Nada em política acontece por acaso.

Essa fala curtinha do presidente do Senado, Renan Calheiros, comentando detalhes da visita ao Congresso do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, começa abordando um tema complexo que nem vem ao caso.

Mas, se quiserem, vão direto ao 39º segundo do vídeo: “A independência formal do Banco Central é o ajuste dos ajustes”, diz Renan.

“É isso que vai sinalizar no sentido da previsibilidade, da segurança jurídica”, acrescentou, dizendo que se trata de uma discussão que não se pode “sonegar” ao Parlamento.

Nem FHC conseguiu tornar formalmente independente o BC, como ocorre nos grandes países, embora em seus oito anos a autoridade monetária tenha na prática atuado com total autonomia.

Ao introduzir o tema rapidinho, assim como não quer nada, não tenha a menor dúvida: o cada vez mais desenvolto presidente do Senado, figurão do PMDB, deixou no ar, como um cutelo afiadíssimo, mais um elemento de pressão sobre o enfraquecido governo Dilma como moeda de troca.

A tese de um BC independente é rejeitada pelo PT e pelas chamadas “esquerdas” como a luz do sol pelo Drácula. Seria o pecado dos pecados de “ceder ao mercado”, de o governo perder o controle de parcela importante da política econômica.

Mas, pelo jeito, pode seguir para a pauta do maior partido do Congresso, que, tecnicamente, ainda é aliado do governo.

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