OTAN prevê mais dificuldades no Afeganistão em 2011. Os EUA têm lá seu general mais preparado

O general David Petraeus: responsável pela retirada de tropas americanas do Afeganistão

A OTAN, aliança militar ocidental, previu um 2011 mais difícil e sangrendo no Afeganistão para as forças da coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, que tentam livrar o país da treva dos fanáticos fundamentalistas do Talibã.  “Enfrentaremos ainda mais violência em 2011”, previu em Cabul, capital do país, o general-de-brigada alemão Josef Blotz, porta-voz da força internacional da OTAN (Isaf).

A coalizão já perdeu 692 soldados neste ano no Afeganistão, o maior número de baixas desde a invasão, em 2001. ” Haverá sempre combates, e devemos manter a pressão sobre os talibãs”, acrescentou o general Blotz. “Temos que consolidar os avanços alcançados nos últimos meses, e isso também vai provocar mais enfrentamentos”. (Leia mais).

O presidente  Barack Obama pretende que até o final de 2014 toda a segurança do Afeganistão esteja nas mãos das Forças Armadas do país, em fase de composição, treinamento e equipamento pelos EUA. Se esse objetivo não for atingido, não será por falta de um estrategista competente.

O principal responsável pela delicada operação de combater os talibãs, apresentar resultados na reconstrução do detroçado Afeganistão e retirar as forças americanas, britânicas e dos demais países aliados dos EUA, deixando algo como um estado afegão minimamente organizado, é o general David Petraeus, ex-comandante supremo das forças dos Estados Unidos e aliados no Iraque e no Afeganistão.

Foi esse general de quatro estrelas e 57 anos, com sobrenome de patrício romano mas filho de um imigrante holandês, quem conseguiu salvar o que poderia ser salvo para os Estados Unidos na guerra do Iraque, que Obama herdou do ex-presidente George W. Bush. Ele substituiu no Afeganistão, em junho passado, o falastrão general Stanley McChrystal, demitido com alarde por Obama depois da publicação, pela revista Vanity Fair, de um seu perfil em que o então comandante zombava do presidente e de sua equipe de segurança nacional.

BATENDO DE FRENTE COM POWELL — Considerado o oficial-general mais influente dos Estados Unidos, e candidato certo à chefia do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, Petraeus é também tido como um grande teórico da guerra contemporânea. A partir de 2005, e em plena fase de dificuldades terríveis dos EUA no Iraque, ele liderou um debate entre os militares americanos que resultou na publicação de seu livro sobre contra-insurreição U.S. Army Counterinsurgency Handbook (Manual de Contra-Insurrreição do Exército dos Estados Unidos), editado em 2007 e, em versão ampliada, em 2008, como Counterinsurgency Field Manual – Tactics, Intelligence, Host Nation Forces, Airpower (algo como Manual de Campo sobre Contra-Insurreição – Táticas, Inteligência, Forças da Nação Socorrida, Poder Aéreo).

Petraeus foi ousado, pois sua doutrina de contra-insurreição bate de frente com a do militar americano mais respeitado até a emergência do próprio atual comandante no Afeganistão, o ex-chefe do Estado-Maior Conjunto durante a Guerra do Golfo (1990), general Colin Powell, posteriormente um constrangido secretário de Estado do desastroso presidente George W. Bush. A “Doutrina Powell” consistia em o poder político escolher cuidadosamente os conflitos em que a nação se envolveria e, uma vez feito isso, empregar o máximo de força militar e reduzir ao mínimo possível as baixas americanas.

Já Petraeus, entre muitas outras ações, advoga a garantia e a cooperação da população civil envolvida. Com seu ar de executivo de multinacional, Petraeus é, também, um intelectual, que defendeu tese sobre a Guerra do Vietnã em 1987, graças à qual ganhou o título de PhD em Relações Internacionais pela Universidade Princeton. Nela, escreveu que “quando se trata de uma intervenção militar dos Estados Unidos, o tempo e a paciência não são virtudes americanas que costumam sobrar”. Curiosamente, no caso do Afeganistão, em que os americanos estão envolvidos há 10 anos, não parece estar faltando nem um, nem outro.

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1 comentário

  • JMello

    Curiosamente, acho que nunca vi um caso de reorganização de um país através de bombas. Se eu não estiver errado, muitos já haviam alertado na imprensa sobre a (in)eficácia desse tipo de ação.
    Mas, os republicanos é que sabem como resolver as “ameaças” à democracia americana, bem no estilo Clint Eastwood.
    Entretanto, parecem que acordaram e viram que o Afeganistão não é Hollywood e Dirty Harry não resolve problemas de verdade.
    E, se os EUA têm tempo e paciência de sobra, que usassem essas virtudes antes de agir de forma bruta. Agora… amanhem-se!