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O Rei Juan Carlos, com o nariz e o olho esquerdo feridos

Chefe de Estado constitucional da Espanha há 33 anos, o Rei Juan Carlos I é, paradoxalmente, uma das figuras mais discretas da vida pública do país. Faz de tudo para não ser notícia e gosta de trabalhar nos bastidores.

Nos últimos dias, foi notícia por motivo fútil, adorado pelas revistas de fofocas: levou uma pancada no rosto que lhe feriu o nariz e o olho direito ao abrir uma porta no Palácio de la Zarzuela, residência oficial, no mesmo momento em que um funcionário a empurrava do outro lado.

Olho roxo, curativo no nariz e agenda

Com olho roxo e curativo no nariz, ou de óculos escuros, porém, o rei manteve sua agenda — neste domingo, 4, por exemplo, estava em Sevilha comemorando com os tenistas espanhóis o pentacampeonato da Taça Davis. Não mostrou publicamente abalo pelo escândalo que envolve um de seus dois genros, Iñaki Urdangarin, casado com Cristina, uma de suas duas filhas, e pai de quatro de seus oito netos: ele, que vive em Washington com a família, vem sendo acusado de haver embolsado ilegalmente dinheiro destinado a uma fundação que dirige.

O Rei iniciará nos próximos dias consultas com todos os grupos políticos da Espanha antes de indicar o vencedor das eleições do dia 20, o conservador Mariano Rajoy, para presidir o governo.

Simpático e bonachão, o Rei, cujas funções são em maioria cerimoniais, exceto o comando supremo das Forças Armadas, na prática abre muitas portas para o país, no terreno diplomático e no de negócios. Acaba de fazê-lo junto a países árabes.

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Maquete do trem-bala espanhol que ligará Meca, Medina e Jeddah: negócio de 7 bilhões de euros (17,2 bilhões de reais)

Não falta entre fontes bem informadas na Espanha quem veja influência do Rei, que mantém antigas e excelentes relações com a monarquia saudita, no maior negócio realizado no exterior pelo empresariado espanhol em muitos anos: a escolha, pelo governo de Ryad, de um consórcio de 10 empresas espanholas, a que inevitavelmente se haviam somado duas empresas sauditas, para implantar o trem-bala que ligará as cidades santas de Meca e Medina.

Por vistosos 7 bilhões de euros (17,2 bilhões de reais), o consórcio, liderado por duas estatais espanholas do setor ferroviário, construirá as linhas, fornecerá 36 trens e poderá explorar o serviço por 12 anos.

O trem-bala utilizará a tecnologia do AVE (Alta Velocidade Espanhola), trem de alta velocidade com a maior rede da Europa, e circulará extensão de 450 quilômetros, ligando as duas cidades sagradas entre si e ao porto de Jeddah, no Mar Vermelho, ponto de entrada da maioria dos peregrinos do mundo inteiro que anualmente se dirigem a Meca, terra natal do profeta Maomé, e não deixam de visitar Medina, onde está seu túmulo. O trem poderá superar os 300 quilômetros por hora de velocidade e transportar mais de 160 mil passageiros por dia.

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Um jato de combate Typhoon com carga de foguetes: produzido pelo consórcio Eurofighter, que tem participação da Espanha (Foto: British Aerospace)

Haveria outros negócios em mira na recente visita que o Rei fez aos Emirados Árabes Unidos, onde assistiu a uma prova do campeonato de Fórmula 1 em Abu Dhabi, depois, inaugurou o Salão Aeronáutico de Dubai. Os Emirados estão em fase de comprar 50 aviões de combate, têm-se inclinado pelo Typhoon, fabricado pelo consórcio europeu Eurofighter, e poderão proximamente bater o martelo.

O consórcio junta empresas da área de defesa de Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha.

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CANDINHA em 06 de dezembro de 2011

Olá Ricardo, Tenho uma correção a fazer. Inaki é casado com Cristina, a filha mais nova do rei. Residi alguns anos em Espanha, aprecio D. Juan Carlos I por sua simplicidade e fico contente em ver que os negócios intermediados pelo Rei podem ajudar a Espanha a sair da crise pela qual está passando. Você tem toda razão, prezada Candinha. Errei sem pereceber. Elena é a mais velha, divorciada de Jaime de Marichalar. A mulher do Iñaki é Cristina, a caçula. Abração e obrigado por sua atenção.

Fernando em 06 de dezembro de 2011

Prezado Ricardo, A Franca nao faz parte do consorcio do Typhoon; os Franceses decidiram seguir um caminho proprio e lancaram o "Rafale", aquele caca que o Nelson Jobim queria, porque queria, empurrar goela abaixo da FAB. []s! P.S.: Este comentario nao precisa ser publicado. Caro e atento Fernando, A França integra, sim, o consórcio Eurofighter, responsável pelo Typhoon, por meio da European Aeronautic Defense and Space Company (EADS), de que são parte, entre outros, o governo da República Francesa e a corporação Lagardère. Veja o site http://www.eads.com/eads/int/en/our-company/our-governance.html Um grande abraço

Jefff em 06 de dezembro de 2011

Eu apoio a monarquia!

Teresinha em 05 de dezembro de 2011

Tadinho do rei! Ainda bem que lá é só um, aqui nós temos tantos reis. A Espanha está tão bem assim? não está sofrendo o efeito da crise? Sei não! Teresinha, cara, você não deve estar lendo o blog com assiduidade. A Espanha vive uma situação péssima, dificílima, que já abordei em dezenas de posts diferentes. Mas esse negócio do trem-bala vem a calhar, no momento em que o país mais precisa. E os jatos, embora ainda não vendidos, também servidão, se vendidos, para movimentar um pouco a economia, uma vez que partes dessas aeronaves são feitas na Espanha. Abraço

Paulo Nuin em 05 de dezembro de 2011

Urdangarín não tem acento, mesmo "traduzindo" para o português.

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