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Maquete do futuro estádio do Corinthians no bairro de Itaquera, em São Paulo: oferta de 300 milhões para batizar com nome do banco

Amigos, o Corinthians teria recebido proposta de 300 milhões de reais de um banco para batizar com seu nome o futuro estádio do clube no bairro de Itaquera, em São Paulo.

O presidente do Timão, Andrés Sanchez, estaria achando pouco…

Os argumentos até que são razoáveis: o banco desejaria afixar seu nome ao que já apelidaram de “Itaquerão”durante um prazo maior do que o clube considera razoável. A área de marketing do Corinthians, dirigida pelo economista Luís Paulo Rosenberg, estaria argumentando que, com a obra avançada – mal começaram, há poucas semanas –, a tendência é valorizar o novo estádio no mercado de naming rights (expressão inglesa que equivale a algo como “o direito de dar o nome” a algum edifício, em geral instalações esportivas, em troca de pagamento ao titular da instituição).

Mas talvez o Corinthians devesse aceitar logo a oferta. E sabem por quê?

Quem garante que a mídia – jornais, revistas, emissoras de rádio e TV – iria chamar o estádio batizado por um banco?

Além dos problemas comerciais e de anunciantes, sobretudo nas emissoras, há algo mais no ar — um velho vezo anticapitalista no país, que inibe a mídia de alto a baixo, de diretores a repórteres, de fazer o que fazem com a maior tranquilidade norte-americanos, canadenses, australianos e europeus de vários países: chamar um estádio por seu “nome comercial”. Sem a mídia mencionar o nome, a empresa que pagou pelos naming rights fica sem seu principal objetivo: publicidade.

Vejam o caso da Arena da Baixada, do Atlético Paranaense, em Curitiba, até recentemente o mais moderno estádio de futebol do Brasil.

Alguém na imprensa jamais a chamou pelo nome original que exibiu até 2008, Arena Kyocera (empresa japonesa de alta tecnologia)?

Não dá para saber, nem mesmo pelo site do clube, se o nome teoricamente existiu ou não. Confiram no site do clube, item “Arena”.

Já nos EUA, nem preciso lembrar: todos os espaços possíveis e imagináveis que os clubes de basquete, beisebol, futebol americano e mesmo o nosso velho e bom futebol podem comercializar viram renda. Na Europa, idem. Nenhum órgão da imprensa britânica hesita em chamar de “Liga Barclays” (nome de um banco) a Premier League. O logo “Liga Barclays” aparece na TV a cada repetição de lance de qualquer partida do campeonato.

Na Espanha, ninguém questiona que a Liga Espanhola seja a “Liga BBVA” (outro banco), bem como, na Alemanha, todos chamam de Allianz-Arena (Allianz é uma grande seguradora) o espetacular estádio do Bayern de Munique, sede de várias partidas da Copa do Mundo de 2006.

Aqui, no Brasil, não sei se isso vai pegar, não.

Melhor o Corinthians pensar depressa.

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A espetacular Allianz-Arena, em Munique, na Alemanha: nome de seguradora

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14 Comentários

JT em 18 de agosto de 2011

"Naming rights"? Maracana, Morumbi, Pacaembu: deveríamos pagar "royalties" para os índios tupis e guaranis, pelo uso de suas palavras para apelidar os estádios mais famosos do Brasil. Se bem que não seriam "naming rights", mas talvez "apeliding rights" :)

Nilton Sparagna em 18 de agosto de 2011

Basta que ao negociar os direitos de transmissão dos jogos em seu campo, o Corinthians exija contratualmente que o estádio seja chamado pelo nome comercial. Pode-se até fixar o número de vezes que o nome deve ser citado durante a transmissão. Será que a Record não aceitaria rapidinho?

Ailton em 17 de agosto de 2011

corinthians; O ocorrido foi em SP, a obra é administrada pelo governo de São Paulo, embora obras pertencam ao time que também possui o seu nome, más podeira ser em qualquer estado do país, ai, eu usaria o governo daquele lugar. foi só isso. Eu critiquei e muito a mudança de nome do nosso aeroporto, que antes era 2 de Julho e agora tem o mesmo nome de um filho morto de um alcaide (agora tambem morto). Abraços.

