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Mohammed Merah: segundo o jornal espanhol "El País", "acabou com a vida de quatro adultos e três crianças tão franceses como ele, tão mestiços como ele, tão europeus como ele e, seguramente, tão religiosos quanto ele" (Foto: Reuters)

Morto com uma bala na cabeça por forças especiais, o assassino de quatro judeus e de três militares de origem árabe, todos franceses – o “Demônio de Toulouse”, como Mohammed Merah, 24 anos, nascido na França, ficou conhecido por jornais sensacionalistas –, veio à tona a espetacular operação de localização para identificá-lo e localizá-lo, a cargo do promotor-chefe de Paris, François Molins.

Mais de 300 agentes estiveram envolvidos na investigação, que, entre outras tarefas, conseguiu a proeza de cruzar 7 milhões de dados telefônicos, 700 conexões de internet e rastrear os acessos a centenas de anúncios de venda de motocicletas na Web – o paraquedista Imad Ibn Ziaten, um dos mortos, estava interessado em vender sua moto Suzuki e marcou um encontro com Merah. Ao comparecer ao local combinado, foi morto com dois tiros.

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O ministro do Interior da França, Claude Guéant, confirmou a morte do terrorista (Foto: Expresso)

Entre os potenciais compradores que responderam ao anúncio do paraquedista assassinado, o intenso trabalho de investigação acabou localizando o IP – a “identidade” de cada computador existente – de Abdelkader Merah, irmão mais velho do assassino, que já estava no radar das forças antiterroristas da França por atividades suspeitas no Iraque.

Foi este o elo que permitiu chegar ao insano militante radical islâmico que matou por querer protestar contra uma salada de coisas díspares, que iam da limitação do uso do véu islâmico nas escolas públicas da França à situação dos palestinos em Gaza. Para isso, aniquilou sete franceses inocentes.

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Corinthians em 23 de março de 2012

Algo para pensar - reproduzindo algo colocado pelo Reinaldo Azevedo. O Mohammed foi preso pelos EUA e devolvido à França, que o deixou livre. Não teria sido melhor mandá-lo para Guantánamo ?

Ismael em 23 de março de 2012

Esse garoto, pobre para o padrão francês, pode estudar (era mecânico) provavelmente as custas do contribuinte francês, tinha uma casa, amigos e apesar disso naõ se considerava francês. Odiava a frança e seu multicultiuralismo. Defendia o uso de véus integrais islâmicos, aqueles que cobrem o corpo todo, odiava judeus, tão franceses quanto ele, e soldados franceses de origem norte africana. Era enfim uma espécie de "nazista" ao reverso. Uma expressão fiel do radicalismo islâmico que a esquerda brasileira defende, diga-se de passagem.

patricia m. em 23 de março de 2012

@Alberto Porem: esta tentando dizer que o Mohammed nao era o assassino, que era tudo uma farsa? Bom, cara foi 2x para o Afeganistao e estava acessando sites islamicos extremistas: se morreu, os agentes franceses fizeram um bem ao mundo. E se o cara nao era esse cara, entao o assassino esta a solta e vai matar novamente. Vamos esperar para ver? Se for assim, provavelmente eh outro mohammed...

Reynaldo-BH em 22 de março de 2012

Ao Alberto Porém. Amigo, vamos aos fatos pela ordem inversa. 1 ) Ele não se suicidou. Pulou a janela e foi atingido por um atirador de elite, de um prédio em frente 2 ) Entraram no apartamento pelo silêncio dele por mais de 12 horas. Chegou-se a supor que estava morto. 3 ) O arsenal que portava, dando tiros a esmo, dentro de um banheiro pode ter recebido uma descarga de disparos. 4 ) O "elemento" não estava sob vigilância. CONSTAVA em um cadastro de prováveis terroristas, desde quando tentou se alistar no exército francês.E ao ser rejeitado, jurou que se vingaria. Estas teorias conspiratórias são sempre mais emocionantes que a verdade dos fatos. O fato é que era um francês que matou crianças francesas. Ou era um muçulmano que matou crianças judias.. Para mim, tanto faz. Não defendo a pena de morte. Defendo a defesa da sociedade contra um agressor sem princípios, ideologia ou compaixão. Mesmo que para isto, estas ações precisem ser feitas. Abraços.

