Será que a política externa da presidente Dilma se afasta gradativamente, como vem parecendo, da confraternização de seu antecessor com violadores contumazes dos direitos humanos?

A pergunta do título vale devido a fatos como visitas como a que o camarada Marco Aurélio Garcia, chanceler sem Itamaraty, assessor da presidente para assuntos internacionais, acaba de realizar a Cuba para afagar o tirano Raúl Castro.

De todo modo, é uma ótima notícia saber que a missão brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra fez feira uma declaração enfática, condenando a intolerância religiosa no mundo, e especificamente atirou um dardo no regime ditatorial do Irã dos aiatolás.

A posição brasileira foi manifestada no curso da a sessão sobre “liberdade de religião e crenças” do Conselho de Direitos Humanos, cuja 16ª reunião ocorre desde o final de fevereiro deste 2011.

A condenação vem em boa hora — três dias após o Brasil prestar uma homenagem à ativista iraniana e ferrenha opositora do regime dos aiatolás Shrin Ebadi. Ambos os atos dão a esperança de que, com Marco Aurélio e tudo, o Itamaraty pode estar mudando a política externa adotada pelo governo Lula, que se aproximava de regimes islâmicos ou ditatoriais – e do Irã em particular – ignorando seus atropelos aos direitos humanos.

A declaração oficial, lida na principal sessão do dia no Conselho, diz: ‘O Brasil deplora veementemente todas as ações de discriminação e incitação ao ódio religioso que vêm ocorrendo em várias partes do mundo. Muitas vidas inocentes foram perdidas por causa da intolerância e da ignorância’.

A alfinetada no Irá aparece quando o documento afirma que o o governo brasileiro está preocupado com a situação dos seguidores de “certas religiões” que são alvos de discriminação em diversas partes do mundo, como as crenças de origem africana e a fé Baha’i, um dos maiores grupos não muçulmanos, perseguido ferozmente no Irã.  ‘O Brasil reitera seu compromisso de assegurar uma sociedade plural, tolerante e livre. A liberdade de religião e de crenças é um direito fundamental garantido pela Constituição do país’.

Boa notícia, pois.

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Marco em 11 de março de 2011

Se me permite, a frase "...a condenação do Brasil na ONU condenando..." não só dificulta o entendimento como cria cacofonia.

Carlão em 11 de março de 2011

Ricardo, meu caro Posso ser um tantinho chato contigo? O título do post ficou estranho, com uma condenação condenando. Posso sugerir algo como uma declaração condenando? Pode parecer picuinha ou querer aparecer, mas não interprete assim. É apenas uma pequena contribuição pós-carnaval para o alto nível desta coluna, combinado? Abração do Carlão Caro Carlão, É claro que não considero picuinha. Considero uma colaboração, e agradeço muito. Sempre que você notar algo desse tipo em títulos e textos, não se acanhe em me avisar. Estou publicando o comentário para ser transparente com os leitores. Nada tenho a esconder. E, claro, corrigi a mancada. Um grande abraço

J.B.CRUZ em 11 de março de 2011

CARO SETTI: Mais uma vez foi na mõsca..É preciso separar DILMA de LULA..Gradativamente e a doses homeopáticas, a PRESIDENTA vai se livrando dos mentecaptos do governo lula..Celso Amorim que estava apequenando o BRASIL diante outras nações foi o maior de seus feitos, mas, não se preocupe,devagar devagarinho,DILMA vai se colocando essa turma no devido lugar,,RUA!!..Vamos dar mais de 100 dias para ela, que tal um ano??

Fernando Marés de Souza em 11 de março de 2011

Tudo hipocrisia. Nenhum país se afasta de outro por causa de Direitos Humanos, só por questões políticas e econômicas. Ninguém se afasta da China, é mau negócio, ninguém se afasta de Israel, da Arábia Saudita é política. Ninguém se afasta dos EUA, que deveria responder por crimes de Guerra em Fallujah e é atualmente responsável pela mais preocupante violação dos direitos humanos em jogo, prendendo indefinidamente suspeitos de terrorismo sem acusá-los de nada.

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