Corinthians em 17 de agosto de 2011

Ailton, O que os tucanos têm a ver com isso ? Dar nome de político ? Não duvido não, mas deve ser petista, visto que o presidente do Corinthians se filiou faz um bom tempo neste partido. Acho incrível como tenta-se politizar até este tipo de coisa.

Ailton em 17 de agosto de 2011

Capitalismo é isso, uma empresa financia uma obra e em troca ela quer receber publicidade. Nada mais certo, que outra coisa justificaria esses investimentos? Falam tanto em tornar o estado menos estatizado e condenam a iniciativa privada, quendo investem e cobram divulgação. Nunca entendi os tucanos, entregaram tudo que país possuia, quando governaram na decada de noventa, e agora vem com demagogia só porque um banco financiou 50% dessa obra e agora só está a exigir o seu nome na fachada dessa construção. Pior é batizar obras públicas com nomes e pais, mães de politicos, ou mesmo nomes de politicos corruptos, até donos de imprensa corruptos de outrora sevem para batizar logradouros como é muito comum vermos em: viadutos, avenidas, rodoanéis, pontes estaiadas, aeroportos, ruas e mesmo estádios de futebol. É justo, muito justo que deêm o nome das empresas que financiaram essas contruções. O resto é demagogia barata e simploria.

Ailton em 17 de agosto de 2011

Se empresas entrar com parte do dinheiro da construção, como é o caso dessa oferta de R$300milhões para um empreendimento de R$600,0mi. nada mais justo que se faça um mimo a quem financiou 50% dos custos. Melhor que por um nome de um SSerra ou outro tucano qualquer, já que governo paulista está emplumado havia 20 anos. Fatalmente darão o nome de um dos seus politicos ao estadio.

Rodrigo Moreira em 17 de agosto de 2011

É verdade... não tinha pensado nessa questão do nome dos cartolas. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a trinca Maracanã-Mineirão-Morumbi. Quanto ao resto, nao me preocupo, honestamente. Não vejo problema num nome comercial (com exceção dos três acima, ao menos). Quanto a cair no gosto da população... nao sei. Vou mais pela sua linha de que provavelmente nao vai pegar, ao menos de início. Mas acho que, no longo prazo, caso as TV's adotem os nomes, a resistência diminuirá com o tempo. Mas pensando aqui. Não sei se eu gostaria de chamar meu "São Januário" de "Arena Eletrobrás", por exemplo. Honestamente, nao sei. Se fosse isso em troca de uma modernização, acho válido.

Corinthians em 17 de agosto de 2011

Setti, Se me permite, acho que já faz uns 3, 4 anos, lembro-me de que um dos locutores da Globo - o Kléber Machado - chamou o estádio pelo seu verdadeiro nome - Kyocera Arena. Isso me marcou por que naquele momento eu não sabia sobre essa de naming rights. Claro, só me lembr desta vez. Acho ue o Corinthians poderia por meio do contrato de transmissão de jogos pela TV colocar uma cláusula onde o nome do estádio deveria sempre ser o do naming rights, além de orientar os repórteres que acmpanham aos treinos a fazer o mesmo, sob risco de não deixar o repórter entrar novamente. Mas isso seria um mundo ideal, acho que realmente essa veia anti-capitalista acaba por estragar muita coisa no Brasil.

