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O Toyota Prius 2012, híbrido: vem para o Brasil, mas como importado (Foto: toyota.com)

 

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O interior e os comandos do Prius 2012: em 1997, este híbrido já circulava no Japão. Já no Brasil… (Foto: toyota.com)

Quando o então presidente Fernando Collor chamou os automóveis brasileiros de “carroças”, num daqueles arroubos frequentemente premeditados e não raro irresponsáveis, bem ou mal deu uma chacoalhada na indústria automobilística que, em curto espaço de tempo, deu um considerável salto tecnológico.

O que será que a presidente Dilma Rousseff precisa fazer para que a indústria — que vem ganhando uma fortuna há vários anos, com a boa maré da economia brasileira, o maior poder de compra da classe média e o surgimento da chamada “nova classe média” — dê novo necessário salto para, no mínimo, a produção de carros híbridos?

Isso para não dizer os elétricos, que já são produzidos em série em vários países, tendo a Noruega como pioneira.

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O SUV Cadillac Escalade 2009: já então, modelo híbrido no grande bebedor de gasolina (Foto: cadillac.com)
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A ilustração mostra o interior do Escalade 2009, seus dois motores e seu complexo sistema de acumulação de energia

Sim, dos veículos movidos a gasolina (ou, no caso brasileiro, álcool ou gás natural) que geram, com o movimento e as freadas, energia elétrica acumulada em baterias capazes de fazê-los circular com um segundo motor? Que, portanto, apresentam um fabuloso rendimento na relação quilômetros rodados/litro de combustível?

É verdade que a multinacional japonesa Toyota colocará à venda, no segundo semestre, o híbrido Prius — o carro do gênero mais bem sucedido do mundo, com vendas já caminhando para 1,5 milhão de unidades. Será, porém, um importado, de preço bem acima dos 100 mil reais, graças à carga tributária burra que incide sobre veículos de pouco consumo de combustível.

Quando, no entanto, as muitas multinacionais instaladas no Brasil começarão a FABRICAR hiíbridos aqui?

O Prius, que de fato é uma maravilha para quem nele viajou ou que conseguiu dirigi-lo, começou a circular no Japão — vejam bem — em 1997. Em 2001, estava sendo exportado. Os japoneses, como sabemos, enxergam longe.

Mas mesmo a indústria dos Estados Unidos, viciada em carrões bebedores, de há muito entrou nesse ramo. O gas guzzler — bebedor de gasolina — por excelência, o enorme, superpotente Cadillac, da General Motors, desde 2009 tem no mercado uma versão híbrida de sua enorme e pesada SUV Escalade. É mais econômica que um Fiat Palio a gasolina.

Está faltando, quem sabe, a presidente Dilma dar uma de “gerentona” nas multinacionais automotoras.

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9 Comentários

Think tank em 27 de abril de 2012

Fora a abertura do mercado para outras marcas de automóveis, cartão internacional, e passagem livre aos brasileiros que chegam feita pelo Collor, pode se dizer que esse que ai está no poder só fabricou lorotas e BOQUINHAS para seus apaniguados, não existe de nada de fato para o país, nem o etanol é projeto desses. Caso tivesse o governo preocupado com ambiente, primeiro tornaria obrigatório reduzir a quantidade de elementos químicos nocivos presentes nos combustíveis fornecidos pela PTbrás. Com os combustível vendido aqui não sei como vai ficar a classificação SULEV do Prius, pois não é só consumo o ponto em foco deste carro.

Paulo Toshiharu Watanabe em 27 de abril de 2012

Sou aposentado, sempre trabalhando para "multinacionais", portanto não acredito que, persistindo a atual CONJUNTURA POLÍTICA ECONÔMICA, seja em qual setor, alguma MULTINACIONAL, comece a produzir algum produto de PONTA no Brasil. Nas melhores das hipóteses, sempre, o Brasil estará defasado, pelo menos, 4~5 anos! O maior, ou talvez, único entrave é a FALTA DE MÃO-DE-OBRA, principalmente, a BÁSICA, para apertar PARAFUSOS ou fazer FAXINA !

alberto santo andre em 26 de abril de 2012

UMA COISA HA DE SE CONVIR ,O BRASILEIRO NAO E MUITO ADEPTO A QUALIDADE,MAS SIM AS PROPAGANDAS MESMO QUE ENGANOSAS ,INDEPENDENTE QUE SEJA NO AMBITO DECARROS OU LINHA BRANCA OU ATE MESMO EM POLITICA.

alberto santo andre em 26 de abril de 2012

ISTO SO SERA POSSIVEL QUANDO ACABAREM COM O CABIDAO DE EMPREGOS DOS CUMPANHEIROS ,E AS PROPAGANDAS INSTITUCIONAIS QUE GARANTEM A FIDELIDADE DA PSEUDA IMPRENSA HONESTA ,COM DINHEIRO ESPOLIADO DO CONSUMIDOR BRASILEIRO PELO ABSURDO DOS PRECOS DOS COMBUSTIVEIS DE PESSIMA QUALIDADE DA PETROBRAS.

