O que teria esse quadro para valer mais de 6 milhões de reais? O autor — pintor amador –, um dos líderes gigantes do século XX: Winston Churchill

"The goldfish pool at Chartwell" (o poço de peixinhos dourados de Chartwell, a mansão dos Churchill em Kent, na Inglaterra, hoje propriedade do Estado): 6,7 milhões de reais pelo quadro de um gênio em várias áreas (Foto: telegraph.co.uk)

“The goldfish pool at Chartwell” (o poço de peixinhos dourados de Chartwell, a mansão dos Churchill em Kent, na Inglaterra, hoje propriedade do Estado): 6,7 milhões de reais pelo quadro de um gênio em várias áreas (Foto: telegraph.co.uk)

Já faz algumas semanas que a famosa casa de leilões Sotheby’s de Londres, realizou um leilão extraordinário pela qualidade e valor histórico das peças, pelos recordes que bateu e pela figura central cuja sombra se estendeu sobre o acontecimento — Sir Winston Churchill, o leão inglês que manteve por mais de dois anos resistência solitária contra a Alemanha de Hitler na II Guerra Mundial, o genial jornalista, militar, político, diplomata, historiador, escritor (Nobel de Literatura em 1953), um dos mestres do idioma inglês em todos os tempos e, para muita gente, o maior estadista do século XX.

Mesmo tendo passado essas semanas do leilão, não posso deixar de comentar.

Além dos qualificativos acima, Churchill foi também um pintor amador de grande qualidade — tanto é que, entre os 250 lotes de peças colocados em leilão, herança da mais nova de seus cinco filhos, a baronesa Mary Soames, falecida em 2014 aos 91 anos de idade, esteve o quadro a óleo The goldfish pool at Chartwell (em tradução livre, o poço dos peixinhos dourados em Chartwell, a mansão em que Churchill viveu em Kent), merecedor de um lance vencedor de 2,21 milhões de euros (6,66 milhões de reais), nível de obra de artista de primeiríssima.

Retrato de Churchill por Oswald Birley (1880-1952): 1,8 milhão de euros (Foto: telegraph.co.uk)

Retrato de Churchill por Oswald Birley (1880-1952): 1,8 milhão de euros (Foto: telegraph.co.uk)

Trata-se do maior preço obtido até hoje por um quadro de Sir Winston, ultrapassando em mais de 1 milhão de euros (mais de 3 milhões de reais) Chartwell landscape with sheep (paisagem de Chartwell com carneiros), outro óleo arrematado em 1997.

Outras duas pinturas do ex-primeiro-ministro britânico foram vendidas por perto de 1 milhão de euros cada uma, além de um retrato seu a óleo feito pelo retratista das elites e da nobreza britânica Oswald Birkey (1880-1952), que alcançou 1,8 milhão de euros (5,4 milhões de reais).

A pasta de couro de Churchill quando ministro das Colônias:

A pasta de couro de Churchill quando ministro das Colônias: só esta peça, perto de 600 mil reais (Foto: Sotheby’s)

Chegou a quase 200 mil euros (600 mil reais) o lance vencedor pela pasta de couro vermelha que Churchill utilizou durante seus anos como Secretário de Estado de Sua Majestade para as Colônias Britânicas.

Por 47.750 euros (mais de 140 mil reais) foi-se uma foto original, não autografada, de Churchill cumprimentando o general Dwight D. Eisenhower, comandante supremo das forças dos Aliados durante a II Guerra — e, posteriormente, presidente dos Estados Unidos (1953-1961). Até uma simples caixa para conservar os famosos charutos do líder superou as expectativas, sendo arrematadas por perto de 80 mil reais, vinte vezes seu preço estimado.

São fragmentos da trajetória movimentada e riquíssima de um homem que viveu intensamente cada um de seus 91 anos até a morte, em 1965, e que marcou fundo seu tempo.

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9 Comentários

  • BOB

    É interessante lembrar que o MASP possui um quadro pintado por Winston Churchill, por sinal que muito apreciado pela rainha Elisabeth, quando da inauguração do prédio da avenida Paulista.

  • Marco

    Todo valor é abstrato, oferta e procura, vale o que alguém está disposto à pagar. Quanto valeria um copo apodrecido de madeira se ele fosse o Santo Graal?

