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Nos supermercados, nas drogarias, nas lojas: basta olhar de onde vêm os produtos para se constatar que a indústria brasileira está perdendo mercado — pela incompetência e inação do Estado (Foto: sm.com.br)

O “custo Brasil” bate forte nas exportações do país. Com uma carga de impostos absurda, com infraestrutura arcaica e insuficiente, que encarece o transporte e o embarque — rodovias, ferrovias, portos –, nossos produtos perdem competitividade no mercado internacional.

Isso é mais do que sabido.

O outro lado da moeda é que os custos de produção, no país, graças a impostos, burocracia infernal, falta de flexibilidade na legislação trabalhista e outros problemas, estão fazendo com que nossos produtos percam também mercado interno.

Está cada vez mais fácil e barato, para o comércio, trazer mercadorias do outro lado do planeta do que comprar da indústria brasileira.

Não é preciso ler tratados ou assistir a palestras de economistas pagas a peso de ouro para constatar o fato.

Uma mera incursão a uma drogaria, a um supermercado ou a uma loja de departamentos basta.

Creme de barbear, de marca instalada há décadas no Brasil? As prateleiras estão cheias — mas o produto, com a mesmíssima marca familiar ao brasileiro, com instruções em português na embalagem, vem do Chile.

Loção pós-barba, de marca conhecidíssima do consumidor brasileiro? Claro, lá está. Vem da Argentina. Conforme a drogaria ou supermercado, é da Alemanha. Ou do México.

E se o consumidor precisar, digamos, de um higienizador para vaso sanitário?

As marcas familiares fazem presença, em peso, nas prateleiras. Só que deem uma olhadinha nos rótulos, em português: alguns vêm do México. Outros, da Índia.

E aquelas pastilhinhas de menta em caixinhas de plástico que todo mundo compra? Feitas em Guarulhos (SP) ou na Baixada Fluminense? Ou, quem sabe, em Belo Horizonte?

Que nada: são importadas do Equador — é como se, no Brasil, não tivéssemos tecnologia ou capacidade de fabricar sequer esse miserável item.

Bicicletas? Vêm de toda parte, inclusive da Inglaterra e da França.

Pneus? Há alemães, franceses e japoneses.

Roupas? O que não falta são as provenientes da China (uma enormidade), de Bangladesh, da Romênia, da Índia…

Brinquedos? China.

Sacolas de compras? Tudo do Vietnã.

Material escolar — canetas, cadernos, réguas, cortadores de papel, clips, lápis de cor? Há ainda produtos brasileiros, mas engolfados por uma maré de importados da China e do Japão, entre outros países.

Abrir o país para o comércio exterior não é bom, é ótimo.

Permitir que nós, consumidores, tenhamos acesso a produtos do mundo todo é um grande progresso.

O problema é que não é apenas isso que está ocorrendo. Os produtos made in Brazil por uma indústria que nos custou décadas de trabalho, suor e sangue para estabelecer, estão perdendo espaço para os importados devido a problemas que cabe ao Estado brasileiro resolver — mas que ele, pesadão, incompetente, lerdo e burro, não resolve.

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Nenhum comentário

Luis Machado em 11 de agosto de 2014

Enquanto a ********* votar na esquerda, não dá para esperar outra coisa. O pior governo da história do Brasil foi eleito por brasileiros, e está aí a consequência.

celsoJ em 06 de agosto de 2014

No Brasil não existe nenhuma (isso mesmo: nenhuma) fábrica de guarda-chuvas.

Ciro Lauschner em 06 de agosto de 2014

Sou sócio de uma pequena industria de portas de madeira.Exportávamos durante muitos anos para Europa e EUA.Aprendemos muito com isso,porém entraram os chineses e a flutuação do dólar nos tirou competetividade e a "marolinha do Lula" nos fez desistir completamente da exportação.A diferença é que os chineses mantem a moeda deles baixissima onde só isso lhes dá mais de 70% de diferença de preços e tem sobretudo uma política industrial.Nós temos bla blá de esquerdas,de sindicatos e de juizes trabalhistas que não tem noção do que significa uma pequena empresa.Ela é equiparada a uma grande na Justiça do Trabalho.Indenizações milionárias que levam à falência a pequenas empresas.A burocracia brasileira quando não corrupta,é uma aberração jurídica;normas,resoluções,instruções normativas são leis,embora feitas por órgãos públicos.Um fiscal da Receita Federal tem o poder de autorizar ou não o teu direito de exportar e por aí vai.É muita complexidade e pouquíssima vontade de corrigir isso.Espero com ansiedade a eleição de Aécio Neves para poder ter alguma interlocução com o poder público.

