Com os Jogos Olímpicos de Londres já rolando, muita gente começa, naturalmente, a refletir e a pronunciar-se sobre os próximos, no Rio de Janeiro, em 2016.

O jornal madrilenho El País, a este respeito, publicou um levantamento deplorável sobre a força olímpica da América Latina.

São estatísticas que, apresentadas dessa forma, eu desconhecia.

Em toda a história de 116 anos das Olimpíadas da era moderna, nossos atletas, os latino-americanos, subiram ao lugar principal do pódio 128 vezes – 67 medalhas de ouro de Cuba, 20 do Brasil, 17 da Argentina e 12 do México.

Muito bem.

Tudo somado, é menos do que a Austrália ou a Suécia

Mas, tudo somado – e aí os números não são mais do jornal –, um continente que abriga 575 milhões de pessoas levou menos ouros do que a Suécia (9,5 milhões de habitantes), sozinha, conseguiu (142). Menos também do que a Austrália (131 ouros), com seus 23 milhões de habitantes.

O levantamento de El País indica que mesmo nações de porte e peso econômico, político e populacional, como a Colômbia (população de 46 milhões de habitantes, PIB de meio trilhão de dólares), tiveram até hoje um desempenho pífio, ridículo: 11 medalhas no total, sendo apenas uma de ouro.

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A lutadora mexicana de Taekwondo, Maria del Rosario Espinoza, ouro nas Olimpíadas de Pequim: Uma das 128 Latino-americanas a trazer medalha (Foto: Ezra Shaw/Getty Images)

O Peru, 28 milhões de habitantes, território pleno de riquezas e imenso (1,3 milhão de quilômetros), PIB de 200 bilhões de dólares e atravessando um período de grande progresso, soma grotescas quatro medalhas – uma só de ouro. E há desempenhos abaixo de qualquer comentário, como o do Equador (duas medalhas) e do Paraguai (uma).

Tudo somado e juntado, com seus 19 países, a América Latina amealhou entre ouro, prata e bronze, até hoje, 475 medalhas.

A maior potência olímpica, os Estados Unidos, sozinha, levou para casa 2.297 – quase o quíntuplo da América Latina. A falecida União Soviética, sempre nos calcanhares dos americanos, chegou a respeitabilíssimas 1.010, desde que começou a competir, em 1922, até desaparecer, em 1991.

A Rio-2016 será a segunda Olimpíada da história a realizar-se na América Latina — a primeira foi no México, em 1968. Uma oportunidade para o continente fazer um esforço especial e ostentar números mais simpáticos.

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1 comentário

Marco em 29 de julho de 2012

Dom Setti: Perfeito não é muito da nossa cultura conquistas esportivas apoiadas no esforço competitivo e prático. Essa é a verdade. Abs.

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