O que acontece quando um clássico dos Beatles é transformado em ópera

Cathy Berberian BBC

Cathy Berberian (Foto: BBC)

Por Daniel Setti

De tão “redondas”, as melhores canções dos Beatles tendem a manter sua capacidade de agradar mesmo quando relidas por artistas de estilos completamente diferente do quarteto de Liverpool, ou em arranjos que pouco lembram os originais.

O jazzista experimental americano Pat Metheny, por exemplo, encerra os shows de sua atual turnê com uma versão instrumental de “And I Love Her” ao violão; a grande diva americana Nina Simone (1933-2003) quase conseguiu, ao longo de sua vasta carreira, transformar em seus hinos beatlemaníacos como “Here Comes the Sun” e “Revolution”, cantando-os com um feeling impressionante; já Caetano Veloso fez bonito ao desconstruir “For No One”, “Eleanor Rigby” e “Lady Madonna” com sotaque sambista no álbum Qualquer Coisa (1975).

Mas e a ópera? É um gênero musical compatível com as canções diretas e – em geral – descomplicadas da dupla Lennon & McCartney ou de George Harrison?

Pois Cathy Berberian, meio soprano de Attleboro, Massachusetts, EUA, falecida em 1983 aos 54 anos, foi uma das poucas artistas a tentarem este cruzamento de linguagens aparentemente tão opostas. Acostumada a emprestar sua poderosa garganta a compositores eruditos como Igor Stravinski e John Cage e aberta a gêneros não necessariamente operísticos, Berberian lançou em 1967 o álbum Beatles Arias, inteiramente dedicado ao repertório da banda, com arranjos do músico holandês Louis Andriessen.

O resultado é, no mínimo, curioso. Em baladas como “Yesterday” e “Michelle”, choca menos (prova da tendência melodiosa clássica de seu verdadeiro autor, Paul McCartney). Mas em rocks como “Ticket to Ride”, na opinião de Música no Blog, a releitura se destaca mais por ser engraçada e bizarra do que qualquer outra coisa. E é justamente este clássico o único disponível em vídeo, registrado em programa televisivo holandês de 1977. Confiram e opinem:

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6 Comentários

  • Marco

    Amigo Setti: Daniel,Beatles em qualquer gênero musical, é sempre um desfrute!
    Abs.

  • Teresinha

    A expressão dela era mesmo de um toque divertido.
    Se ela é meio soprano e adora beatles, penso, foi mais uma homenagem – gostei!

  • Lizete Miziara

    Amo ópera!
    Antes de ler o artigo, achei melhor ouvir (ver) o vídeo.
    Na verdade, embora tenha gostado do espetáculo, custei a reconhecer a música; o que ajudou foi a letra inesquecível.
    Há um ponto muito positivo: prova que música é mesmo a linguagem universal e The Beatles, imortal.

  • André Costa

    Ficou legal, me lembrou as operetas do Queen. O que fica engraçado é o sotaque alemão da moça.

  • sonia maria mesquita

    O bom é que o Sr. está sempre inventando modas pra nós leitores. Aproveitando, sem querer abusar do seu espaco, qdo eu tinha nove anos, meus pais compraram o primeiro rádio, éramos pobres, e que felicidadea. Eu ouvi Erasmo Carlos cantando O Caderninho, e descobri o Rádio, mexendo no botao de sintonia descori creio que a Rádio Badeirantes, e ouvi um locutor de nome Vicente Leporace, ele falava sério, bravo, e recordo tbem que apos tinha um programa de narrar crimes na cidade, era igual novela, nas segundas-feiras era o dia de narrar historias de misterios, e tinha sempre pressagios e mortos, mas o que quero é, se possivel o sr. me dizer quem era ele, que programa era aquele, em que contexto digamos assim (me desculpe), ele se encaixava? Vicente Leporace, nunca mais li nada sobre ele, e aquele programa nunca mais ouvi após meus 15 anos e a dramatizacao da Bandeirantes tbem ficou na lembranca. O sr. gosta tanto de lembrar o passado, se nao for incomodo pode ajudar em minha lembranca? Obrigada. Sonia M.M.

    Não é incômodo, não, prezada Sonia. Leporace morreu há muitos anos, em 1978. O programa a que você se refere é “O Trabuco”, em que ele comentava fatos, criticava os políticos e os governos etc.
    O programa começou no início dos anos 60, na Rádio Bandeirantes de São Paulo, e ficou no ar até a morte de Leporace, em 1978, aos 66 anos.
    Abraços

  • Rere

    nADA A VER, PELO AMOR DE dEUS!