O que vou dizer não é grande novidade para a maioria dos economistas, mas pode ser para os amigos do blog, e vai ajudá-los a acompanhar as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e a luta do governo para que a inflação deste ano não estoure o teto da meta fixada – 6,5% anuais, patamar altíssimo para os padrões do Brasil desde a instituição do Plano Real, há quase 17 anos.

Segundo a observação e os cálculos de economistas que trabalham no governo, aumentar 1 ponto percentual na taxa básica de juros produz o mesmo efeito anti-inflacionário na economia do que “deixar de alimentar a demanda agregada” em 50 bilhões de reais – em linguagem corrente, o mesmo efeito que teria cortar 50 bilhões de reais em gastos públicos.

O corte de despesas, porém, além de não oferecer os inconvenientes da subida nos juros – como o aumento da dívida pública para o governo e, para o consumidor, um maior custo nos empréstimos e financiamentos, inclusive dos cartões de crédito –, causa resultados mais rapidamente: começa a reduzir a procura do público por bens e serviços em 3 meses, ao passo que a mexida nos juros leva de 6 a 7 meses para se fazer notar.

O problema é que, no Brasil, em todos os governos, sempre foi mais fácil subir os juros, com seus efeitos negativos e tudo, do que cortar os próprios gastos.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 × 5 =

Nenhum comentário

Danilo em 25 de março de 2011

Poxa O Setti não comenta mais nossos posts... Caro Danilo, estou momentaneamente longe de SP, com dificuldade de comunicação. Alguns dias mais e estarei com 100% de condições de novo. Obrigado por sua compreensão. Abraço

Lapeno R em 25 de março de 2011

Com o Cambio do jeito que esta, aumentar juros para contornar inflacao se tornou um mecanismo pouco eficaz.

Joe em 24 de março de 2011

Caro Setti, muito feliz a sua colocação. Desafortunadamente governantes incompetentes e populistas preferem aumentar os gastos públicos, de preferência com apaniguados e acólitos de toda espécie, do que ir direto ao ponto. Para fazer isso é preciso ser estadista, enxergar o país no futuro, ainda que o presente possa ser amargo. Um dos grandes estadistas que tivemos foi Mario Covas, um adorável resmungão, simpaticamente mal humorado e com uma visão de futuro inigualável, ainda que lhe custasse a popularidade. Assumiu um estado quebrado, com um déficit público de 26% e em inacreditáveis dois anos zerou-o. A partir de seu governo, gastar somente o que arrecada tornou-se norma e permitiu que SP investisse R$ 60 BI em 2010. Que falta nos faz o velho Mario.

umberto em 24 de março de 2011

Alô,Ricardo Concordo com todas as críticas e análises.Acompanhando essas atitudes há tantos anos,nunca consegui entender como o aumento dos juros vai reduzir o consumo dos alimentos, aluguel e outros ítens da cesta básica.Deveria reduzir a demanda por veículos,eletrodomésticos,computadores,celulares mas nem isso tem acontecido.Sugiro que sejam criados instrumentos mais transparentes para acompanharmos a evolução dos gastos públicos, assim como já existe o"impostômetro".

sergio em 24 de março de 2011

Cortar gastos realmente é eficaz no combate a inflação. Entretanto o governo até agora cortou fumaça. Cadê as demissões dos cumpanhero? Cadê o fim da renúncia fiscal para beneficiar a declamadora betânia? Cadê o ordenamento dos cartões de crédito?E os funcionárioa fantasmas?

Siará Grande em 24 de março de 2011

Concordo totalmente com o Roberto, cortar os gastos públicos nem pensar, vai prejudicar as boquinhas dos cumpanhêro.

Pimenta em 23 de março de 2011

Setti, O governo deve se inspirar num ditado japonês que é mais ou menos assim: Se o governo corta os gastos públicos, os governantes ficam infelizes; Se o governo aumenta os juros, os brasileiros ficam infelizes; Melhor...brasileiros infelizes.

Paulo Bento Bandarra em 23 de março de 2011

A questão é simples de entender. Subir juros transfere para a população o preço da conta. Cortar despesas transfere para os políticos os custos. Quem você acha que eles vão proteger?

Really... em 23 de março de 2011

Seja MEGA juros ou MEGA inflação, o fato gerador não é a mesma fonte? Se o país está tão bem, qual a razão de se pagar MEGA juros 3 vezes mais que o segundo colocado? A MEGA inflação não era gerando imprimindo merreca e três turnos para sustentar a mesma gastança e a corrupção? Num país farsesco a lorota é sempre a mesma; conter o mercado aquecido, mas o fato é que os donos das sinecuras não querem cortar na própria carne.

Roberto em 23 de março de 2011

Elementar meu caro Caro Setti. Aumentar os juros prejudica todos os brasileiros. Cortar gastos prejudica os apadrinhados pendurados no governo. Diante de uma equação tão complexa, a solução do governo é óbvia e previsível.

Danilo em 23 de março de 2011

Prezado Setti: 1. O patamar de 6,5% não é "altíssimo para os padrões do Brasil desde a instituição do Plano Real". Vide histórico do IPCA (http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/ipca-inpc_201102_3.shtm) * 1998 = 1,65% * 1999 = 8,94% * 2000 = 5,97% * 2001 = 7,67% * 2002 = 12,53% * 2003 = 9,3% * 2004 = 7,6% * 2005 = 5,69% * 2006 = 3,14% * 2007 = 4,46% * 2008 = 5,90% * 2009 = 4,31% * 2010 = 5,91% 2. Há notoriamente um incremento dos índices mundiais de inflação, que inclui os países ricos e os em desenvolvimento, principalmente provocado pela alta da commodities e do petróleo. Isso fica claro nesse estudo feito com índices oficiais: http://www.fundap.sp.gov.br/debatesfundap%5Cpdf%5CLivro-Panorama_das_Economias_Internacional_e_Brasileira/07_Infla%C3%A7%C3%A3o%20mundial%20e%20pre%C3%A7os%20das%20commodities.pdf Abraços

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI