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O magnata Leonard Lauder (à esquerda) com a atriz Elizabeth Hurley, contratada de sua empresa, e com Michael Gould, CEO da Bloomingdale’s, um dos maiores clientes de seus cosméticos (Foto: zimbio.com)

Há bilionários — e bilionários.

Os brasileiros que atingiram esse estágio, na grande maioria dos casos, como os muito ricos em geral “deztepaiz” — com as honrosas exceções de praxe –, o que fazem é querer acumular mais, mais, mais.

Magnatas de outras partes do mundo também adoram dinheiro e poder, mas, em muitos casos, têm outra mentalidade.

Veja-se o caso do bilionário norte-americano Leonard Lauder, dono, com seu irmão Ronald, dos cosméticos Estée Lauder, um império que se divide em uma dezena de marcas consumidas no mundo inteiro.

 

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Uma das obras doadas: de Picasso, “Femme assise dans un fauteuil” (“mulher sentada em uma poltrona”)

Aos 80 anos, com a fortuna pessoal batendo nos 9 bilhões de dólares, ele virou notícia ao doar há algumas semanas toda a sua coleção de arte cubista — que inclui, entre outras, nada menos do que 33 obras de Picasso — ao Metropolitan Museum de Nova York, cujo acervo fabuloso e enciclopédico se ressente de mais vigor em matéria de arte do século XX.

Atualmente em viagem pela Europa para proferir palestras, Lauder explicou em Madri porque repassou obras no valor de 1 bilhão de dólares ao Met. “A arte pertence às pessoas”, disse. “Que gratificação um colecionador pode obter deixando quadros dependurados nas paredes de sua casa por décadas? O bom colecionador é aquele que reúne arte pensando no que possam desfrutar publicamente as gerações futuras”.

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Outra das obras doadas: de Georges Bracque, “Bouteille de rhum” (“garrafa de rum”)

Lauder não passou a expor tais ideias depois de chegar aos 80 anos. Há 36 anos é um dos curadores de outro grande museu de Nova York, o Whitney, e desde 1994 seu chairman. É considerado o principal arrecadador de fundos para o Whitney e de seus próprios bolsos já saíram 260 milhões de dólares para o museu, além de várias obras valiosas.

Sua próxima contribuição para o enriquecimento dos museus de seu país é a doação, já compromissada, ao Museu de Belas Artes de Boston de sua coleção de 120 mil cartões postais, sobretudo da Belle Époque, iniciada na adolescência.

Como se não bastasse, o bilionário fundou uma instituição para pesquisar o Mal de Alzheimer e é importante doador de fundos para o Memorial Sloan-Kettering Hospital, considerado o mais avançado centro de tratamento de câncer do mundo.

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17 Comentários

Fernando B em 23 de julho de 2013

Tenho uma visão um pouco fora das linhas materialistas. A cultura filantrópica deles envolve uma crença de que o universo (seja qual for o conceito pessoal) beneficia quem acredita que a energia do dinheiro deve fluir ao invés de ser estática (acumulativa somente), assim dar e receber é um conceito comum na América do Norte, e em muitos livros que tentam explicar o perfil dos milionários para quem deseja se-lo, esse conceito da doação é presente. Eu vejo a doação como uma oportunidade de agradecer ao mundo pelas oportunidades, e transferindo uma parte do que obtemos a favor de quem ainda precisa de ajuda realizamos esse exercício de gratidão. Vejam o que pensam sobre isso Buffet e Gates... Se todos agissem na mesma linha... Ser rico é uma benção, repartir é sublime.

Vera em 10 de julho de 2013

Não conheço o que fazem nossos milionários e bilionários. O certo é que, salvo engano, não sei de nenhuma renomada instituição de ensino superior sob curadoria de riquezas conhecidas, nem grandes museus ou bibliotecas. Enfim, ao que parece, salvo engano, reitero, não há nenhum Carnegie ou Rockfeller brasileiro disposto a contribuir com sua imensa fortuna para futuro dos brasileiros, mormente para os mais pobres. Há algumas exceções, sim, cara Vera. O falecido industrial e bibliófilo José Mindlin doou toda a sua biblioteca, repleta de raridades extraordinárias, com algo como 70 mil livros, à USP. Se fossem vendidas as raridades, que incluíam mapas antiquíssimos, a coisa iria a bilhões. O Banco Itaú mantém o excelente Centro Cultural Itaú, em São Paulo, além dos cinemas -- que são centros culturais -- que o Unibanco, incorporado, mantinha. Também há o Instituto Moreira Salles, dos donos do Unibanco, hoje sócios do Banco Itaú, que realiza um trabalho extraordinário em vários setores -- detém um dos maiores acervos de fotos preciosas sobre o Brasil que existem. O Bradesco tem sua Fundação, que já proporcionou escola a cerca de 300 mil jovens brasileiros. Vários ricaços de São Paulo ajudaram a montar o fabuloso acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP), e colaboram para manter o museu. Mas, realmente, são exceções à regra. Um abraço

Daniel Nimuendaju em 10 de julho de 2013

Ah se fossemos iguais a eles!!!! Lembro-me que o nosso milionário do dinhero público do BNDES, EIKE BATISTA, comprou o terno usado pelo Sr. Luis da Silva quando da sua posse na primeira vez na presidencia, fazendo crer ao povo que doava aqueles milhares de reais para o falecido programa que denominaram Fome Zero. O sabidão apenas fazia um belo investimento, pois foi o maior beneficiário de dinheiro público do BNDES, com aval do senhor Luis da Silva. Deu no que deu, agora põe na conta do brasileiro que paga imposto.

