Lampedusa foi um pequeno paraíso para os ricos – um dos mais famosos cantores e compositores da Itália em todos os tempos, Domenico Modugno, passava ali suas férias – e hoje está no plexo solar das dores da globalização.

É para ali, na pequena ilha de 21 quilômetros quadrados sob o sol do Mediterrâneo, plantada mais próxima das costas da Tunísia, a 113 quilômetros, do que da própria Itália (a Sicília fica a 200 quilômetros), que acorrem milhares de deserdados da sorte do Norte da África, buscando o ilusório paraíso de uma União Europeia em crise.

Agora é a vez dos tunisianos, fugindo da crise política que se seguiu à derrubada, após 23 anos, do regime do ditador Zine el Abidine ben Ali, às dificuldades econômicas e ao desemprego em seu país. Centenas de boat people Tunísia chegam diariamente, como Deus quer, a esse pequeno pedaço do território italiano. Os relatos são de que vêm sendo bem tratados pelos Carabinieri, a polícia, e pelos organismos italianos de assistência médica e social aos refugiados. Depois de um período na ilha, de acomodações restritas, são reencaminhados a outros centros de acolhimento no continente.

Na verdade, os tunisianos só estão na Itália de passagem: querem dar um jeito de juntar-se a suas famílias ou amigos principalmente na França, ex-país colonizador da Tunísia, onde se estima viverem 600 mil compatriotas, e, em menor número, na Bélgica de fala francesa.

O drama dos tunisianos, jovens na esmagadora maioria, pode se resumir em seu apelido: são os harragas (em tradução livre, “aqueles que queimam”), porque em geral eles lançam ao fogo todos os seus documentos, de forma a não deixar rastros de sua real identidade e dificultar sua deportação para um país em que não enxergam um futuro.

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Imigrantes ilegais chegando à ilha de Lampedusa

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3 Comentários

JT em 06 de abril de 2011

A Historia é cíclica? Há cerca de 1500 anos, eram os vândalos que ocupavam o norte da África, mirando na península itálica para posteriormente invadir e saquear Roma, nos extertores do Império Romano. A diferença é que os vândalos eram descendentes de europeus e cristãos gnósticos - odiados pelos católicos - ao passo que os harragas são africanos e muçulmanos - tolerados pelos católicos, uma vez que o risco de novos saques à Roma está fora do contexto. Ironicamente, tanto os vândalos como os harragas tem o hábito de queimar documentos...

Vera Scheidemann em 06 de abril de 2011

O exodo dessas pessoas é muito triste. Fico com o coração partido quando vejo essas cenas, pois abandonar seu país nessas circunstâncias é terrível. Vera

Marco em 06 de abril de 2011

Amigo R. Setti: Recebi um email, q faz uma projeção da imigração cultural mulçumana na Europa, daqui a 20 anos, e tbm na América do Norte e Sul. Eles seriam a maioria, pela simples razão q as taxas Ocidentais d natalidade baixaram para 1,98 em média e a deles como imigrante já estão em mais de 2,9. Hoje eles já são 25 % da população Ocidental. Abs.

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