propostas para a solução economica do país, quem não votou a favor do acordo feito entre Obama e os republicanos, foram setores importantes do Partido Democrata.

  • Rodrigo

    O governo americano arrecada 220 bilhões de dólares por mês e paga 20 bilhões de juros todo mês. Só aconteceria calote se o governo Obama decidisse dar o calote.

    A questão da elevação da dívida já estava diante do presidente Obama desde 2010 e a posição do Tea Party de reduzir gastos é clara desde que eles foram eleitos.

    Quando foi que os republicanos e o Tea Party tiveram chance de forçar recuo dos democratas? Agora. Porque o presidente Obama deixou para a última hora e se deparou com políticos determinados a cumprir sua promessa de campanha: menos governo, menos gastos.

    A declaração do embaixador é muito simplória, muito obtusa. Obama perdeu a maioria na Câmara porque o eleitorado rejeitou suas políticas e preferiu eleger os republicanos. E agora houve um embate entre as duas forças. Será que os republicanos deveriam abandonar a própria plataforma, vitoriosa nas urnas, e aderir ao governo Obama, rejeitado nas mesmas urnas que elegeram os republicanos? Ou devem fazer o que disseram que iam fazer? Se aderissem ao governo seriam desonestos e perderiam a próxima eleição com toda certeza. Se ficassem firmes, como ficaram, demonstrariam integridade e ficariam bem posicionados para desafiar o presidente, COMO É LEGAL E ESPERADO EM QUALQUER DEMOCRACIA.

    Mas como os republicanos estão fazendo oposição ao Messias, ainda mais um Messias esquerdista… Estão errados até em demonstrar integridade. Cumprem a promessa de campanha, são fiéis ao eleitorado e massacrados na imprensa por isso. Massacrados, não. Difamados. São chamados de racistas, radicais, terroristas, irresponsáveis, ignorantes…

    Essa demonização de políticos que fazem política e oposição que se opõe pode ser linda na China e em Cuba. Nos EUA não é. E aqui não deveria ser. É bom lembrar que a oposição vigorosa nos EUA aumentou a presença republicana no Congresso. E a frouxidão da oposição brasileira está trucidando sua força eleitoral.

  • Rodrigo

    É engraçado ver a satanização do Tea Party no Brasil porque precisamos desesperadamente de algo parecido aqui.
    Não temos nenhum partido que queira reduzir o tamanho do governo, reduzir os impostos e que depois de ganhar a eleição aja de acordo com as promessas de campanha.
    Ao contrário, todos os partidos do Brasil querem só aumentar o Estado, aumentar impostos e esparramar apaniguados em cargos diversos para sumir o dinheiro do contribuinte.

  • Newman

    Tenho a impressão que boa parte do eleitorado republicano deve estar “adorando” ver o comportamento do partido ser conduzido pela turma do Tea Party. Se as coisas continuarem assim, talvez tenhamos ano que vem um boicote muito forte por porte dos eleitores republicanos e independentes caso o candidato saia do Tea Party. Obama já provou ser um fiasco, a radicalização do adversário pode ser a sua única salvação na disputa do ano que vem.

  • Corinthians

    Setti,
    Discordo. Li textos do Reinaldo Azevedo e devo dizer, não foi bem assim – parece-me a velha tática de culpar os outros pela própria incompetência.
    Deveria então o partido Republicano aceitar qualquer proposta para salvar Obama ? Deveriam eles dizer “nós sabemos que se o teto da dívida não for aceito, o país vai para o buraco (mentira, ia nada, ia perder um pontinho da nota só) e nós vamos aceitar qualquer proposta que venha dos democratas, mesmo que isso vá contra o que nós acreditamos” ?
    Por que na Camara, depois de costurar o acordo, Obama teve apoio maior dos Republicanos (55 votos contra) do que dos Democratas (95 votos contra) ?
    Aliás, que eu saiba, a proposta da semana passada que foi rejeitada no Senado era de autoria do partido Republicano.
    Claro que eles estavam de olho nas eleições – todos os partidos o fazem, e é do jogo – mas não vi esse absurdo de dizer que eles queriam que o país afundasse só para destruir Obama. O que um lado fez que o outro também não fez ? Rejeitar a proposta da semana passada foi um ato responsável por parte dos Democratas ? Deixar o país afundar para salvar o presidente de ter que pedir outro aumento durante ano eleitoral é o que ?
    Isso é democracia – a situação tem os mesmo direitos que a oposição. Não devemos tirar de Obama, presidente, a sua responsabilidade. A sua incapacidade de gerir acordos. A sua incapacidade de liderar. Obama falhou – levou a crise diretamente no peito, eu sei – mas é um presidente fraco.
    Não deve ganhar as próximas eleições.

  • Por que meu comentário não foi publicado?? Foi ofensivo de alguma forma? Obrigada!