Lourival Marques em 09 de julho de 2013

Existe um abismo quase intransponível entre uma cultura baseada no mérito, na busca da felicidade e no respeito ao próximo como a americana e uma cultura baseada no cartorialismo, na burocracia labiríntica e na malandragem como a brasileira. Tenho certeza de que nem daqui a dois séculos o Brasil se aproximará dos EUA. Ricardo, descobri sua coluna na Veja há pouco tempo, apesar de ler a revista há muito tempo. Para mim, vc é o melhor e mais elegante colunista daqui. Virei seu fã! Abraço!!!

What's up? em 09 de julho de 2013

Desconfio que existem muitos no Brasil que querem doar e contribuir, mas desistem diante do cipoal burocrático fabricado no manicômio tupiniquim. Apenas um exemplo: Durante as comemorações dos 70 anos da imigração japonesa pude ouvir a indignação de um adido diplomático japonês: Como pode estes agentes brasileiros quererem cobrar impostos e outros encargos "estranhos" em aparelhos médicos doados com custo zero para o Brasil, tudo custeado pelo povo Japonês? Tenho certeza que muitos desistem diante destas aberrações.

roby em 09 de julho de 2013

Por aqui, o buraco é sempre mais embaixo. O empresário José Mindlin teve uma enorme dificuldade quando ousou DOAR sua fabulosa biblioteca para a USP. São barreiras legais, fiscais e ideológicas que fazem da vida dos raros altruístas pátrios um inferno. Em países como os EUA, até universidades são mantidas com a doação de beneméritos — Harvard é um bom exemplo. Quem sabe um dia? Como dizia Voltaire da França do seu tempo (em relação à Inglaterra), o Brasil nunca chega a nada senão muito depois dos Estados Unidos... se chegar, é claro.

wilson em 09 de julho de 2013

Nossos milionários são bancados pelo estado babá, Os gringos são uns amadores imaginem só doado o próprio dinheiro!!!

Alvaro B M de Oliveira em 08 de julho de 2013

Aqui em São Paulo, Brasil, temos a satisfação de ter um bilionário deste nível que é o Dr. Antonio Erminio de Moraes ,que junto com sua família Administra para a população Brasileira a Beneficiencia Portuguesa ,principalmente o SUS com nota 100 de atendimento.

Paulão em 08 de julho de 2013

Prezado Setti, O vovô Leonard é mesmo um mecenas, um filantropo e um exemplo não só para os demais bilionários, mas para todos nós. Afinal, ainda que não se tenha dinheiro, sempre podemos disponibilizar uma parte do nosso tempo para ajudar outras pessoas ou entidades culturais - inclusive as escolas de nossos filhos e netos - que sempre têm diversos tipos de carências. .................... Agora, cá entre nós e as torcidas do Flamento, do Corinthians e do Internacional: A foto mostrando aquele abraço na bela Elizabeth H, somado ao sorriso maroto do velhinho, diz que ele ainda gosta "daquilo", né? Hehehe. Espero chegar aos 80 em forma, como ele...

Augusto em 08 de julho de 2013

Setti, . Os nossos adoram mamar no BNDES!!! . IMPOSTOS NELES!!!

Bruno Sampaio em 08 de julho de 2013

O Eike podia doar sua Ferrari para decorar o Instituto LUla! Arrrgh!!!!

Maria em 08 de julho de 2013

Diferença de séculos de cultura já que,nos Estados Unidos,os valores culturais europeus,sempre foram valorizados,vide as grandes universidades como Harvard. Aqui, o espirito de macunaíma, sempre predominou. Uma pena...

Ismael Pescarini em 08 de julho de 2013

Isso vem e longa data. Me aponte o nome de um mecenas portugues? Nem mecenas, nem grande pintor, nem grande compositor etc., pois é uma tradição aqui o ESTADO dependentismo. O brasileiro acha que tudo é problema da viúva, que aliás, sustenta os artistas chapa branca por intermédio da Lei Rouanet.

Roberto Kenard em 08 de julho de 2013

Prezado Ricardo Setti, só ontem, domingo, tive a oportunidade de assistir ao debate, promovido pelo Instituto Moreira Salles, entre os professores Luiz Felipe Pondé e Marcos Nobre. Tratei de pôr minha opinião sobre o debate no blog ("Luiz Felipe Pondé perde a oportunidade de desnudar a esquerda"). O texto pode ser lido aqui: http://www.robertokenard.com Grande abraço.

Sylvio Haas em 08 de julho de 2013

Quem tem ao lado uma obra de arte como a Elizabeth Hurley não precisa de mais nada.

Observador100 em 08 de julho de 2013

O Eike está esperando criarem o Museu dos Absurdos para doar a peruca dele. Vamos com calma gente..

Marco em 08 de julho de 2013

D. Setti, é sim uma diferença, até mesmo pode ser considerada ingênua com relação aos daqui. Abs.

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