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Um mês após o início dos protestos na Síria, manifestações se tornaram mais radicais

Amigos do blog, nós, jornalistas, estamos noticiando com frequência os cada vez mais intensos choques de rua entre manifestantes que protestam em diversas cidades contra a ditadura de Bashar Assad na Síria, que já causaram mais de 150 mortos e um número desconhecido de feridos – sem contar os detidos, cuja sorte o governo jamais informa. Só hoje, morreram mais 5 pessoas.

Apesar dos anúncios de Assad de que militares não usam munição real para conter os protestos, são incontáveis os testemunhos e vídeos que mostram soldados atirando contra multidões desarmadas.

Gostaria, neste post, de contar alguma coisa sobre o Estado policial sírio, que está levando multidões, principalmente de jovens, às ruas:

* O governo passou de pai para filho, como em dinastias absolutistas: Bashar, um médico sem experiência alguma de governo, herdou em 2000 o poder quando o pai, Hafez Assad, morreu. Hafez Assad, então general e ministro da Defesa, assumira o governo por meio de um golpe de Estado 30 anos antes.

* No período entre 1979 e 1982, levantes em várias cidades, entre as quais Hama e Tadmor, levaram ao massacre, até hoje impune, de 40 mil pessoas pelo governo do pai de Bashir Assad.

* A Síria tem 22,5 milhões de habitantes, e acredita-se que o regime disponha de 400 a 500 mil informantes, segundo Waloid Saffour, presidente do Comitê Sírio de Direitos Humanos (SHRC).

* Cerca de 250 mil sírios vivem no exílio, em grande parte por razões políticas.

* Por volta de 300 mil sírios da etnia curda estabelecidos no norte da Síria não tinham direito à cidadania, o que os impedia de ser funcionários públicos, de adquirir propriedades, casar-se segundo as leis nacionais ou ser atendidos pela rede pública de saúde. Seu crime: fazerem parte dos curdos que, há 50 anos, não puderam comprovar com documentos que viviam no país desde 1946, ano em que a Síria tornou-se independente da França, ou serem descendentes deles. Com a rebelião popular, Assad assinou um decreto concedendo cidadania aos curdos, mas ainda resta saber como e quando as medidas práticas virão.

* pelo menos 10 mil presos políticos na Síria – militantes radicais islâmicos, dissidentes pró-democracia, professores, escritores e jornalistas –, a maior parte deles numa prisão na cidade de Sednaya, no oeste, próximo à fronteira com o Líbano. Uma rebelião em Sednaya, em 2008, levou à morte de pelo menos uma centena de prisioneiros. O regime prisional ali é um inferno: os presos não têm acesso a tratamento médico nem à visita de parentes, e a tortura é uma rotina.

* Desde 1963 o país vive oficialmente em estado de exceção – que permite virtualmente qualquer ação às forças de segurança. O ditador Bashir Assad tecnicamente o revogou dias atrás, mas nada mudou na prática.

* A família Assad, corrupta até a raiz dos cabelos, controla setores inteiros da economia do país, razão pela qual o governo impede notícias sobre corrupção na imprensa ou pune quem consegue divulgá-las por outros meios.

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7 Comentários

Nabil em 17 de junho de 2011

Esta notícia não passa de mais uma manipulação . Eu sou um dos milhões de sírios que apoiam bashar al assad e mais de 80% da população síria deseja que ele permaneça no poder. Os EUA e EU apenas desejam mais um território controlado e roubado do oriente médio.Querendo colocar um político que seja boneco deles. Quero que prestem atenção na foto colocada da suposta "manifestação" contra o presidente :eles erguem bandeiras do país e do presidente é uma marcha a favor de Bashar. Eu afirmo isso com total certeza porque sou de lá e minha familia me informa sobre os acontecimentos que as manipuladas imprensas não mostram. Por favor imploro a todos que leiam isso não acreditem no absurdo que está sendo divulgado. As mortes dos civis estão acontecendo por que mercenários estrangeiros, ladrões e presidiários foram contratados para a suposta "manifestação pacífica". Eles levavam armas pesadas e atiravam em todos na rua para criar o caos. Filmavam com uma camêra de celular horrível, alguma pessoa sangrando e mandavam para as imprensas americanas. Não desejamos mais sofrimento, a síria era um dos poucos países do oriente médio que vivia em paz e eu tinha orgulho disso. Não permitam que essa idéia seja divulgada.