Rodrigo Moreira em 16 de agosto de 2011

Setti, Nao sei se é aversão ao capitalismo ou se é simplesmente costume. De todo modo, o fato é que não chamamos os estádios pelo nome "comprado" porque a TV nao o chama assim. deste modo, acho que o primeiro puxão de orelha deve ir para a dona rede Globo, que, por exemplo, nao chama o estadio do Atlético-PR de Arena Kyocera. Ok, nao acho que seja por "birra", mas por questões comerciais. Salvo engano, um dos tópicos do acordo para a renovação do direito de transmissão era o respeito aos "naming rights". Nao sei se a Globo acertou isso com os clubes na renovação, mas sei que a proposta da Record tinha isso. Por isso, acho que devemos admitir que certos nomes são "míticos" e nao devem ceder seus sobrenomes a empresas. Maracanã é Maracanã (Mineirão é Mineirão e por ai vai) e nao há preço que pague isso. os novos, ok. Mas deixemos os templos em paz... Saudações! R Caro Rodrigo, veja bem, eu não estou defendendo ou atacando as mudanças para nomes "comerciais". O que estou dizendo é que não vai pegar. Deixemos os templos em paz, sim -- mas, de preferência, não dando nome de CARTOLAS aos estádios! O horrendo nome de "Engenhão" só não é pior do que Estádio Olímpico João Havelange. O fim da picada! Você não acha? Que Cícero Pompeu de Toledo, que nada! Que Paulo Machado de Carvalho, o quê! Deveríamos dar nomes de grandes craques do passado aos estádios -- mas isso é uma quimera. Todos os novos serão "vendidos". E, a despeito do que escrevi, os patrocinadores de estádios acabarão por assinar algum contrato com as TVs para que elas mencionem os nomes comerciais. Aguardemos. Abração

Geraldo Travaglia em 16 de agosto de 2011

Para mim será eternamente o ITAQUERÃO. Muito mais simpático do que qualquer outro nome. Imaginem uma empresa desembolsando R$300MM para ter seu nome gravado na pedra e, logo na abertura da copa, o reporter de campo vem e diz: diretamente do Itaquerão........ Pessoalmente, acho horrendos esses nomes aumentativos, especialmente quando provêm de puxa-saquismo com políticos, como o Castelão de Fortaleza. Mas gosto não se discute, não é, caro Geraldo? Um abração, por falar eu aumentativo...

JT em 16 de agosto de 2011

O estádio do Timão terá renuncia fiscal, mas para todos os efeitos é um projeto privado. Ocorre que existem obras públicas para a Copa do Mundo e Olimpíadas que irão consumir quarteirões sólidos do nosso suado dinheiro. O CREA, o conselho dos engenheiros e arquitetos, infelizmente não tem a mesma atuação da OAB, com relação aos mandos e desmandos de alguns nas esferas máximas do poder. Agora imaginem o CREA sem uma costela considerável a partir de 2012, quando o CAU será o conselho exclusivo dos arquitetos, em número bem menor do que os engenheiros. Será que o CAU terá força e isonomia política, para se manifestar sobre a farra das obras públicas? Escrevi um pouco a respeito, não é mesmo caro Setti? Caso não queira mais aproveitar o texto que leh enviei, me avise por aqui, que publicarei no meu próprio site - o que obviamente não terá a mesma visibilidade, mas pelo menos não me sentirei omisso nesta importante questão. Grande abraço! Seu texto sai amanhã, caro Jean. Abração

Sergio em 16 de agosto de 2011

Setti, que sacanagem! Voce acabou com a festa...Os caras iam receber a grana e, informalmente, chamar a nova fazendinha de Estádio LLuiz Inácio.

Marcos em 16 de agosto de 2011

o que não pegou, ainda, no Brasil foi o capitalismo. MAM

Jotavê em 16 de agosto de 2011

Vou até mais longe, Setti. O Corinthians não deveria estar DANDO PALPITE nessa história. O estádio está sendo construído com renúncia fiscal e crédito subsidiado. O preço está escancaradamente superfaturado (custará TRÊS vezes mais do que a arena do Palmeiras, totalmente custeada pelo clube e por patrocínios privados). Andres Sánchez já está se candidatando à vaga de Ricardo Teixeira na CBF, caso esse Fulano caia, como todo brasileiro de bem espera que aconteça. Isso diz tudo sobre seu caráter e sobre seus escrúpulos. Teria que estar quietinho, agradecido por tanta "gentileza" dos contribuintes brasileiros.

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