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O compacto do Nirvana: fenômeno que tiraria Michael Jackson do trono

Por Daniel Setti

Há exatos 20 anos o compacto “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, chegava às lojas dos EUA. Até então ninguém dava especial importância, afinal tratava-se de mais um grupo alternativo de inspiração punk no qual uma grande gravadora, só para ver onde ia dar, tentava apostar. E o momento definitivamente não era deste tipo de banda. Fazer algum barulho (literalmente) no meio underground, portanto, já satisfaria Kurt Cobain (1967-1994), Krist Novoselic e David Grohl, os três rapazes da banda de Aberdeen, perto de Seattle.

Mas a execução massiva da faixa em rádios e na MTV ocasionou uma bola de neve midiática e no começo do ano seguinte (1992) Nevermind, o álbum que abria com a canção, destronaria Dangerous, de Michael Jackson, do topo das paradas norte-americanas. O fenômeno continuaria a crescer em ritmo exponencial, e antes que o mundo percebesse, a ordem pop se subvertera e uma série de bandas mais ou menos parecidas com o Nirvana – ruidosas, mais melódicas – passaria de “oposição” a “situação” no chamado mainstream. Tal cena foi batizada como Grunge e levou à glória outros nomes da mesma Seattle de Kurt e companhia, como Pearl Jam e Alice in Chains.

Fala-se muito da energia incrível do Nirvana ao vivo e das loucuras que seus músicos faziam sobre o palco. Mas nada do descrito nos parágrafos acima teria ocorrido não fossem as composições de Cobain simples, diretas e melódicas (ainda que várias letras pudessem ser indecifráveis). Butch Vig, produtor de Nevermind, disse em um documentário sobre o disco que Kurt tinha consciência disso, e talvez para não queimar seu filme com “a rapaziada”, tentava sujar ao máximo as gravações para que tal aspecto pop das canções não ficasse tão óbvio.

 Pois eis que, despidas das distorções de guitarra e do baixo de Krist Novoselic e da bateria pesadíssima de David Grohl, não restava opção a Cobain a não ser admitir que o que havia por trás eram singelas canções assobiáveis. Tanto é que um contingente para lá de eclético regravou “Smells…”, incluindo o veteraníssimo crooner canadense Paul Anka e até uma orquestra de ukeleles britânica. Caetano e o jazzista Herbie Hancock visitariam outras músicas do Nirvana em seus discos. Mas por hora ficamos com a emotiva interpretação de outro nome que despontou naquele já longínquo 1991, a instigante cantora e pianista norte-americana Tori Amos, para “Smells Like Teen Spirit”.

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3 Comentários

Reynaldo-BH em 10 de setembro de 2011

Não conhecia esta interpretação da Tori Amos. Emocionante. Genail. Thanks a lot. PS: Estou "copiroubando" seus posts, com os textos e tudo, para meu Facebook! E como diria a anta, "o pessoal tem gostado muito!" É uma honra pra gente estar no seu Facebook, amigo Reynaldo. Abração

elisa cristina em 10 de setembro de 2011

Linda interpretação!!!!! Ótimo artigo. Elisa Cristina

JT em 10 de setembro de 2011

Nos anos 90, eu ia para a faculdade num Fusca 1972 azul. A fita K-7 do Acústico MTV do Nirvana tocava tanto que já estava ficando transparente. Eles não eram apenas barulhentos, a versão deles para o hit de David Bowie, "The man who sold the world", é uma prova disso. O Grunge na América e o Brit-Pop na europa foram os últimos suspiros do Rock. Nos últimos 10 anos não tivemos muitas novidades neste campo, excetuando-se o som fabricado para adolescentes.

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