  • Ernesto Barros

    Para sorte do mundo livre, Deus colocou dois grandes homens no lugar certo, na hora certa, para derrotar o nazismo: Winston Leonard Spencer-Churchill e Franklin Delano Roosevelt. E Stalin ?, perguntariam os esquerdopatas. Este, como ficou provado pelo que fez antes, durante (o massacre de Katyn, por exemplo) e depois da Segunda Guerra, era tão maligno quanto o próprio Hitler.

  • Winston

    O maior de todos os primeiros ministros de todos os tempos.
    O maior estadista do mundo livre da história ocidental.
    O mundo seria um inferno total – não que estejamos longe dele – sem Churchill.
    A autobiografia de Churchill deveria ser de leitura obrigatória em todos os cursos superiores do mundo ocidental.
    Ninguém, nem Roosevelt, nem quem quer que seja, está à altura do Primeiro Lorde do Almirantado.
    Um gênio, um humanista, um gerreiro, um “Homem com H”, que não existe mais.
    Stalin, com todos os seus justificáveis defeitos, não pode ser esquecido, porque a “Batalha de Stalingrado” foi decisiva para modificar o teatro da II Grande Guerra Mundial.
    Roosevelt entrou tardiamente na refrega contra o nazi-fascismo, mas quando o fez, o sinos da Catedral de Notredame começaram a dobrar pressentindo a vitória dos Aliados.
    Ave Churchill!
    O mundo seria muito pior sem ele!
    Só um estadista monumental desdenharia do acordo proposto por Hitler e manteria o tratado firmado com os franceses.
    Os atuais primeiros ministros e presidentes das principais nações ocidentais – Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Estados Unidos – são mediocridades que nem de longe chegam ao solado dos pés de Churchill.

  • Ernesto Barros

    Winston – 27/1/2015 às 19:07 diz
    “Stalin, com todos os seus justificáveis defeitos” Na minha opinião, genocídio é INjustificável!

  • BOCA

    O quadro parece uma fotografia!

  • Novocredo

    Se fosse só escritor seria fantástico, se fosse apenas pintor, seria muito bom, se fosse somente jornalista, seria grande. Mas foi tudo isso é muito mais. A sua determinação em continuar lutando salvou o mundo ocidental. Parafraseando o próprio Churchill: nunca tantos deveram tanto a um só homem.

  • Caio Frascino Cassaro

    Prezado Setti:
    Fico imaginando quanto valerão, daqui a 50 ou 60 anos, uma garrafa da cachaça favorita de Luizinacio, o vestido da posse (a segunda) de Dilma Roussef ou um pedaço do Pato Donald grafitado pelo preboste da cidade de São Paulo, o inacreditável Fernando Haddad. Talvez sejam negociados como um lote em troca de um exemplar de “Marimbondos de Fogo”…
    Abs

  • Winston

    A propósito do comentário de 27/1/2015 às 19:07, no tocante a Joseph Stalin, o fundamento acadêmico pode ser encontrado nas publicações abaixo mencionadas:

    (1) Stalin’s wars: from World War to Cold War, 1939-1953 [As guerras de Stálin: da Guerra Mundial à Guerra Fria, 1939-1953], Londres, Yale University Press, 2006.

    [2] When titans clashed: how the Red Army stopped Hitler [Conflito de titãs: como o Exército Vermelho parou Hitler]. Lawrence, University Press of Kansas, 1995.

    [3] Years of war in the East, 1939-1945: a review article [Anos de guerra no Leste, 1939-1945: uma revisão], Londres/Nova York, Estudo Europa-Ásia, março de 2007.

    [4] Carnets de guerre: de Moscou à Berlin 1941-1945 [Cadernetas de guerra: de Moscou a Berlin 1941-1945], Paris, Calmann-Lévy, 2007.

    O que não implica desconsiderar, sob hipótese alguma, os “progroms”, nem os “gulags”. Da mesma forma que imaginar a vitória dos aliados, sem a derrota do IV Exército da Wermacht de Paulus em Stalingrado subjugado pelo Exército Vermelho do Marechal Zukov, também seria impensável com base na honesta análise intelectual da dinâmica histórica da II Guerra, à qual o insuperável Churchill considerou – quando perguntado por Roosevelt como se deveria denominar àquele formidável espetáculo de horrores -, de “A Guerra Desnecessári”.