Jaime FF em 26 de abril de 2012

Carro hibrido no Brasil,esqueçam ,enquanto existir a PETROBRAIS nada temos pre sal,epor ai vai,ja notaram que nao se fala mais em etenol e nem bio diesel a menina dos olhos do Bugio

Franco em 26 de abril de 2012

Prezado Setti, Realmente os híbridos e elétricos são o futuro da indústria automobilística mundial. Mas, infelizmente, o que Dilma tem feito nesse setor não nos aproxima desse grande avanço. Mesmo nos EUA, onde o mercado de carros é muito maior que o nosso, os híbridos começaram a ser comercializados para aproveitar um nicho, já que o preço mais elevado desses veículos em comparação aos tradicionais os tornam menos atrativos. Pelo que sei, as baterias são os "vilões" responsáveis pelo encarecimento. Como lá os consumidores contam com uma infinidade de modelos e marcas (são muito mais abetos aos produtos estrangeiros do que nós), o ambiente de acirrada competição incentiva a indústria a desenvolver produtos para pequenas fatias de mercado. Uma parcela pequena dos americanos, o que em números absolutos é muita gente, topa pagar um pouco mais, para ter um carro muito econômico e menos poluente. Por aqui, as recentes medidas protecionistas diminuem a competição, com isso os fabricantes são menos estimulados a oferecer grandes novidades. Além disso, com as nossas taxas de juros, o que já seria mais caro à vista, ficaria estratosférico depois de quatro ou cinco anos. Temos que lembrar que a chacoalhada que o Collor deu no mercado de carros foi muito mais um efeito da brutal abertura aos importados que ele realizou do uma resposta das montadoras às suas declarações. Abraço.

Osvaldo Aires em 26 de abril de 2012

Amigo não uso carro, mas meu filho trabalha com veículos no geral então resolvi botar um marcador no meu blog e vou postar todos os teus artigos e vou fazer isso com arte e música - que já até tinha algo assim como assunto de poesia.Espero com isso ajudar duas pessoas diretamente meu filho e você e assim eu também. Abraço Osvaldo Aires http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/o-que-sera-preciso-para-o-brasil-vencer-o-atraso-em-fabricar-carros-hibridos-para-nao-dizer-eletricos-dilma-criticar-as-carrocas-como-fez-collor/ Prezado Osvaldo, colocando os links não há nenhum problema. E eu agradeço sua atenção e gentileza. Abraços

Fabrício em 25 de abril de 2012

Dilma "criticará" Hiíbridos... Cadê os corretores ortográficos da Veja? Caro Fabrício, está correta a sentença. É uma pergunta: O que será preciso para o Brasil vencer o atraso em fabricar carros híbridos, Dilma criticar as “carroças”? Mas obrigado pela observação

JMello em 25 de abril de 2012

Caro Setti, o problema de vender esses carros hibridos no Brasil sao os altos preços que os tornam inviáveis. Mesmo nos EUA, onde há isençao de impostos e direito concedido aos proprietários desse carro ao uso das vias rápidas nas auto-estradas, o preço do Prius ainda é salgado para os padroes norte-americanos. Aqui no Canada já está a venda o Prius C, um subcompacto que tem o preço inicial á partir de $20.500 (o prius normal custa a partir de $25.000). Acrescente a esses preços mais 13% de impostos. Porém, as pessoas que mais buscam economia de combustivel sao aquelas que nao podem comprar os Cadillac, Buick, Lincoln e etc. Esse grupo de pessoas, no qual eu me incluo, vao comprar os carros subcompactos mais baratos ainda que o Prius, como o Kia Rio, Honda Fit, Yaris, Hyundai Accent ou Ford Fiesta. Todos esses pequenos carros citados tem o mesmo nivel de consumo de combustivel, ou menos, que o Prius, sendo que esses subcompactos convencionais custam a partir de $14.000. Se quiser ainda um com cambio manual, tem a partir de $12.000!!! E claro, esses carros sao bem superiores 'as nossas carroças brasileiras. Eu, particularmente, acho que o cenário vai piorar ainda mais com essas medidas protecionistas implementadas pela gerentona, ou seja, o barulho de carroça está ficando mais próximo. Sds

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