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Francisco Maroto (à dir.), prefeito de Campillo de Ranas, casa-se com o juiz Enrique Rodríguez em 2008; só este ano, 30 casamentos entre pessoas do mesmo sexo no povoado (Foto: André Rubio)

Em seus recentes discursos, Mariano Rajoy, candidato à chefia do governo espanhol pelo conservador Partido Popular (PP), tem evitado assuntos espinhosos, como o aborto e o casamento gay.

São tópicos delicados sobre os quais as alas mais linha-dura da sigla costumam ostentar posturas ferozmente hostis. Driblá-los, e a outros temas mais relevantes, é uma tática que vem dando certo, ajudando Rajoy a ser o favorito disparado a vencer as eleições gerais do próximo domingo, destronando o atual governo do combalido Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), como indicam as pesquisas de intenção de voto.

Pressa em se casar

Desconfiados de que, sob a regência do PP, a Espanha volte a ser mais conservadora nas instituições, a começar pela revogação da lei de 2005 que permite a união civil entre pessoas do mesmo sexo, muitos casais homossexuais vêm se apressando em oficializar matrimônios.

E, curiosamente, uma parte considerável deste contingente de noivos e noivas de última hora tem viajado à na minicidade Campillo de Ranas, próximo a Guadalajara, em Castilla La Mancha, comunidade autônoma (conceito parecido ao dos Estados americanos) no centro da Espanha, para dizer “sim”.

A improvável Meca homossexual

Com apenas 50 habitantes, Campillo de Ranas se tornou uma improvável Meca homossexual institucional de repercussão internacional – a ponto da revista Time apelidá-la como “Las Vegas Ibérica” – justamente após a aprovação da lei pelo governo de José Luis Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro que se despede do comando no próximo domingo.

Mesmo com o casamento gay legalizado, muitos juízes e outras autoridades municipais às quais se delegam, na Espanha, a decisão de efetivar ou não as bodas (incluindo prefeitos), atenderam, à época, a um pedido do PP para que não aprovassem os casamentos homem-homem e mulher-mulher.

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O provável novo primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy: Espanha “de volta ao armário”? (Foto: Gustau Nacarino – Reuters)

Contrariado, o jovem Francisco Maroto, então representante do PSOE no mais alto cargo da prefeitura do minúsculo pueblo, fez um convite a quem quisesse se casar em Campillo de Ranas. O anúncio irritou muita gente, como o juiz local, que pediu demissão por não concordar com as bodas gays, mas o povoado tornou-se uma febre casamenteira.

Até 2008, ano em que o próprio Maroto contraiu matrimônio com, ironicamente, Enrique Rodríguez, o juiz que substituiu o anterior, a cidade havia “casado” cem parejas, a maioria delas homossexuais, e o turismo local ganhava uma nova e inesperada injeção de fôlego. Muitos casais gays também resolveram se mudar para a de repente tolerante Campillo.

Corrida matrimonial “pré-Rajoy”

Diante da suspeita – verossímil, em se tratando das posturas sociais do PP, próximas à Igreja Católica – de que a Espanha seja conduzida “de volta ao armário”, Campillo de Ranas atingiu seu auge como pólo de casórios homossexuais este ano.

“Noto uma preocupação”, disse Maroto, que se encontra em seu terceiro mandato como prefeito, em recente entrevista ao jornal El País. “Estou casando todos os fins de semana, não paro, às vezes são três por dia”. De acordo com o prefeito, dos 80 casamentos que realizou este ano, 30 foram entre pessoas do mesmo sexo.

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Nenhum comentário

pericles em 15 de novembro de 2011

Permite uma brincadeira? Até os jornalistas mais competentes costumam pisar na bola! Uma parte de seu artigo está intitulado "A improvável Meca gay"! Que cacófato miserável! Puxa, Pericles, e não é que me passou batido mesmo? Já adaptei para não dar mais margens a brincadeirinhas. Abraço

Frederico em 14 de novembro de 2011

Vocês não estão de saco cheio de "CASAMENTO GAY" (??), não? Parece brincadeira, né???? Todo mundo resolveu sair do armário!!!!!!! Vai procurar "muié", cara! Deixe de ser grosseiro e cafajeste, meu amigo. Nâo preciso de conselho nenhum seu neste ou em qualquer outro particular. Estou publicando uma informação curiosa, interessante para quem não é troglodita.

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