    Não, não foi ofensivo, de jeito nenhum. Eu atrasei a liberação por excesso de tarefas simultâneas. Desculpe, seu comentário, embora divergindo de mim, é excelente e rico.
    Volte sempre.
    Abraço

  • maisvalia

    “O Partido Republicano quis destruir o presidente Obama”
    *
    Caro colunista.
    Os republicanos não precisam disso.
    O Obama é auto destrutível.
    É um tipo de pastel de feira, por dentro só tem ar, hehehehe

  • SergioD

    Ricardo, concordo totalmente com você. O Partido Republicano hoje é refém do Tea-Party e tem que se mostrar tão radical quanto esses seus “correligionários”. Eles brincaram com um assunto que pode abalar a credibilidade americana por décadas. Por esse motivo as bolsas de valores despencam em todo o mundo, a crise espanhola volta a se agravar, etc.
    É impressionante a maneira mesquinha como levaram a questão, pensando como se os EUA fosse um paizinho de quinta categoria e não a potência econômica e militar que são.
    O pior efeito da disputa política para os EUA e a economia mundial é que um corte de gastos mal calibrado vai aprofundar a recessão naquele país e abalar a recuperação da economia mundial. Um quadro muito parecido com o de 1937, quando um corte de gastos imposto pelo Congresso nos gastos do governo Roosevelt (New Deal) fez o país mergulhar mais uma vez na recessão, da qual só saiu por conta da Segunda Guerra Mundial.
    Chega a ser engraçado os Republicanos exigirem cortes massivos de gastos quando foram eles que aumentaram tremendamente os custos do governo, principalmente com os investimentos militares. Você lembrou muito bem da “Iniciativa de Defesa Estratégica”, mais conhecido como Guerra nas Estrelas, que faliu a URSS. As guerras de Bush então, nem se fala. Além da desregulamentação financeira, os junk bonds, as hipotecas de risco e a diminuição nos impostos pagos por grandes empresas e pelo mais ricos. Uma salada que levou a crise de 2008. E essa discussão, Republicanos x Obama anda poluindo o debate até por aqui. Outro dia ouvi de um amigo que o governo Roosevelt, por conta de suas reformas sociais, foi o que mais se aproximou do fascismo nos EUA. Dá para acreditar?
    Uma lástima que isso tudo tenha acontecido.
    Alguns conhecidos acham que está se desenhando um quadro de insegurança tal que poderia fazer o mundo descambar para um guerra de grandes proporções. Não chego a esse exagero, mas quando vejo que os gastos com armas continuarem no mesmo patamar que antes da crise, em todas as potências do globo – só se fala em cortes de gastos sociais -, fico imaginando se eles não tem pelos menos um bit de razão.
    E tudo acontecendo num mundo que não dispõe hoje de estadistas do porte de Roosevelt, de Churchill e George Marshall.
    Grande abraço

  • Carlos Augusto

    Caro Setti
    Oposição serve para opor (em democracias “normais”). Radicalização não é bom nem aqui nem nos esteites. Mas não é exatamente jogo limpo Obama antecipar a campanha 2012 tão precocemente, como a que assitimos por nossas plagas. Alíás, no Brasil não mais se antecipam eleições; vive-se permanentemente nelas, com o custo financeiro e ético nelas implícitas permanentemente. Para que serve a política? É um fim em si mesmo? Infelizmente tenho que reconhecer: para se contrapor a populistas, oposição “normal” é jogar descalço, para ficar nas analogias por aqui compreendidas.

  • Quem equilibrou orçamento foi a maioria republicana, comandada por Newt Gingrich, não CLinton. Clinton foi forçado a ceder ao ponto do governo ter ficado parado em um impasse.

    Obama torrou mais que todos os presidentes somados até Reagan. Obama nunca administrou nada na vida, era uma tragédia anunciada.

  • Angelo Losguardi

    Também jamais vi tamanho fanatismo ideológico e interesse em demonizar quem pensa diferente. ALGUNS republicanos não concordaram com as medidas, não as consideravam corretas. Deveriam ser obrigados a concordar? O que a esquerda quer? Uma ditadura virtuosa? E que história é essa de querer “destruir” o Obama? Alguém disse que queria mandá-lo pra Treblinka? Ora essa… desde quando não concordar com algo e ser fiel às suas idéias é querer destruir alguém? Só em um país com concepções francamente fascistas.

    P.S.: E os próprios DEMOCRATAS que votaram contra a proposta do Obama? Esses queriam o quê? Peço por gentileza que o colunista responda a essa questão. São democratas do Tea Party???

  • SCF

    Esse vitimismo esquerdista é muito chato e intelectualmente desonesto. “Querem destruir o Obama, para vencerem em 2012”. Ora, quem antecipou de maneira oportunista a campanha foi o próprio Obama, ao se declarar re-candidato depois que entrou no cafofo do Osama! Tivesse ele ficado quieto, não teria deixado os republicanos com raiva, a ponto de radicalizarem como temos visto.

