Cortar gastos públicos produz efeitos mais rápidos no combate à inflação do que aumento de juros

O que vou dizer não é grande novidade para a maioria dos economistas, mas pode ser para os amigos do blog, e vai ajudá-los a acompanhar as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e a luta do governo para que a inflação deste ano não estoure o teto da meta fixada – 6,5% anuais, patamar altíssimo para os padrões do Brasil desde a instituição do Plano Real, há quase 17 anos.

Segundo a observação e os cálculos de economistas que trabalham no governo, aumentar 1 ponto percentual na taxa básica de juros produz o mesmo efeito anti-inflacionário na economia do que “deixar de alimentar a demanda agregada” em 50 bilhões de reais – em linguagem corrente, o mesmo efeito que teria cortar 50 bilhões de reais em gastos públicos.

O corte de despesas, porém, além de não oferecer os inconvenientes da subida nos juros – como o aumento da dívida pública para o governo e, para o consumidor, um maior custo nos empréstimos e financiamentos, inclusive dos cartões de crédito –, causa resultados mais rapidamente: começa a reduzir a procura do público por bens e serviços em 3 meses, ao passo que a mexida nos juros leva de 6 a 7 meses para se fazer notar.

O problema é que, no Brasil, em todos os governos, sempre foi mais fácil subir os juros, com seus efeitos negativos e tudo, do que cortar os próprios gastos.

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  • Danilo

    Prezado Setti:

    1. O patamar de 6,5% não é “altíssimo para os padrões do Brasil desde a instituição do Plano Real”. Vide histórico do IPCA (http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/ipca-inpc_201102_3.shtm)

    * 1998 = 1,65%
    * 1999 = 8,94%
    * 2000 = 5,97%
    * 2001 = 7,67%
    * 2002 = 12,53%
    * 2003 = 9,3%
    * 2004 = 7,6%
    * 2005 = 5,69%
    * 2006 = 3,14%
    * 2007 = 4,46%
    * 2008 = 5,90%
    * 2009 = 4,31%
    * 2010 = 5,91%

    2. Há notoriamente um incremento dos índices mundiais de inflação, que inclui os países ricos e os em desenvolvimento, principalmente provocado pela alta da commodities e do petróleo. Isso fica claro nesse estudo feito com índices oficiais: http://www.fundap.sp.gov.br/debatesfundap%5Cpdf%5CLivro-Panorama_das_Economias_Internacional_e_Brasileira/07_Infla%C3%A7%C3%A3o%20mundial%20e%20pre%C3%A7os%20das%20commodities.pdf

    Abraços

  • Roberto

    Elementar meu caro Caro Setti.

    Aumentar os juros prejudica todos os brasileiros.

    Cortar gastos prejudica os apadrinhados pendurados no governo.

    Diante de uma equação tão complexa, a solução do governo é óbvia e previsível.

  • Really...

    Seja MEGA juros ou MEGA inflação, o fato gerador não é a mesma fonte? Se o país está tão bem, qual a razão de se pagar MEGA juros 3 vezes mais que o segundo colocado? A MEGA inflação não era gerando imprimindo merreca e três turnos para sustentar a mesma gastança e a corrupção? Num país farsesco a lorota é sempre a mesma; conter o mercado aquecido, mas o fato é que os donos das sinecuras não querem cortar na própria carne.

  • Paulo Bento Bandarra

    A questão é simples de entender. Subir juros transfere para a população o preço da conta. Cortar despesas transfere para os políticos os custos. Quem você acha que eles vão proteger?

  • Pimenta

    Setti,
    O governo deve se inspirar num ditado japonês que é mais ou menos assim:
    Se o governo corta os gastos públicos, os governantes ficam infelizes;
    Se o governo aumenta os juros, os brasileiros ficam infelizes;
    Melhor…brasileiros infelizes.

  • Siará Grande

    Concordo totalmente com o Roberto, cortar os gastos públicos nem pensar, vai prejudicar as boquinhas dos cumpanhêro.

  • sergio

    Cortar gastos realmente é eficaz no combate a inflação. Entretanto o governo até agora cortou fumaça. Cadê as demissões dos cumpanhero? Cadê o fim da renúncia fiscal para beneficiar a declamadora betânia? Cadê o ordenamento dos cartões de crédito?E os funcionárioa fantasmas?

  • umberto

    Alô,Ricardo
    Concordo com todas as críticas e análises.Acompanhando essas atitudes há tantos anos,nunca consegui entender como o aumento dos juros vai reduzir o consumo dos alimentos, aluguel e outros ítens da cesta básica.Deveria reduzir a demanda por veículos,eletrodomésticos,computadores,celulares mas nem isso tem acontecido.Sugiro que sejam criados instrumentos mais transparentes para acompanharmos a evolução dos gastos públicos, assim como já existe o”impostômetro”.

  • Joe

    Caro Setti, muito feliz a sua colocação. Desafortunadamente governantes incompetentes e populistas preferem aumentar os gastos públicos, de preferência com apaniguados e acólitos de toda espécie, do que ir direto ao ponto.
    Para fazer isso é preciso ser estadista, enxergar o país no futuro, ainda que o presente possa ser amargo.
    Um dos grandes estadistas que tivemos foi Mario Covas, um adorável resmungão, simpaticamente mal humorado e com uma visão de futuro inigualável, ainda que lhe custasse a popularidade.
    Assumiu um estado quebrado, com um déficit público de 26% e em inacreditáveis dois anos zerou-o.
    A partir de seu governo, gastar somente o que arrecada tornou-se norma e permitiu que SP investisse R$ 60 BI em 2010.
    Que falta nos faz o velho Mario.

  • Lapeno R

    Com o Cambio do jeito que esta, aumentar juros para contornar inflacao se tornou um mecanismo pouco eficaz.

  • Danilo

    Poxa
    O Setti não comenta mais nossos posts…

    Caro Danilo, estou momentaneamente longe de SP, com dificuldade de comunicação. Alguns dias mais e estarei com 100% de condições de novo.
    Obrigado por sua compreensão.
    Abraço