Paulo Andrade em 26 de abril de 2011

Bruno, na rapidez do comentário sobre os drusos cometi um erro. Sim, eles são muçulmanos, consideram que as 3 religiões monoteísta não apresentam contradições antagônicas e, que poderiam se unificar. Apesar dessa abertura "teológica" eles se bateram e, ainda se batem como os maronitas no Líbano. Mas, a diáspora cristã e judaica no Egito, Líbano e Síria vem desde os anos 50 (o marco 1956 com a crise de Suez), período onde a ideologia terceiro-mundista estava no seu auge com a descolonização na Asia e Africa. Essas ditaduras se estabeleceram nesse período como se fossem governos progressistas e, conseguiram apoio ora dos EUA, ora da URSS para oprimir seu povo.

Ch em 25 de abril de 2011

Por causa dos protestos os curdos receberam cidadania. http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-12995174 http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/middleeast/syria/8435041/Syrian-president-grants-citizenship-to-Kurds.html http://articles.cnn.com/2011-04-07/world/syria.kurdish.citizenship_1_kurdish-region-kurdish-identity-stateless-kurds?_s=PM:WORLD Obrigado pelos links, caro Ch. Por ora, é promessa de Assad, mas sua ressalva é importante e vou mexer no texto do post. Um abração

Bruno em 25 de abril de 2011

Paulo, Não sei de onde essa informação foi tirada, mas não está correta. Drusos não defendem unificação e são muçulmanos - diferentes de outros muçulmanos apenas por detalhes em sua crença. Ou como disse o já falecido líder dos drusos em Israel, Sheikh Amin Tarif, os drusos são "árabes nobres, de sangue puro" e consideram que sua versão do Islamismo é mais correta que as outras. Quanto a diversidade étnica, a que existia no Líbano e no Egito era muito maior (cristãos eram maioria no Líbano e ambos os países tinham populações judaicas numerosas) e, mesmo sem regimes islâmicos, a situação hoje está como está. As comunidades judaicas (com mais de 3 mil anos) foram praticamente exterminadas em ambos os países e os coptas e maronitas são perseguidos e discriminados. - Quem se dá bem com esses vácuos de poder são os sempre os grupos mais organizados e atuantes - no caso os muçulmanos radicais, que sempre que chegam ao poder vão contra qualquer tipo de regime democrático e igualitário. Não sou otimista como você. Aposto que em alguns anos os coptas vão lembrar da ditadura do Mubarak com saudade e nostalgia.

Erismar Pereira da Vitória em 25 de abril de 2011

Onde estão os colunistas da VEJA, será que o PLANALTO já comprou esta revista, meu DEUS!? E por que raios você me vem com a insinuação de uma calúnia dessas?

Paulo Andrade em 25 de abril de 2011

Antes que se espalhe que tudo não passa da ação de islâmicos radicais, a Síria concentra um importante contingente de cristãos (10% da população) como os "grego"-ortodoxos (do antigo Arcebispado de Antioquia, presente no Brasil), sírios-ortodoxos (ou sirians ou siríacos), armênios (ortodoxos e católicos) católicos de rito maronita e a igreja assiria (da cisão nestoriana do século IV). Há também os drusos (3%) que não são exatamente mulçumanos porque defendem a unificação do judaísmo-cristianismo-islamismo. Tal como aconteceu no Egito, onde os cristão coptas apoiaram decisivamente a queda de Mubarak, há forte evidência que tantos cristãos como a maioria sunita (também oprimida) sejam os alicerces da luta contra a ditadura da família Hassad (de origem alauíta). Essa diversidade religiosa e étnica da Síria, nos dá esperança que o surgimento de uma democracia representativa naquele país mudará de forma radical o esquematismo político religioso do Oriente Médio.

Jotavê em 25 de abril de 2011

Horror em estado bruto, né? Ia aproveitar o intervalo de trabalho para escrever algumas coisas bem cerebrais, mas nenhum raciocínio ficaria á altura desse assassino. F ico na expressão de meus sinceros votos de que os mísseis ocidentais sejam repartidos com mais equidade. Não há nada que Kadaffi mereça que Assad e seus comparsas não mereçam em dobro. Concordo plenamente, caro Jotavê.

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