  • Antonio Carlos Pinho

    E os democratas não quiseram destruir o Bush durante o seu governo? Era chamado de imbecil o tempo todo. Isto também era oposição raivosa?
    Politica é politica e a oposição é para se opor ao governo, como se espera em democracias saudáveis…Não como ocorre no Brasil em que apenas alguns poucos políticos de oposição aparecem e apresentam as mazelas deste desgoverno…

  • caioblinder

    Ricardo, amigo e colega, obrigado pela canja ao mencionar meu texto sobre o “bode” americano. Passei os olhos pelos comentários (de leve, estou de férias e indolente). E preciso destacar a confusão que alguns leitores estáo fazendo: o impasse entre republicanos e democratas não era elevaçao do teto da dívida x redução do déficit. Mas como cortar o déficit, O impasse decorreu da posição teológica dos republicanos contra qualquer aumento de impostos, nada, nada. E eles ganharam a parada. O único consolo do Obama é que a mesma novela sobre a elevação do teto da dívida não ocorrerá durante o auge da campanha eleitoral 2012, abraços, Caio

  • Pimenta

    Setti,
    O partido republicano está sendo para Obama o que o PT foi para qualquer governo até 2002: quanto pior para o país, melhor para eles.

  • Paulo Bento Bandarra

    Caio Blinder refere no seu comentário sobre a “posição teológica dos republicanos contra qualquer aumento de impostos”. Ora, vemos o que isto resulta no nosso país como exemplo inverso. Como numa situação de crise o governo Obama quer aumentar impostos para prometer benesses eleitoreiras? O nosso problema é não termos partidos de direita no Brasil, para barrar a gastança federal. Federal não, em todas as esferas da administração só se faz isto. Gastar muito e mal. E a cada legislatura, aumentar impostos para cobrir os rombos tremendos criados em uma ciranda sem fim.
    .
    Se o Governo Americano está enterrado até o pescoço, como quer gastar mais ainda do que já deve em caridade? Para isto, insisto, que os republicanos tiveram uma vitória sobre os democratas. Só no Brasil que acredita que oposição é para trair seus princípios e que manter a coerência é o fim do mundo. Trair o enviado ungido!

  • Corinthians

    Setti,
    Por acaso acabei de ler a reportagem da Veja desta semana sobre o défict e a dívida americana.
    De acordo com o gráfico que lá consta, a dívida realmente aumentou significativamente foi na crise de 2008, quando Obama resolveu estatizar algumas empresas seletivamente, além dos planos de inundação de dólares para tentar salvar a economia.

  • Setti

    Os republicanos não quiseram cortar gastos militares??? Graças à Deus!!! Bem fazem eles. Imagina o maior país do mundo que já sofreu um ataque terrorista absurdo cortar gastos militares??? Não mesmo.

    Aqui no Brasil cortaram os gastos dos militares. O que temos: helicópteros das forças armadas com portas caindo. Falta homens e equipamentos para manter as fronteiras e por aí vai.
    Hoje se a Bolívia resolver invadir o Brasil, faltará até arma para impedir.

    Defesa é defesa… Nunca que os americanos vão deixar de investir na defesa e nem podem..São o carro-chefe do mundo.

    O Obama é um incompetente, caso não falhe minha memória, abafaram o caso dele ter um assessor ligado a irmandade islâmica. Santo Deus!

    Os americanos pelo menos têm os republicanos, nós??? estamos à deriva..

    Beijocas

  • luiz indignado

    de um país, que tem como longa tradição racista, o
    o que se podia esperar mais cedo o mais tarde em relação ao Governo Obama.

  • Tharcísio

    O pior é que o Obama paga por uma má gestão do governo Bush. E para completar os republicanos ainda fizeram toda aquela cerimonia sobre a dívida norte americana.

  • marco

    Não assisti tal GNews até o final, pois a toada era a mesma: os republicanos eram responsáveis pela crise e tb pelas dificuldades para sua resolução. Não ouvi, no perírodo q acompanhei, críticas aos democtaras. Aliás: alguém recorda de ter visto alguma crítica (uma só, umazinha) ao Obama na grande imprensa brasileira em qq momento q fosse, desde q surgiu na mídia?
    Os republicanos estavam errados, seguindo os raciocínios lá expostos, por ‘ter cachorro e por não ter cachorro’.
    Pegunto: Obama não sabia dos problemas qdo se candidatou? Mais: pelo visto, para conseguir os “milagres prometidos”, Obama, o Salvador, precisaria governar sem oposição (felizes os americanos, q a tem…).
    Se os republicanos querem destruir Obama, qual explicação existe para o fato de mais democratas votarem contra o acordo, finalmente alcançado, do q replublicanos?
    Fiz 3 perguntas se aluém tiver resposta, ‘cartas para a redação’.