Alberto Porém Jr. em 22 de março de 2012

Com os devidos créditos ao amigo José Mayo. Deste assunto eu só vou citar algumas das versões veiculadas e facilmente encontráveis na mídia: O "elemento" estava vigiado já fazia semanas, mas pôde matar tranquilamente sete pessoas e, a principio, ninguém o conhecia. Somente anteontem "descobriram" quem era o suspeito, mas, minutos depois, já haviam filtrado, para a imprensa, toda a "história da sua vida"... Também foi divulgado que o assassino teria confessado os crimes e teria dito que voltaria a matar, mas ninguém apresentou prova física dessas declarações... talvez, o "gravador" da "conversa", ficou sem fita... Também, supostamente, mantiveram o assassino cercado durante trinta e seis horas, sozinho, sem reféns e num esconderijo praticamente ao nível da rua, mas, quando entrou a polícia, a reação dele foi tão violenta que tiveram que disparar mais de trezentas vezes para dominá-lo, ficando feridos na refrega tres agentes da polícia. Em seguida, o criminoso suicidou-se e, depois do suicídio, jogou-se pela janela do esconderijo... Isto me lembra aquela pergunta que o personagem do Chico Anísio, "Seu Pantaleão", fazia: - É mentira "Terta"? - Né não, "Pantaleão"; É a "política".

Reynaldo-BH em 22 de março de 2012

Setti, me recordo de uma discussão - acontecida aqui9 - em que "experts" em informática garantiam haver fórmulas eficazes para garantia do anonimato. Bobagem. Trabalho com isso. Acompanho o processo de quebra de chaves e identificação de acessos. Ao menos que haja uma organização muito bem aparelhada (como os hackers que se protegem e triangulam IPs e acessos), hoje é muito fácil identificar: telefonemas, sms´s, mails, inbox de redes sociais, etc. Cheguei a lembrar o Guardião em uso pela Polícia federal no Brasil. Fui contestado. Preferi ficar calado. TODOS sabemos que a PF já tem um I-GUARDIÃO. (A engenharia aplicada na montagem do software é a mesma. baseado em redes neurais e algoritmos genéticos). Agora mesmo no Brasil um racista de Curitiba - que se julgava muito "esperto" - foi preso mesmo hospedando o site em servers da Indonésia! E tendo o IP identificado - a início - como estando na Colômbia! Bastou cruzar os mails e comments para chegar em... Curitiba! A NSA (National Security Agency)dos USA é definida como agência de interceptação de mensagens (sejam estas quais forem) e criptoanálise. Não é coisa de James Bond. Ao contrário, é coisa de matemáticos acadêmicos. O que pode ser usado (por curiosos) na mesma linha, tem como in´cio a NSA. São diversos sites e engines disponíveis para identificar, bloquear, capturar desde endereços lógicos até mesmo nome do assinante (a partir da conexão usada e não da conta que diz ter), endereço, etc. Temo que alguns AINDA defendam o dito território livre da Internet, como campo de atrocidades. E crimes. São diversos. Deste que chocou o mundo ao simples envio de comentários raivosos, ofensivos ou intimidadores. Desde o 09/11, para cda dólar gasto com novas tecnologias WEB, gasta-se 33 dólares em mecanismos de identificação de usuários! Paranóia? Invasão de privacidade? O caso do terrorista que matou crianças na França serve ao menos como reflexão. Ele iria matar outros, certamente. E foi impedido. Mecanismos que há 5 anos só eram de domínio de agências no a NSA ou MR5,hoje são encontrados em sites ocultos da WEB. É difícil chegar até aos mesmos. Mas não impossível. quem quiser tentar, acaba conseguindo (se tiver uma boa base técnica). Dados encriptados de 4 anos atrás, hoje são "lidos" com tradutores de diversos níveis. IP´s fakes (que mudam de local ou usam dummys de outros locais) são identificados através de dezenas de rastros que sempre deixam. Será uma discussão eterna. E enquanto não se tiver claro que o mundo dito virtual é o MESMO do mundo dito real (com as mesmas regras de civilidade, cidadania e democracia! E mais, com as mesmas PESSOAS, pois somente são virtuais até serem identificadas!), desavisados tenderão a acreditar na impunidade e certeza do anonimato. O caso Mohammed Merah provou que não. Muito informativo e interessantíssimo, como sempre, seu comentário, caro Reynaldo. Serve a muitos propósitos, inclusive para informar aqui no blog a certos canalhas que se escondem no anonimato para ofender e insultar colunistas de que eles, diferentemente do que imaginam, em sua covardia, não são anônimos, não... Abração

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