A solução é alugar o brasil em 06 de agosto de 2014

até a caneta BIC, não é mais BIC!! esta cheio de canetas chinesas (uma pior q a outra) imitando a BIC....algumas papelarias nem há mais a nossa BIC, apenas as "xing ling"....

doni em 06 de agosto de 2014

Três são os alvos a destruir: a família, a classe média e a Indústria. Esses entes perversos têm a péssima tradição de criar cidadãos livres. O governo, espero que não o Estado, pretende que este se torne comunista, qualquer que seja o novo nome a ser dado. Eu chamo o governo e seus membros de neopopulistas.

Cronos em 06 de agosto de 2014

O governo todo mundo sabe que é omisso.Mas o empresariado brasileiro também tem culpa no cartório. Como um produto pode vir do outro lado do mundo e chegar aqui, no colo do consumidor brasileiro, mais barato do que o fabricado aqui? Será que só o custo Brasil explica?

Bruno Sampaio em 05 de agosto de 2014

Para quem acompanhou e acompanha o caso da Venezuela, é uma notícia preocupante. Uma vez fui comprar uma panela de pressão a preço excelente na casa & Vídeo. Pensei que fosse chinesa, mas era feita em São Paulo. Foi uma boa surpresa. Será que a marca ainda segue fabricando dois anos depois, ou faliu?

Maria Luz em 05 de agosto de 2014

O País,graças à incompetência e má gestão , está cometendo suicídio industrial. Ficaremos completamente dependentes do mercado externo. Pagaremos caro por isso no futuro, com falta de mão-de-obra para os setores produtivos ainda remanescentes e falta de uma tradição industrial como a dos alemães,franceses,italianos,etc. Sobrará só a industrialização de produtos primários,como café,erva-mate,cana-de-açúcar , uva , arroz, feijão , milho.

Paul em 05 de agosto de 2014

Este fim de semana tive a surpresa de comprar cuecas, de um bom tecido e de qualidade da China, em supermercado. Não sabia que já estamos assim, nem cuecas somos capaz de fazer a um bom preço, só a cueca cofre ..., nossa indústria esta se esfacelando com os petralhas.

Pedro Testarossa em 05 de agosto de 2014

Por essas e outras é que é preciso escorraçar a petralhada do poder!

Hobben em 05 de agosto de 2014

Comprei um Elantra 14/15 e o valor dos impostos discriminados na NF é R$-39.307,30 (60,6%). Preço do mesmo carro nos EUA = $-17.250,00 (R$-40.710,00 c/base no Turismo de hoje a 2.36) com mais opções de acessórios e cores. This is a absurd! Eles são ricos e "nóis" os pobres.

Platão em 05 de agosto de 2014

Temos que incluir na lista mais um item: a extrema INCOMPETÊNCIA de grande parte do empresariado brasileiro. Principalmente das pequenas e médias empresas. As associações empresariais deveriam fazer um gigantesco programa de qualificação dessa gente, além de lutar pela redução do custo Brasil.

bereta em 05 de agosto de 2014

A maioria dos brasileiros não se dá conta disso. Pelo contrário, até fica feliz. Se não bastasse a invasão de produtos fabricados em outros países, ainda atravessam a fronteira aos magotes para se abastecer de contrabando. E ainda há aqueles que gastam bilhões em compras "legais" quando viajam para o exterior. A explicação sobre a cantiga do galo, seu horário, suas razões, seu poleiro e seu dono nem passam pela cabeça dos brasileiros. Isso nos torna felizes. Ignorância também tem seus méritos. Não somos capazes de associar os fatos às suas raízes.

Pedrusko em 05 de agosto de 2014

Chega muita porcaria do exterior principalmente da China. Os produtos chineses duram muito pouco e são de péssima qualidade. O produto nacional está deixando saudades. Futuramente só conseguiremos encontrar pó de café, arroz e feijão.

Marcos F em 05 de agosto de 2014

Eu desconfio que eles estão levando 10% do dinheiro que entra aqui ... e do que sai.

Luiz em 05 de agosto de 2014

A consequência da desindustrialização é a importação de um produto muito nocivo para a nação: a ideologia bolivariana. Nela reside todo atraso no setor industrial.

wilson em 05 de agosto de 2014

Setti importamos prosaicos cabides de madeira, taboas de passar roupas, panos de chão, pratos, talheres, pegadores de roupas a lista é grande. Sim, a modestíssima relação que fiz no texto é apenas exemplificativa.

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